[música] Olá, cursistas. Damos nossas boas-vindas. Vamos dar início à [música] nossa aula do curso de especialização. Agora é contagem regressiva. 10 9 8 7 6 [música] 5 4 3 2 1. Vamos lá. E boa aula. Olá, boa noite a todas as pessoas que estão aqui presentes na nossa mais uma das nossas aulas do curso de especialização E dessa terceira disciplina do nosso curso que a gente já vem numa trajetória há algum tempo. Vou me apresentar. Eu sou Marci Ângela Gonçalves, sou assistente social, contemplo aí, componho a coordenação do curso. Sou uma mulher negra, estou usando
o cabelo preso, a o uso óculos escuros, óculos de grau com armação preta e uma blusa branca e preta. E tô usando brincos e um batom rosado na boca. E ao fundo tem um fundo desfocado aqui, né? Estou no Ambiente do meu quarto, fala aqui de Alagoas e hoje vamos dar sequência à disciplina número três da nossa especialização, trabalho do assistente social, do e da assistente social em contexto de crise do capital. E a aula de hoje nós teremos a como tema o trabalho da e do assistente social no Sistema Único de Assistência Social do
SUAS com as professoras Abigail Torres e Kelly Melate. E é que eu vou fazer uma breve apresentação, mas vocês vão aí Vivenciar essas 2 horas do nossa da nossa aula hoje simultânea. outras pessoas vão poder assistir depois esse vídeo e essa aula vai ficar disponível, né, eh, mais à frente do nosso curso. Então, vou fazer aqui a apresentação. Abigail Torres, que é graduada em serviço social, mestre e doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Eh, debate a linha de pesquisa Seguridade Social e Assistência Social. É docente de graduação e pós-graduação. Atua como consultora em
gestão social, principalmente nos seguintes temas: política pública de assistência social, políticas públicas para infância e adolescência e controle social. Bem-vinda, Bigail. E obrigada por aceitar o nosso convite, compor aí o corpo de docentes do nosso curso. Quero chamar também a Kelly Melate, que vai também, né, contemplar a gente nessa noite com essa aula. a Kelly Melate, que é assistente social pela FMU de São Paulo, mestre e doutora em serviço social pela PUC São Paulo, já atuou como docente de graduação em serviço social e atualmente é assistente social da Prefeitura de São Paulo. já foi conselheira
estadual do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo, nona região, por duas gestões, a gestão de 2017, 2014 a 2017 e de 201720 e atualmente é nossa presidenta do Conselho Federal de Serviço Social na atual gestão 2023-2026. Seus temas de interesse são anticapitalismo e serviço social, serviço social na história, ética, trabalho profissional e organização política de assistentes sociais. Bem-vindas, né? A aula é de vocês e fiquem à vontade para também fazer aí as suas apresentações, complementar e dialogar com a nossa turma do curso de especialização. Bem-vindas. >> Obrigada. Obrigada, Marci Ângela. Eu sou a
Kelly, como foi apresentada, né? Sou Uma mulher branca, de cabelos claros, um pouco abaixo dos ombros. Eh, na tela aqui apareço com uma parede clara atrás de mim, uso um batom na cor laranja e tô muito, muito, muito feliz de estar aqui com vocês e principalmente de estar junto aqui com a Abigail, que para mim é uma referência muito importante na minha formação e de assistente social que sou, enfim, todo todo esse meu processo, né? Foi minha professora. Então, para mim é uma grande Alegria poder estar junto com ela aqui. Aí, antes da gente começar
a aula, eu vou passar um pouquinho para ela falar um oi aí. Aí a gente começa o tema. Pode ser? >> Ai, obrigada, Kell. Oi, gente. Boa noite. Eh, então, eu sou a Abigail. Eh, eu sou uma mulher negra de pele clara. Eh, tenho cabelos curtos, enrolados e ficando grisalhos, né? Sou uma mulher de quase 60 anos. completa esse ano. Eh, eu Tô usando um óculos de armação escura. Eh, tô usando brincos prateados, fino, mais comprido, eh, colar, um um vestido de mangas longas azul escuro. E eu tô num escritório e atrás de mim tem
um quadro, eh, um, um quadro de uma cidade americana de Boston. e a a janela desse escritório que é de fundo claro a a pintura do ambiente. Também tô muito feliz de estar aqui, né, especialmente com a Kelly, que é minha parceira em muitos desafios, né, quase todos os Grandes desafios que [risadas] eu assumi em algum momento. que ela esteve comigo para me ajudar a pensar, para discutir, né, e para trabalhar comigo em algumas tarefas estratégicas na na minha contribuição dentro do Sistema Único, né? Então, agradeço demais ao CFES essa oportunidade de tá aqui, especialmente
a Kell, essa nossa parceria para para colocar aqui as nossas eh reflexões sobre o trabalho no SUAS, né? no nosso combinado a Kelly que Vai começar, então vou passar para ela. Então vamos lá, né? Já tá todo mundo aqui no chat dizendo que é uma aula guardada, então vamos lá. Eh, a gente combinou, eu vou fazer uma breve introdução, depois a Vigail vai trabalhar mais os conteúdos que tá aí no texto que vocês receberam com antecedência também, já fizeram a leitura. E no final eu volto para que a gente possa trabalhar o último ponto que
diz respeito aos desafios e aí a gente Faz aquela rodada das perguntas. Então, eh aproveitem aí para colocar suas perguntas no chat que aí depois a gente vai fazendo uma uma conversa, né, sobre esses desafios desse campo de atuação que já quero começar dizendo que é muito desafiador para todas nós, né? Também sou trabalhadora do SUAS. Eh, e de fato, assim tem tem se mostrado, né, como um campo permeado por muitos desafios e exigido cada vez mais de nós uma leitura atenta, uma leitura crítica, Uma análise de fato das realidades que estão colocadas para que
a gente possa qualificar o nosso trabalho, as ofertas do nosso trabalho, o nosso trabalho coletivo junto a outros outros sujeitos das equipes que compõem serviços diversos, né, da rede de serviços da assistência social e tantos outros aspectos, né? Então, acho que começar dizendo, ã, que a gente poderia assumir aqui vários caminhos para debater o trabalho No Sistema Único de Assistência Social. Isso permite que a gente, eh, caminhe por vários vários cenários que envolvem a assistência social no Brasil. o financiamento, como já vimos em outras aulas, eh a organização das políticas, a disputa do fundo público,
tudo isso é muito fundamental e por isso que antecedeu a aula sobre o trabalho no SUAS, né? Porque é um pressuposto pra gente poder compreender todas essas complexidades Colocadas no cotidiano profissional. Então a gente poderia assumir aqui vários caminhos para esse momento, para esse texto, a gente escolheu o caminho de falar das particularidades do trabalho profissional. Somos uma profissão que majoritariamente estamos vinculadas aos serviços de assistência social. Na última pesquisa que o CFES realizou em 2019, mais de 50% da categoria declarou que trabalhava em serviços da assistência Social. aqui no curso, quando a gente começou
esse curso também fizemos um breve perfil das turmas, a gente viu que mais da metade dos cursistas desse curso também eh se vinculavam, né, de alguma maneira, estavam trabalhando na política de assistência social. Então, falar do trabalho profissional nesse âmbito dessa política, é fundamental pra gente poder se reconhecer, reconhecer os desafios que estão colocados no nosso cotidiano e também formular respostas eh criativas e Que sejam politicamente posicionadas na defesa da direção social que é colocada no Sistema Único de Assistência Social e na Política de Assistência Social que a gente defende, que a gente eh constrói
cotidianamente. né? Então, hoje a nossa aula é mais para falar do trabalho profissional, introduzindo alguns aspectos da política de assistência social, do Sistema Único de Assistência Social e chegando então até os meandros ali do nosso cotidiano e dos desafios Que estão colocados para isso. Então, a política de assistência social, né, como eu disse e as aulas que nos antecederam, ela ela também trouxe esses aspectos, né? Ela é fruto de um resultado das contradições colocadas na sociabilidade capitalista, na sociedade brasileira em que a gente vive, permeada por muitas contradições, contradições próprias eh das estruturas, das bases
dessa sociedade, mas também das conjunturas que vão impondo aspectos Às vezes renovado da história, às vezes inéditos, às vezes repetidos, mas que vão colocando elementos contraditórios paraa execução de todas as políticas sociais e para a execução da seguridade social na perspectiva ampliada que a gente defende. Então, não é só a assistência social que tá colocada nesse contexto de contradições. Todas as políticas sociais estão colocadas nesse contexto de contradições porque são frutos de disputas, de Disputas de projetos societários, de disputas do fundo público oriundo desses projetos societários e na perspectiva de que os direitos sociais e
os direitos, né, da população de uma forma ampliada sempre foi fruto de luta, de mobilização. nunca vieram de uma forma em que não houvesse resistência, que não houvesse disputa ou que não houvesse contradições. Então, a política de assistência social, nesse contexto, ela está colocada nesse âmbito das Correlações de forças, que hora da história vão ser mais favoráveis à ampliação de direitos e hora em períodos históricos vão ser menos favoráveis a essa ampliação. vão vão supor um avanço das políticas sociais e horas vão vamos viver regressões dessas políticas sociais, como a última quadra histórica aí nos
evidenciou, né? Então, no governo anterior a gente pode dizer assim, destruição de muitos aspectos vinculados Às políticas sociais, não só assistência social, mas sobretudo a assistência social, né, no período da pandemia e tantos outros aspectos que a gente vivencia. Mas acho que o que é importante a gente sinalizar, né, nesse momento, é que quando a assistência social ela se configura no tripé da seguridade social na Constituição Federal de 1988, o que a gente vivencia, sem desconsiderar todo o contexto Contraditório e histórico que a gente vivencia é um salto civilizatório, né? Em que sentido? no sentido
de que a política de assistência social muitas vezes era vinculada a um contexto de benemerência, filantropia, de criminalização da pobreza, de moralização das da pobreza e dos sujeitos da que vivencia essa realidade social. Eh, e com a Constituição de 88, ela passa para um por um pacto civilizatório Que a considera como um patamar de uma política de direitos sociais, né? Então, esse marco ele é muito importante eh para a defesa da assistência social que está colocada no nosso horizonte. Então, as desigualdades colocadas na sociedade capitalista brasileira, elas são desigualdades próprias da formação sociohistórica do Brasil.
