Há um momento na vida de todo homem e toda mulher em que a verdade sobre si mesmo se torna insuportável. Não é um momento agradável, não é planejado. Vem sem aviso, às vezes num espelho, às vezes numa conversa, às vezes na solidão de uma noite sem dormir.
E quando chega, muda tudo. O apóstolo Paulo conhecia esse momento. Ele o viveu e quando escreveu a carta aos Romanos, ele decidiu não disfarçar.
decidiu colocar esse espelho diante de todos nós, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos, capítulo 3, versículo 23. Oito palavras em português, mas dentro delas está o diagnóstico mais honesto que a humanidade jamais recebeu.
E logo depois, como se Paulo soubesse que nenhum homem aguenta viver apenas com esse diagnóstico, vem a resposta. A solução, a graça, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que está em Cristo Jesus. Romanos 23, versículo 24.
Este é o capítulo que contém o coração teológico de toda a Escritura. Não é exagero. Se você compreender realmente o que Paulo está dizendo aqui, não apenas com a cabeça, mas com o coração, você compreenderá porque Jesus veio, por morreu, por ressuscitou e por você está vivo hoje.
Vamos entrar neste capítulo juntos e vamos sair dele transformados. O contexto. Por que Paulo escreve isto?
Antes de mergulharmos no espelho que Paulo levanta, precisamos entender porque ele está escrevendo para Roma. Estamos no ano 57 ou 58 depois de Cristo. Paulo não está em Roma.
Ele está em Corinto, uma cidade portuária na Grécia. Mas ele tem um plano ousado, ir a Roma, a capital do mundo, o coração do império que domina tudo. Roma não é uma comunidade que Paulo fundou.
Ele não está lá. Mas a igreja de Roma existe, nascida de judeus e gentios convertidos, crescendo na sombra do Coliseu, sob o risco constante de perseguição. E Paulo sente que precisa escrever para eles, precisa estabelecer a verdade antes de chegar.
Por quê? Porque há confusão, há divisão. Há judeus cristãos que acreditam que a lei de Moisés ainda é o caminho para a salvação.
Há gentios cristãos que acreditam que a fé em Jesus é tudo que importa. E há uma pergunta que queima em todos os corações. Como um homem é justificado diante de Deus?
Esta é a pergunta que Paulo vai responder e ele vai responder com uma clareza que mudará a história do cristianismo para sempre. Mas antes de dar a resposta, ele precisa diagnosticar o problema. E o problema é pior do que qualquer um imagina.
O diagnóstico começa: Ninguém está livre. Vamos ler Romanos 3, do versículo 9 até o versículo 20. Paulo está prestes a demolir toda a ilusão que qualquer pessoa possa ter sobre sua própria bondade.
Que diremos, pois, estamos em vantagem? De modo nenhum, pois já demonstramos que todos, judeus e gregos estão sob o poder do pecado. Romanos 3, versículo 9.
Pause por um momento. Compreenda o que Paulo está dizendo. Ele não está dizendo que alguns pecam.
Ele não está dizendo que a maioria peca. Ele está dizendo que todos, sem exceção, estão sob o poder do pecado, mas ele não para aí. Paulo começa a citar as escrituras verso após verso como um advogado apresentando provas.
E cada prova aponta para a mesma conclusão devastadora, como está escrito, não há justo nenhum sequer. Não há quem entenda. Não há quem busque a Deus.
Todos se desviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem. Não há nenhum sequer.
Romanos 3:3, versículos 10 e 11. Ninguém, nenhum sequer. Essas palavras vêm do Salmo 14 e do Salmo 53.
Salmos que foram cantados no templo de Jerusalém. Salmos que os judeus conheciam de cor. E agora Paulo está usando as próprias escrituras deles para mostrar que nenhum deles, nenhum de nós, está isento.
Ele continua. A garganta deles é um sepulcro aberto com a língua praticam engano. Peessonha de áspede está debaixo de seus lábios.
A boca está cheia de maldição e de amargura. Os pés são ligeiros para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria.
E não conhecem o caminho da paz. Romanos 3, versículos 13 a 17. Observe a progressão.
Paulo começa com o interior, a garganta, a língua, os lábios, o que sai de dentro de um homem, depois desce para as ações, os pés que correm para o mal, as mãos que ferem, o caminho que segue. É como se Paulo estivesse desse cadáver espiritual, mostrando camada por camada a corrupção que existe em cada um de nós. E então vem o verso que fecha o diagnóstico.
