Cloves. Então, primeiro lugar, obrigado por ter aceito, né, o convite para participar desse projeto. Como eu expliquei, constitui um acervo, né, que já é bastante grande e e importante de trajetórias e cientistas sociais e que fica também disponível depois, né, publicamente pros pros pesquisadores e e interessados. Eh, eu sempre gosto de começar as entrevistas pedindo para você falar um Pouco da sua família de origem, infância, né? Eh, onde é que você nasceu, como é que foi, né, esse esse início de tudo? >> Eh, antes agradecer o convite, né, para participar desse projeto. Eh, um projeto
que eu já tenho uma grande admiração e vale a pena, né, reforçar e ter atenção a todos os pedidos relativo ao que o CPDOC produz. Então é uma honra para mim participar desse projeto. Por outro lado, eu fiquei assustado também Pelo convite, porque a o contato que eu tive prévio com esse projeto era sempre de recuperar a memória e trajetória de grandes referências das ciências sociais, os grandes pais fundadores. E aí, ao ouvir seu convite, eu disse, eu tomo ainda muito jovem em termos de experiência e trajetória para fazer parte de um elenco, né, de
eh referências como essa. Mas considerando eh esse pedido, eu eh acho importante eh eh Recuperar um pouco da minha trajetória, porque ela também pode dar dicas para outros pesquisadores sobre os eh desafios e oportunidades que surgem ao longo desse caminho. Particularmente porque minha trajetória não é muito típica do de uma linhagem de cientistas sociais que tem origem famílias de classe média. ou média alta do eixo Rio São Paulo, coisa parecida. Eu sou de uma família eh originalmente simples, né, daqui de Salvador. Meu pai, eu sou eh um Dos quatro filhos de meu pai, né? Meu
pai é minha mãe e meu pai ainda tem mais dois filhos e de outros relacionamentos. Então somos seis. E a trajetória é curiosa porque inclusive marca alguns dos episódios que vão eh me dar conta de alguns desafios de trajetória profissional, que meu pai originalmente era caminhoneiro, tinha um caminhão. Então tem uma experiência de mobilidade bem interessante. Eh de uma família de 11 irmãos, teve eh se destacou mesmo não sendo mais um mais velho, sendo um dos mais jovens. E aí teve um caminão de um caminhão eh criou uma frota de caminhões, tomamos cinco caminhões, né,
de pessoa de família humilde mesmo, família negra daquele Salvador, de um bairro popular que chama Vasco da Gama aqui, que era depois eu descobri que era um um um local que tive tem uma espécie de abrigo de vários candomblés e de População negra de Salvador. Quando eu era criança, eu não tinha noção, mas depois eu descobri que pelo menos naquele entorno ali tem pelo menos uns seis eh terreiros de canomblé, não tinha essa experiência. E eh meu pai vem dessa origem, né, popular e depois eh acabou eh uma espécie a devido ao contexto, né, da
dos anos 70, acabou tendo uma mobilidade interessante, acabou eh criando, fundando uma empresa de venda de uma loja de matérias de Construção, pegou o bundo desenvolvimento do milagre dos anos 70 e acabou tendo na mobilidade. A gente saiu de um bairro popular que chama Nordeste de Maralina, que hoje tem registros de violência enorme, mas naquele período era apenas um bairro popular. >> Uhum. E desse bairro, com cerca de de 13 anos, eu saí de lá para ir para o bairro mais chique da cidade naquele período, que era o caminho das árvores, Que era o bairro
onde morava o governador, o prefeito e uma série de eh pessoas emergentes de classe média já média alta e também algumas eh figuras importantes de do setor público de privado. Então, o menino negro de um bairro popular fui para eh esse bairro de classe média. E foi uma experiência interessante porque nesse bairro eh tinha uma convivência boa que muita gente era oriunda de segmentos também de classe média. Então Houve uma integração boa, sem fricções, tensões e uma boa convivência. Mas o interessante foi mudar de uma experiência de um bairro totalmente negro. >> Uhum. >> Para