Ela, as desigualdades são produzidas no contexto das relações sociais brasileiras e na forma com que o país foi se Constituindo. Na medida em que há um desenvolvimento capitalista do país, essas bases socio-históricas marcadas pelo racismo, pelo patriarcado, pelo latifúndio, né, pelo colonialismo e tantas outras características, elas produzem na nas relações sociais muitas muitas expressões da desigualdade social, né? E a sociedade, de alguma maneira, precisa de ter mecanismos para enfrentar essas desigualdades, Seja na perspectiva eh de direitos, né, de que as pessoas possam acessar os seus direitos, ou seja, numa perspectiva muito mais pragmática, né, de
sustentação da força de trabalho da classe trabalhadora. pra classe trabalhadora continuar produzindo, ela precisa minimamente de condições ali para continuar sobrevivendo. Então, a sociedade brasileira, ao longo da sua história, foi encontrando formas de responder a essas expressões da Desigualdade social. muitas dessas formas relacionadas à moralização das famílias e das pessoas, a criminalização das da pobreza, as ações de benemerência, como eu disse anteriormente, de filantropia, né, e a assistência social com a Constituição de 88, mas especificamente com a regulamentação 1993 da Lei Orgânica de Assistência Social, né, Aloas, depois a política nacional de assistência social de
2004 e o SUAS, né, um Sistema Único De Assistência Social a partir de 2005, ela vem mudar esse paradigma, né, dizendo assim, a sociedade brasileira vai lidar com as expressões da desigualdade, mas por um outro paradigma, que não seja o paradigma da criminalização e da moralização da pobreza, mas que seja um paradigma de uma política de estado, de um dever do Estado de oferecer proteção social aos seus cidadãos, à suas cidadãs. Bom, esse marco civilizatório não Significa que o paradigma do SUAS e da política nacional de assistência social de 2004 deixou de conviver com esses
outros paradigmas históricos que vira e mexe e comparece no nosso cotidiano profissional para continuar criminalizando a pobreza, moralizando as famílias, né? Então, esses paradigmas eles não saem do contexto da história, né? Então, o que o SUAS ele inaugura a partir da Constituição de 88 e esses desdobramentos todos que eu contei Inaugura uma possibilidade de rebater a esses paradigmas, né? E é isso que a gente chama no nosso texto de uma perspectiva ética, né? Uma perspectiva ético-política. Porque fazer a adesão a um projeto de assistência social que refuta a ideia da criminalização, da moralização, do favor,
da benemerência, é uma escolha ética e, portanto, desafiadora num contexto em que a assistência social eh, [limpando a garganta] ora mais, ora menos, sempre vai buscando esses outros paradigmas que a constituíram na história. e que comparecem eh de diversas maneiras no nosso cotidiano profissional, seja por requisições institucionais, seja por interferências eh político-partidárias no trabalho, seja pelas próprias expectativas da população em relação ao trabalho oferecido ali naquele contexto, ou seja, Por outras vias, né? Então, eh, fazer a afirmação do SUAS nessa perspectiva de um sistema único pautado num paradigma de direitos e de uma política de
Estado, é, portanto, fazer uma escolha éticopolítica que rebate a ideia de que a responsabilidade pelas expressões da questão social são dos sujeitos, né, ao escolher o Sistema Único de Assistência. social. A gente está dizendo da necessidade de que Essas questões oriundas da desigualdade social possam ser vista como uma responsabilização pública para o seu enfrentamento, né? Então, por isso que a gente chama isso de uma escolha ética, né? Não sem desafios. E ela vai trazendo alguns significados das próprias seguranças que são afiançadas na política de assistência social e no SUAS, né? Então vai dando significados ao
que a a segurança, por exemplo, de convívio, de Acolhida, autonomia, sobrevivência, situações que até então não eram consideradas como matéria de uma política pública, de uma política social. A partir do momento que elas aparecem no contexto do Sistema Único de Assistência Social, isso significa que elas passam a ser reclamáveis, né? Então, cidadãos e cidadãs podem reclamar os seus direitos, né? Podem exigir, podem denunciar, podem buscar. E isso abre na realidade social um repertório De lutas muito importante. Não significa que esses direitos de forma automática vão ser realizados, né, a partir do momento que a gente
tem uma política ou um sistema único, mas significa dizer que ele insere na realidade social uma contradição importante. E como a gente disse que as políticas sociais são frutos das contradições e das correlações de forças, quanto mais a gente fortalece a perspectiva de uma política de estado, mais força nessa Correlação de forças da realidade social a gente tem para que isso possa se tornar realizável no âmbito dos direitos, do acesso a direitos de uma maneira geral e do âmbito do trabalho profissional que se insere nessa realidade. esse momento ele não se dá sem contradições, sem
avanços, mas também retrocessos, né? Então, a gente já vivenciou vários períodos aí de 2005 para cá da afirmação da política Nacional de assistência social de 2004, mas da sua consolidação, né, da sua do seu fortalecimento, dos aspectos relacionados ao seu financiamento e tantas outras eh questões que estão colocadas, né? Então essa mudança de paradigma, ela se apoia tanto na descentralização políticoadministrativa dessa política, com o comando único das ações que então são ofertadas no âmbito do país, né? O Que é muito importante porque se você vai ver as ações de benemerência, de filantropia, elas vão acontecendo
nos territórios, cada um à sua maneira, né? sem muita unidade e sem muitas vezes parecer com uma política social. Então, quando a gente chama atenção paraa perspectiva do comando único, nós estamos também chamando atenção paraa perspectiva de uma política que se consolide como política, né, que as pessoas possam conhecer, que as pessoas Possam acessar. E além disso, ela vai também se pautar na perspectiva dos territórios, né? territorialização, onde as pessoas vivem, onde onde a vida acontece e nas famílias, né, que também é um aspecto muito importante da política de assistência social, bastante polêmico e que
a gente precisa enfrentar essas polêmicas também em relação ao trabalho profissional, mas que estão presentes nessa mudança de paradigma das da política e do Sistema Único de Assistência Social. Eh, a perspectiva da família, né, acho que comparece muito no nosso trabalho profissional e já há uma vasta publicação falando sobre a questão do familismo, que acho que é muito importante que a gente aqui possa tecer reflexões sobre isso, né? Porque muitas vezes quando a perspectiva, né, da centralidade da família não é compreendida Como um formato de oferta de proteção social, ela pode sim se configurar numa
perspectiva de responsabilização das famílias. E aí leia-se, né, na nossa sociedade, uma responsabilização sobretudo das mulheres em relação à proteção social dos seus membros e das pessoas que estão ali sobre os seus cuidados. Acho que esse é um debate muito importante pra sociedade brasileira, porque num contexto de regressão e de destruição de direitos, São as famílias que são responsabilizadas pelos cuidados. E quando se fala famílias, nesse contexto de cuidados, nós estamos falando especialmente das mulheres e estamos falando especialmente das mulheres negras. Então isso é uma característica que precisa ser observada no trabalho profissional para que
a gente possa tecer críticas sobre isso e principalmente não reproduzir essa lógica familista, né? encontrar Estratégias coletivas que façam frente à ideia de do familismo, eh, e, portanto, responsabilização do sujeito por uma condição que é estrutural, que é de uma desigualdade social estabelecida na realidade brasileira, dentre outros aspectos, né? Então, eu acho que aqui a gente eh parte desse pressuposto, né, fazendo essa introdução de que a escolha pelo SUAS é uma escolha ético-política que possa fazer frente a situações de Criminalização e moralização da pobreza, especialmente que ainda convivem no contexto da realidade social brasileira. E
aí com isso, né, vão se expressando no trabalho profissional de diversas formas que aí a professora Abigail agora vai desdobrar aqui com a gente. >> Obrigada, Kelly. Nossa, tá disciplinadíssima no tempo, hein? vou tentar também fazer certinho. [risadas] Eh, bom, se a gente vai então, né, eh, desdobrar a partir desses elementos que A Kelly tá trazendo, né, de uma de uma ideia de um padrão civilizatório, de um avanço civilizatório, que é ter dentro do Estado uma política pública responsável por assegurar proteção em vivências de desigualdade, de desproteção, né? Então, em si, a própria afirmativa do
Estado da sua responsabilidade e proteção nesses contextos já é um avanço significativo e é uma perspectiva transgressora. E eu digo que é uma perspectiva Transgressora, porque eh parte e a quase totalidade das questões com as quais a gente lida na assistência social fruto da omissão histórica do Estado ou da violência institucional eh praticada pelo Estado. Então, muitas vezes, quando a gente fala em violência, em violação de direitos, eh, no debate dentro da assistência social, no diálogo cotidiano na assistência social, se remete imediatamente a violências cometidas no âmbito familiar. Então você fala eh da Vivência da
violência, as pessoas já pensam logo na violência doméstica, mas das situações de maior incidência, de maior prevalência na assistência social como eh eh expressão de desigualdade, o que a gente vai vendo é a ausência histórica de acesso à educação, à saúde, à proteção pública em momentos de incerteza. em momentos de sofrimento, de perdas de relação. Então, nesse sentido, quando a gente pensa que trabalho precisa ser Feito nesta política pública, eh, é necessário então que as pessoas vivam a experiência da proteção, né, como antítese da desproteção, né? Então, a gente reconhece a desproteção como marcador da
desigualdade e a necessária vivência e experiência da proteção. E aí a gente construiu, né, na no diálogo da especificidade da assistência social. Isso é uma coisa que a gente eh quis explorar muito no nosso texto, porque a assistência social afirma Assertivamente a sua especialidade em 2004, na Políticacional de Assistência Social, é que fica mais explícito o campo próprio de atuação desta política pública, eh, que não é então uma política acessória, auxiliar à saúde ou à educação. tem um campo de intervenção e essa essa esse campo de intervenção se caracteriza especialmente pelas seguranças socioassistenciais. Então, a
ideia de que as seguranças ofertam essa proteção ou explicitam essa proteção eh Na vivência da desigualdade, conseguimos pactuar eh ao longo desse debate, em 2004, conseguimos pactuar e depois inscrever como direito eh em 2011 na lei eh do SUAS, que as quatro seguranças que seriam eh eh eh explícitas, né, e entregues pela assistência social, são a segurança de sobrevivência com dignidade, a segurança de acolhida, de convivência e de autonomia. A segurança de sobrevivência está muito associada à garantia de Benefício material. Então, todo o trabalho com gestão de benefício, acesso a benefício. Muito importante demarcar que
quando se está falando de benefício material na assistência social, não se está falando de segurança alimentar. Segurança alimentar é outro campo de provisão a ser garantido pelo Estado. É direito constitucional. Houve uma revisão da Constituição de 88 para inserir esse direito. Então, segurança alimentar não tem nada a ver com cesta Básica e assistência social, o direito a segurança de sobrevivência também não tem nada a ver com cesta básica. é provisão eh em pecúnia para a aquisição de bens necessários, né, em situação eh de fragilidade do campo econômico, né, da inexistência de recursos para a sobrevivência
com dignidade. Nos serviços, são três seguranças que estão previstas como resultado da atuação de serviços. a segurança de Acolhida, que é eh é o momento, é o processo de trabalho pelo qual se escuta a trajetória de sujeitos, a a demanda desses sujeitos, as queixas que trazem sobre as situações que os afligem. E ao escutar essa demanda, ao reconhecer esta demanda, se estabelece um planejamento do trabalho que vai ser feito para lidar com essas expressões e que eh se constituem, então, nos processos de acompanhamento nos serviços. Muito importante a gente dizer, então, que Quando a gente
tá falando de segurança de acolhida, não se trata de um momento de escuta de pessoas para encaminhá-las para algum serviço. O momento de acolhida é o momento de escuta para assumir responsabilidades para o processo de acompanhamento. A lógica da assistência social é uma lógica de criar referências de proteção e não uma lógica de compreender a realidade para encaminhar para algum lugar, né? Então, os serviços são Referências, é centro de referência de proteção básica, centro de referência de proteção especial, centro de referência paraa população em situação de rua. Então, a proteção está diretamente associada à ideia
de referência. Uma outra segurança presente no SUAS é a segurança de convivência. E a segurança de convivência é resposta a ser garantida em todos os serviços do SUAS. Muitas vezes a gente associa segurança de convivência a serviço de Convivência. Segurança de convivência é expectativa e é resultado da atenção quando a gente tá fazendo, quando a gente tá fazendo acompanhamento de medidas socioeducativas. Quando a gente tá fazendo acolhimento de criança, adolescente ou de idoso, quando a gente tá fazendo trabalho eh na rua, abordagens de rua, segurança e convivência, é resposta esperada de todos os serviços e