Ora, sabemos que tudo o que a lei diz o diz para os que estão sob a lei, a fim de que toda a boca se cale e todo o mundo fique sujeito ao julgamento de Deus. Romanos 33, versículo 19. Toda a boca se cale.
Aqui está a beleza terrível do diagnóstico de Paulo. Ele não está apenas dizendo que você é pecador. Ele está dizendo que você não tem defesa.
Não há argumento que você possa apresentar. Não há justificativa. Toda a boca se cala.
Você está diante do espelho e o espelho não mente. O espelho hebraico, a palavra grega, para pecado, para compreender realmente o que Paulo está dizendo, precisamos voltar ao idioma original e precisamos entender uma palavra que aparece constantemente neste capítulo. A palavra grega é ramartia.
Quando você ouve ramartia, a primeira coisa que precisa saber é isto. Não significa apenas cometer um erro moral. Não é como dizer cometi um deslize.
A palavra é muito mais profunda. Ramartia vem de um verbo que significa errar o alvo. Imagine um arqueiro.
Ele aponta a flecha para o alvo, mas a flecha não acerta. Ela passa ao lado, ela erra o alvo. Agora, aplique isso à vida espiritual.
Qual é o alvo de todo ser humano? Qual é o propósito para o qual você foi criado? Segundo a Escritura, o alvo é a glória de Deus.
Viver para a glória de Deus. Refletir a glória de Deus. Ser em sua própria vida um reflexo da beleza, da bondade, da santidade de Deus.
Mas você errou o alvo. Todos erramos. Não uma vez, não algumas vezes, constantemente, sistematicamente, como um padrão de vida.
A palavra em Romanos 3, versículo 23, não é apenas sobre atos pecaminosos, é sobre uma condição, uma realidade. Você está errado. Sua vida não está apontada para o alvo.
Você está desviado. E aqui está o aspecto mais assustador. Paulo não está falando apenas de pecados que você cometeu.
Ele está falando de pecado, uma força, uma realidade, uma escravidão que o controla. Em Romanos 3, versículo 9, ele diz que todos estão sob o poder do pecado. A palavra grega é ipó, debaixo.
Você não está apenas fazendo pecado. Você está debaixo do pecado, como um homem debaixo de uma roda de carro. Como alguém que não consegue se levantar.
Isso é muito diferente de dizer: "Você cometeu alguns erros". Isso é dizer: "Você está escravizado". A lei não salva, a lei condena.
Agora Paulo diz algo que deve ter chocado seus leitores judeus. Portanto, ninguém será justificado diante dele por obras da lei, pois pela lei vem o conhecimento do pecado. Romanos 16, versículo 20.
Deixe-me traduzir isso para o contexto de Roma no primeiro século. Os judeus tinham a lei, a Torá, os 10 mandamentos, 613 mandamentos no total, segundo a tradição rabínica, séculos de interpretação, séculos de estudo, séculos de tentativa de obedecer. E Paulo está dizendo: "Nenhum de vocês será justificado por isso.
Não porque a lei seja má. A lei é santa. A lei é boa, mas a lei não faz o que vocês pensam que faz.
A lei não salva, a lei condena. Por quê? Porque a lei revela o pecado.
A lei é como um espelho. Você olha para ela e vê sua sujeira. Você vê quanto você não se conforma aos padrões de Deus.
Pense nisso. Você nunca sentiria culpa por roubar se não houvesse uma lei contra roubo. Você nunca sentiria condenação por desobedecer se não houvesse uma lei a obedecer.
A lei traz conhecimento do pecado, consciência dele, peso dele, condenação por causa dele, mas não traz libertação. Aqui está o grande problema que Paulo está apontando. Os judeus acreditavam que se obedecessem a lei, seriam salvos.
Se guardassem os mandamentos, teriam vida eterna. Se fizessem as obras da lei, Deus os aceitaria. Mas Paulo diz: "Não funciona assim, porque ninguém consegue guardar a lei perfeitamente.
Todos falham, todos caem. E quando você falha, a lei não oferece misericórdia, oferece condenação. A lei é um espelho que mostra sua sujeira, mas não é um espelho que a limpa.
O coração do evangelho, justificação pela graça. E agora, após demolir completamente qualquer esperança que uma pessoa possa ter em si mesma ou em suas obras, Paulo faz uma virada. Uma virada que muda tudo.
Mas agora, sem a lei, se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela lei e pelos profetas. Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Pois não há distinção, uma vez que todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que está em Cristo Jesus.
Romanos 3, versículos 21 a 24. Aqui está o coração do evangelho, o coração de toda a escritura. Deixe-me quebrar isso em pedaços para que você possa realmente sentir o peso de cada palavra.
