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2.2; Interseccionalidade

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02,172 Wörter10m readGrade 18
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projeto Anansi
oi oi no fim das contas as categorias que a gente usa para enquadrar o mundo são contingenciais ela tem um fundo histórico são construídas culturalmente e não são descrições características próprias a natureza das coisas pois bem se é assim esses rótulos empregados para definir grupo e sujeitos e divisões estão submetidos a relações de disputas entende nomear algo ou alguém é de ter um poder político especial sobre as coisas e sobre as formas pelas quais as pessoas lidam com essas coisas rosto e faz tudo põe no sul da Bahia onde tudo começou chegou Branco encontra o
índio e com negro Miguel seguinte lugar de mulher para mim e na cozinha não foi aonde aqui meu bem ferramentas são para você mas aqui tem um ponto extremamente relevante se esses rótulos essas categorias que a gente utiliza para dar sentido a grupos e pessoas se esgotam supõe homogeneidade entre os sujeitos desses grupos até que ponto utilizar deles com a intenção de lutar contra discriminações é possível sem tornar invisíveis determinados sujeitos que quer dizer se termos como mulheres ou negros por exemplo são utilizados como forma de enquadrar todo uma pluralidade de indivíduos em uma única
e monolítica identidade como se valer esses mesmos termos sem apagar a qualidade de pautas internas a esses mesmos grupos uma altura fundamental para entender como esse problema pode se desdobrar é uma filósofa norte-americana chamada Angela Davis a de trás na geladeira aves haveria uma articulação entre economia política e ideologia que contribui para a permanência de lógicas próprias ao sistema escravista mesmo depois de abolida a escravidão essa permanência estaria de alto a baixo na nossa sociedade seria como se fosse uma estrutura que sustenta as relações entre os sujeitos uma estrutura que de tão generalizada estaria Presente
mesmo entre movimentos de luta contra discriminação para ela perceber a importância EA profundidade das herança escravista seria indispensável para qualquer mobilização que pretendo assim levantar contra formas de opressão Angela Davis se concentra em especial no movimento feminista a própria ideia de feminilidade não é generalizar em todas as mulheres lembra de um Scott tratando sobre a Revolução Francesa EA relação dela com a questão dos direitos das mulheres se fosse bem sem corda ela juntos quatro citavam discurso de um jacobino chamado Pierre Gaspar chomet se lembra esse valia da ideia da maternidade para imputar as mulheres uma
espécie de inaptidão natural ao debate público pois bem essa generalização do feminino a partir do papel da Maternidade tomada como uma espécie de maternidade compulsória foi e ainda é um dos principais instrumentos para o impedimento do acesso de mulheres a certos círculos desde trabalho passando pela vida pública essa tal da Maternidade compulsória fundo dos elementos mais combatidos por movimentos feministas nesse sentido a levantar-se contra definição do feminino como definido pela maternidade que é utilizada para mensurar o valor e o caráter das mulheres enquanto indivíduos seria levantar-se contra a própria ou opressão de gênero acabaria simplificando
a possibilidade de ocupar outras esferas que não aquela relacionada aos cuidados e ao fortalecimento do núcleo familiar dívidas são pra você e assim que seriam abertas outras possibilidades como o direito ao voto e ao trabalho que não doméstico por exemplo é uma pauta que se opõem diretamente à categoria de feminilidade como Concebida por aqueles que dela se valem a restringir direitos Oi e aí que tá exatamente por Se valer dessa definição generalizada de mulheres que essas estratégias parecem limitar a atuação e essa é a proposta central de Angela Davis na sua obra mulheres raça e
classe A1 fatizar apenas a pauta da Maternidade compulsória esses movimentos eles tomariam como algo generalizável a todas as mulheres uma questão específica algumas delas estariam de fora da mobilização outras como por exemplo mulheres pobres a ideia do cuidado do Lar e da família é mais claramente relacionada à mulheres de classe média e termina excluindo outras que por questões econômicas são fadados ao trabalho Fabril por exemplo de forma e normalizada aqui o cruzamento de categorias no caso relacionando o gênero e classe ao supor uma definição única para mulher a cada se por invisibilizar todo numa sorte