tem a ver com a experiência do respeito, da Horizontalidade, da admiração pela resistência das pessoas, o respeito à diversidade das pessoas, a atenção ausente de julgamento, né, como a Kell já destacou mais de uma vez, então a importância de na eh segurança de convivência se pensar os processos de trabalho que geram uma experiência de ser respeitado nas suas singularidades, mas também nas suas coletividades, num serviço público. E por fim, a segurança de autonomia, que Também muitas vezes as pessoas associam a discussão de autonomia a não usar serviço público. Há uma leitura de que as pessoas
demandarem proteção de assistência social gera dependência, gera uma acomodação em não assumir a própria vida, em não eh mudar seus comportamentos. E aí eu acho que tem uma questão muito importante da gente assinalar. Primeiro que a assistência social é para ser uma proteção que dura na vida das Pessoas. A a política nacional de assistência social afirma que é proteção ao longo do ciclo de vida, pressupondo que o próprio viver pode estabelecer várias demandas de proteção pública em diferentes momentos da vida, tá certo? o a a infância, a adolescência, a maturidade, o envelhecimento vão trazer diferentes
desafios para o estar em sociedade, especialmente numa sociedade desigual como a nós. Então, demandar a assistência social pode se dar em Diferentes momentos da vida. Então, a segurança de autonomia associada não usar a política de assistência social ou numa expressão que comumente a gente ouve, andar com as próprias pernas, não é o que está pactuado dentro da política de assistência social. O que tá pactuado dentro da assistência social é associar segurança de autonomia à participação, a capacidade de decisão, a informação para tomada de decisão, inclusive sobre os próprios serviços. eh pensar os Serviços para responder
necessidades anunciadas, explicitadas pelas pessoas, o que significa repensar a forma de organização da atenção. Então, segurança e autonomia está diretamente relacionada à participação das pessoas nos processos de trabalho dentro do SUAS, a participação do cidadão, da cidadã, o que pressupõe, portanto, a gente repensar uma série de eh de estratégias que são adotadas para eh ampliar, fortalecer Eh eh essa participação. E entre esses elementos que fortalece participação está justamente a circulação de informação. Quanto mais conhecimento as pessoas tem dos seus direitos, da vivência que ela está sofrendo, tanto mais as pessoas podem participar, conseguem participar. E
aí uma questão que eu queria eh destacar também quando a gente foi configurando os elementos que compõe o trabalho, outra questão que a gente eh fez questão De explicitar é que também está no campo deste trabalho a ideia de lidar com as relações, tanto as relações que desprotegem, que violentam, então reconhecer como é que elas operam, como é que elas se sustentam no tempo, quem são os agentes eh eh que que favorecem, né, que alimentam essas vivências. E aí uma outra questão que é bem importante para nós é termos nessas leituras, dessas relações das proteções,
termos em conta que nós só estamos falando de Vivências coletivas. E isso eu acho que é importante demarcar, porque política pública só se ocupa de questões que são incidentes na sociedade. São questões que têm muita expressão, por isso que elas se tornaram direito, por isso que foi reconhecido que tem responsabilidade do Estado para lidar com esses problemas, porque elas são alta, essas situações são altamente incidentes e impactam na sociedade como um todo. Então, todas as questões das Quais nós estamos falando e e toda a construção do trabalho social no SUAS precisa ser para lidar com
questões no âmbito coletivo. E nesse nessa ideia de lidar com questões coletivas, um campo que a gente foi explorando dentro da assistência social foi pensar que o que melhor expressa, né, eh, as situações de proteção que se busca assegurar é a ideia dos vínculos, né? Então, os vínculos são relações que protegem as Pessoas. A ideia que foi dando o consenso que foi se criando dentro do sistema foi pensar que quanto menos relações as pessoas têm, mais desprotegidas elas estão. Então, quanto mais relações elas possuem, quanto mais essas relações são sustentadas no tempo, quanto mais essas
relações são diversas, mais protegidas as pessoas estão. Por quê? porque elas têm com quem contar em momentos de sofrimento. E aí a gente trabalha com três campos de relações. Nós trabalhamos com as relações afetivas e as relações afetivas são relações do campo familiar, mas não exclusivamente. E também quando a gente fala de família, nós não estamos falando somente de relações sanguíneas. Aliás, na assistência social não há nenhuma precedência das relações sanguíneas com as outras relações declaradas pelas pessoas como suas relações de de referência. Então, família na assistência social é aquela família que É declarada pela
pessoa. Se ela fala: "Olha, essa pessoa é uma mãe para mim, essa pessoa que é a minha irmã", é o que ela tá declarando. É, são as referências que ela tem. Então, a gente lida com essas relações afetivas, a gente lida com as relações eh sociais mais amplas, as relações na cidade, as relações que se dão por onde as pessoas circulam, nos territórios onde elas estão. Mas nós lidamos também com um outro campo de relação que é o os vínculos de Cidadania, as relações com os serviços públicos. E e essas relações com os serviços públicos
para nós elas são muito estratégicas, porque é aonde se consolida a proteção do Estado. Então, a nossa preocupação com violência institucional, com racismo, com homofobia, com expressões de de misogenia, de machismo praticadas no âmbito das políticas públicas e inclusive na assistência social, os vínculos de Cidadania eles quando estão sendo realmente vividos pelas pessoas, quando as pessoas experimentam essa essa essa cidadania, essa esse tratamento como cidadão, isso transmite pra pessoa o que um autor alemão chamado Axel Ronit chamou de autorrespeito. Pessoas que são tratadas em serviços públicos como cidadãs, que são tratadas nas suas singularidades, que
não sofrem nenhum tipo de Discriminação, que são respeitadas em suas trajetórias, que são valorizadas em suas resistências cotidianas, que são admiradas na sua força de sobrevivência a despeito de todas as injustiças que estão vivendo. Essas pessoas são dignas de reparação do Estado. A violência institucional, a violação de direitos histórico tratadas datadas de muitos séculos no país, requer reparação. e reparação, Entre outros elementos, pode ser sintetizada na necessidade do Estado restabelecer a confiança do cidadão e da cidadã. Quem sofreu injustiças praticadas pelo Estado, quem sofreu violência praticada pelo Estado, não confia nos agentes institucionais e não
confia por absoluta inteligência, porque quem já sofreu injustiça está o tempo inteiro atento com as possibilidades dessas injustiças Voltarem a ocorrer. Então, o processo de reparação, além de restituir o que foi perdido, de cuidar do sofrimento, de ter uma atuação para que essas situações não se repitam, o processo de reparação é o processo de reconquista do Estado da confiança do cidadão. Por isso, o vínculo com serviço público é tão essencial, porque é um vínculo que reconhece a responsabilidade do Estado para produzir essas atenções. Ainda quando desenvolvemos como esse Processo de trabalho se dá, então a
gente olhou paraas seguranças como a especificidade do SUAS. Olhamos pros vínculos como as respostas de proteção que nós alcançamos construir e pactuar dentro da do Sistema Único de Assistência Social. Então, fortalecer relações, relações familiares, relações afetivas, relações no território e relações com serviço público, constitui então esse escopo de eh resultados esperados da atuação em serviços. E além De de então configurar essa especificidade e configurar esses resultados esperados, nós quisemos também descrever e apontar quais são os processos de trabalho que caracterizam a atuação nos serviços socioassistenciais. E aí é importante a gente pensar que a acolhida
na assistência social é uma segurança específica, especializada, mas é também um processo de trabalho. A acolhida se dá em todos os serviços, né? Esse momento de escuta das pessoas, né? Eh, de atenção às necessidades. E a acolhida se dá não somente com quem chega no serviço, acolhida se dá também quando as quando os profissionais, as equipes da assistência social circulam pelos territórios, né? Então, há aí eh uma natureza desse trabalho bastante específica. E aí, por fim, eu queria também destacar que das particularidades desse trabalho que trouxemos para esse texto, nessas escolhas que a Kell foi
explicitando Aqui, né, por fizemos essa escolha de de eh destrinchar esse trabalho, descrever esse trabalho. Importante a gente dizer também que essa é uma atuação em que, pese que nós temos majoritariamente nas equipes de nível superior, no SUAS, profissionais eh do serviço social, eh essa é uma atuação de natureza interdisciplinar. Esse é um trabalho que é feito em equipes interdisciplinares Em que há um conjunto de categorias profissionais reconhecidas que devem atuar no suas. E essa eh característica e essa composição se deve exatamente porque lidamos com contextos extremamente contraditórios, eh contextos eh cheios de armadilha, cheio
cheio de elementos eh conflitantes atuando. São campos conflitivos, violentos, as a as situações com as quais a gente lida. E isso requer um campo de conhecimento Bastante vasto. Lembrar também, a gente buscou descrever um pouco mais essa natureza interdisciplinar do trabalho no SUAS. Lembrar também que a característica desse dessa interdisciplinaridade não é uma ideia de que cada um tem uma especialidade, dá conta daquela especialidade e no somatório se estabelecerá uma correlação entre as intervenções desta ou daquela disciplina, desta ou daquela profissão. Não é assim que se constitui a interdisciplinaridade. na no modo que nós defendemos
a a produção de conhecimento para para fortalecer uma base científica para uma política pública, né? No nosso entendimento, se estabelece a interdisciplinaridade por um mecanismo que a professora Marilena Xui chama de interconhecimento, que é um conhecimento que se estabelece a partir de saberes, fundamentos Trazidos por diferentes profissões. essa capacidade de análise da realidade, de leitura das das diferentes mediações que estão ali presentes, que vai permitir então que as as melhores estratégias, as melhores metodologias sejam propostas nessa intervenção. Então nós estamos falando de interdisciplinaridade diretamente associada à ideia de um interconhecimento. A outra questão que é
da natureza desse trabalho é que ele lida com questões Coletivas, ele precisa ser executado por equipes, eh, equipes de referência, não somente as equipes de nível superior, e para fortalecer coletivos. Então, a dimensão particularizada, privada, que é muito incidente, muito presente no SUAS, é um eh é uma contradição, é uma fragilização do pacto estabelecido nesse sistema. E por fim, eu também a gente também queria eh explicitar o que o que fizemos questão de colocar no no texto, que esse é um trabalho obrigatoriamente Processual e planejado. Então, planejar ação, partilhar com outros profissionais e as ações
que vão ser desenvolvidas, que estratégias serão adotadas, que investimentos serão feitos, que relações serão mobilizadas. Esse é um campo necessário para que eh haja alguma eh algum impacto nesse trabalho, né? eh uma ação com tamanhas com tamanha complexidade, com com tamanha intensidade das vivências de desproteção com as quais lidamos. Fazer Essa ação espontânea, espontaneamente, sem estudar a realidade, sem analisar as melhores eh estratégias, seguramente pode gerar a reprodução daquilo que se quer combater, né? Então, ao invés de fortalecer eh a proteção, é bastante provável que se esteja reproduzindo subalternidade, sobrecarga de mulheres, julgamento, responsabilização daquelas
pessoas que precisam ser fortalecidas pela atuação da assistência Social. Então, queria eh destacar esses elementos que a gente trouxe para falar do trabalho e eh apontar uma questão que eu acho que é bastante eh digamos eh exemplificativa do que nós queremos destacar do trabalho. quer dizer o seguinte, olha, quando nós estamos falando de uma intervenção com questões coletivas, de leitura de realidade, produção de conhecimento sobre o que eh sobre essas Eh essas expressões estruturantes da desigualdade na sociedade brasileira, é necessário ter em conta uma primeira dimensão, que o fato de afirmarmos isso não significa dizer
que Não é possível haver mudança. Afirmar que é estrutural não significa que não possa ser mudado. Toda toda vivência histórica é uma produção humana. Isso não é um campo de sorte ou azar divino. Não se trata de uma eh de uma eh uma ação que não esteja no campo Dos seres humanos alterar. Nós estamos falando de processos históricos. Processos históricos são enfrentados historicamente pelos sujeitos humanos. Então, acho que uma primeira questão é quando a gente fala que é estrutural, não quer dizer que não possa ser alterado. E a segunda questão que eu queria comentar é
que há uma prevalência muitas vezes, né? eh ou ainda uma predominância, vou dizer assim, quando se fala do trabalho social no SUAS, de Achar que os profissionais, as profissionais, as equipes vão atuar para que as pessoas mudem seus comportamentos e que ao mudar os seus comportamentos, a desigualdade em que elas estão inseridas vai ser alterada, não é essa lógica que tá presente no SUAS, tá? O, é por isso que é territorial e familiar, porque são as pessoas nas circunstâncias em que elas estão. A vida das pessoas muda quando a realidade em que elas Estão muda.