Mas agora, sem a lei, se manifestou a justiça de Deus. Mas agora duas palavras que mudam tudo. Tudo que Paulo disse antes pecado, sobre condenação, sobre a lei que não salva era verdadeiro.
Mas agora há algo novo, algo que não estava disponível antes, algo que Deus sempre planejou, mas que agora é revelado. E o que é a justiça de Deus? Aqui precisamos parar e compreender uma palavra grega crucial de Caiozini, justiça.
Mas não apenas justiça no sentido de punição correta. É mais do que isso. De Caiosine é retidão.
É estar certo com Deus. É estar em relacionamento correto com Deus. é a qualidade de estar justificado, declarado justo, aceito, perdoado.
E Paulo está dizendo que essa justiça, essa retidão, essa aceitação, esse perdão é de Deus, vem de Deus, é um presente de Deus, testemunhada pela lei e pelos profetas. Aqui Paulo está fazendo algo brilhante. Ele está dizendo: "Isso não é novo".
A lei e os profetas, toda a escritura hebraica, já [limpando a garganta] apontava para isso. Abraão foi justificado pela fé, não pelas obras. Davi foi perdoado, não porque merecesse, mas porque Deus teve misericórdia.
Os profetas falaram de um dia em que Deus ofereceria salvação, não como pagamento por obras, mas como um presente. A lei e os profetas testemunham isso. Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem.
Agora vem a chave. Como essa justiça chega até você? pela fé em Jesus Cristo, não pelas obras, não pela lei, não por nada que você faça, mas pela fé, pela confiança, pela entrega.
E, e isso é crucial para todos os que creem, não apenas para os judeus, não apenas para os que guardaram a lei, para todos, sem exceção, para o gentil, para o judeu, para o rico, para o pobre, para o educado, para o ignorante. Todos os que creem. Pois não há distinção, uma vez que todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Paulo retorna ao diagnóstico. Todos pecaram. Todos carecem, todos estão no mesmo nível diante de Deus.
Mas agora, em vez de ser uma condenação, é uma porta que se abre. Se todos estão no mesmo nível, todos igualmente perdidos, todos igualmente necessitados, então todos podem ser salvos da mesma forma, pela mesma graça, pela mesma fé, sendo justificados gratuitamente por sua graça. E aqui está a palavra que tudo muda gratuitamente, de graça, sem preço, sem merecimento, sem obra prévia.
A palavra grega é doreano. Significa literalmente como um presente. Você não paga por um presente.
Você não o merece. Você o recebe. Isso é graça.
Graça é Deus fazendo por você o que você não pode fazer por si mesmo. Graça é Deus oferecendo o que você não merece. Graça é a bondade de Deus desproporcional à sua bondade, porque você não tem bondade que mereça nada por meio da redenção que está em Cristo Jesus.
E como essa graça chega até você por meio da redenção, da compra de volta, do resgate. Você estava escravizado, você estava debaixo do poder do pecado, você estava condenado, você estava perdido. Mas Jesus, o filho de Deus, o Deus encarnado, veio e ele pagou o preço.
Ele morreu. Ele derramou seu sangue. Ele tomou sobre si a condenação que era sua.
E por isso você é redimido, você é comprado de volta, você é livre. A linguagem do resgate, o que significa redenção. A palavra grega para redenção aqui é a polites.
Vamos desembrulhar isso. Apo significa longe de litros vem de litron, que significa preço de resgate. Então, a politesis é literalmente libertação por preço de resgate.
Imagine um escravo no mundo antigo. Ele foi capturado. Ele é propriedade de seu Senhor.
Ele não tem liberdade, não tem esperança. Ele pertence ao Senhor. Mas alguém, alguém que ama esse escravo, vem e paga o preço.
Paga ao Senhor e diz: "Ele é livre agora. Eu o comprei. Isso é redenção.
Agora você não é um escravo de um homem. Você é um escravo do pecado. Você é propriedade da morte.
Você pertence à condenação. Você não tem liberdade. Mas Jesus veio e ele pagou o preço.
Qual foi o preço? Sua vida, seu sangue, sua morte. E por isso você é livre.
Você é redimido. Agora, a tradição da igreja desde os primeiros séculos compreendeu essa redenção de forma muito profunda. Os padres da igreja não viam a morte de Jesus apenas como um pagamento legal.
viam como um ato de amor infinito. Santo Anselmo, séculos depois, desenvolveria a ideia de que Cristo satisfez a justiça de Deus, mas não como um pagamento a um tirano, como um ato de amor que restaura a honra de Deus e a dignidade da humanidade. Mas aqui em Romanos 3, Paulo está usando a linguagem do resgate.
