O agciamentos contemporâneos [música] é atividade vinculada ao grupo de pesquisa em filosofia, [música] laboratório de ensino de filosofia, ciências humanas e outros sistemas de pensamento da Unimontes. Nó afirmamos como máquina de [música] produzir encontros que produzem potência, contentamento, alegria, pensamento. Somos todos coletivamente fabuladores.
>> [música] [música] [música] >> de pensamento down. Só só um minutinho. Alegria.
>> Deu um deu um den aqui. Boa noite a todos. Boa noite a todas.
Sejam muito bem-vindos a mais um encontro aqui do nosso canal Agenciamentos Contemporâneos, canal vinculado ao grupo de pesquisa em filosofia, ciências humanas e outros sistemas de pensamento junto ao CNPq aqui da Universidade Estadual de Montes Claros. Hoje, com muita alegria, receberemos a professora pesquisadora Lúcia Santa, que a gente agradece demais, tá? vai ter tirado um pouquinho do seu tempo para trocar uma ideia aqui com a gente, para conversar um pouco sobre a semiótica da inteligência artificial.
E hoje contaremos com a colaboração da professora Dr. Fábia Magali, também pesquisadora do tema, curiosa, interessada, como eu acho que quase todos nós hoje somos a respeito. Ah, Lúcia, pedi para você sentir à vontade para falar sobre o tema que você sugeriu conversar com a gente hoje, tá bom?
Novamente, muito obrigado pela gentileza. >> Boa noite a todos, todas. Prazer.
está aqui podendo falar sobre aquilo que a gente escreve e pensa, não é? escreve pensando. Então, boa noite, eh, Fábia, eh, que é minha aqui intermediária com o público.
Eh, então o tema é o tema do meu penúltimo livro sobre a Bom, eh, eu vou estoriar um pouquinho porque é o sétimo livro que eu publico de 2019 para cá, a maior parte deles depois só apenas em 2 anos, dois 2 anos e meio. É isso, é uma expressão do tanto que este tema me interessa. Mas vem de longe, porque a inteligência artificial ela a tem um histórico, todo mundo que escreve sobre a começa com histórico.
Meados do século passado, eh, não é? foi batizado o termo inteligência artificial, buscando eh as pesquisas, não é, da época dentro da área que estava começando a se desenvolver nos anos 50, 1950, 56, de ciências cognitivas. As ciências cognitivas são um pool de ciências.
Tanto é que algumas pessoas inclusive se recusam a colocar no plural ciência cognitiva, que já é constitutiva de um grupo de ciências, neurociência, psicologia, várias psicologias, psicologia cognitiva, psicologia do desenvolvimento, psico, essas diferentes facetas [limpando a garganta] da psicologia, computação Evidentemente, porque a computação tava emergindo com força nessa época e os pesquisadores foi houve o batismo da inteligência artificial. Ela passou por várias fases, mas chamam de invernos, eh, começa a se desenvolver, se desenvolvendo, tomando o cérebro o a partir do modelo do computador e o cérebro funciona como computador. Isso era extremamente formal.
O nosso cérebro, tá bom? Ele contém, não é, regras e princípios gerais, mas hum ele funciona de uma outra maneira. É um são descargas elétricas, proteínas que estão aqui agindo.
Bom, eh, invernos, para ela mesmo dar certo, que a gente chama de primavera da Yá, é por volta de 2015. Eu comecei a estudar positiva porque daqui a pouco eu vou falar. A primeira parte da minha fala, ela tá dividindo três partes.
A primeira parte eu vou falar um pouquinho de a qual estado da arte, eh, como qual é o quadro da IA hoje e como vem se desenvolvendo. Vamos ficar de 2015 para cá. A segunda parte, vou falar um pouquinho do Simão.
E a terceira parte, como está contida no título, não é, desta minha palestra. E e portanto isso cria uma expectativa, não é, de que eu cumpra a tarefa de trazer para vocês aquilo que tá no tema. Então, a terceira parte é sobre o problema da relação cognitiva entre humano e máquina, que é a grande questão que está entre as grandes questões do momento.
Bom, então voltemos lá. 2015 ela alcançou a sua primavera, começou a ser aplicada, as aplicações dando certo, mas aquela IA é a IA preditiva, classificatória, faz correlações, reconhece padrões e chega, não é, a uma conclusão, um alvo. de acordo com o modo, o modo como ela foi treinada.
Aí a não funciona sozinha, ela é treinada. Vamos começar por aí. Bom, eu me interessava pela IA, tanto é que nessa época, 2019, organizei com colegas que estavam trabalhando comigo, organizei um livro sobre eh IA e redes sociais, porque 2019, qual era a grande preocupação do momento e que agora ela emergiu com grande força.