O comportamento que as pessoas têm e adotam cotidianamente é o que assegura que elas sobrevivam nessas condições de desigualdade e injustiça. Então, sem conhecer os contextos em que as pessoas estão, eh, as estratégias que elas adotam para resistir a essas injustiças, não é possível para profissionais dissociados dessas vivências orientarem como as pessoas devem viver. Então, a perspectiva do SUAS não é orientar pessoas como elas devem viver as suas vidas, é reconhecer a resistência, a potência dessas mulheres e eliminar toda a sobrecarga que elas vivem, dividindo responsabilidades e cuidados. Então, a o combate ao famil eh
na exigência de que o Estado assuma suas responsabilidades, entregue serviços de qualidade, porque isso vai representar um alívio na Sobrecarga das mulheres. As mulheres hoje estão fazendo e respondendo por cuidados que são de responsabilidade do Estado, especialmente as mulheres pretas e periféricas. Então essa essa ideia, tá, de que quando a gente tá falando de eh mudanças, nós não estamos falando de mudanças do comportamento das pessoas, tá? Nós estamos falando de ampliar as relações que possam protegê-las e dentre essas relações, especialmente aquelas que são atributos Legais, constitucionais do Estado. Então, o Estado tem que assumir suas
responsabilidades de proteção e a atuação da assistência social é uma dessas responsabilidades. Então, passei aqui num giro nos elementos que a gente desdobrou quando a gente quis descrever o que está nesse contexto do processo de trabalho no SUAS, né? E a Kell vai falar desses desafios, mas aqui então sempre o convite, né, para que vocês eh se Dediquem ao texto para ali verem como é que a gente foi desenvolvendo esse argumento, tá bom? Então, vou passar para você, K. >> Obrigada, Ficail. E acho que é isso, né? A as nossas colocações. Fui vendo aqui no
chat muita muito registro assim do cotidiano profissional, né? Muitos dilemas, muitas eh muitas questões desafiadoras mesmo, né? Que estão colocadas na realidade social. E acho que o convite dessa aula e do texto é Que a gente considere que esses dilemas eles existem, eles são reais, eles são cotidianos e eles são cada vez mais difíceis de enfrentá-los. Mas ao mesmo tempo que esses desafios e esses dilemas não nos afaste de conhecer o que é o suas, não nos afaste de conhecer o projeto de direitos e de acesso a direitos que nós precisamos nos vincular e lutar
como uma escolha éticopolítica, né? Então dizer assim, eh o SUAS ele não se realiza de forma Automática. Isso não significa que a gente não precise aderir a essa perspectiva éticopolítico para fazer com que ela ela concorra na realidade social, né? Então, se a gente tem perspectivas que vão cada vez existir de nós, seja por requisições institucionais, seja por ofícios do sistema de justiça, que vai requerer de nós, equipes do SUAS, que mudemos o comportamento das pessoas. Somos nós na escolha éticopolítica, nas Nossas equipes e coletivamente, que vamos dizer que existem outra perspectiva de se pensar
essas questões, né? Então, acho que eh fazer a afirmação dos preceitos ético-políticos do SUAS não elimina os desafios da realidade social, porque os desafios da realidade social está sob, né? Mas ao mesmo tempo ele ele não pode nos afastar das escolhas ético-políticas que nos colocam no campo de afirmação da assistência social como uma política de estado, como Dever do Estado e como responsabilidade pública de atenção e proteção social. E acho que tudo isso, né, essas mudanças de paradigmas, elas vão surgindo num contexto pós-Cstituição de 88, marcados sobretudo pelo neoliberalismo, né, que a gente já viu
aqui no curso, eh, várias aulas que versam sobre as características desse neoliberalismo que estão que está presente nas políticas sociais brasileiras e que vai se colocar como um grande desafio para tudo isso se Materializar. como é que você muda um paradigma histórico de décadas, né, sem que você tenha um investimento nas políticas públicas. Então, o grande primeiro desafio aqui que eu queria destacar é o investimento público, né, nessas políticas e sobretudo no suas. E aí eu tô falando de investimento financeiro e orçamentário, que é fundamental, inclusive fazendo um parênteses aqui para que a gente possa,
né, finalmente aprovar a PEC 383, né, Que garante minimamente um orçamento estável paraa assistência social, mas o investimento necessário à materialização do suas e dos seus princípios, ele não é só um investimento financeiro, muito embora o investimento financeiro seja muito importante. Mas ele é um investimento de concepção, né? Um investimento que modifica a forma de enfrentamento das desigualdades e da realidade brasileira, né? E a gente muitas vezes vai vendo cada vez menos Esse investimento e a necessidade de uma organização coletiva que nos dê sustentação para que esse investimento de fato aconteça, né? ou que a
gente tente eh fazer essa correlação de força se alterar em favor, né, do suas e de todas as suas perspectivas. Então, acho que o cenário brasileiro vem se mostrando na atual conjuntura muitas vezes avesso a essas possibilidades de investimento, né, que, como eu disse, não passa só Pelo investimento eh financeiro, mas também, né, pelas disputas de projetos societários. Eh, o SUAS, ele trabalha a democracia como um pilar. Veja, quero chamar atenção para isso como um grande desafio. A democracia como método e como conteúdo. Isso é um pilar de atuação e de perspectiva dessa mudança de
paradigma. E, portanto, a aposta pela democracia na perspectiva, né, de de socialização da Riqueza, inclusive, precisa ser uma aposta ético-política. Mas o cenário, veja, que o Brasil vivencia são de ataques muito ferrinhos à democracia, muito breve e muito superficial, que conseguimos conquistar hoje no país, né? Então, como é que tudo isso vai se materializar se, como disse a Abigaí, a realidade não se altera, né? Então isso tudo caminha eh muito muito junto, né? Então, por que que as requisições aos trabalhadores e trabalhadoras do SUAS aumenta? Aumenta porque a realidade de desigualdade social e das suas
expressões, ela está cada vez mais gritante na realidade social, né? Por que que as questões, né, estão colocadas no autoritarismo, no assédio moral de muitas vezes da violência institucional, porque as bases democráticas dessa sociedade também estão sendo questionadas, né? E tudo isso vai se Voltando como um grande desafio pra execução das políticas sociais e sobretudo uma política social que se propõe a trabalhar com a matéria que advém desses processos, né, que a política de saúde também vivencia, a política de educação também vivencia, mas junto com isso vivenciam outras ofertas que, digamos assim, já está um
pouco mais consolidada, né, na realidade, né, o atendimento de saúde, o atendimento da escola é um direito mais Consolidado, né, digamos assim. Agora, pro suas vivenciar essa realidade social e materializar os seus princípios, vai vir com uma carga de desafio muito gigantesca, né? E que vai recair sim, muitas vezes das equipes, dos trabalhadores e trabalhadoras, né, que são convidados cada vez mais a traduzir o não direito pra população, a traduzir a ausência do Estado paraa população que atende, né? E isso vai ficando cada vez mais difícil de conciliar Eh o trabalho profissional e desgastante. Por
isso que um grande desafio é a organização política, porque trabalhadores e equipes isoladamente fazendo esses essas queixas talvez não consiga, né, correlação de forças necessárias para alterar esse cenário, né? Então, um grande desafio de trabalhadores e trabalhadoras do SUAS é as possibilidades coletivas de organização, seja do ponto de vista das suas próprias equipes, em reuniões, em Diálogos com seus pares, ou seja, externamente a isso, né? Seja porque muitas vezes o vínculo profissional precisa se dar em mais do que um eh espaço de trabalho, né? e majoritariamente somos mulheres com outras atividades. Então tudo isso impacta
no tempo de vida, né, de trabalhadores, trabalhadoras, seja em relação aos vínculos, seja em relação ao próprio tempo, né? Então a organização política ela é necessária, né? Como Disse a Abigaí, não se faz uma política social dessa monta e desse tamanho sem planejamento, sem reflexão, sem estudo, sem profissionalização dessas ofertas. E muitas vezes esses espaços eles eh não são completamente consolidados para lidar com esses desafios que estão colocados na realidade social, né? Então a assistência social como um grande desafio precisa afirmar o seu campo próprio de atuação, né? precisa ter de investimentos financeiros, Orçamentários, mas
outros tipos de de investimento, né? Investimento político, investimento profissional, investimento de organização, porque não se faz democracia sem organização e de tantos outros aspectos, né? Eh, se se a assistência social, se o SUAS tivesse um financiamento, né, maior, mas não tivesse outros tipos de investimento, talvez os problemas ainda se manifestassem ali no cotidiano. Então, é Necessário que esse investimento possa ser pensado de uma maneira ampla. Eh, a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras é fundamental, né, como uma peça chave no campo relacional que estabelece essa política, né, de relação, de contatos, ou seja, o SUAS trabalha
com a sua matéria ali do das pessoas, dos sujeitos que o compõem, né, dos sujeitos que buscam os serviços e dos sujeitos que trabalham nos serviços, né? Então é Disso que a gente tá falando. Outros outros aspectos da política também existem, precisam ser oportunados, né? A infraestrutura, enfim, todo esse contexto precisa ser oportunizado para que os serviços possam acontecer. Mas a relação, o campo relacional do SUAS, ele é um campo extremamente privilegiado das ofertas que a gente se propõe a fazer. Então, a valorização de trabalhadores e trabalhadoras é também uma forma de Valorização do próprio
direito a ser oferecido, né? Então isso tá no campo aí de um grande desafio e valorização do do campo do ponto de vista dos vínculos trabalhistas, né, das da relação salarial, mas também da formação da educação permanente, da maneira com que foi concebida e não de qualquer maneira, né, com participação e sobretudo afirmando a democracia como um pilar, como método e como conteúdo, né, nas relações das equipes. A democracia tem Que aparecer em todos os espaços, na relação de profissionais e de equipes com a população atendida, nas formas de construção de protocolos de gestão, no
controle social, na participação, dentre tantos outros aspectos, né? Então isso é muito importante. O fortalecimento do trabalho coletivo no SUAS, isso é muito fundamental. E ainda aqui vou fazer um um parênteses aqui, né? Muito comum ainda confundirem, né? Impressionante, mas é muito comum Confundirem assistência social, serviço social e assistente social. Eu acho que nunca é pouco a gente tentar falar sobre isso, né, e desvincular essas coisas, porque isso diz muito do cotidiano que a gente vivencia, né? Então, o trabalho desenvolvido no SUAS é um trabalho coletivo, interdisciplinar e precisa eh carregar esse peso, né, da
