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Exame Psíquico: Imaginação — quando o normal vira patológico

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2752,719 Palabras13m readGrade 11
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Psiquiatria Pratica
Bom, pessoal, sejam muito bem-vindos a mais um vídeo que a gente dá aqui continuidade à nossa série de exame psicinação. A gente já viu de antemão a função da inteligência, então isso aqui seria justamente uma continuação de uma função ali que é vizinha, prima, irmã, mas é ligeiramente diferente. Pessoal, a gente vai seguir aquela mesma fórmula de sempre.
Então, primeiro a gente tem alguns tipos de conceitos são importantes para que vocês aprendam. o que que a gente tá fazendo ali dos materiais, então do que que a imaginação é constituída. Depois a gente vai para as alterações da imaginação que vai ajudar, claro, você a fazer um exame psíquico melhor.
Então vai fazer ali você ter uma consulta melhor diante do seu paciente. E óbvio, a gente aqui sempre traz algum exemplo, um exemplo ali pautado na prática para você ver uma alteração justamente daquilo que a gente tá falando. E por fim, a gente fecha ali em como que você vai avaliar isso na hora que você tá fazendo ali seu exame psíquico.
Então, mãos à obra. Vamos aqui à nossa vídeo sobre a imaginação. E pessoal, primeira coisa é o conceito.
Imaginação seria justamente a capacidade de criar imagens. Imagens a gente tem todas aquelas características que a gente já viu que tá lá em senso percepção, tá, no vídeo, que é uma imagem dentro da cabeça, que é uma imagem que às vezes não vai ter um certo tipo de corporeedade ou então vai ser instável. E não só isso, tá certo?
Mas também a capacidade de criar ideias. Então, a imaginação ela tá diretamente relacionada com essa capacidade criativa. E diferente da função que a gente viu, que era inteligência, a imaginação, ela não tem diretamente uma utilidade ou então um certo tipo assim de relação de produção ou então um objetivo propriamente dito.
Pode ser que você crie alguma coisa nova, pode, tá? Mas assim, não é visando necessariamente ser útil, tá certo? Então assim, a imaginação tem essa certa característica de ser assim mais descomprometida, descompromissada, tá certo?
Isso é muito importante que você observe na sua prática clínica e, óbvio, isso se contrapõe à função da inteligência. Então, o que que seria justamente a capacidade de criar? Óbvio que você não vai criar nada do nada, então você cria a partir de elementos que você já tem.
Então, imagina que você tem uma ideia já pré-concebida e você tem outra ideia pré-concebida. você vai estabelecer conexões entre elas para justamente criar alguma coisa nova. Ou seja, quanto maior é o seu léxico ou então quanto maior é o seu vocabulário, quanto é maior o seu dicionário, quanto é maior o seu repertório, você vai ter, obviamente, uma capacidade maior de imaginação.
Então, a imaginação é justamente aqui esse novo, ou então essa ideia aqui é uma conexão não usual. E isso obviamente mais uma vez você se expressa, né, ou então você avalia isso tanto na capacidade de criação de imagens quanto de ideias. A imaginação ela se divide em dois tipos.
A primeira é o tipo produtivo e a segunda é o tipo reprodutivo. Produtivo seria necessariamente aquilo que eu tô me referindo como de fato criar algo novo. Isso pode ser uma ideia, isso pode às vezes servir para uma criação científica, uma criação artística, uma produção, tá certo?
Então esse aqui é de fato uma coisa originária. E a reprodutiva é justamente quando você, por exemplo, tá se lembrando de alguma coisa ou então tá mais relacionado à memória. Eh, quando eu peço para, por exemplo, você lembrar de um elefante que você já viu, então você começa a montar uma imagem de um elefante na sua mente.
E, óbvio, aquilo tá de uma certa forma relacionado com a memória, mas cada vez você vai montar como se fosse uma espécie de elefante diferente. Então, tem uma capacidade também reprodutiva da imaginação. E aqui eu dividi também a imaginação contraposta com a inteligência.