E a linguagem é clara: você foi comprado. Você foi redimido. Você pertencia à morte, mas agora pertence a Cristo.
A propiciação, o sacrifício que satisfaz. Mas Paulo ainda não terminou. Ele vai um pouco mais longe.
A quem Deus propôs como propiciação por seu sangue, mediante a fé, para demonstrar a sua justiça, por ter deixado passar impunes os pecados anteriormente cometidos na paciência de Deus. para demonstração da sua justiça no tempo presente, de modo que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus. Romanos 3, versículos 25 e 26.
Aqui vem uma palavra que assusta muitos protestantes modernos, mas que é absolutamente central para a fé católica. Propiciação. A palavra grega é ilasterion e é a mesma palavra usada na Septoaginta, a tradução grega do Antigo Testamento.
Para o Caporet, o propiciatório, o lugar no templo onde o sangue era derramado no dia da expiação. Você se lembra do dia da expiação? Em Levítico 16, uma vez por ano, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do templo, e derramava o sangue de um bode sobre o propiciatório.
E esse ato, esse derramamento de sangue, satisfazia a ira de Deus, cobria os pecados do povo, restaurava o relacionamento entre Deus e Israel. Agora, Paulo está dizendo que Jesus é o propiciatório final. Jesus é o lugar onde o sangue é derramado.
Jesus é o sacrifício que satisfaz a ira de Deus. Mas observe, e isso é importante. Paulo diz que Jesus é proposto por sua graça mediante a fé.
Não é automático, não é mecânico. Você precisa crer, você precisa receber. Você precisa entrar em fé naquilo que Jesus fez.
E aqui está a beleza. Essa propiciação demonstra a justiça de Deus. Como assim?
Bem, Deus tinha deixado passar impunes os pecados anteriormente cometidos. Ao longo de toda a história, pessoas pecaram e Deus, na sua paciência não as destruiu imediatamente. Mas isso levantava uma questão: Como Deus pode ser justo se deixa passar impunes os pecados?
A resposta é Cristo. Em Cristo, Deus satisfaz sua própria justiça. Ele não ignora o pecado.
Ele não finge que não existe. Ele o enfrenta. Ele o julga.
Ele o pune. Em Jesus. Por isso, Deus é justo.
Ele não pode deixar o pecado sem consequência, mas também é justificador, declarador justo daquele que tem fé em Jesus. Porque a consequência foi paga, a punição foi sofrida, a justiça foi satisfeita. Ninguém pode se gabar.
E agora Paulo encerra o argumento com uma conclusão que corta qualquer possibilidade de você se gabar. Onde está, pois, a jactância foi excluída? Por qual lei?
A das obras? Não, mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.
Romanos 3, versículos 27 e 28. Se você fosse justificado pelas obras, se salvação fosse algo que você conquistasse, algo que você merecesse, então você teria a razão de se gabar. Você poderia dizer: "Eu fiz isso.
Eu sou bom. Eu mereço. " Mas você não é justificado pelas obras.
Você é justificado pela fé, pela confiança, pela entrega. E quando você compreende isso, quando realmente compreende, você não pode se gabar, porque não há nada em você para se gabar. Toda a glória vai para Deus.
Você é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. Essa frase, independentemente das obras da lei, causou uma revolução teológica. Séculos depois, Martinho Lutero chamaria isso de o coração do evangelho.
E ele estava certo. Porque o que Paulo está dizendo é isto. Você não precisa fazer nada para ser salvo.
Você precisa apenas crer, apenas confiar, apenas receber. Tudo mais. As obras, a obediência, a mudança de vida, vem depois como resposta ao amor que você recebeu, como gratidão, como fruto da fé.
mas não como condição para a salvação. O contexto histórico, judeus e gentios. Para realmente compreender porque Paulo escreve isso desta forma, precisamos entender o conflito que estava destruindo a igreja de Roma.
Havia judeus cristãos que acreditavam que para ser cristão você primeiro precisava ser judeu. Você precisava ser circuncidado. Você precisava guardar as leis de pureza, você precisava observar o Shabat, você precisava seguir as práticas judaicas.
E havia gentios cristãos que diziam: "Não, Jesus aboliu tudo isso. Nós somos livres da lei". E a comunidade estava dividida.
Paulo vem e diz: "Ambos estão certos e ambos estão errados. Ele está certo. A lei não salva ninguém.
