Bem-vindos a mais um episódio do nosso curso de harmonia. A gente já sabe que na música tonal cada acorde vai ter uma função, ou seja, ao ser tocado, ele vai gerar uma sensação no seu ouvido. E essa sensação é exatamente o que chamamos de função harmônica.
Hoje nós vamos entender o que são as funções harmônicas dos acordes e suas relações. Então, sem mais delongas, bora. Na harmonia funcional, cada acorde do campo harmônico terá uma função específica, ou melhor dizendo, uma sensação sonora, que faz o seu ouvido, ao escutar um acorde inicial, querer ouvir o próximo acorde, que carrega consigo outra função harmônica, talvez de prolongamento, que por sua vez fará seu ouvido querer ouvir outro acorde com outra função.
E talvez esse tenha função de gerar tensão no seu ouvido. E aí ele vai fazer o seu ouvido querer voltar ao início de novo, onde tudo se relaxa e se resolve. E todos esses acordes sendo tocados ali um após o outro, gera a ideia de movimento harmônico da música, onde em cada momento é uma cena, em cada momento é um movimento.
Afinal, cada acorde tinha uma função, ou seja, uma sensação auditiva diferente que desperta intuitos diferentes aí para você. Uma hora relaxamento, uma hora afastamento e uma hora tensão, que faz você querer ouvir de novo o relaxamento, o início. Na harmonia funcional, nós temos três funções harmônicas básicas, que é de tônica, subdominante e dominante.
E cada uma gera uma dessas sensações. E cada acorde do campo harmônico de alguma tonalidade, por exemplo, dó maior, vai carregar alguma dessas funções. Bora fazer uma pequena analogia para você entender melhor.
Imagine que você está em casa, mas você quer ir até o supermercado. E a gente dividir essa história em três etapas, você está em casa e entre a casa e o supermercado existe obviamente um caminho. Então você está em casa e precisa pegar o seu carro e dirigir até o supermercado.
Depois de horas no mercado, a gente já tá super cansado. A gente fez compras, a gente andou e a gente quer retornar pra casa. A gente tá muito tenso já nessa hora no mercado.
Então, primeiro você está em casa e a casa seria o nosso centro tonal, a nossa origem, onde a gente tá tranquilo, onde todas as nossas histórias começam com sair de casa, de onde a gente parte e é também para onde a gente retorna. É onde a gente chega cansado e relaxa no sofá. E isso é a função tônica.
Ela exerce relaxamento auditivo. A função tônica é de onde tudo começa e é para onde tudo volta no final da história. Então, a gente saiu de casa da nossa função tônica e agora a gente pegou o carro e está andando pelas vias da cidade rumo ao supermercado.
E enquanto a gente se afasta da função tônica ruma ao supermercado, a gente chama isso de função subdominante. O acorde subdominante, ele causa no nosso ouvido a sensação de continuidade, de desenvolvimento da história, de afastamento da tônica. Porém, aí eu cheguei no mercado agora e aí eu fiz minhas compras, eu andei e eu rodei lá por horas e agora eu tô super cansado, eu tô super tenso, tem uma fila enorme até eu conseguir sair de lá.
E esse mercado, então, é um acorde com função dominante, porque ele gera tensão no seu ouvido e aí você vai querer ouvir de novo relaxamento na tônica, lá na casa, na origem. Logo, quando rola um acorde de função dominante, geralmente ele faz você querer ouvir o acorde de função tônica de novo, o acorde inicial. Logo, no campo harmônico, por exemplo, de dó maior, nós teremos acordes com função tônica, subdominante e dominante, fortes e fracos.
Tem acordes que t essa função mais forte e tem acordes que tm essa função menos forte. O acorde com função tônica forte está sobre o primeiro grau. Por exemplo, no campo harmônico de dó maior, seria o dó maior com sétima maior.
Primeiro acorde do campo harmônico. O acorde com função subdominante forte, ele está no quarto grau do campo harmônico e nesse caso é o fá maior com sétima maior. O acorde com função dominante forte é o acorde sobre o quinto grau desse campo harmônico.
No caso seria o Sol maior com a sétima menor. Vamos ouvir esses três acordes. Primeiro a gente tá em casa.
Aí depois a gente vai tocar um acorde de função subdominante para se afastar da tônica, que é a nossa casa, e a gente vai chegar num acorde dominante que vai causar tensão, cansaço auditivo. E aí a gente vai querer voltar para casa. Vamos ouvir aí esses três acordes numa progressão.