A imaginação seria muito mais próximo daqu aquilo que a gente chama de pensamento, que é um devaneio, tá certo? É aquele sonhar acordado ou então aquela fantasia acordada. Enquanto a inteligência ela produz justamente o pensamento lógico, aquele pensamento mais funcional dirigido a um objetivo que visa alguma coisa ou então que visa a resolução de algum problema.
Então esse é um conceito. Imaginação realmente é uma função mais fácil, não precisa assim bater muita cabeça com isso, tá? Mas é importante que vocês sab saibam as alterações da imaginação.
A imaginação, pessoal, assim como a gente viu com a inteligência, ela não tem alteração qualitativa, ela tem só alterações quantitativas. Então você às vezes vai ter um aumento da imaginação ou então uma diminuição da imaginação. O aumento a gente também pode se chamar de exacerbação da capacidade imaginativa.
É muito comum a gente ver o aumento da imaginação em transtornos de personalidade. Então, em transtornos que são estriônicos, narcisistas, antissociais, borderline, geralmente são pessoas que elas vão tentar ali capturar atenção das outras ou então justamente se pôr em protagonismo ou então se pôr ali na frente, no palco ou então numa função mais central. E às vezes eles vão fazer isso com tan stories e para isso precisa um pouco da imaginação.
Então quando você tem uma capacidade geralmente aumentada, então quando você detecta isso, você tem que ver obviamente se você ali tá diante de um transtorno de personalidade, mas também isso pode se alterar às vezes nas no digamos nos transtornos mais estruturais como uma mania ou uma psicólise. Claro que pode, tá? Noom mania, por exemplo, a pessoa vai ter ali um parque psiquismo como um todo, ou seja, uma elevação de todas as funções psíquicas.
E por consequência a imaginação também ela vai est um pouco aumentada. E na psicose é muito comum que as estruturas ou então as formações delirantes elas se agarrem um pouquinho na imaginação. Por isso que às vezes os delírios também elas têm esse tipo de característica um pouco meio fantástico, tá?
Então acontece isso e alterações que cursam justamente com a diminuição do psiquismo, eles vão ter também um certo tipo de diminuição da imaginação. Então quando você tá diante ali de uma pessoa que tá mais deprimida, como ela tá com brade de psiquismo como um todo, ela também vai ter uma diminuição da imaginação por consequência. ou uma pessoa muito que é, isso é uma alteração muito clara às vezes, um déficit intelectual, então uma pessoa mais concreta, às vezes com pensamento um pouco mais empobrecido, isso também vai repercutir na capacidade imaginativa que vai estar diminuído.
E a gente também tem alterações que são mais estruturais, cursando aí com a diminuição da imaginação. por exemplo, um delírium que tem uma alteração global da consciência, obviamente a imaginação também vai est diminuída. E a gente também na esquizofrenia, às vezes por um certo tipo de empobrecimento, então de concretude do pensamento, então da estrutura psíquica, a imaginação também pode estar diminuída.
Então é importante que vocês saibam disso. Talvez a alteração mais clássica aí da imaginação seja justamente a pseudologia fantástica. Pseudologia fantástica, pessoal, pode ser chamado também de mitomania ou então de mentira patológica.
É justamente quando uma pessoa ela te conta uma história um pouco meio fantasiosa, uma história onde ela geralmente ali é o centro da atenção, então ela é um protagonista e aí você vai ter um certo tipo de suspeita, um certo tipo de desconfiança se aquela pessoa tá lhe falando a verdade ou não. Então, quando você tem esse tipo de sensação em você, de não saber se a pessoa tá contando a verdade ou então se ela tá mentindo, suspeita se isso não é uma pseudologia fantástica. Então, é um grande indicativo aí na prática.
E é muito comum, tá, as pessoas perguntarem, mas aí, a pessoa, ela sabe se ela tá mentindo? Então, ela sabe se não tá mentindo? Olha, geralmente a gente não tem como saber, tá?