Nem judeu, nem gentil é salvo pelas obras da lei. Todos são salvos pela fé em Jesus. " Mas ele também está dizendo: "Isso não significa que a lei era má.
A lei era boa, a lei era santa. Mas seu propósito não era salvar. Seu propósito era revelar o pecado.
Seu propósito era apontar para Cristo. E agora que Cristo veio, a lei cumpriu seu propósito. Você não precisa mais dela para ser salvo, mas você também não a despressa.
Você a honra, você a compreende, você vê nela a mão de Deus preparando o caminho para Jesus. Então, quando Paulo diz que a justificação é pela fé, independentemente das obras da lei, ele não está dizendo que os judeus estavam errados em guardar a lei. Ele está dizendo que guardar a lei nunca foi o caminho para a salvação.
O caminho sempre foi a fé. A resposta católica: fé e obras. Agora, aqui está um ponto que é importante para a compreensão católica.
Séculos depois de Paulo, a Igreja Católica terá que lidar com uma questão. Se a salvação é apenas pela fé, qual é o papel das obras? E a resposta católica definida no Concílio de Trento é esta: a fé salva, mas a fé não está sozinha.
A fé que salva é uma fé que funciona através da caridade. É uma fé que produz obras. Não que as obras salvem você, mas que a fé verdadeira, a fé que realmente crê em Jesus, não pode deixar de produzir obras, não pode deixar de amar, não pode deixar de servir.
É como Paulo mesmo dirá em Gálatas, a fé atua pelo amor. Então, a fé de Paulo em Romanos 3 não é uma fé passiva, não é apenas uma crença intelectual, é uma entrega, uma confiança, uma vida transformada. E essa fé inevitavelmente produzirá frutos, produzirá obediência, produzirá santidade.
Mas a salvação, o perdão, a justificação, a aceitação por Deus vem primeiro. Vem pela graça, vem pela fé e não é baseada em nada que você fez. O impacto histórico, uma revolução teológica.
Quando Paulo escreve isto em 57 ou 58 depois de Cristo, ele não sabe que está escrevendo palavras que mudarão a história da teologia cristã. Séculos depois, quando a Igreja Católica estiver fraca, quando a corrupção estiver entranhada, quando os bispos estiverem vendendo indulgências, promessas de perdão por dinheiro, um monge alemão chamado Martinho Lutero vai ler Romanos 3 e vai explodir, justificado pela fé, independentemente das obras da lei. Lutero vai ler isso e vai compreender que a igreja estava errada, que você não pode comprar o perdão, que você não pode conquistar a salvação, que tudo é graça.
E essa compreensão vai desencadear a reforma protestante. Agora, a Igreja Católica vai responder no Concílio de Trento que Lutero tinha razão sobre a graça, mas estava errado sobre a exclusão das obras. A igreja vai reafirmar que a justificação é pela graça, mas que essa graça é recebida e vivida através da fé que funciona pelo amor.
Mas o ponto é este. Romanos 3 é tão poderoso que muda o curso da história. Porque quando você realmente compreende, quando você realmente sente que você é justificado gratuitamente, que você é amado apesar de seus pecados, que você é aceito sem ter feito nada para merecer, tudo muda.
Você não pode permanecer o mesmo. A estrutura de Romanos três, a construção do argumento. Para realmente entender a genialidade do que Paulo está fazendo, vamos ver a estrutura de todo o capítulo 3.
Ele começa com uma série de objeções. Alguém poderia dizer: "Mas e os judeus? Qual é a vantagem de ser judeu?
" E Paulo responde: Depois vem outra objeção. Mas se Deus disse que a lei era boa, como pode condenar as pessoas por não aguardar perfeitamente? E Paulo responde novamente: "É como um debate.
Paulo está antecipando as objeções de seus leitores e respondendo a cada uma. Mas então no versículo 9, ele muda de tom. Ele para de responder objeções.
Ele começa a construir seu argumento positivo. E o argumento é este: um, todos pecaram. Versículos 9 e 20.
Dois, a lei não salva, ela condena. Versículo 20 3. Mas agora, sem a lei, a justiça de Deus é revelada.
Versículos 21, 26 4. E essa justiça é pela fé em Jesus Cristo. Versículo 22 5.
E é para todos os que creem. Versículo 226. Porque todos pecaram igualmente.
Versículo 237. E todos são justificados gratuitamente pela graça. Versículo 24.
8. por meio da redenção em Cristo. Versículo 249, que é uma propiciação pelo sangue de Jesus.