de outras mulheres a e esse é o ponto levantado por Angela Davis quando se pauta um movimento em prol da luta contra discriminações as questões colocadas em relevância podem aprofundar desigualdades é como se houvesse uma série de estruturas de preconceitos que se reproduzem mesmo no interior dos movimentos que pretendem lutar contra eles em outras palavras é como se a atuação política contra discriminações deveria dar conta da pluralidade de pautas e não se reduzir a uma categoria generalizada para Davis gênero e Raça estariam diretamente relacionados a uma lógica econômica e ideológica que reafirma padrões escravocratas não
reconhecer isso seria reproduzir relações de exclusão EA própria Angela Davis faz 11 o mundo da história dos movimentos feministas ao longo do tempo para tentar perceber como essas relações são construídas em e no final do século 19 o movimento sufragista colocado em primeiro plano pautas que não eram centrais para todas as mulheres A Urgência da reivindicação do direito ao voto que era Central nesse movimento era restrita a mulheres fundamentalmente brancas de classe média questões sobre garantia de direitos trabalhistas específicos para mulheres hoje Combate à violência passavam longe das preocupações haveria assim uma espécie de hegemonia
racial e de classe interior do movimento que acabaria colocando determinado as pautas e mais relevância nos Estados Unidos é sufragistas e incluíam não apenas questões específicas de mulheres negras mas por certas vezes se ancorava até mesmo e ideologia supremacistas brancas como é o caso da nossa a Associação Nacional pelo sufrágio das mulheres americanas e uma ativista chamada Laura Clay essa Associação acabou por se aproximar de movimentos racistas a própria Laura Clay ao incorporar a pauta do movimento e de age segregação de mulheres negras acabou por se tornar uma das primeiras mulheres a conseguir destaque na
política institucional do país e de alguma relevância no interior do partido Democrata nas primeiras décadas do século 20 no fim das contas Angela Davis defende a necessidade de perceber outras categorias que operam no interior dos próprios movimentos anti-discriminação categorias como raça e classe que se não forem reconhecidas simultaneamente torna impossível Qualquer mudança substancial são como categorias que provocam divisionista no interior do próprio movimento enfraquece não apenas a possibilidade de resultados reais mas também na própria capacidade de mobilização E no fim das contas seria assumir com uma categoria de feminino não dá conta da pluralidade de
diferentes relações internas a esse grande grupo essa categoria única deveria ser entre cruzada com outros EA se der vai ser amplamente abordada expandida por outras autoras esse entrecruzamentos categorias foi nomeado como interseccionalidade por uma jurista norte-americana chamada kimberlé crenshaw C o grimshaw explora como é a partir de categorias que nós nos tornamos capazes de agir diante do mundo são essas categorias que tornam possível perceber ou invisibilizar experiências determinados sujeitos seria preciso segundo ela abrir a possibilidade de novas categorias se esses rótulos são capazes de trazerem a luz certas questões não tratar da interseccionalidade condenaria determinadas
especificidades ao esquecimento sexismo racismo classicismo capacitismo E tantas outras categorias elas se interseccionam mas os sujeitos localizados nessas intersecções não estariam submetidos simplesmente é uma sobreposição de submissões a esses sujeitos não haveria uma categoria específico e seriam simplesmente invisíveis em vez de mobilização aqui é importante indicar alguns diálogos possíveis com tudo que a gente tem que conversar até agora se na fenomenologia lembra dela se na fenomenologia o mundo é considerado a partir das formas dadas a ele por determinados sujeitos essa abordagem interseccional ela pretende exatamente dar cor a certas relações com o mundo tornar digamos
assim inteligíveis perceptiveis certo e sujeitos por intercruzar essas categorias Pizzaria exatamente possibilitar estratégias de ação mais abrangentes estratégia na abordagem da kimberlé crenshaw inclusive legais propostas legais de intervenção nessa perspectiva deveriam tomar uma redobrada cautela ao Se valer de tipificações generalizadas baseadas em raça classe ou gênero a Kimberly aqui no chão indica aqui " e quando o fatos não são bem assimilados dentro dos padrões disponíveis as pessoas têm dificuldade em incorporar novos fatos ao modo como pensam sobre um problema se não há categorias para nomear certos sujeitos e experiências as suas especificidades são ignorados ignorados