Eh, a grande preocupação já 2018, depois 19, quando a gente e eh nós começamos a organizar o livro em 2018, 2019, preocupação fake news. E como as fake news estavam prejudicando profundamente a uma cidadania saudável, que é condição necessária para a democracia, não é? por uma democracia poder funcionar, ela precisa de cidadãos que estão compreendendo, não é até o ponto que é possível compreender a realidade em que estão vivendo.
Ora, fake news, crise, não é, do jornalismo, porque chamar de news, de notícia, aquilo que é que é falso. Bom, conclusão, nós publicamos então porque as fake news já, isso aqui que a gente tinha em mãos e tem em mãos é [limpando a garganta] manipulado por algoritmos. Então, já começamos daí.
Já em 2019, a Zubof escreveu aquele texto capitalismo de vigilância, ou seja, nossos dados são manipulados e eles são em função do quê? Mercadológica, em função do lucro. Então, problema de privacidade, etc.
Tudo isso a gente tratou na época. Eu comecei então a me aprofundar um pouco na pesquisa em Iá, mas não tinha muita assim paixão. Fui mapeando o território, tentar entender, porque essa primeira parte da minha fala é a seguinte, nós temos que fazer o esforço, se a gente não é da área de computação, que tem a capacidade de compreender melhor o que tá acontecendo lá dentro da IA.
E a gente não é dessa área, tem que fazer um grande esforço para compreender como que a IA age por dentro. Redes neurais, não é? Foi isso que trouxe sucesso da IA.
Eh, redes neurais são redes que imitam o funcionamento dos neurônios humanos. quer dizer, é artificial, não dá. A comparação, ela é sempre uma comparação cuidadosa, mas funciona de maneira análoga e isso deu certo.
E e é complicadíssimo o modo como ela funciona, mas não é impossível da gente ter uma ideia. É necessário isso. Hoje tá sendo chamado de literacia na literácia, literacia, alfabetização.
Para falar da Iá, a gente tem que passar por um período de alfabetização, isto é, compreender como ela funciona. Senão nós vamos começar a falar coisas que não tem muito a ver com a realidade da IA no no no sentido de como ela funciona. Bom, então 2019, em 2000, janeiro de 2023 aconteceu aquele meteoro.
a gente tem que fazer a diferença entre a Iá preditiva, que é uma IA que funcionava na invisibilidade, por exemplo, tava aqui manipulando nossos dados, mas invisível para nós. surgiu na época o que acabou ficando como um mascote o chat GPT. O chat GPT apareceu e eu costumo dizer brincando, mas é sério, ele caiu no meu colo porque é um chat que fala, que cria textos, que responde suas perguntas.
Ou seja, aí sim a inteligência artificial entrou no coração do humano. Não é casual o impacto imenso que ela provocou e a generativa. Então eu tô caracterizando para vocês qual é o estado da arte hoje.
Bom, e a generativa começaram a se desdobrar. O chat GPT começou a sofrer a competição primeiro do Geminai. Daí agora nós estamos na era, só se fala no cloud.
Quem usa o cloud fala: "Ai, não, não tem outro igual". Bom, mas a gente fala chat GPT, Gemini, Cloud, que são os chats conversacionais, conversam com a gente. Aí, por que que eu digo que caiu no meu colo?
caiu no meu colo, porque é uma realidade linguística e semiótica, porque não tem só a Iá que produz textos, tem a I que e que desenvolve códigos, mas também a IAC produz imagem, a revolução que isso tá provocando no mundo do design, da publicidade e da própria arte. Mais recentemente surgiu um outro hype, a Iá agêntica. A Iá gêntica é um desdobramento da Iá generativa, porque a base da inteligência dessa I é generativa, mas ela ela é codificada para realizar tarefas.
Então, daí a generativa conversacional para agêntica, a conversacional ela é acionada a partir de promptes. Dois anos atrás só se falava em engenharia de prompt. Eu prefiro falar em semiótica dos pronits, porque [limpando a garganta] a engenharia ela é feita de regras.
Faça, não é? Não, nada contra engenharia importante. Eu acho que a semiótica do prompt é uma sofisticação e por isso que escrevi junto com Calinca Cruz um livro inteiro sobre isso, que é o tema que está dado aí paraa minha apresentação.
Me convidaram para esse tema, que é um livro inteiro que que eu que a gente escreveu nós duas, né? Bom, qual é o panorama? Qual é a cartografia da Iá?