um bairro eh onde os negros eram minorias. Eu acho conto no bairro devia ter eh eu não me lembro agora o número de casas tinha esse loteamento que virou até um bairro agora. Eh, devia ter seis famílias negras. Então o >> E você tinha 13 anos que você disse quando >> tinha 13 anos. Aí saí desse bairro eu estudava. até então em uma a ideia da mobilidade, né? Eu estudava em escola pública desde sempre, escola pública eh estadual. E aí acabei indo eh quando eu mudei para esse bairro, novas referências, eu acabei solicitando meus pais
que pudessem ir para uma escola particular, porque todos Os vizinhos estudavam escola particular. >> Uhum. Então, o horizonte era bastante esse. E eu gosto dessa ideia, dessa trajetória, porque me deu uma percepção muito grande sobre espaços sociais, convivência, eh pagãos de trajetória, sobretudo educacional. Mas nesse nesse momento, você lembrando, né, dessa experiência com 13 anos, né, de de mudar de bairro e mudar de, vamos dizer, contexto social, né, também, eh, Você se sentia discriminado nesse bairro novo ou não na tua faixa etária de de garotos de >> É porque o não num num sentido extremo,
eu eh tinha mais tensão no bairro que eu morava, no Nordeste, por eh havia todo um código de eh comportamento para as crianças. O horário de estar na rua, tinha que andar com documento, a célula de identidade, sempre, mesmo sendo um menino de 10, 12 anos, se tivesse num certo horário, podia ser eh ameaçado por Uma blitz que existia muito naquele período. >> É, polícia, que era o o medo, né, de >> polícia. Então, a a os pais sempre recomendavam o código de conduta, ande com documento, não ande sem camisa. Eh, havia, no caso, parte
de meus pais, porque havia um zelo grande, então recomendavam o horário para voltar para casa. Tinha toda uma postura, né? Mas o bairro em si, eh, pelo fato de ser trabalhador e muitos com muito tempo de Convivência, tinha uma um algo da verageração de abrigar as crianças. Sim. >> Então, havia uma atenção para dizer eh de que as pessoas mais velhas tivessem atenção e cuidado e orientasse as crianças o horário de voltar para casa. Então, minha experiência de infância foi muito boa e minha transição para um bairro de classe média também foi porque alguns dos
signos, né, de os códigos de como se comportar em todos os lugares já tinha trazido da minha experiência de um Bairro popular. >> Uhum. E como eu jogava futebol, eh, e bem, né, naquele período menino de bairro, eu, eh, transitava muito em vários espaços, entre a, o Nordeste e a Maralina tinha, eh, tem um tem um bairro que chama Maralina, que era um bairro mais na orla, aqui próximo, em que eh os meninos do Nordeste iam jogar bola na casa do do eu acho se não me engano, Ernesto Lebran, que era um construtor, um dono
de uma empresa de construção Civil aqui que construí apartamentos, era tipo assim um dos mais ricos de Salvador. Ele abria a casa porque os filhos dele gostavam de jogar futebol e aí ficava um monte de menino pretinho, né, convivendo com os meninos mais brancos do da cidade, mas numa porque o futebol tem isso, ele aproxima, né? Então criava esse espaço de convivência. Então, essas eh tensões de classe ou de raça, eh, em algum momento passa passava eh não tão Intensa, sobretudo porque ela era freada por pela idade. >> Aham. >> Pela pela também pela falta
de percepção crítica de algumas situações discriminatórias não eram decodificadas, >> não era vista como discriminatória, >> não eram vistas. E depois disso, eh, o próprio futebol cria uma zona de aproximação. Como se quer ter um talento de futebol, você abre a porta, bota 10 meninos pretinhos de um bairro popular Para jogar com seu filho. Você tem três filhos ou você mesmo gosta de jogar futebol. Então, cria esse espaço de sociabilidade, eh, que eu acho que somente o esporte permite, né, criar essas aproximações. >> Agora, no colégio propriamente dito, é que no colégio você tá na,