construção coletiva das equipes e das respostas que não estão localizadas numa determinada área do conhecimento, mas que estão Localizadas na produção coletiva desse conhecimento que vai responder às necessidades sociais. E muitas vezes essa resposta pode vir no formato de denúncia, pode vir no formato de organização, de mobilização, né? Não necessariamente vai responder no sentido de resolver a situação, porque as as situações estão colocadas na realidade social e depende de uma série de determinações eh que envolve participação política em outros aspectos Da nossa vida cotidiana, né? Então isso é uma um desafio muito grande do SUAS,
né? e a proteção social, a vigilância socioexistencial e a defesa do SUAS, né? Então, acho que isso, a defesa institucional são coisas muito importantes, né? Assistência social e o suas não vai mudar o seu paradigma se as pessoas não se apropriarem dos direitos que elas possuem e que possam, portanto, a partir disso, reclamar esses direitos. E a nossa função muitas vezes como trabalhadores e trabalhadoras do SUAS é conseguir traduzir essa perspectiva, né, do por aquelas ofertas são direito, né, e fazer com que isso a gente consiga colocar lenha nessa nesse nesse fogo que a hora
hora é pequeno, hora é grande, hora é pequena, hora é grande, mas para que a gente consiga fortalecer a correlação de forças em defesa dessa perspectiva ético-política. que é uma política de estado, de direitos, em que As pessoas possam ser reconhecidas, se reconhecer e ter repertório de responsabilidade pública para a proteção social, para os cuidados nas diferentes fases da vida, com os diferentes necessidades que apresentamos em vários contextos, de acordo com a realidade que vivenciamos e do território que estamos e dos vínculos que vamos estabelecendo ao longo da vida. Então, acho que muitos são os
desafios, Eh, que esses desafios não nos afaste da escolha éticopolítica por pela afirmação da assistência social como uma política de direitos, né? mas que eles possam ser compreendidos no contexto das contradições da realidade social, no contexto das contradições da realidade brasileira, que vai exigir de nós classe trabalhadora como um todo, e não só trabalhadores e trabalhadoras do SUAS, uma organização que privilegia a defesa Real da democracia, né? a defesa real da democracia que precisa pressupor necessariamente a luta antirracista, a luta antipatriarcal, a luta anti LGBT fóbica, a luta anticapacitista e aquelas que agregam todas as
expressões da unidade de exploração e opressão que tá colocada na realidade da sociabilidade capitalista. é só alterando a realidade social da classe trabalhadora, que os repertórios para as políticas sociais também vão se alterar E a gente vai conseguir eh repertórios mais qualificados para enfrentar essa realidade que é difícil, que é exaustiva, que é exenuante, eu diria, mas que é extremamente necessária, né? necessária quando a gente afirma a perspectiva éticopolítica de que a assistência social não pode deixar de existir nessa sociedade, nesse contexto e nessa realidade, né? Então, é preciso que a gente afirme e que
a partir dessa Afirmação a gente consiga estabelecer espaços de participação, de defesa, de controle social e de estudo para que se apropriando cada vez mais e de forma qualificada desses conteúdos, a gente consiga coletivamente estabelecer maiores elementos na correlação de forças necessárias paraa afirmação dos direitos na sociedade em que vivemos. Então, muito brevemente, assim, queria agradecer, sei que tá cheio de perguntas E passa aí para pra Márcia nos conduzir também. Que aula, hein? [risadas] Pessoal tá animado no chat. A Kelly já deu uma olhada. Acho que Kell trouxe na sua fala muitas, muito diálogo, inclusive
com algumas das inquietações que partem aí do lugar do trabalho, né, de nossas estudantes, dos nossos estudantes aí nessa vivência do trabalho da assistência social também. No início da aula trouxe, nos situou sobre o perfil, né, de estudantes que estão no curso de especialização, de da categoria majoritariamente inserida nessa política de assistência que convive, né, eh, cotidianamente com os desafios aí colocados no âmbito da estrutura da política de assistência social, do Sistema Único de Assistência Social, trouxeram uma recuperação, né, fundamental Porque às vezes a gente se depara com o Fazer cotidiano, com as demandas e
requisições que nos chegam, que às vezes a gente se desloca dessa possibilidade de fazer uma análise de conjuntura, compreender os meandros que estão, né, eh, que perpassam eh as demandas que nos chegam na aparência do que a do que a população nos traz e como isso vai se estruturando, que a Abigail trouxe aí de forma muito muito inquietante, inclusive, porque fervilhou os comentários aqui no chat. Vou tentar Trazer. Houveram, houve muitos comentários trazendo sobre a experiência no CRES, no CRAs a partir do CAD único, na na relação inclusive sobre a terceirização, né, a a prestação
dos serviços no âmbito da política de assistência social através da terceirização que traz aí os vínculos precarizados, que traz ainda à tona uma vivência muito próxima do damismo, como a gente vai eh responder a nossa nossa autonomia Relativa diante dessa precarização dos vínculos de trabalho. Tiveram muitas questões trazendo aí eh a partir da experiência, né? E acho que é inquietação, como a gente se alinha com esse projeto, né, de qual é esse projeto profissional, a vinculação com essa percepção da política de assistência social, né, nessa dimensão ético-política trazida aí por vocês diante desses desafios cotidianos
que estão postos no âmbito do trabalho de Assistên assistentes sociais, porque tem muitos comentários. trouxe aqui uma de forma mais ampla para dialogar com tantas inquietações que trouxeram aqui, né, nessa relação, eh, pro pras relações, inclusive como se estrutura aí as contratações e e o andamento e a materialização do trabalho, dos serviços ofertados. Mas vou ler aqui também. Eh, logo no início da aula teve teve um comentário dizendo assim que fazia tempo que não trabalhava Na política de assistência a Fernanda, né? Mas que o texto aula excelente, que trouxe uma reaproximação inclusive com a política
de assistência para compreender, reavivar, né, conceitos, retomar conceitos. Teve aí também foi trazido sobre essa nossa mobilização pela aprovação do do PL lá 1%. A Kel na sua fala já trouxe importantes elementos. E aí sobre o texto, sobre alguns conceitos, né? Eh Eh pediram aqui para aprofundar sobre isso do vínculo de cidadania. a Fernanda traz, né, de não um personalismo, mas essa perspectiva do vínculo a partir dessa perspectiva de cidadania. Eh, tem a Karen pergunta, né, como nesse contexto dos serviços versus benefícios, como mobilizar trabalhadores e trabalhadoras, considerando as as fragilidades na organização política, eh,
tanto enquanto classe quanto também No âmbito do trabalho social, né? Nessa conjuntura, como é que a gente segue aí e mobiliza os trabalhadores e as trabalhadoras da política de assistência social? Eh, aí tem um tem algumas perguntas que vieram nessa ideia do como outras políticas, né, têm requerido, apresentado requisições paraa assistência social advindas da educação, como a gente materializar, Né, o nosso trabalho na política de assistência social quando é assoberbado por demandas que advém de outras políticas e muitas vezes estão eh de estão sendo requeridas a responder ofícios, requisições do sistema de justiça. Essa é
uma pauta histórica aí, né, do que vem de requisição do próprio sistema de justiça paraa assistência social, dos conselhos tutelares, essa relação também dos conselhos tutelares nos territórios, do judiciário, Eh os serviços terceirizados que impactam aí na descontinuidade, na precarização dos vínculos. Eh, além disso, além dessa tendência da terceirização também, uma outra questão que vem no âmbito disso pro trabalho das assistentes sociais, pro trabalho da dos profissionais, é com relação a essa política de educação permanente que não existe pros trabalhadores do SUAS. Então esse distanciamento de compreender essa Concepção como vocês trouxeram de suas e
como isso eh se materializar se não existe uma política estruturada de educação permanente pros trabalhadores e trabalhadoras do SUAS, né, e que consequentemente contribui também para uma para uma um olhar, uma tendência enviezada da concepção da política de assistência social. É, em linhas gerais, essas depois eu posso vir, mas aí com dois blocos, tá? Tentei separar aqui um pouco Por assunto. Esse tá mais vinculado aí com o trabalho e esses desafios. >> Começo, Kelly. Depois você vai ou prefere começar? >> Pode começar. >> Olha, eh, primeiro que assim, né? não perder de vista um aspecto
estratégico que é o seguinte. Quando se quando a gente tá falando de política pública, nós estamos falando de um campo tenso de disputas, disputa de Projetos, disputa de recursos. Eh, e a política de assistência social, a concepção de proteção que está presente na assistência social visa eh enfrentar a omissão histórica do Estado. Então, tal e tal posicionamento, tal lugar nas relações institucionais, ela é eivada de conflito, de luta cotidiana. Isso é próprio da assistência social. Então, se alguma nós pensou que chegaria na assistência social e encontraria Um campo de consenso, todas as condições para fazer
o seu trabalho, eh um entendimento coletivo sobre o que deve ser feito, se iludiam demais a assistência social, assim como todas as políticas públicas. Mas essa, em especial é uma política de um eh de uma luta para reverter e para enfrentar processos históricos de desigualdade. Ninguém faz isso eh eh sem uma sem Depositar uma força muito grande. Agora, nós também historicamente sabemos que a consolidação, fortalecimento, implementação de política pública se dá por pressão sobre o Estado, é pressão externa. Então essa essa pressão ela se constitui de movimentos coletivos. Então é luta, mas é luta coletiva,
não é enfrentamento individual. não é posicionamento individual, né? É uma construção coletiva que historicamente vai gerando uma tensão Tal que vai alargando espaços dentro do estado para assegurar direitos. Então, nesse sentido, acho que tem várias questões que estão sendo trazidas aqui como eh eh ilustração desse cotidiano conflitivo e difícil. e que eh do nosso ponto de vista são eh expressões, exemplos que vão dando essa materialidade para o que se que o que nós estamos colocando de um conflito muito grande dentro do estado que a disputa por fortalecer a assistência Social como direito pressupõe. Então, quando
a gente tá em campo de luta, mais exigên exigências há de que a gente consiga identificar como esses mecanismos operam para se eh perpetuarem no tempo. É, é mais exigente que a gente tenha ferramentas profissionais no nosso trabalho para distinguir de intervenções desprofissionalizadas ou amadoras ou não profissionalizadas, né? Então, acho que tem um campo aí bastante vasto. A outra questão que eu queria comentar antes de De passar para Kell é que quando a gente tá falando, né, dessa dificuldade de precisão do campo da assistência social na sua relação com outras políticas públicas, as requisições do