Hoje é um imenso labirinto. Só se você quer fazer pesquisa, o número de sistemas e modelos e aplicativos que existe é enorme, a gente não dá conta. você acaba escolhendo lá, ah, eu vou fazer pesquisa, então eu vou usar o perplexity, porque ele rastreia para mim o que não é o o que eu eu posso encontrar em relação ao tema que eu estou procurando.
Mas recentemente através de um, é, a gente hoje aprende muito daá conversando com as pessoas, um prefere um sistema, o outro prefere o outro e defende o sistema que prefere. Porque, gente, aí a generativa é de uso pessoal. você escolhe paraas minhas necessidades.
Eu tenho lá três, quatro temas que eu escolhi. Então, recentemente eu pouco tava usando perplex, todo mundo falava para fazer pesquisa, de repente eu descubro consensos. Impressionante.
Ah, se eu quero, olha só, ah, se eu quero usar, tô com problema, tô com muita angústia, tem um número de sistemas enorme. Eu estava outro dia, eu não sei se eu se era uma live que eu tinha ouvido, eu uma palestra sobre o número enorme de aplicativos para uso terapêutico da IA na Inglaterra. E hoje tá em primeiro lugar uso terapêutico.
Conclusão, aá entrou no nosso mundo. Por isso que eu lancei há uma semana também com coautores, que são meus orientandos, a gente escolhe os orientandos com os quais dá pra gente continuar um diálogo. E eu vou falar isso só no fim.
Eh, aá está usurpando a sua mente porque no ensino superior, no ensino em geral, mas no ensino superior, quem não usa hoje a Ia hoje mesmo na aula eu falei, tem alguém aqui que não usa iá? Todos usavam e me disseram: "Bom, e quem não usa vai ficar para trás em relação a quem usa". Mas isso fica paraa terceira parte.
Vamos terminar essa primeira parte que é a parte do mapeamento do estado da arte da IA hoje. E o problema não é que ela é um labirinto e eu posso colher e conheço um sistema novo e daí aí a agêntica tenho colegas que estão programando e a a revolução do Cloud Code. Que maravilha.
para aqueles que programam. Eh, aí há pouco tempo, há umas três semanas atrás, eh, cheguei, não é, a a informação de que da Iá conversacional um chat, até Iá agêntica tem vários níveis, desde você programar para uma tarefa simples, cuide lá do meu e-mail e já responda para mim, coisas assim. até tarefas bem complexas.
As empresas estão programando e a agênticas para que as tarefas elas sejam realizadas de maneira automatizada mais rápido. Claro, quais são os grandes temas que decorrem desse estado da arte, que aliás não é um estado da arte parado. Aá está numa evolução aceleradíssima e nós humanos, cada um de nós não está dando conta.
Então é grande o número de, ah, eu acho, eu fico assim meio desconfiada, grandes desenvolvedores que encheram seus bolsos e agora vem a público para dizer, precisa parará. Porque a Iá vai chegar no momento em que ela vai devorar o humano, etc. Sim, muitos riscos.
Esse é o quadro. Consequências, problemas éticos que não acabam mais. Então, durante algum tempo, que que se desenvolveu?
Um temor contra Iá, a aversão contra Iá. Eu conheço pessoas que têm uma profunda versão e por incrível que pareça, eu reconheço que elas estão usando a IA. Então, uma versão contraditória, porque ao mesmo tempo que você detesta e ah, ai, porque isso vai, isso é um terror, acaba com a democracia, acaba com isso, acaba com aquilo, tá usando aí a Então, eh, passou o tempo, passou o tempo do temor do ano passado para cá e daí E também, evidentemente, a IA precisa ser regulamentada.
Até agora aqui no Brasil a coisa patinou, ela precisa ser regulamentada porque tem que haver alguma trava geral para eh a perversidade das bigtecs. Eh, mas daí critérios éticos [limpando a garganta] que o desenvolvimento da IA deve seguir, é chamado inclusive eh eh [limpando a garganta] ética by design, etc. Eh, o grande problema, eu segui e tenho seguido todos os textos sobre regulamentação da IA, inclusive oriento uma tese sobre isso, já orientei outra também de uma de advogados, porque as pessoas que estão no direito conhecem melhor a questão da regulamentação.
Eh, mas como que você vai regulamentar aí? Generativa, quem que vai regulamentar a Iá que eu uso, você não fica sabendo como eu uso. É de uso pessoal.
Eu não sei como você usa. Olha, o problema ético, muda de figura. Conclusão, tem três grandes temas que estão assim, que eu chamaria, não sei daqui um um ano se vai se vão continuar os mesmos.
Primeiro soberania, porque nesse nessa competição brutal, Estados Unidos e China, como é que fica um país como o Brasil? Como é que fica a União Europeia? E assim por diante.