né, na na sala de aula com professor, com os alunos. >> Ah, no colégio >> não é um espaço tão informal de Sociabilidade. >> No no colégio é curioso. >> Colégio de classe média particular que você foi, né? >> A primeira experiência foi escola pública. >> Sim. Mas no bairro popular. no bairro popular e a escola pública eram escolas estadual que eh como eu disse para você, a experiência dessa vivência cria percepção mais clara para mim para falar sobre desigualdades >> sim >> ontológicas na cidade. Eu estudava na escola pública e eh as aulas começavam
em abril, quando as crianças da escola particular começavam em fevereiro, março. Quer dizer, ó, o o a distância enorme, né, o intervalo que tinha entre o a agenda de estudos da criança da escola pública para privada. Quando eu fui pra priva escola privada, o que aconteceu foi eu era muito aplicado para estudar, gostava, gostava de jogar bola E para estudar. Aí quando eu fui pra pra escola particular, eu eu a experiência marcante foi que eu tirei uma nota boa, né, 10 ou nove numa prova de matemática e o professor ele foi escalonando a nota por
eh a chamada de quem deveria pegar a prova segundo o score, né? Aí o último score foi o da nota maior na turma, né? Isso eu tava no primeiro ano já com 15 anos. Aí ele quando eh não conhecia ainda a turma começando, né? Aí ele chamou meu nome e fez: "Quem é esse?" Aí Aí quando me olhou ficou assustado sem entender por que eu tinha tirado aquela nota. Aí eu disse, eu fiquei também surpreso com a surpresa dele, né? o quanto ele tinha ficado eh eh chocado com a ideia de que eu que eu
jogava futebol e tinha tirado tinha tido um bom desempenho numa prova de matemática, né? Então, foi o primeiro estalo que eu tive sobre essa situação, mas eh demorou ainda para Eu começar a fazer as conexões, embora na esperança familiar, como eu disse para vocês, os pais são responsáveis por um certo letramento de comportamento social, sobretudo crianças oriundas de bairros populares. Então, eh, já chamava atenção, se comporte direito, eh, veja com quem você anda, todo um código para poder criar autoproteção, né? E minha mãe já falava, eh, como você é negro, você tem atenção, eh, com
quem você anda, em Lugares que você está. Então, já tinha um letramento básico. >> Uhum. >> A a agora tudo muito eh ainda pouco conectado, pouco decodificadas, apenas pequenas dicas de como se comportar. >> Agora a sua mãe que você mencionou, fala um pouco dela. Ela era de uma família também do do bairro, de onde é? >> Sim, porque e eu sou uma experiência típica baiana, né? Meu pai negro e minha mãe branca, quase branca. é o que se Pode dizer aqui, né, mais socialmente branca. Então, desse resultado, minha agora minha mãe tinha uma percepção
muito intensa porque convivia com com o marido negro, né, sobre essas situações todas. Então, quem mais reagia e mais eh eh instruía a gente sobre comportamento, sobretudo para não ficar eh refém de violências, era minha mãe. Ela meu pai tinha até a quarta série primária, minha mãe da mesma forma, resultado de escola pública. Eh, eu acho, não sei, as Pessoas sabem que até essa geração que tá hoje com 80 anos, do durante o período que eles estavam eh nessa transição dos ciclos escolares, havia exame de admissão que era feito da passagem do primário para o
ginásio. >> Sim. >> Então ali era como se fosse um grande vestibular, é como se fosse o a fuveste, né, tamanho o rigor. Então isso já era uma triagem. Então, eliminava muito a mobilidade do, Né, o progresso na na formação de uma geração de pessoa de baixa renda, né? >> E sua mãe era não trabalhava fora, era família? Não, meu pai trabalhava e minha mãe, eh, de certa forma quatro filhos, ela se voltou muito mais para para cuidar da família, agora com uma ascendência muito grande sobre o meu pai, porque ela é uma pessoa de