judiciário, etc., Veja, em si, a requisição de outra política pública não é problemático. Nós também fazemos requisições para outras políticas públicas. O fundamental é a gente eh conseguir eh compreender e pactuar se essas demandas estão no nosso Campo ou das demandas que estão sendo apresentadas, o que compete a assistência social. Porque eu dei uma olhada ali, tem um exemplo por, né, para ilustrar isso, como é grave o tipo de demanda que se faz para assistência social, né? Uma profissional coloca: "Olha, eh, eu já recebi requisição para fazer plano de acompanhamento familiar para uma mulher com
tornozeleira eletrônica. Então Eu entendo que uma mulher com tornozeleira eletrônica é uma cidadã do território e pode ser que que essa vivência impacte significativamente suas relações familiares. Ela pode ser uma mulher que seja responsável por cuidados de pessoas na sua família. Pode ser, inclusive, que ela esteja com torno aoseleira eletrônica por um eh eh artigo eh eh legal do nosso Código Penal, que eh estabelece Humanitária para mulher e e prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica para mulheres que tenham crianças sob sua dependência. Essa é uma é um direito das mulheres. Então veja, o fato da pessoa
ter uma tornozeleira eletrônica não diz tudo que ela que ela vive. Então a gente não a gente tem outros elementos que estão presentes nessa vivência que requer que a gente realmente conheça. Entende por que eu tô trazendo esse exemplo? que eu Quero dizer que paraa gente afirmar a nossa especialidade eh e especificidade política pública, é necessário que a gente tenha mais segurança do que é o trabalho que a gente precisa fazer, né? porque eh em si determinadas demandas que vem de outras políticas públicas podem não ser indevidas se a gente olhar eh eh para aquilo
que nos que nos orienta no nosso trabalho, que é os o fortalecimento e vínculo com serviços públicos, o Fortalecimento e vínculo com território, eh mapear e e articular redes territoriais de proteção, né? Então, queria fazer esse comentário aqui. E um outro comentário que eu queria fazer dessas questões que eh Marcângela trouxe é eh também destacar eh sobre essa questão dos conceitos, né? os conceitos que a gente fori escolhendo colocar no texto e os conceitos que estão presentes aqui na nossa na nossa também aqui na nossa apresentação. E aí eu queria comentar sobre essa questão dos
vínculos com serviços públicos, né? a ideia de que eh as relações com serviços públicos são relações sempre voltadas a garantia dos direitos das pessoas e isso estabelece uma dada atuação, né, voltada ao respeito às trajetórias das pessoas, a ao conhecimento sobre os processos de desigualdade para não responsabilizar individualmente o que é fruto de injustiça. coletivas, né? Então, esses Elementos que vão eh configurando um modo de estar presente na vida das pessoas, assumindo responsabilidades e mesmo quando não as assume por questão de ausência de vaga ou algo do gênero, isso não é feito se desresponsabilizando, mas
se responsabilizando e dizendo, embora seja a nossa responsabilidade nesse contexto, Nesse momento não tem vaga por isso e por aquilo. Então, o fortalecimento da luta por política Pública passa por explicitar e denunciar as violações de direitos, né? Então, acho que isso é um posicionamento também necessário, porque o vínculo de cidadania eh se constitui também do reconhecimento do Estado de suas responsabilidades, né? E aí há uma questão do ponto de vista legal que reconhece que sejam os serviços públicos de execução direta, sejam os serviços públicos parcerados com o Estado por meio de contrato, eles todos têm
a mesma Responsabilidade no campo dos direitos, né? Então, a gente dialogar sobre a atenção à população, a qualidade da atenção à população, os o respeito aos direitos da dos trabalhadores e trabalhadoras do sistema, passa por esse conjunto de eh relações que estão colocadas, porque a relação de precarização do trabalho, a relação eh de eh baixos salários, etc. Ela em algumas localidades ela é mais visível, ela mais intensa com os profissionais Dos serviços eh contratados, né? Mas em muitas localidades os próprios servidores também têm condições precárias de salário, de reconhecimento, etc., né? Então, também queria fazer
esse comentário. Eh, e uma outra questão que eu queria eh trazer é que assim eh a aliança com o cidadão, com a cidadã passa necessariamente por sempre reconhecermos que as vivências que as pessoas têm eh São fruto dessa injustiça, né? E aí, eh, essa forma de estar com as pessoas e de explicitar para elas eh o que configura aquelas vivências é que constitui a possibilidade das pessoas reconhecerem seu direito, reconhecerem a violação e se organizarem. E aí, nesse sentido, eu queria eh eh dialogar com uma questão que apareceu aqui, que do nessa perspectiva, do meu
ponto de vista, não é o Estado que organiza a população, Mas é a partir do conhecimento sobre os direitos, as denúncias de violação, a a publicização desses direitos, é que favorece a organização da população, é que favorece que os movimentos sociais assumam essa pauta e se posicionem no enfrentamento do Estado. Eu entendo que não cabe ao Estado organizar o movimento social, né? Mas cabe e a legislação, inclusive que obriga isso, cabe ao Estado produzir informação paraa sociedade sobre a os Direitos existentes e eh as a o estágio de atenção a esses direitos, né? Isso em
todos os campos de política pública precisa ser feito e é para isso inclusive que nós temos alguns dispositivos como lei de transparência, mas também como os momentos de controle social. Então, queria eh trazer esses elementos aqui ainda genéricos também, mas só para ir dialogando com alguns aspectos que Marcângela destacou e que eu também ali olhando os comentários Identifiquei. >> Obrigada. Vou na linha da complementação aqui, né? Porque acho que tenho reivindico aí a fala da da professora Abigail em tudo o que ela disse e acho que são reflexões muito importantes, né, principalmente com relação a
essas requisições à assistência social. Eh, penso que isso é é muito difícil que uma situação chegue até a assistência social e não tenha nenhum elemento que a assistência social possa trabalhar, né? Eu acho que cabe as reflexões necessárias e aí cada situação vai apresentar elementos próprios, né, das dessa situação. Mas eu queria complementar falando um pouco do que apareceu aqui nas perguntas em relação à autonomia relativa, né, do trabalho profissional. Veja, compreender a autonomia relativa eh afirmar que existe um campo no trabalho Profissional que não pode ser apreendido pelos interesses do capital e nem pelos
interesses institucionais. É aí que reside a nossa autonomia. E esse campo ele pode ser alargado ou ele pode ser diminuído a depender das correlações de forças que estão estabelecidas. Mas quando a gente afirma o conceito da autonomia relativa, nós estamos afirmando que existe um um pedaço ali desse campo do trabalho profissional que ele não pode ser Apreido por outros interesses que não seja a construção profissional que somos e que temos. E é isso, essa autonomia pode ser reduzida ou pode ser alargada a depender das construções realizadas naquele campo, né? Então, eh, não há autonomia absoluta.
Autonomia absoluta é contrária à perspectiva de autonomia relativa que a gente construiu ao longo da história da profissão. E ao mesmo tempo não há autonomia zero, porque autonomia zero Seria o contrário, né? o o outro polo da autonomia absoluta. Então, e é aí que exide autonomia relativa, que, como eu disse, pode ser pequenininha ou pode ser alargada, depender das correlações de forças que vão estabelecendo. E aí penso que os projetos profissionais das equipes, a coletivização e o fortalecimento do trabalho interdisciplinar, das equipes, vamos aqui lembrar dos profissionais de nível médio, que é a maioria dos
trabalhadores Do SUAS, né? Então, não estamos falando só eh das categorias profissionais de nível superior, tô falando de de uma forma mais ampla, né? Os projetos profissionais das equipes interdisciplinares, né? pode fazer com que se alargue esse campo da autonomia relativa. E é importante a gente pensar e refletir quais são os espaços que vão se apresentar ali no cotidiano que apresentam maior potência para que essa Autonomia possa ser alargada. E cada espaço vai ter sua correlação de força, vai ter suas especificidades e é muito importante que a gente consiga mapear isso coletivamente, né? Porque é
mapeando, é é num grupo, é na relação com as famílias, é nas relações com os grupos de adolescente, com crianças, não sei, né? Alguns espaços em que essas relações vão se tornando mais potente para que coletivamente as equipes possam alargar o seu campo de autonomia, né? Isso fazer com que a gente consiga ter uma maior movimentação no campo dessa autonomia e conseguir fazer aí as articulações necessárias paraa defesa do SUAS, né? Então, quando a gente afirma, cadê a nossa autonomia relativa, é importante que a gente saiba isso. Quando a gente afirma da autonomia relativa, nós
estamos afirmando que há um campo que não pode ser capturado pelos interesses capitalistas. Ele pode ser pequeno, ele pode ser grande, mas Esse campo ele é da dimensão da relação profissional com os sujeitos que atende, da relação profissional com os seus pares, da relação profissional com aquilo que constrói na sociedade, no controle social, enfim, cada espaço vai fazer a avaliação de onde essa autonomia pode se tornar mais alargada, né? E essa é a nossa potência, né, pessoal? Mas para fazer isso, a gente precisa de ferramentas, a gente precisa de suportes, né? Então o estudo, a
reflexão É um desse, uma dessas ferramentas, né? Estarmos aqui numa segunda-feira à noite debatendo esses temas é uma ferramenta importante para que a gente possa, né, voltar pros nossos espaços de trabalho e fazer as devidas reflexões, né? E as lutas por ampliação de direitos na sociedade também é uma é uma pauta importante para largar esses direitos, né? Vou trazer aqui um elemento da conjuntura. Ã, por que a luta pelo fim da escala 6 por1? Isso tem relação Direta com as condições que a gente vai atender a população lá no nosso cotidiano, né? Então, olha só
como as coisas se intercruzam. Então, é importante que a gente possa entender que autonomia relativa vem das nossas conexões, né? as nossas conexões com os estudos, com a profissionalização, com a reflexão, né, com os espaços que a gente vai mapeando de maior potência em que essa autonomia pode se alargar. E com isso a gente vai negando a a perspectiva Fatalista, né, de que não há nenhum espaço na assistência social, porque tá todo mundo fado, a sucumbir, né, a essa realidade extenuante, ná, ou ao messianismo. A assistência social é linda, maravilhosa e vai fazer as pessoas
felizes, né? Então, a autonomia relativa, ela vem para romper com essa dicotomia, né? Não há um fatalismo de que nada pode ser alterado e que nós estamos fadosados ao insucesso. E também não há um fatalismo de dizer a Assistência social vai resolver os problemas de todas as pessoas que dela necessitar, né? O campo da autonomia relativa é dizer, existe um campo que a gente pode atuar sem que isso seja capturado pelos interesses do capital. Cabe a nós coletivamente, né, e socialmente, eh, mapearmos esse campo e jogarmos mais força para que ele se alargue cada vez