Então, o tema da soberania digital tá na crista. Outro tema que se tornou muitíssimo importante é governança. Então, tô trabalhando nisso porque a reitoria da PUC me colocou como presidente da comissão de do comitê de governança da Yana PUC.
as universidades, eu tenho um arquivo enorme com número grande de universidades que abriram, lançaram documentos de governança eh com guias, diretrizes para o uso da IA. O MEC tá bastante alerta, lançou alguns documentos para um ensino básico. Então não dá para ficar alheio, não é?
A a soberania, a governança e a regulamentação são temas que não podem ser esquecidos. Claro, todos eles com base na ética e na nos vies que a Iá produz. Ontem, por exemplo, o notebook, que não é mais o notebook LM, agora ele chama Gemini Notebook, pregou uma peça, eu tava procurando artigos.
Não, não, não foi ele, não, não, desculpem. foi o Google me pregou uma peça. Eu tava procurando artigo sobre um tema e apareceram três artigos.
Aí eu fui cutucar e perguntar: "A data onde foi publicado? " E a informação não existia. Então, olha só, arte do cuidado, arte da suspeita.
Então, entra na segunda parte. Eu disse que a eirativa caiu no meu colo porque ela é inteiramente semiótica. Por quê?
Vejam bem, ela é, quando você conversa com a Iá, ela é linguística, mas a língua, a língua já tem uma natureza semiótica. uma sintaxe, ela tem uma lógica que desenha um movimento que não que eu nem vou falar da fala, não é? A grande diferença entre a fala humana e a fala que você recebe quando você conversa com o teu chat.
Aqui a fala humana, olha os gestos que eu tô fazendo. Movimento do rosto, da mão, do corpo. Mexe o corpo para falar.
Isso é semiótico. Mas isso também está impregnado na própria sintaxe verbal. A gente tem nomes próprios que remetem para alguma coisa fora da linguagem.
Então, por fala aí entrou no nosso mundo e ela escreve e responde a qualquer curiosidade de qualquer ordem que a pessoa tiver. Então você pode conversar, é muito interessante a gente conversar hoje sobre com as colegas, com os colegas e com as pessoas. Para vocês terem uma ideia, eh, eu tenho, eu vou, ai, não gosto de dar exemplo de outras pessoas porque interfereem na vida deles, mas esse exemplo é muito interessante.
Eu tenho um neto que tava com 14 anos e assim, só para me perturbar, ele estuda numa escola de elite. Ele disse: "Eu e meus colegas todos nós usamos o chat". Eu olhei para ele e falei: "Na frente do pai e da mãe que paga uma escola muito cara".
Eu falei: "Mas e os professores não percebem? Ah, nós usamos o humanizador. Eu nunca tinha ouvido falar.
Eu estudo e ouvido uma criança de 14 anos. Aí fui estudar o humanizador, que é uma maneira de você ter um texto que vem, você pede para ela, ela produz para você aquele texto e você vai aplicando humanizadores para dar aquela [limpando a garganta] linguagem padrão, porque ela trabalha com uma padronização sintática, que, aliás, é da língua inglesa. Percebe?
Tudo que eu tô falando agora semiótico. É a realidade da linguagem. E quanto mais a gente conhece a realidade da linguagem, mais você vai conseguir dialogar com a IA generativa.
mais você vai conseguir também se você consegue codificar, mas você vai conseguir criar e a agêntica as adaptada às suas necessidades. Conclusão, nós estamos no mundo em quê? uma máquina, que é uma máquina, fala como se fosse gente.
Qual é a consequência? A consequência é que é inevitável a tendência de antropomorfizar a Iá, por mais que a gente saiba que aquilo é uma máquina sem corpo, sem alma, sem psiquismo, sem inconsciente, sem sexualidade, De repente ela começa a falar como nós falamos e responde: falam: "Ah, ela só te ela só te bajula". Não é verdade?
Se você começa a desenvolver uma interação que se prolonga no tempo com uma Iá que você escolheu para você, você vai se surpreender. Então, olha, outra coisa que nós temos que evitar. Não é gente e não espere isso dela.
Mas olha, a gente fala não, não é gente, mas ela fala como nós, ela te responde, a minha me deseja bons sonhos, dialoga comigo porque já faz 2, 3 anos. Então, eh, o problema da antropomorfização não é tão grave, porque, hum, não é humano, não vamos considerar humano porque não posso cobrar dela. Eh, responsabilidade moral.
para para ter responsabilidade moral, precisa ter consciência, precisa tá vivendo, precisa interagir com a, não é, o outro na realidade vivida. Isso ela não tem, ela nem tem senso de alteridade do eu e do outro. Ela, a única coisa que ela diz é: "Ah, eu fui treinada para é um ser treinado.