Entendeu? Os demais acordes do campo harmônico, o acorde dois, o acorde 3, o acorde 6 e o acorde 7, também terão funções harmônicas. Porém, agora essas funções serão atribuídas por relações de relatividade ou antirrelatividade com esses acordes que a gente já comentou.
Calma, explico. Vamos entender primeiro o que são acordes relativos e acordes antirrelativos. Baseando-se nos acordes de função fortes já comentados, ou seja, o do primeiro grau, o do quarto grau e o do quinto grau, respectivamente tônica, subdominante e dominante, a gente vai determinar quais acordes restantes levam determinada função.
E para isso, a gente tem que descobrir quais acordes são relativos ou antirelativos ao primeiro, ao quarto e ao quinto grau. Um acorde relativo a um determinado grau é um acorde que está um tom e meio para trás desse grau, desse acorde em questão. Ou seja, ele está uma terça menor para trás.
Já o acorde antirrelativo, está uma terça maior para frente desse acorde de referência, uma terça maior ascendente, ou seja, dois tons à frente desse grau. Agora eu vou reorganizar o campo harmônico em uma sequência bem aleatória, mas que fica bem mais fácil de entender. Então vamos lá, ó.
Então, o campo harmônico está aí na tela agora reorganizado, forma totalmente não padrão. É bom comentar no tom de dó maior, o acorde ali do quarto grau, fa maior com sétima maior, é o acorde com função subdominante, forte, original. O acorde relativo a esse fá aí do quarto grau está uma terça menor para trás, ou seja, é o acorde de ré que está 1 tom e meio para trás desse fa.
Logo, esse ré menor com sétima menor também terá a função subdominante. Afinal, ele é relativo ao acorde de FA. Já o acorde antirrelativo ao acorde de Fá está sempre dois tons à frente, ou seja, 1 terça maior à frente.
E é o acorde de lá menor 7, assim como na imagem aí indicado pelas setas em amarelo. Agora que você pegou a lógica, isso vai valer também agora pros demais. Então, por exemplo, o acorde com função dominante forte na tonalidade de dó, ou seja, nesse campo harmônico aí, a gente já comentou que é o acorde do quinto grau, ou seja, é o Sol maior com sétima menor.
Vamos agora descobrir quais acordes são relativos ou antirrelativos a ele e que, por esse motivo, também levarão função dominante. Logo, o acorde relativo em relação a esse sol é o mi menor 7, acorde do terceiro grau, que também terá função de dominante. E o acorde antirelativo a esse sol será o si meio diminuto, acorde do sétimo grau, que também terá função dominante, obviamente.
Logo, esses três acordes terão função dominante, assim como indicado pelas setas em vermelho. Já o acorde de função tônica forte, esse campo harmônico, obviamente é o acorde do primeiro grau, dó maior com sétima maior. E o seu acorde relativo é o lá menor 7.
E o antirrelativo será o mi menor 7. Logo, eles podem ser usados também como função tônica. Se você percebeu, os acordes 3 e se eles têm duas funções harmônicas.
Eles recebem duas funções harmônicas, logo eles terão funções harmônicas consideradas fracas, porque eles não exercem nem uma nem outra de maneira tão satisfatória. Logo, vai depender muito do contexto harmônico em que ele está sendo aplicado ali para que realmente a gente sinta essas sensações ou de uma função ou da outra. Já os acordes dois e sete, eles possuem apenas uma função, porém eles não são os acordes de função forte.
Então a gente chama esses acordes, o dois e o sete aí do campo harmônico, como acordes de função meio fortes. Em teoria, acordes que possuem a mesma função, ou seja, a mesma sensação harmônica ou sonora, podem ser substituídos um pelo outro em uma determinada música. Vamos ouvir aí um exemplo.
Por exemplo, aí nessa sequência 1 4 5 aí, onde eu faço dó, fa, eu vou substituir o acorde de faorde ré menor 7 em algum momento. Afinal, eles têm a mesma função, subdominante, no caso, podem ser substituídos. Vamos ouvir como é que fica.
Percebeu? Eles geraram a mesma sensação harmônica. Perceba que o ré menor 7 substitui bem o Fá maior com sé maior porque é um acorde de função meio forte, então ele exerce até bem essa função de subdominante que ele partilha com o FA.