Versículo 25 10. Que demonstra a justiça de Deus. Versículos 25, Sn11.
E exclui qualquer possibilidade de jactância. Versículos 27 e 28. É um argumento implacável.
Cada ponto leva ao próximo. Cada verdade se constrói sobre a anterior. E no final você está totalmente convencido.
Você não pode se gabar. Você não pode confiar em si mesmo. Você não pode confiar em suas obras.
Você não pode confiar em sua obediência. Você só pode confiar em Jesus. A palavra grega para a graça.
Charis. Vamos falar sobre a palavra que é o coração de tudo isto. Charis, graça.
É uma palavra simples em grego, significa literalmente favor. Mas não é favor que você merece, é favor que é dado gratuitamente. É bondade que não é devida.
Quando Paulo diz que você é justificado por sua graça, ele está dizendo que você é justificado pelo favor de Deus. Agora, há algo interessante sobre a palavra charis. Ela também pode significar alegria ou deleite.
Então, quando você recebe graça, você recebe apenas perdão, você recebe alegria. Você recebe a alegria de saber que é amado. Essa é a beleza da graça.
Não é apenas técnica legal. Não é apenas seus pecados são perdoados. É, você é amado, você é aceito, você é querido.
E essa aceitação traz alegria. A tradição da igreja sempre compreendeu a graça desta forma. Santo Agostinho falava da graça como o amor de Deus em ação.
São Tomás de Aquino definia a graça como o favor divino que nos torna agradáveis a Deus. E o Catecismo da Igreja Católica ensina que a graça é a ajuda que Deus nos oferece. para responder ao seu chamado de nos tornarmos filhos de Deus.
Mas em Romanos 3, a ênfase é clara. Essa graça é gratuita. Você não a merece.
Você não pode conquistá-la. Você pode apenas recebê-la. A liturgia eucarística, onde Romanos 3 vive.
Aqui está algo belo. A verdade de Romanos 3 não é apenas teologia. Ela vive na liturgia, ela vive na missa.
Quando você vai à missa, você ouve. Senhor, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. Essas palavras que vem do Evangelho de Mateus ecoam Romanos 3.
Não sou digno. Você não merece. Você não conquistou, mas você pede, você se abre e Deus age.
E depois, quando você recebe a Eucaristia, você está participando fisicamente daquilo que Paulo descreve em Romanos 3. Você está recebendo o corpo e o sangue de Cristo, o sacrifício que o redimiu, a propiciação que satisfez a justiça de Deus e você o recebe gratuitamente como um presente, como graça. A missa é Romanos 3 dramatizado.
É a verdade de Romanos 3 tornada ação, tornada sacramento, tornada encontro com o vivo. O impacto pessoal, quando você realmente compreende. Agora, deixe-me fazer uma pergunta pessoal.
Quando você realmente compreende Romanos 3, não apenas com a cabeça, mas com o coração, como isso muda você? Bem, primeiro muda sua relação com o fracasso. Você deixa de lutar para ser bom o suficiente, porque você compreende que nunca será bom o suficiente.
E está tudo bem, porque você não precisa ser. Você é aceito não por ser bom, mas por ser amado. Segundo, muda a sua relação com Deus.
Você deixa de vê-lo como um juiz que está tentando pegá-lo em um erro. Você o vê como um pai que o ama, apesar de seus erros, como alguém que já pagou o preço por seus pecados, como alguém cuja justiça foi satisfeita e agora só resta amor. Terceiro, muda sua relação com as outras pessoas.
Quando você compreende que você é justificado gratuitamente, que você não merecia nada e recebeu tudo, você não pode deixar de ser misericordioso com os outros. Você não pode deixar de perdoar porque você foi perdoado. É por isso que Paulo, logo após descrever a justificação pela graça em Romanos 3, vai passar os próximos capítulos falando sobre como você deve viver.
como você deve amar, como você deve se entregar. Porque quando você realmente compreende a graça, você não pode deixar de viver em resposta a ela. As objeções, o que pessoas perguntam.
Agora, quando você ensina Romanos 3, há perguntas que sempre surgem. A primeira é: se tudo é graça, por que devo me importar em ser bom? A resposta é simples.
Porque a graça não o torna indiferente. A graça o transforma. Quando você realmente sente o amor de Deus, quando você realmente compreende que foi amado, apesar de não merecer, você não quer mais pecar.
Você quer viver para aquele que o amou. É como um casamento. Você não ama seu cônjuge porque tem que amar.
Você ama porque foi amado e esse amor o transforma. Faz você querer ser melhor, faz você querer agradar. A segunda pergunta é: E a lei não é importante?