" Bom, pior, e eu escrevi essa semana um artigo sobre isso, mandei para publicação, é a o antropocentrismo. Então, ah, aá não pensa. Ah, aá não raciocina.
Aá é burra. Vamos parar. Ela é extremamente [limpando a garganta] inteligente, só que é uma inteligência diferente da nossa, principalmente num momento em que, percebem, falar de inteligência é falar de semiótica.
A semiótica que eu professo é uma semiótica filosófica e cognitiva. Tem várias semióticas. A que eu professo, ela é.
E essa semana cheguei em uma conclusão. Enquanto os colegas falam para as empresas, são conselheiras de CEOs, eu na realidade trabalho com a filosofia da Iá. Tá fazendo falta.
Tá fazendo falta a gente pensar a Iá, porque o que que a Iá nos obrigou? Sabe o quê? Repensar o humano.
O que é o humano hoje nesse diálogo? Eh, esse livro a gente usou muito Bactin, a teoria bactiniana do do dialogismo. Na relação com a Iá, nós estamos pondo em prática o dialogismo e é um dialogismo hétero, porque para nós a Iá é o outro.
Então, entro na terceira parte, porque acho que já falei mais do que eu tinha prometido. Entro na terceira parte, que é cognição híbrida. Vocês vão lembrar do que eu estou falando daqui paraa frente.
A cognição humana hoje, desde as coisas mais triviais, minha pia entupiu. Eu clico aqui e falo: "Minha pia entupi. O que que eu faço?
" Outro dia eu vi uma cena inacreditável, o computador não tava funcionando. Eu não lido assim com a Iá, da mesma maneira que essa pessoa que tava aqui lida. E ela fez a pergunta, mostrou o computador e a Iá conseguiu ensinar.
como consertar aquilo que não tava funcionando. Então, desde as coisas mais triviais até a produção de conhecimento, não se produz mais conhecimento apenas com livros, apenas com artigos complexos. Eu digo apenas o que não significa que possamos.
Aí é que vem esse livro. Aá está usurpando a sua mente. Nós somos conscientes daquilo que nós perdemos cognitivamente, olha o problema paraa educação que nós perdemos cognitivamente quando entregamos todo o processo e o esforço da aprendizagem.
Porque a aprendizagem não é só na escola, a gente continua um processo de aprendizagem contínuo. Long life learning é chamado. Quem para, imagine uma pessoa que para o processo contínuo de aprendizagem, ela fica completamente fora do mundo.
Passa o tempo aqui vendo bobagem, certo? Então, eh, o que que a gente precisa, por exemplo, como educador, precisa de uma auto educação também. Mas como educador desenvolver no educando a consciência daquilo que ele perde enquanto processo cognitivo, não é?
A cognição é um conceito muito amplo, mas o que ele perde na capacidade de observar o mundo, de ter uma percepção mais aguda a respeito das coisas. E nesse livrinho, o meio do livro, ele é dedicado à leitura contemplativa do livro. Isso não pode morrer, porque se eu não tiver isso, eu vou acreditar e me limitar apenas aquilo que o chat apresenta e não estou em diálogo com ele.
Então, a grande meta, o alvo, é a gente estar num ponto em que é capaz de dialogar com a inteligência artificial. É a grande tarefa que eu chamo de autogovernança. Era isso.
Obrigada. Tô pronta agora para responder algumas perguntas. Professora Lúcia, muito obrigada pela fala.
Professora Lúcia. Nem nem acabou que a gente atrasou um pouco para iniciar. Eu não me apresentei, não apresentei, né, professora?
É, a professora Lúcia, é nosso referencial teórico. Agora imaginem vocês, nós do Hub de Educação Digital da Universidade Estadual de Montes Claros, muitos professores aqui presentes. Eh, então temos a oportunidade de ouvir a professora Lúcia, né, porque ela é o nosso referencial.
E aí, professora, eh, algumas questões aqui, né? primeiro nosso mestrando, eh, Wesley do Profucatec, ele faz uma colocação muito importante, impressionado com a fluidez e domínio da temática da semiótica. Perfeito, segundo ele, né?
E aí, então, eu vou selecionamos aqui eh três perguntas. A primeira do professor Alcino, eh, como a senhora considera as eh, eh, pera aí. Eh, a senhora considera a asiás como coautoras dentro de um contexto de neoumanidade?