Agora vamos substituir o Sol S, acorde de função dominante forte pelo mi menor 7, que por possuir duas funções é um acorde de função dominante fraca. Você vai perceber que ele até faz o serviço, mas não é tão bom para substituição, ou seja, não tem tanto poder para causar tensão auditiva no seu ouvido para que você queira retornar pro relaxamento, pra função tônica. Vamos ouvir.
Já o acorde do sétimo grau, que é um acorde que possui apenas uma função e é dominante e é uma função dominante meio forte, já é bem melhor para substituir o Sols nessa progressão. Vamos ouvir aí. Então, agora que a gente já ouviu as funções e já conseguiu entender em que contexto essas sensações se aplicam à música, é você agora treinar aí na prática os acordes do campo harmônico e fazer suas próprias substituições.
Por exemplo, faça a substituição de alguns acordes dessa progressão por acordes que tenham a mesma função do acorde que você estiver substituindo. Claro que essa experiência aí na prática que você vai treinar aí, ela é fundamental para realmente você absorver esse conhecimento. Agora a gente vai adentrar um pouco mais fundo nesse mar harmônico.
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E agora bora continuar aqui com a aula. >> A gente vai falar das notas ausentes e as notas características que realmente vão determinar se um acorde em alguma tonalidade tem função X, Y ou Z. Na escala, nós temos notas características que vão atribuir uma determinada função aos acordes.
Por exemplo, em dó maior, a nota dó e sua terça maior, a nota mi, caracterizam a função tônica. Logo, acordes que tem a nota dó e mi tem função tônica. Por sua vez, a nota fa e sua terça também caracterizam acordes de função agora subdominantes.
E a nota sol, juntamente com sua terça, nota si, também caracterizam acordes de função agora dominantes. Mas como a gente tá falando de sonoridade, também existem as notas que são as notas ausentes características de determinada função. Como assim?
Seguinte, se determinada nota estiver em um acorde, ela pode estragar a sonoridade daquela função, ela pode estragar a sensação sonora daquela função. Então, a gente tem notas que a gente não quer em acordes com determinada função. Essas notas, elas têm que estar caracteristicamente ausentes do acorde.
Vamos entender como é que é na prática. No geral, acordes de função tônica rejeitam a nota do quarto grau, porque essa nota representa a função subdominante. Em dó maior, quer dizer que acordes de função tônica desse campo harmônico vão rejeitar a nota fa.
E o motivo disso é que se eu tenho, por exemplo, um dó maior com sétima maior, que é um acorde de função tônica, e eu toco junto com ele a nota fa, perceba que o som dele estraga. Então vamos ouvir aí uma progressão onde eu toco dó maior, fa maior e depois sol maior e volto para dó. Só que quando eu voltar para dó, eu vou tocar a nota Fá junto.
Você vai ver que não vai dar o relaxamento que você espera. Vamos ouvir, viu? Ao tocar a nota Fá junto com esse acorde, eu estraguei o som da função tônica.
Logo, em dó maior, a nota Fá, a nota do quarto grau, é uma nota característica ausente para acordes de função tônica. Acordes de função subdominante, por sua vez, rejeitam a nota do sétimo grau. No caso de dó maior, seria a nota si.
Então você não quer acordes de função subdominante que tenham a nota si inclusas nele. Afinal, os acordes de função subdominante terão a nota fá ou sua terça. E juntamente com a nota si, fa e si gera o trítono.
E acordes com trítono tem função, na verdade dominante. Logo, a nota si descaracterizaria o som subdominante desse acorde. Logo, acordes com função subdominante tratarão a nota do sétimo grau da escala como nota característica ausente.
Já os acordes com função dominante rejeitam a nota do primeiro grau. Afinal, acordes dominantes são tensos por natureza, caos puro. E a nota dó, nota do primeiro grau, ela representa relaxamento.
Então são funções completamente opostas. Acorde dominante é tenso, acorde de tônica é suave, ele relaxa, ele resolve a harmonia. Em resumo, em dó maior, por exemplo, acordes de função tônica rejeitam a nota fa, a nota que representa a função subdominante.
Acordes com função subdominante, por sua vez, vão rejeitar a nota si, nota do sétimo grau. E acordes de função dominante rejeitarão a nota dó, a nota do primeiro grau, que representa a função tônica. E aqui chegamos ao fim de mais um episódio do nosso curso de harmonia.
Eu espero ter apresentado aqui informação de qualidade para você com os conceitos comentados nesse episódio. No mais, é isso. Bora pra próxima.