Sim, é, mas não como caminho para a salvação. A lei é como um espelho. Mostra sua sujeira, mostra seus pecados, mostra quanto você precisa de Deus.
E depois, quando você é salvo, a lei se torna um guia, um mapa para como viver em resposta ao amor que recebeu. A terceira pergunta é: Mas então, por que Jesus morreu? Se tudo é graça, porque a morte era necessária?
Porque a graça não é barata. Graça é cara, custa tudo. Custa a vida do filho de Deus.
A graça é Deus pagando um preço infinito para nos dar algo que não merecemos. E é por isso que é tão poderosa o contraste antes e depois. Para realmente entender o impacto de Romanos 3, vamos contrastar duas vidas.
Uma vida antes de compreender Romanos 3. Você acorda, você tenta ser bom, você falha, você se sente culpado, você tenta mais. Você falha novamente, você fica desesperado, você se pergunta: "Deus me ama?
" Você não sabe. Você acha que precisa fazer mais, ser melhor, obedecer mais, mas você nunca consegue, nunca é o suficiente. Agora, uma vida depois de compreender Romanos 3, você acorda, você sabe que é amado, você sabe que é aceito, você sabe que a condenação foi removida.
Então você tenta ser bom, não porque precisa ganhar o amor de Deus, mas porque o ama. Você falha, mas não desespera porque sabe que é perdoado. Então você se levanta, você tenta novamente.
É uma vida completamente diferente. Uma é escravidão, a outra é liberdade, o coração de toda a escritura. E agora voltamos ao que disse no começo.
Romanos 3 é o coração teológico de toda a Escritura. Por quê? Porque toda a Bíblia aponta para isto.
O Antigo Testamento mostra a queda da humanidade. Adão e Eva pecam. Caim mata Abel.
Noé vê a corrupção. Abraão é chamado. Moisés recebe a lei.
Mas ninguém consegue guardar a lei perfeitamente. Todos falham, todos caem. E a pergunta que permeia todo o Antigo Testamento é: Como Deus pode ser justo e ainda amar essa humanidade pecadora?
E a resposta vem em Romanos 3. Em Jesus, na cruz, na redenção, na propiciação. E então o resto do Novo Testamento mostra como essa salvação funciona, como você a recebe, como você vive nela.
Mas Romanos 3 é o ponto central, é onde tudo converge. É por isso que se você compreender Romanos 3, você compreende toda a Bíblia. Porque compreender que você é justificado pela graça através da fé em Jesus é compreender o ponto inteiro.
O porquê de Deus ter criado o mundo, o porquê de Jesus ter vindo, o porquê de ele ter morrido, o porquê de ele ter ressuscitado. É tudo para que você que é pecador, que é perdido, que é condenado, possa ser salvo gratuitamente pela graça, pela fé, a realidade da escravidão do pecado. Agora, antes de terminar, quero voltar a algo que Paulo disse no começo e que é fácil passar por alto.
Todos estão sob o poder do pecado. Essa não é uma frase casual. Paulo está descrevendo uma realidade, uma escravidão.
Você pode pensar que é livre, você pode pensar que controla suas próprias decisões, mas Paulo está dizendo que você está escravizado, que o pecado o controla, que você faz o que não quer fazer. Ele vai desenvolver isso mais tarde em Romanos 7, onde ele diz: "Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse eu pratico". Romanos 7, versículo 19.
Essa é a descrição de um homem escravizado. Um homem que quer fazer o bem, mas não consegue. Um homem que quer parar de pecar, mas não consegue.
E a razão pela qual Paulo enfatiza isso é porque ele quer que você compreenda o quanto você precisa de libertação. Você não pode se libertar. Você não é forte o suficiente.
Você não é bom o suficiente. Você está preso. Mas Jesus pode libertá-lo.
E é por isso que a redenção é tão poderosa. Porque você não é apenas perdoado. Você é libertado.
Você é quebrado da escravidão. O papel da fé. O que significa crer.
Agora, há uma última coisa que preciso esclarecer. Quando Paulo diz que você é justificado pela fé, o que ele quer dizer com fé? Não é apenas crença intelectual, não é apenas sim, acredito que Jesus existiu.
Milhões de demônios acreditam isso e trem. A fé em Romanos 3 é pist em grego e significa confiança, entrega, rendição. É você dizendo a Deus: "Eu confio em você, eu me rendo a você.
Eu coloco minha vida nas suas mãos. Eu acredito que você pode fazer o que eu não posso fazer. É um ato de vontade, uma decisão, uma entrega.