muita espiritualidade e eh tinha uma eh uma uma capacidade de de inspirar eh progresso Desenvolvimento, perseverança. Minha mãe é de formação espírita. Meu pai também. >> Ah, tá. Eram espíritas. Esse que esse esse bairro que você mencionou tinha muitos terreiros candomblé, né? >> É, mas >> Vasco da Gama que era >> Vasco da Gama. Mas a gente saiu do Vasco da Gama. Fomos nós fomos pro Nordeste de Maralina. Eu criança ainda. Então eu não cresci no Nordeste de no na Vasco da Gama. Eu cresci no Nordeste de Maralina >> até quando eu na minha percepção,
né? 13, 14 anos aí depois que eu fui pro caminho das árvores. >> Eles eram espíritas, quer dizer, espírita que fala cardecista. >> Isso, espírita cardecista. Eh, iam pelo menos duas vezes por semana para um, a que chama centro espírita, né? aquela com as doutrinas, leitura de evangelho, alguma coisa eh menos declarada com práticas parecidas de Umbanda, Seria decodificada. Hoje eu consigo ler dessa maneira porque eh tem umas tensões de eh entre o cardecismo combanda aqui. Então eh é um uma religião que tem um pouco hibridismo, né? passes, né? Passes, criança em espíritos, coisas, >>
espíritos. Então, >> minha mulher é espírita, é cardecista, por isso que eu >> Mas minha mãe é uma figura super Importante. Todas as histórias da minha trajetória, de minhas irmãs, da família dela, da família de meu pai, que mesmo separando de meu pai, quem herdou todo o patrimônio de afeto e de relações familiares foi minha mãe, porque sempre foi uma figura eh muito eh respeitada, influente e carismática. Então, ela é uma personagem até diante de todos os desafios da vida, quando algo tava difícil, conversava com ela, tomava um café e um chá na casa dela,
Era suficiente para, ela não dizia nada, era suficiente para motivar e dar ânimo para seguir na vida, né? >> Qual o nome deles? Só para ter >> Martins. Martim Santana Oliveira, meu pai, e minha mãe é Marisa Pereira Oliveira. >> Martim. >> Martim. >> Tá. Você nasceu quando, CL? >> Nasci em 64, 15 de março de 64. >> OK. E e bom, teu nome Cloves com e, né? >> Clov, esse que >> já devem ter errado muito, né? >> Eu errei muito. Eu só fui descobrir que meu nome é Cloves é >> depois de adulto,
né? já com na universidade, quando eu fui fazer uma uma reclamação no Centro de Atendimento a Estudante, que aí eu fui ver que a grafia do meu nome correto era com e fiquei chocada achando que meu pai disse: "Meu pai não sabe ler, não sabe Escrever". que culpei meu pai, culpei o escrivão, achando que ninguém sabia escrever o nome direito. Aí depois, eh, eu fui olhar a lista de pessoas, né, de cloves que tinha na universidade. Tinha centenas de pessoas com essa mesma grafia. Encontrei até alguns três ou quatro homônimos. Cloves Luiz. Eu deixei de
lado, disse: "Você deixa quieto porque >> é >> não cria problema nenhum, ninguém sabe Que >> tá bom, né? Que que você vê, né? Mesmo na internet você procura, você vê cloves às vezes >> é inclusive com o a grafia com É. >> É, >> então foi. >> Tá bom. Mas enfim, vamos continuar um pouco. Você foi então para essa escola em outro bairro, né, de mobilidade social familiar. Eh, eh, e, e você ficou nesse barro até Se formar no no ensino médio que seria hoje na mesma escola. Qual era a escola? >> No era
uma escola que não era nem escola, tipo, a mais eh grandiosa, porque meu pai comerciante oscilava muito em termos de renda em alguns momentos. E também a prioridade dele não era eh muito voltada paraa instinção, né? Então, meus irmãos estudaram numa escola muito boa que chamava Teresa Elisia naquele período, que era classe média. E A minha inicialmente foi primeiro uma escola de bairro privada, mas era privada já, Guomar Muniz Pereira, que era uma escola bem de bairro, eh, com um uma mensalidade que acomodava bem no bolso, enquanto eu mais velho nessa escola, já no segundo
grau, e meus irmãos na melhor escola que tinha da região, né, que todos os meninos do bairro estudavam ou no Teresa ali dizer ou no Vieira, que era um colégio confessional marista, que era a Elite baiana, estudava no Teresa ou no Marista e no Vieira e depois começaram a estudar bastante no Anchieta, que é uma dissidência do desses esses dois outros colégios. Então, eh, para a minha experiência foi muito mais depois, nesse primeiro escola, depois eu fui para uma escola um pouco mais melhor, que é o colégio Águia, que também não era, eu tenho uma