na própria percepção da sua existência na capacidade de enfatizar E publicizar essas experiências o mesmo na consideração do problema por legisladores e como jurista especializada em inglês anti-discriminação aqui meleca Inicial coloca como fundamental essa ideia de interseccionalidade na organização e políticas públicas E aí e a intenção aqui é tornar visíveis as especificidades de experiências Para Além desses rótulos generalizadores Mas você percebe que é preciso para isso ser realmente viável dar conta de especificidades também geográficas se essas alturas como o João Scotti o Angela Davis por exemplo se vinculam a uma reflexão a partir da história
as especificidades brasileiras também deveriam ser levadas em conta e para isso uma nutróloga brasileira abre toda uma gama de reflexões uma pensadora política chamada lélia Gonzalez E no fim dos anos 1980 lélia Gonzalez ela propôs reflexões sobre a experiência brasileira muito antes da noção de interseccionalidade da kimberlé crenshaw se popularizar por aqui no Brasil ela a González propõe a necessidade de se pensar a articulação entre racismo sexismo e classicismo para entender as questões próprias ao país Brasil a lélia Gonzalez parte de uma noção freudiana a idade de negação é uma tradução do Alemão ver nenhum
uma tradução que traz todo um debate e se deveria ser entendida como negação ou de negação mas isso não é o ponto aqui a calda de negação seria uma reação do sujeito em se recusar a reconhecer uma realidade que ele causa na sua concepção de mundo em alguns tipos de Sofrimento seria uma forma de proteção de si mesmo entende e a lélia Gonzalez se vale dessa noção em um sentido social compartilhado para ela a experiência brasileira ela seria marcada pela denegação do que ela chama de amefricanidade o segundo González amefricanidade seria um conjunto de expressões
culturais e noções sobre o mundo baseadas em tradições ameríndias e africanas essa amefricanidade seria a marca da experiência brasileira desde a língua passando pelos costumes e chegando às práticas políticas essa tal amefricanidade seria dominante em relação à tradições europeias culturas não-europeias seriam fundamento do desenho daquilo que é o Brasil entretanto essas marcas são nos termos da noção floridiana de negados por nós mesmos ou seja fenótipos culturas expressões conceitos sobre o mundo e toda uma sorte de marcas africanas E ameríndias que nos compõem são recalcadas por nós mesmos são recusadas pelos mesmo é nós que somos
criados a partir dessas referências para Leila González o racismo se articula com sexismo no contexto brasileiro e desse modo acaba por negar os próprios fundamentos da nossa cultura essa articulação se dá exatamente por essa de negação da amefricanidade para lélia Gonzalez "o lugar em que nos situamos determinará a nossa interpretação sobre o duplo fenômeno do racismo e do sexismo para nós o racismo se constitui como assintomática que caracteriza a neurose cultural brasileira nesse sentido veremos que sua articulação com o sexismo produz efeitos violento e sobre a mulher negra em particular ela trata de uma neurose
e cultural brasileira ou seja uma a ação do que lhe é próprio e uma incapacidade de perceber se plenamente pro Freud neurose seria a permanência de vestígios inconscientes que fragilizaria um sujeito no presente uma neurose e cultural no sentido que leva alguns a disse vale seria uma cultura incapaz de perceber a si mesma em capaz de lidar com aquilo que definir seus próprios contornos amefricanidade isso se daria a partir da negação no Brasil de identidades latino-americanas e africanas parte de uma suposição de proximidade a contextos europeus e o distanciamento a outras experiências não europeias e
tanto o racismo como sexismo seriam expressões dessa neurose segundo lélia Gonzalez E aí "para ela lá e enquanto delegação dessa latinoamericanidade o racismo se volta justamente contra aqueles que do ponto de vista étnico são os testemunhos vivos da mesma tentando tirá-los de cena apagá-los do mapa eu disse política de embranquecimento que são recorrentes nas da brasileira até práticas de racismo atuais todos seriam expressões dessa neurose dessa de negação de nós mesmos no fim das contas essas políticas e práticas racistas e sexistas reproduzem caracterias coloniais que perduram agora não com colonizadores sobre povos nativos Mas entre
nós próprios brasileiros nesse sentido a discussão sobre a igualdade diferença tomo um Contorno diferente aqueles estudos culturais que a gente tava falando antes acaba assumindo um papel mais grave e voltado a relação de poder historicamente sedimentados e culturalmente replicadas lélia Gonzalez representa essa especificidade brasileira e acaba conduz Oi gente alguns assuntos que eu quero tratar nessa segunda parte do nosso curso bem-vindo à parte 2 do nosso módulo i
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