mais. Quanto mais eh reconhecimento desse campo da autonomia relativa Tivermos, mais possibilidade de alargar esse campo a gente vai ter. Mas para isso a gente precisa se apropriar de conceitos, precisa se apropriar de de legislações, precisa se apropriar inclusive das legislações que nos protegem enquanto profissionais, né, no nosso dever e na nossos direitos de exercício profissional, recorrendo às instâncias eh cabíveis a depender de cada situação e vivenciando essas etapas processuais De uma política que prevê a mudança de um paradigma social de décadas e que eu diria mais que décadas, né? Se a gente for a
pensar de uma forma mais ampla. Então, eh, não será sem arranhões, né? não será sem arranhões esse esse processo, mas que a gente possa coletivamente encontrar esses campos em que a gente possa se fortalecer e ampliar as possibilidades de atuação ético-políticas que o SUAS no nos dá, não só o SUAS, mas as perspectivas de um Projeto societário diferente desse projeto societário que estabelece o lucro sobre o lucro, sobre a vida das pessoas e tantas outras questões, né? Então, mais na linha de complemento, Marce, não sei se tem mais outras. Oi. Eh, K, você trouxe até
eh algumas questões que tinham que tinham trazido no chat. O pessoal continua aqui trazendo de que aula maravilhosa, querem parte dois dessa aula várias pessoas. Eu Acho que essa identificação, inclusive pra gente fazer essa suspensão das dificuldades que a gente se encontra, que a gente encontra no cotidiano e como é que a gente vai pensando essas mediações pro nosso trabalho, né? Considerando aí essa autonomia relativa, o tanto que a gente vai estreitá-la ou alargá-la a partir dessas mediações de intervenção. E esse espaço, sem dúvida, ele é fundamental do estudo, né? né? E que inclusive o
capitalismo nos rouba Essa possibilidade, inclusive de a gente achar que pode ter um tempo para estudar. E a gente faz isso no no nos diversos tempos que a gente vai se encontrando, inclusive nas pautas atuais da classe trabalhadora, como pelo fim da escala 6 por1. E como é que isso também se conecta com o nosso trabalho, como é que isso rebate rebate diretamente na população que é atendida. Eh, acho que dentre tantas coisas trouxe que foram sendo trazidas aqui nos comentários, nas Falas de vocês, na própria intervenção, na exposição da aula, foram dialogando porque alguns
comentários vieram lá já de inquietações no início da aula e outras foram se mobilizando a partir dos comentários com outros colegas, outras colegas cursistas. Acho que tem uma coisa que a que a Bigail trouxe, né, dessa inquietação, como é que a gente vai organizar a população que está atendida diante de tantas tarefas, metas, métricas, produtividade, que não É exclusivo da política de assistência social. Outras políticas têm vivenciado isso, mas a gente tem essa compreensão de que não é o estado que vai fazer, né? Mas como é que a gente vai favorecendo o acesso dessa população
à informação para fomentar esses espaços de autoorganização e de leitura da realidade que está posta? Tem uma pergunta aqui que aí pedem a opinião de vocês que éí sobre dois conceitos que também vem aí que é sobre a Vulnerabilidade social e desproteção social, né? Esse termo como vem sendo substituído, isso seria, poderíamos considerar que é um avanço na perspectiva dessa concepção do SUAS, né? Então a gente é vulnerabilidade versus desproteção social. Tem um comentário aqui também da Maria, né, de que a questão do familismo K que você trouxe lá no início da aula, né, que
é bem complicado dessa tendência que se tem de responsabilização, Né, da família nesse nesse lugar de de penalizar a família e responsabilizá-la, principalmente quando não atende-se as condicionalidades para acesso aos programas, como, por exemplo, o programa Bolsa Família. Eh, outra coisa, se vocês poderiam tercer considerações sobre esse caráter historicamente focalizador da política de assistência social, né? Eh, e se isso versus uma perspectiva de universalização Do SUAS. Deixa eu ver outra coisa aqui. Essa Kell trouxe, né, muito bem sobre autonomia relativa, os comentários aqui no chat, inclusive, né, a dessa apreensão do que a Kelly trouxe.
Também tem uma outra coisa sobre essa perspectiva de equipe interprofissional e equipe multiprofissional no âmbito da assistência social. Enfim, e aí os comentários, querendo mais tempo, a gente já vai se encerrando Aí paraa nossa última parte da aula, mas a gente entende que é processual e vai nos requerendo cotidianamente, né, a própria dinâmica da realidade vai convocando reações nossas ao que vai acontecendo e esse processo de mobilização. E se vocês puderem também trazer, ouvir algumas perguntas no âmbito do desse papel e dessa tarefa do controle social, né? Acho que também isso da perspectiva da dos
trabalhadores, da assistência social, Mas também da ampliação aí do direito a uma política de assistência social. Abigail Kelly com vocês. Acho que esse é o nosso último bloco, né, ao término. Então a gente já vai encerrar, né, se despedir. Então vou escolher aqui algumas questões para comentar. >> [limpando a garganta] >> Eh, e acho que uma primeira questão queria aproveitar nessa nessa Oportunidade da gente conversar sobre essa questão da vulnerabilidade e da desproteção, porque de fato ao longo do debate da construção eh eh do entendimento dentro da assistência social, né, de de quais conceitos eh
são mais potentes do ponto de vista de explicitação da responsabilidade pública pela proteção, eh, foi ficando em desuso a ideia da vulnerabilidade, porque ela foi sendo eh adotada muito numa perspectiva individual de eh Pessoas ou grupos vulneráveis irem se constituindo como algo que possa ser eh lidado ali com a as pessoas e e essa vulnerabilidade ser superada pelas próprias pessoas. pessoas. Já quando a gente adota a perspectiva de desproteção, vai ficando evidente que há uma ausência da proteção. A desproteção demarca a ausência da proteção, logo demarca a ausência do Estado como agente protetor. Então, a
ideia da desproteção já pressupõe uma concepção de Estado Responsável pela garantia de direitos, pela proteção coletiva e pública e eh demarca então eh uma uma vivência de injustiça, por isso mais potente para configurar a responsabilidade pública. E e por essa dimensão é que mais recentemente todas as todas não, mas a majoritariamente dentro do Sistema Único de Assistência Social se passou a adotar essa expressão da desproteção para demarcar as diferentes expressões da desigualdade, o que eh mais Facilmente então configura a responsabilidade do Estado neste enfrentamento, né? Eh, uma outra questão que eu queria comentar eh nessa
perspectiva, né, de qual é o trabalho eh eh técnicopítico da assistência social, né? Então, que que direção se atribui eh a essa atuação? Eu queria insistir nessa questão de que eh o avanço de política pública depende de pressão externa, né? E eh há que se estabelecer dentro da Assistência social também a capacidade de reconhecer movimentos coletivos, né? eh os movimentos sociais, os movimentos afetos das questões com com as quais eh o SUAS está lidando e que eh podem eh exercer essa pressão externa pelo alargamento da política pública, pelo alargamento da presença e da resposta da
política pública. Então, essa essa essa conexão com movimentos sociais que que se perdeu no tempo da política de assistência social, né? Há há quase que Uma dissociação entre a intervenção dos serviços de assistência social e os movimentos sociais territorializados, né? Então, acho que essa essa reconexão precisa ser feita, né? eh para o fortalecimento das lutas coletivas e das lutas eh naquela naquelas dimensões com as quais o SUAS lida, né? Então, senão eh de fato fica fica muito muito mais frágil a intervenção dessa política pública quando ela eh vai eh então estabelecer Uma atenção individual, privada,
etc., né? Então, queria levantar também esse aspecto, né? Então, insistir nisso que eu tô dizendo para tentar ser mais explícita, que é a a o Estado não organiza movimento social, né? O estado não faz movimento social, mas a atuação de agentes dentro do estado, cientes da responsabilidade estatal e conectados com o direito das pessoas, na defesa dos direitos das Pessoas, agentes estatais produzem informação, produzem denúncia, produzem formas das pessoas se organizarem, porque ao alimentar a luta coletiva, isso fortalece então movimentos, né, que possam pressionar o estado, né? Então isso é muito estratégico, historicamente foi estratégico
para nós, né? Então permanece sendo, digamos assim, né? A outra coisa que eu queria comentar é que eh essa questão, né, da Interdisciplinariedade, da atuação interprofissional, eh pressupõe uma capacidade de diálogo eh onde há conhecimento. E o conhecimento, ele não está somente na formação universitária acadêmica. O conhecimento está também na vivência da população nos territórios, né? Ah, o conhecimento está na resistência cotidiana das mulheres, o conhecimento está eh nas estratégias de sobrevivência nos territórios deflagrados pela Violência. Então, há vários conhecimentos e saberes que instruem uma política pública, reposicionam a atuação profissional e que não são
exclusivamente desta ou daquela formação profissional. Então, queria aproveitar essa discussão entre eh interdisciplinaridade interprofissional para para colocar mais um ingrediente, né, que é essa capacidade de valorizar todos os Saberes. E por isso tão importante também e quebrando hierarquias eh muito presentes no cotidiano do SUS entre profissionais de nível médio, profissionais de nível superior, né, que faz com que muitas vezes eh a gente tenha um exercício ignorante de muitas eh informações que poderiam subsidiar o trabalho, muitas eh eh muitas ferramentas adotadas por outros profissionais e que por vezes a gente ignora. Por por reinterar, reafirmar espaços
hierárquicos, né? Então, é isso que a que a Kell tá explorando da democracia eh eh no conceito e na vivência, no método, passa pela valorização dos diferentes saberes, né? E aí eu acho também queria eh antes de passar para Kelly fazer uma uma afirmativa aqui que eu acho que é muito estratégica na nossa discussão em política pública, muito inspirada no professor Paulo Freire. O professor tem Um, o professor Paulo Freire tem uma frase, eh, bom, primeiro que o professor Paulo Freire sempre foi muito bom nessa nessa construção de sínteses, né? E tem uma frase dele
na pedagogia do oprimido que ele fala assim mais ou menos isso, né? Não vou saber repetir exatamente, mas ele fala eh a pedagogia nunca é neutra. Ou a gente faz a pedagogia do oprimido ou faz uma pedagogia contra ele. Então, do ponto de vista eh eh se a gente eh tomar essa ideia para a Assistência social, diria a mesma coisa, né? Então, a a assistência social, ela nunca é neutra. Se a gente não tá fazendo uma assistência social a favor das mulheres, a favor das pessoas em vivência de desigualdade, a favor eh eh das pessoas