compreensão hoje, não era uma escola de grande porte, mas era uma escola que Tinha o perfil de forma de tinha o oferecia pré-vestibular e também eh do primeiro ao ao terceiro ano do segundo grau. E essa escola é foi muito, na verdade tudo que eu tive de upgrade, de formação, foi dada no período do segundo grau. >> Uhum. >> Para você ver o que é a regularidade da educação, né? que quando eu fui para essa escola, eu passei a ter aulas regulares, um elenco De disciplinas ambiente com outros colegas para compartilhar, estudar junto. Então aí
foi o suficiente para mim, inclusive para ampliar meu horizonte sobre o que que significava uma formação educacional. >> Uhum. Porque vindo de uma de um um bairro popular, não era claro para mim as etapas do processo de formação. Eu passa estudava para passar de ano sem saber qual era, para onde eu queria ir. Eu se eu sabia que eu queria passar de ano. >> Mas você era bom aluno de qualquer forma. >> Sim. E era muito voltado para querer ir passar de ano. Então não, mas não tinha nenhum, fazia menor sentido para mim. Aí quando
eu fui para convivi já nesse ambiente de segundo grau, começou a fazer mais sentido. Eu só tenho uma história de uma lenda familiar que como meu pai, minha mãe é Espírita, meu pai é espírita, uma vez um um mestre espírita eh contou para meu pai que meu pai era muito working class, né, e blue color, né? Então, para ele, trabalho tinha que ser trabalho eh com horário marcado, braçal, essas coisas todas. E aí quando eh esse mestre eh espírita, né, que era o o coordenador da do centro espírita, ele falou: "Olha, pegou na minha mão,
olha, olha esse rapaz aqui, esse menino não vai trabalhar, fazer trabalho bração, ele Vai trabalhar com caneta e vai ser doutor." Aquilo ficou uma lenda pessoal de doutor, né? Então, eh, teve, não, não sei como que registro eu fiz, mas apenas ficou marcado, que então eu já gostava de estudar, era um incentivo a mais para estudar. E isso eh foi eh acompanhando o período, mas até eu terminar o segundo grau, eu não sabia direito o que é que eu queria fazer. E o ponto principal mesmo é que naquele Período, apenas por convivência com os colegas,
eu fiz uma escolha por, no primeiro vestibular por medicina, porque achava que disseram que o doutor para mim rimava com medicina e com essas áreas médicas. Aí o primeiro vestibular que eu fiz foi medicina, que não tinha condições de passar nenhum com uma trajetória dessa de uma formação em escola pública. Depois 3 anos para intensificar e melhorar a qualidade de minha formação e fazer medicina. Parei, Era >> Uhum. >> loucura. E aí eu fiz um cursinho prévestibular e acabei eh logo nesse cursinho fiz e eh passei para ciências sociais. Aí quando eu passei, esse é
o episódio que os alunos de Ciências Sociais vão se inspirar em mim, ver esse retrato. Quando eu passei, passei porque eu queria, era o que eu gostava. Eu pelo Deus sabia o que eu não gostava. E tinha uma série de coisas que eu achava Terrível, uma profissão de horário marcado, quando eh eu ia no banco ajudar meu pai pagar alguma coisa no banco, que eu via os bancários, eu achava aquela rotina de banco com em pé num lugar eh artificial climatizado, eu achava terrível. Então, nada que significasse essa rotina me inspirava. Aí, eh, por eliminação,
eu acabei, eh, escolhendo ciências sociais, que não sabia nem direito o que é que era, mas sabia que tinha história, tinha geografia, todas As áreas que eu gostava, literatura. Eh, e então eu fiz essa opção, passei aí quando eh no vestibular, todo feliz, a aquele edital sai no jornal, né? Eh, nesse período noticiava no jornal e no rádio, então os nomes iam sendo citados. Então, aquela euforia, meus amigos todos que haviam passado eh se eh parabenizando, né? Aí quando eu mostrei o jornal pro meu pai, ele fez: "OK, e isso faz o quê?" Você não