Então, alguns autores falam que as pessoas elas sabem que elas estão mentindo, outras autores elas falam que sabem, enfim, sabem que isso é uma produção, mas isso não vem ao caso. Se você for pegar, de certa forma, o que é mais importante é você suspeitar dessa alteração. Ou seja, só na suspeita que aquilo seja verdadeiro ou não, isso já é um dado pra gente, independente se a pessoa tá mentindo ou se ela não tá mentindo.
E, óbvio, tá, quando ela tá mentindo, isso vai entrar lá no na no exame psíquico como uma alteração da atitude. Mas o que que seria assim? Ou então uma dica mais fácil assim para você ter, né, ou então para você perceber a pseudologia fantástica seria justamente então um embelezamento, tá certo?
É um aumento das coisas. E aí a gente tem um exemplo aqui muito importante, tá? Que ficou famoso aí na internet como todo aí, que é o Naldo, né?
Enfim. Então ele é bem conhecido por inventar umas histórias. E aqui a gente vai ver o que ele tá relatando aqui, uma história que o Will Smith veio pro Brasil.
E olha como é que ele vai contar isso aqui. O Will Smith já foi meu cameraman. >> Que Mas em que situação?
>> Cara, eu já vi uma foto sua com Will Smith. É verdade. Brasil aquilo faz.
É verdade isso. Eu >> bom vê como é que ele fala. Ele fala que o Will Smith já foi o cameraman dele.
Independente se isso foi verdade ou não foi verdade, você suspeita, pelo menos. Então você anota que tem um certo tipo de embelezamento. Isso é uma pseudologia fantástica.
E aí eu botei aqui do lado um vídeo só para comparar como é que foram os fatos, né? Enfim, ou seja, tirar a prova dos nove aqui se o Will Smith filmou ou não. Então, vê como é que foi a situação aqui.
Observa bem. Olha para cá rapidinho. >> Ai, você não tem ideia dessa Botar agora.
Vocês podem ver que de fato o Smith tá filmando ele aqui. na frente na frente. Então, de fato, Naldo se encontrou com Will Smith e você vê aqui que tem uma filmagenzinha assim no começo, só que aí o Naldo, ele meio que exagera isso, né?
Enfim, então ele fala que o Will Smith filmou ele. Então você vê que não foi muito bem assim, apesar do encontro ter acontecido. Então você nota que tem um certo tipo de embelezamento para o Naldo, justamente ele se coloca aí numa posição mais central, então numa posição aí de mais protagonismo.
Então por isso que é um achado de psologia fantástico, tá? Ah, isso significa que ele tem algum transtorno, alguma coisa? Não, tá?
Obviamente os astros psicopatológicos eles podem acontecer sem necessariamente configurar um transtorno. Mas, óbvio, quando isso acontece em demasia ou então quando a pessoa ela só consegue se comportar assim, aí beleza. E provavelmente a gente deve est e vale a pena a investigação para falar aí de algum transtorno.
E por fim, pessoal, uma coisa que é muito interessante, tá? Quando a gente fala de pseudologia e pseudoalucinação, eu quero trazer aqui um certo tipo de provocação para vocês, porque é muito comum na prática psiquiátrica às vezes você encontrar pacientes que eles falam que ah, eles costumam comentar coisas como se fosse uma alucinação ou então uma pseudoalucinação. Por exemplo, é muito comum quando a gente tá ali entrevistando um paciente que tem algum transtorno de personalidade, às vezes borderline ou então às vezes uma histeria, digamos assim, um paciente pode falar: "Ah, eu tava vendo ali eh vultos ou então eu vi um homem de capa preta e ele tava me perseguindo".
Ou seja, alucinações que a gente sabe que são muito ricas, tá? Ou então são muito imaginativas. Geralmente a gente descreve isso como alteração da sensopercepção e a gente classifica lá como sendo pseudo alucinações.