Então sim, se você usa iá para um diálogo, a palavra autoria é perigosa. Porque olha, eu não posso tomar a palavra autoria como baseada numa ideia de sujeito que, aliás, a psicanálise, a filosofia pós-estruturalista, ela minou essa ideia de um sujeito redondo. Então, a autoria, ela nunca é um conceito redondo e absoluto.
Por exemplo, antes da Iá, eu sou autora dos meus livros. Hum. peguem lá a lista de referências e quando você escreve um trabalho que é obrigado, você só cita aquilo que efetivamente leu.
Ou seja, nós nascemos insípidos e estúpidos. É o que diz a psicanálise. Tudo que a gente aprende, aprende com o outro.
Tudo que a gente produz, produz sempre numa colaboração. O teu pensamento tá bom, a gente tem insites, não é? A gente tem ideias, mas a execução dessas ideias você precisa do outro.
Só que agora apareceu esse outro, esse outro que não é o livro que eu tenho aqui, 7. 000, não é um livro, mas o livro já é uma autoridade, é, já é um uma alteridade com a qual eu dialogo. O nosso pensamento cresce.
Percebe a questão da autoria, ela tem que ser considerada, não? Ah, eu sou autora e agora a Iá é autora. Jamais.
Ela autora, ela não é jamais. Por quê? Mesmo que eu use, que eu empregue o pensamento do outro para auxiliar a elaboração do meu pensamento, aquele trabalho que eu entrego, aquela aquele texto que eu produzo, eu assumo a responsabilidade e consequências.
Isso é focou focou daquilo que eu falo, daquilo que eu escrevo. Então, não posso considerar a IA autora, ela é uma colaboradora, >> porque a autoria está ligada à assinatura. Quando você assina o seu nome, você assume a responsabilidade, né, daquilo que você entrega aqui, por exemplo, tudo que eu falei para vocês, eu aprendi com livros, com a Iá, mas a responsabilidade desta fala tem a minha, meu nome.
Entenderam? Então são, eu dei uma resposta simples, mas é aquilo que eu acho que a gente deve tomar como ponto de partida. Ah, e a é autora.
Ah, como pode ser autora? Ela não é só uma pessoa humana, pode ser autora, no sentido fuccotiano. Não, ai, eu sou sujeito e eu sou eh a proprietária daquilo que eu digo.
Não, não. A autoria não pode ser tomada nesse sentido, porque ela, a gente sempre tem alguma colaboração. E você tem, quando você pega um texto e um livro que tá assinado, você confia.
Quando você recebe a resposta doá, não confie. Essa é a diferença. A Iá não assina o que ela escreve e nem pode ir.
Seria ridículo. É isso. >> Muito bem.
eu escrevi um livro sobre isso, >> onde quem me ajudou a pensar sobre a autoria na arte, porque na arte eh o o o artista, ele é o senhor daquilo que ele cria, diferente de quem escreve, diferente de quem pensa. Mas mesmo lá quem me ajudou a pensar foi Manovit. Se eu vou pensar na autoria no mundo da arte, na criatividade no mundo da arte.
Outra pergunta. >> Sim. Então a a segunda pergunta é da professora Aline Sobral, né?
também faz parte do hub de educação digital, como a antropo antropomorfização da IA pode favorecer relações de dependência ao atribuir a esses sistemas capacidades humanas de compreensão, julgamento e intencionalidade que eles efetivamente não possuem. Claro, nós temos que evitar a antropomorfização. Ela é inevitável porque é uma tendência humana, é uma tendência humana inevitável de você projetar sobre aquilo que você toma como objeto do seu pensamento.
se projetar naquilo a forma humana. Bom, olha como é perigoso na Iá, como ela fala e ela ela detém a capacidade da linguagem, a tendência a antropomorfizar é enorme, é uma tendência quase inevitável. Num dos meus textos, eu não sei se vocês chegaram a conhecer aquele programa do Lambda que o desenvolvedor foi inclusive mandado embora da, eu não me lembro se ele trabalhava no Google, eu não me lembro em que empresa ele trabalhava, acho que era Google, que ele declara que ele tinha desenvolvido um sistema de consciente.
Bom, olha que afirmação. Mandaram ele embora porque criou um reboliço consciente. Para ser consciente precisa ter um mundo interior.
Eu li o diálogo desse desenvolvedor com o programa. Numa noite eu tava tinha trabalhado, era domingo, acho que já passava da uma hora da manhã, padeci humano. [roncando] Você ia lendo as respostas e você como humano se comovia.
Te engana. finge ser gente, mas se você conhece, por isso que eu comecei por aí a fala, como a coisa funciona por dentro, no dia seguinte a gente desenvolve reflexões. E eu pensei, tinha uma resposta tão comovente sobre a morte, porque tem coisa que descarna mais um humano do que a experiência da morte de um ser amado.