E quando você faz isso, quando você realmente se entrega a Jesus, algo muda. Você é justificado. Você é declarado justo.
A condenação é removida. Não porque você merece, mas porque Jesus merecia e ele deu a você seu mérito, o catolicismo e a justificação. Aqui está algo importante para a compreensão católica.
Quando a Igreja Católica fala de justificação, ela a entende não apenas como uma declaração legal. Você é perdoado, mas como uma transformação real. Você é não apenas declarado justo, você é feito justo.
A graça não apenas cobre seus pecados, ela muda seu coração, ela o torna uma nova pessoa. É por isso que a Igreja Católica fala de santificação, o processo de se tornar santo, de se tornar justo, de se tornar cada vez mais semelhante a Cristo. E esse processo começa com a justificação, com a aceitação do perdão de Deus, mas continua ao longo de toda a vida.
Você está constantemente sendo transformado pela graça de Deus. É por isso que a missa é tão importante. É por isso que os sacramentos são tão importantes, porque eles não são apenas símbolos, são canais através dos quais a graça de Deus flui para você, transformando você.
Santificando você. A aplicação prática. O que fazer com isso?
Então, você compreendeu Romanos 3. Você compreendeu que é justificado pela graça através da fé. Você compreendeu que não precisa ganhar o amor de Deus.
Ele já é seu. O que você faz com isso? Bem, primeiro você recebe, você se abre, você diz a Deus: "Eu aceito, eu creia".
Eu confio. Segundo, você responde. Você vive em resposta a esse amor.
Você tenta amar como foi amado. Você tenta perdoar como foi perdoado. Você tenta servir como Jesus serviu.
Terceiro, você cresce. Você se deixa transformar. Você permite que a graça de Deus o mude dia após dia, semana após semana, ano após ano.
E quarto, e isto é importante, você compartilha, você diz a outras pessoas o que descobriu, que elas também são amadas, que elas também podem ser justificadas, que elas também podem ser livres. O espelho final. Quem você é em Cristo.
Vamos voltar ao começo. Falei sobre o espelho, sobre como Paulo levanta um espelho diante de você e mostra sua sujeira. Mas há um segundo espelho, um espelho que Paulo também levanta.
E nesse espelho você não vê a si mesmo, você vê a Jesus. Porque quando você é justificado, quando você é redimido, quando você é feito novo, você não apenas recebe perdão, você recebe a justiça de Cristo. Você fica tão puro quanto Jesus é puro.
Você fica tão aceito quanto Jesus é aceito. Você fica tão amado quanto Jesus é amado. Porque você está em Cristo.
Você é parte de seu corpo. Você é membro de sua família. E é por isso que a salvação não é apenas sobre escapar da condenação, é sobre ser colocado em relacionamento com o Deus vivo.
É sobre se tornar filho de Deus. É sobre ser trazido para casa. O chamado sua resposta.
Agora Paulo escreve isso para Roma, mas ele também escreve para você. Ele está levantando um espelho diante de você, mostrando sua sujeira, sua escravidão, sua necessidade. E então ele está oferecendo a solução, a libertação, a graça.
Tudo que você precisa fazer é crer. Não é complicado, não é difícil, não é sobre ganhar, é sobre receber. Você está cansado de tentar ser bom o suficiente?
Você está cansado de tentar ganhar o amor de Deus? Você está cansado de se sentir condenado? Então, pare, respire e diga a Deus: "Eu confio em você.
Eu creia que Jesus morreu por mim. Eu creia que sou perdoado. Eu creia que sou amado.
Eu me entrego a você. " E quando você disse isso, quando você realmente disso, você é justificado, você é declarado justo. A condenação é removida, você é salvo.
Não porque merece, mas porque é amado a semana que vem. Então, compreender Romanos 3 muda tudo. Muda como você vê a si mesmo.
Muda como você vê Deus, muda como você vive. E há muito mais para explorar. Há as implicações práticas.
Há como você vive em resposta a essa graça. Há como você cresce em santidade. Há como você se torna cada vez mais semelhante a Cristo.
Tudo isso está nos capítulos que vem depois de Romanos 3. Mas comece aqui. Comece com a verdade fundamental.
Você é justificado pela graça através da fé em Jesus Cristo. Deixe isso penetrar seu coração. Deixe isso transformá-lo.
Porque quando você realmente compreende Romanos 3, você compreende toda a Bíblia e você compreende quem você é. Você é amado. Você é perdoado.
Você é justificado. Você é livre. E tudo isso é graça.