injustiçadas para produzir igualdade, justiça, enfrentamento, fortalecer resistências, fortalecer potência. Se a gente não faz essa política pública, a gente tá fazendo contra essas pessoas. né? Então tem um Tem um posicionamento em defesa de política pública que eh a gente não pode perder, é inescapável. Então isso diz muito de como a gente lida com as pessoas no cotidiano, né? E com isso eu não tô dizendo que que não se deva denunciar a a insuficiente política pública. Não é isso que eu estou dizendo, né? Eh, muito pelo contrário, a gente denunciar a insuficiência da política pública, a
gente apontar suas fragilidades, a gente Apontar os equívocos, a gente criticar a política pública, é o que permite desvelar esses processos, né? Então, faz parte dessa, desse fortalecimento político a pública criticá-la, mas o que eu estou falando tá muito na chave do cuidado com o familização individual. Há h a colegas aqui trabalhadoras do SUS apontando exemplos dessas situações, né, de que no cotidiano eh se escorrega para uma questão de julgar mulheres, julgar por Seus comportamentos, pela presença ou não de filhos, né? Então, acho que é atentar para esse eh para esse necessário exercício coerente com
o nosso projeto profissional, com o nosso projeto de política pública, né? porque senão de fato, a gente termina eh tendo uma atuação que é contrária àquilo que a gente eh foi formada e afirma estar eh eh coerente pelo nosso exercício profissional, né? Então, queria só eh fazer esse destaque Também na linha da complementação, né? né? Acho que foi falado muitas questões aqui do familismo, do das condicionalidades, né, do programa Bolsa Família, que tudo isso vai comparecer, né, no trabalho, no SUAS. E acho que de novo é reafirmar, né, que a perspectiva de controle de comportamentos,
isso não desaparece da realidade social, né? Isso convive na realidade social e vai se expressando de diversas maneiras No nosso cotidiano profissional, né? Então, acho que o debate sobre as constitucionalidades é um debate amplo, né, que passa pelo controle dos comportamentos, né, e tem outras nuances que precisam ser debatidas amplamente na sociedade e que muitas vezes vão reafirmar, né, esse lugar do controle das mulheres. E isso tem a ver, não especificamente só com a realidade do SUAS, tem a ver com a realidade brasileira que a gente vive, em que os Corpos das mulheres são controlados
o tempo todo, né? Em que a gente vê uma onda de aumento de feminicídio, né? De mulheres que são arrastadas nas ruas e que isso vem sendo cada vez mais naturalizados, né? filhos e crianças, né, de mulheres que são assassinados para atacar essas mulheres, né, na sua na sua subjetividade, na sua vivência. Então, não é um contexto que o controle das mulheres, né, das mulheres negras, das mulheres que se responsabilizam Pelos seus filhos e tudo mais, não está estabelecido só no suas como se fosse essa bolha, né? Isso tá colocado de uma forma crítica, grave,
urgente na realidade social e vai se expressar no SUAS como uma requisição para que nós equipes, profissionais, enfim, né, quem estudantes, pesquisadores, que a gente alimente e reproduza essa ideia do comportamento, né? Mas acho que a gente tem a possibilidade de novo retomar da autonomia relativa, né? se existe essas Requisições, se essas mulheres chegam até o serviço sob essas requisições, o que é real e muitas vezes acontece, a nossa autonomia relativa junto com as nossas equipes e de maneira processual e coletiva pode fazer com que o nosso trabalho com essas mulheres seja sob uma outra
perspectiva. Muito embora elas cheguem por essa via, nós não precisamos reproduzir essa via. a gente pode transformar essa via, né, e fazer com que muitas vezes a denúncia, a Explicitação da violação de direitos, a explicitação da desproteção colocada em determinados territórios possa ter maior visibilidade e a gente consiga conectar, né, com essas histórias, com esses conhecimentos, com essas vivências, outras perspectivas ético-políticas que retomem, né, uma uma perspectiva da defesa de direitos, que retome a perspectiva de que as mulheres, né, elas podem sim fazer o que elas querem nessa sociedade, sem que seus comportamentos Sejam eh
julgados, controlados, criminalizados, né, muitas vezes e tantas outras expressões. Então acho que de novo e para finalizar, que já estamos no nosso no nosso tempo aqui, eu queria terminar reafirmando esse campo da autonomia, né, que realmente vai fazer com que a gente consiga mapear na diversidade que é o suas, né, nesse país. Muito grande, muito diverso, muito diferente, né? Eu mesmo trabalho numa região de Creias que atende 600.000 Habitantes, assim, numa realidade de uma megalópole, né? Nós vamos ter municípios uma realidade extremamente diferente dessa. Então o suas é muito diverso. Então, que nessa diversidade a
gente consiga se conectar com os nossos pares, com os sujeitos, com as pessoas que a gente atende, com os movimentos sociais, com sujeitos políticos, coletivos que partilham desses mesmos princípios, para que a gente consiga estabelecer uma linha de luta, de resistência, de Mobilização, de denúncia que seja, porque nas realidades mais cruéis é a denúncia que vai prevalecer como uma ação importante, né, de equipes, de trabalhadores, de movimentos sociais. para que a gente vá criando um caldo, né, um caldo cultural, um repertório cultural que fortaleça a correlação de forças em defesa da perspectiva anunciada e reafirmada
pelo SUAS. Então, para finalizar mesmo, já tá acabando o nosso tempo, a gente poderia ficar aqui Mais sei quantas milas, né? poderíamos falar da proteção básica, da proteção especial, é outro, é outro universo de coisas que vai se abrir. Ixe, ó, tem coisa, tem coisa para danar aqui para falar da assistência social, né? Mas acho que para esse momento, né, acho que a gente eh eu queria agradecer, né, e acho que queria também fazer um apelo para trabalhadores e trabalhadoras dos que estão aqui, né? Acho que a gente tem uma responsabilidade muito grande com a
Nossa organização, com as resistências cotidianas que a gente faz nesses espaços. Então, eu acho que assim, muitas ausências existem. Existem ausências do estado e paraa população que a gente atende e isso se reproduz no contexto do nosso trabalho, né? Não estamos num cenário em que todas as proteções são oferecidas para nós trabalhadores, paraa população, como se fosse uma dicotomia entre uma coisa e outra, né? Esse é o nosso cenário, mas Eu acho que se a gente puder parar um pouquinho na nossa equipe, né, e reproduzir essa discussão que a gente tá fazendo aqui agora, de
repente a leitura de um texto, né, curto, não é um texto longo, já é uma ferramenta importante pra gente suscitar reflexões e para que para que a gente consiga se reconhecer entre nós, que o primeiro passo da organização política e do trabalho coletivo é que trabalhadoras e trabalhadoras reconheçam entre si. Então, que a gente consiga fortalecer essa perspectiva de não estranhamento de nós trabalhadores e trabalhadoras, mas para que a gente fortaleça o reconhecimento enquanto trabalhadores e trabalhadoras e com isso a gente vai conseguindo perceber quais são os espaços em que a gente tem potência de
se movimentar, né? E sabendo que, como diz a a campanha do Cfés lá de trás, né, quem se movimenta não sente as correntes que os pres. Cada movimento que a gente Dá é uma corrente que nos puxa para trás, mas isso é necessário para que a gente possa avançar. E é assim o curso da história que a gente aprendeu tanto no legado dessa profissão, no legado da militância na política de assistência social e que segue sendo um repertório político importante para nós, né? Então, muito obrigada, muito feliz de estar aqui com vocês. Agradecer a Bigail,
agradecer a Márce, agradecer cada cursista, cada tutor, cada tutora, Supervisoras, coordenadoras do curso, enfim, todas as pessoas. E vou pedir licença para um parêntese assim de alguns segundos só para dizer, né? E aí não tem a ver muito com a aula, mas dizer que essa é a última aula que eu acompanho no curso enquanto gestão do CEF. Semana que vem a gente encerra o triênio 2023. E quero dizer que esse curso foi uma ousadia muito grande, muito grande. Por muitos momentos a gente achou que não Ia, não ia dar certo, mas que é muito bom
poder ver tanta gente aqui se encontrando nesse Brasil tão grande e podendo trocar as perspectivas do trabalho. Então, quero agradecer em nome da gestão do CEFES também a esse curso, a todas as pessoas envolvidas na realização dele, a Uerne, a Funcitern, né, todas. Mirla, professora Ivanete, coordenadoras, Márcia aqui presente, as supervisoras, tutores e tutoras cursistas. Muito obrigada por essa Experiência. A gente finaliza a gestão semana que vem, no nosso dia 15 de maio, passando a bola para uma gestão extremamente potente que tá chegando por aí e que vai dar continuidade a esse projeto tão bonito.
Então, muito obrigada, >> Abigail. Muito obrigada. Que aula instigadora. movimentadora. Eu acho que a gente precisa disso no nosso cotidiano, pro nosso trabalho, né, para tantas situações que a gente vivencia Enquanto classe trabalhadora, né, mas também na relação com essa população também. Eh, Kelly, querida, eh, eu já tava pensando inclusive no marco, né, abrimos o nosso maio, né, gente, hoje é 4 de maio. Quem vai ver essa aula no futuro? Porque obviamente esse curso de especialização ele tá demarcado nessa história do serviço social brasileiro, na história das nossas entidades. Já tinha organizado aqui para lembrar
que nós iniciamos o nosso maio conversando Sobre uma aula e uma política tão necessária e que se entrelaça com a história do serviço social. aquela inclusive invocou aí a necessidade ainda da gente tá eh eh de forma muito didática, né, dizendo que é a nossa profissão, quem somos nós e a política de assistência social e as nossas defesas históricas, né? E esse ano e agora a gente abre maio falando sobre assistência social, outras políticas virão pra gente aprender muitos textos. Próxima aula, dia 18 de maio, com o professor Maurílio Matos e dizer para vocês, então,
fazer o convite pra gente se encontrar também no 15 de maio, fazer do 15 de maio também esse espaço da gente se encontrar, da gente se reconhecer, né, com os companheiros e companheiras de curso, estudantes de serviço social. Esse ano em cada um dos nossos territórios é também o momento de posse das novas gestões do conjunto CFESCR, né, da gente saudar também as Gestões que se findam. E queria também expressar aqui em nome desse curso idealizado na atual gestão do CEFS, que Kelly tão afetuosamente, comprometidamente, eh, contribuiu paraa sua realização e acho que a história
está nos demonstrando. E aí eu queria então encerrar, eu acho que o mote do nosso dia do assistente social desse mês fala muito do que vocês conversaram hoje, né? com direitos, democracia e unidade na Diversidade. A gente assistente social desse Brasil, a gente faz o nosso Brasil e a gente vai seguir fazendo história na profissão 90 anos do serviço social brasileiro, né, que se entrelaça com todos esses momentos históricos, né, esses momentos da sociedade brasileira e a gente tem feito esse nosso Brasil com a nossa profissão. Então aí abrindo o mês de maio, discutindo sobre
a política de assistência, sobre suas e a gente ainda Tem mais um encontro marcado agora em maio. Kella, Abigail, Keva, Carlas, intérpretes que estiveram aqui conosco. Muito obrigada, viu? E a gente vai se encontrando.