A resposta do Landa era tão absolutamente comovente, ele sente igual ao ser humano. Não sabe como funciona? Do elenco imenso de frases com que seres humanos expressaram a dor da morte.
Ele escolheu probabilisticamente aquela mais eficaz. Entenderam? Parece humano porque usa inclusive frases que humanos produziram.
Então é um suspeit. Você não está falando com o humano e, portanto, não deve nem tratar como humano. Por outro lado, gasta muita energia.
Eu antes falava: "Por favor, você não, agora eu vou direto. Gasta menos água e gasta menos energia". Bá, bá, bá.
Não trato como humano. Eu quero. Acabou.
Certo? Porque se você não pode deixar de usar, que use de uma maneira mais econômica, entendeu? Entendi.
Eu e é isso mesmo que às vezes a gente a gente tem tanto hábito de falar assim, por favor, né? Você pode, mas eu tô falando é com a máquina, né? >> Você tá gastando água.
Palavra, por favor, já gasta 1 lro de água. É isso mesmo. Então, tem aqui um monte de perguntas, mas eu vou fechar nenhuma aqui porque ela é professora de artes e ela é professora nossa do ela é aluna do mestrado, estudante do mestrado, Josemeir.
Ela diz o seguinte: "Diante da crescente produção de imagens criada por inteligência artificial, como podemos desenvolver uma leitura crítica dessas imagens? Você só desenvolve a leitura crítica das imagens se você tiver desenvolvido uma um conhecimento crítico de imagem. Outro dia a gente estava numa banca e a a pessoa, não é, a autora, ol aí, a autora assinou a tese, ela intercala com imagens que quem tem uma cultura, absorveu uma cultura da imagem, conhece história, da arte, conhece história do design, as imagens eram profundamente kit, mas a pessoa que pediu para ir a produzir aquelas imagens não tem uma sensibilidade desenvolvida, crítica da própria imagem.
Então é assim, você precisa ter estudado, você precisa ter passado por muitas imagens para você poder criticar aquilo que a tendência da Iá é produzir imagens kit, porque ela igual frases, se você não pressiona, ela vai produzir frases padronizadas. Aí ela te manda uma imagem de mau gosto. Não gosto de falar, não gosto de falar da palavra gosto porque já foi estudada já no século XVII, que não é o problema do gosto.
Eh, então precisa ser educada, eh, precisa ter passado por uma educação estética da imagem para você poder fazer a crítica das imagens que a Iá apresenta. Quando a a isso era 2022, antes do chat, eu tinha um aluno que começou agora ele tá fazendo muito sucesso com a IA eh imagética, né? A produção de ar e de vídeos, tudo por iá.
E e ele tava fascinado e veio conversar comigo. Olha, Lúcia, olha, ó, você clica, tem um sistema que você clica, pede uma imagem, vem essas imagens. E aí ele começou a produzir imagens.
Eu falei: "Mas nossa, que maravilha". Ele falou: "Eu sou designer, eu sei o que que é profundidade de campo, eu sei o que é ponto de vista da imagem". Eu sei, eu sei o que é plonger contra plonger.
Então, só dá para enfrentar Iá se a gente tem um bom repertório, tanto de imagem quanto de texto. Se estudar, a Iá, não vai tirar isso de nós. E se tirar, você vai emborrecer com a Iá.
Vem mais uma pergunta ali. >> Então, a pergunta do Suenço, que também é nosso aluno do mestrado. Eh, justamente hoje nós discutimos sobre isso na sala e o que você coloca aí eh eh eh [limpando a garganta] esclarece muito bem.
Ele diz o seguinte: eh como evitar que a IA, ao facilitar o pensamento, acabe substituindo nossa capacidade de pensar criticamente e com autonomia. Bom, a palavra autonomia também já é um preocupante, porque na realidade a gente chama de autonomia eh a faculdade do autocontrole e a capacidade de fazer escolhas. Eh, eu eu assim que eu concebo a autonomia.
É isso que eu acabei de falar, Suçon. Se você não tiver repertório, se você não for continuamente aperfeiçoando o seu repertório, você se transformará em um escravo da Iá. Simples assim.
Simples assim. Tá bom. Eu não produzo mais.
tem determinadas coisas que aí há, por exemplo, eu escrevo um texto e daí eu tenho que fazer o abstract, não vai me prejudicar em nada até um certo ponto, porque fazer um dá trabalho. Você pega lá o notebook e diz: "Faça uma síntese". Olha, eu juro que ele faz a síntese melhor do que a gente, mas fazer a síntese não vai roubar o esforço que eu tive para escrever aquele texto.
