O sombral não é um lugar comum, nem algo que possa se encontrar facilmente. Ele é um espaço entre os mundos, uma realidade distorcida que existe paralela à nossa, mas escondida nas fras da cidade, nos momentos em que a lógica e o tempo falham. Ele não pode ser acessado por vontade própria.
O sombral escolhe suas vítimas. Pode ser um beco que nunca esteve ali antes, uma rua que parece mais longa do que deveria, uma loja que aparece do nada e some no dia seguinte. Pode ser o metrô que nunca chega, mas que quando vem carrega passageiros que não pertencem mais a este mundo.
Quando alguém é puxado para o Sombral, é como se deixasse de existir para o resto da realidade. O tempo não funciona da mesma forma lá dentro. Minutos podem ser horas.
ou podem nunca passar. Os espaços se dobram, se repetem, como um labirinto que não foi feito para humanos. Mas o pior não é o lugar.
O pior são as coisas que moram lá. Não se sabe ao [música] certo que elas são. Alguns dizem que são ecos de pessoas que já caíram no Sombral e nunca conseguiram sair.
Outros acreditam que sempre estiveram ali esperando por mais vítimas para se juntar a elas. Elas se movem sem som, aparecem em reflexos, te observam de longe, até que de repente já estão atrás de você. E uma vez que o sombral te pega, você nunca mais volta o mesmo.
Se conseguir escapar, as ruas parecerão diferentes. Seu reflexo se moverá um pouco depois de você. As luzes piscarão quando você passar por elas.
E sempre às 3:11 da manhã você sentirá que alguém está te observando, porque o sombral nunca esquece aqueles que quase ficaram. M.