Só que é interessante também muitas vezes ao invés de você botar isso em pseud alucinação e ficar aquela confusão, ah, é imagem, não tem imagem, é produzida pela cabeça, não é produzida pela cabeça, é alteração da realidade ou não é? você classificar isso como sendo uma alteração do aumento da imaginação, porque, óbvio, o paciente ele tá te relatando aquilo, ele tá te contando aquilo e ele tá, de uma certa forma embelezando aquilo, tá certo? Ele tá aumentando.
Então você também pode classificar isso como sendo uma pseudologia fantástica. Isso é bem útil assim na prática, tá certo? Então pode ser também útil na hora que você for fazer essa classificação que você tiver lá diante do seu paciente.
Como que você avalia, né? Um jeito interessante é você contar três palavras pro paciente e pedir para ele formar uma história. Você vai ver justamente aí a capacidade que ele tem de montar essa história.
Às vezes você pode falar, por exemplo, joelho, relógio e gato e pedir com essas três palavras que o paciente monte uma história. Isso ele vai tentar se virar. E óbvio, se ele conseguir montar uma história legal, você vai ver que ele tá tendo uma capacidade de imaginação preservada.
Às vezes ele vai te contar uma história muito fantástica. Então, provavelmente tá aumentado e às vezes ele não vai conseguir te contar nada, tá certo? E aí tá diminuído.
E isso também tem uma outra forma que é você avaliar ao invés de ser por palavras, por imagens. Pra gente tá fazendo a avaliação de pacientes, inclusive com suspeita de autismo, que a gente tá ali aplicando escala que a gente chama de idols, tá? Tem uma parte dela que é justamente você entrega pro paciente um livro e esse livro ele só tem imagens.
E aí você pede para esse paciente ali ir lhe contando a o que que ele, o que que ele acha que é aquilo. Então uma narração, uma narrativa de acordo com essas imagens, que é as imagens que eu separei aqui. E óbvio que isso não testa só a imaginação, mas uma das coisas que testa também é a imaginação.
Essa capacidade que ela depende muito do simbolismo do paciente. Então você vê aqui, olha, por exemplo, que tem uma imagem aqui de um sapo dentro de uma vitória em cima de uma vitória réeitando um pouco. E depois você vê aqui, ó, que os sapos eles estão começando a sair do pântano levitando.
E aí eles vem que eles estão começando a sair levitando aqui, ó, em direção a uma cidade e aí eles passam aqui em frente ao relógio. Então, muitos pacientes eles podem montar uma história de acordo com isso aqui. E você vai justamente avaliar como que ele constrói essa história, se ele constrói essa história ou não.
E isso, obviamente se remete ou então denota a capacidade imaginativa. Bom pessoal, é isso. Chegamos ao final de mais uma função psíquica.
Lembrando que aqui a gente tá avaliando uma psicopatologia que é mais descritiva, que é novamente, tá? A ponta do iceberg. Isso aqui é como se fosse literalmente, tá certo?
só o começo da estrada dentro da psicopatologia. Se você quer avançar mais, descobrir novos tipos de psicopatologia, psicopatologia aí mais clínica, uma psicopatologia também mais estrutural, que é o que a gente chama um pouco ali de bases de fenomenologia, eu convido vocês a conhecer o nosso curso, tá aqui na descrição do vídeo, você clica lá, vai conhecer a página, vai ter todo o suporte lá, se quiser falar com a gente, você consegue falar com a gente. E quando você entra no curso, além das aulas, você vai ter materiais, apostilas, artigos, você tem suporte aí no grupo de alunos.
Você também tem uma coisa que é muito bacana, que é nosso laboratório de psicopatologia, que são entrevistas simuladas, você vê os atores e vê a gente aplicando todos os conceitos com os atores. Se você quiser avançar um pouco mais nisso, eu te convido a conhecer e espero que você goste. Se você também tá gostando desse formato aqui, deixa nos comentários, tá?
Curta, compartilha aí com seus colegas. Isso ajuda demais a gente. Um abraço, obrigado e até a próxima.
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