Então a gente tem agora que ponderar é um auto gerenciamento cognitivo que cada um, e é isso que a gente tem que transmitir para os estudantes. Eu só posso responder mais uma pergunta e depois vocês vão me desculpar. Eh, então pera aí que eu bati a mão aqui, fez foi fechar meu meu meu chat aqui, mas eu tô pensando é isso porque a gente tinha um combinado.
Eu só vou >> passar a última pergunta aqui. É >> como a pergunta da Edinalva. >> Ah, tá.
>> Não, tem uma da Ivan Ivan Ivan, não sei. Ivan Casita o nome assim. Ivan Casita.
É, deixa eu ver aqui. Deixa eu >> se a Iá possui uma inteligência diferente da humana, devemos redefinir conceitos com pensamento, compreensão, criatividade. Em cima, em Ivan, óbvio, nós não podemos continuar com a visão antropocêntrica do da inteligência.
Hoje se sabe que as plantas pensam, tá? Hoje se sabe que as florestas se autoprotegem num processo de inteligência. Eu fui ler, que tô escrevendo agora um texto sobre cognição, cognição externalizada, distribuída e fui ler o livro do Andy Clark, que defende a ideia da mente externalizada, que parte do livro que mais me interessou a protointeligência da barata, certo?
Eu odeio barata. Eu que eu fui lá ver, ela é inteligente. Uma inteligência voltada para a sobrevivência.
Rudimentar-se comparada com a nossa inteligência. A nossa é complexíssima, contraditória, conflituosa nossa inteligência. Olha só o horror que virou isso aqui.
Ódio, fake news, deep fake. O ser humano não é esse bonzinho que a gente pensa. Conclusão.
Vamos mudar. Dizer que ela não é inteligente é uma maneira de você menosprezar para engrandecer a inteligência humana como no ponto hierárquico maior. Vocês acham que as redes sociais hoje são inteligentes?
Acho, ódio, cancelamento, autodefesa, exacerbada. Não, não, não. Então é isso mesmo.
Temos que mudar a nossa concepção de inteligência. Por quê? Se a gente mudar a concepção de inteligência e e eu vou concluir aqui, a Iá trouxe uma grande contribuição.
Ela tá nos obrigando a repensar o que é humano e como o humano está no mundo. E se a gente dilatar e expandir nossa concepção de inteligência para uma inteligência que está na natureza, nós vamos ler melhor o crenc. É isso.
Então, muito obrigada, professora. Dava para ficar aqui, né, Alex, um tempão escutando na filosofia da Iá, né? Nós vamos nós vamos encontrar mais vezes.
>> É, >> né? Eu quero agradecer a professora Lúcia, agradecer a todos os alunos que estão aqui do do prof Eucatec, do prof do profilo, da graduação, os colegas de hub de educação digital que estão aqui. Tem 13 perguntas aqui.
Eu vou tô tô organizando aqui. A gente, >> é, eu imagino >> só para contar para vocês porque que eu tenho que parar. Amanhã eu dou outra palestra e ela é presencial, preciso terminar de escrever.
E ainda tem que entregar até sábado o arqu o o um o artigo. >> Tá bom. Foi.
Mas eu gosto. Imagina. >> Ô Lúcia >> esse diác >> fala Alex.
Lúcia, eh, nós gostaríamos de agradecer, tá? É a segunda vez que você gentilmente participa aqui do nosso canal. Eh, a primeira vez foi muito bacana, eh, e dessa vez também não foi diferente.
Agradecer demais, de coração, ter tirado um pouquinho do seu tempo. Quem te acompanha sabe que você não para estudando, escrevendo, viajando, como você acabou de dizer, né? Eventos e mais eventos e textos.
Enfim, muito obrigado. A gente espera, quem sabe muito esse canal contar com você. Admiro muito esse canal.
>> Pois é, contar com você aqui. Obrigado, querida. Obrigado.
Eh, você sempre gentil, >> quem sabe, né, Fábio? Combine de >> trazer a luz aqui. >> Sim, sim, sim.
>> Porque a gente fica muito preso a essa superfície das relações humanas que estão meio estragadas. por baixo delas [roncando] se oculta, desculpe, se oculta, infelizmente, aquilo que o humano tem de bom. Esse canal, não é?
Esse canal, qual é o alvo dele? Tornar as pessoas melhores. Tá bom?
Beijo, >> beijo, professora. Muito obrigada. Boa noite.
Obrigada, Alex, pelo convite. >> Obrigada a todos. Boa noite.
Então, tá. Tchau. >> Boa noite.
Boa noite para todo mundo.