tem a menor Ideia. Aí fez, pois eu sei. Já conversei com o meu advogado Raul Vitória, que eu me lembro até o nome desse advogado bem que acompanhava ele um período muito eh respeitado aqui. Já conversei com o meu advogado, isso é coisa tipo de comunista, então não, isso não é bom. Eh, quando é que você vai fazer autovestibular? Imagine você chegar para dar uma notícia dessa e receber uma reação. Aí eu já tinha um pouco de ousadia, né? Disse: "Não, eu gosto disso. Eu não vou fazer vestibular nenhum não. Não sei nem o que
que eu me pensando agora, não sei nem o que é que eu gosto. >> Não sei nem o que que eu sei o que eu não gosto, mas pelo menos isso eu >> e acabei fazendo ciências sociais. Mas tem uma coisa que é louca nisso, que o horizonte sociais não era o principal Para mim. >> A universidade era um um uma trajetória que não significava profissionalização. >> Uhum. >> Porque nesse período eu eh acabei sendo aceito na divisão de base do Bahia, do Esportte Clube Bahia. Então eu tinha uma trajetória eh era dublê de estudante,
porque na verdade eu tava na base do Bahia com e e tardiamente, né, porque eu tinha sido aceito no na base do Bahia com 13 anos, 13 para 14 anos, dente chamado dente de leite. Aí eh, meu pai, eu sou Bahia, meu pai é Vitória. Meu pai disse: "Ah, já não, já não gosto do Bahia. Você ainda vai jogar futebol no Bahia?" Aí, eh, proibiu, eu fui obrigado a sair do do time já jogando e tudo e ficou em repouso isso somente com 17 anos para 18 anos, quando perdo eu tava eh preparando pro vestibular,
aí eu fui na meus amigos de bairro ficavam incentivando demais, eh, vamos lá jogar futebol, você tem Talento aí ficou o tempo todo insistindo para que eu fosse. Aí eu vou lá, aí acabei indo escondido de meu pai com apoio de minha mãe e de minhas irmãs. Aí fui, acabei aceito e joguei futebol para eh dessa base dos 18 aos 20 anos e joguei duas temporadas profissionais no campeonato baiano. Então foi uma trajetória de 3 anos como jogador >> profissional >> profissional >> pelo Bahia >> no Bahia >> para desgosto do seu pai >> para
desgosto do meu pai com 20 anos fui emprestado a um um time que o Bahia tinha uma conexão chamava Botafogo da Bahia que é um time de médio porte desses que cumpre eh tabela no calendário para compor o número de time da primeira divisão do do regional. Aí joguei, eh, não tinha, gostava de jogar futebol. >> Qual era a tua posição? Lateral direito direito >> jogava bem, mas é difícil jogar bem num time que sem poucos recursos, que se orgulhava de pagar pouco, mas pagar em dia. É, mas era o o slogan dele era paga
pouco, mas paga dia. Era um time ligado ao o o concess o a pessoa que tinha uma con uma concessão para explorar a loteria do estado da Bahia. Hum. >> Então tinha fluxo de dinheiro nesse nesse uma família ligada à política. Então, eh eles eh tinham esse time do coração. Eu não se me lembro se era ligada à comunidade eh galega, alguma coisa aqui da Bahia, mas eh eles tinham um cuidado, um apreço por esse time e eh recrutava jogadores mais velhos e bem jovens. No meu caso mesmo, quando eu fui, foi pelo menos uns
seis jogadores do Bahia. que tinham 20 anos para cumprir um estágio assim, tipo de de Experiência no na divisão profissional. E aí depois desse período eles decidem se vai eh manter ou não. Paraa minha felicidade ou não sei felicidade ou infelicidade, eu joguei essas duas temporadas e eh >> já fazendo curso ciências Sociais. já fazendo consciências sociais e o time foi rebaixado. Na primeira temporada quase que eh era rebaixado por muita reza e essas coisas não foi rebaixado. Na segunda temporada Foi rebaixado e eu disse: "Olha, eu não tô pronto para isso não. É uma
estabilidade muito grande. Eu gostava de estudar. >> Uhum. E aí fui, voltei paraa faculdade e fazia a faculdade. Eh, olhe só que malabarismo. As segundas, eh, os jogos eram aos domingos e quarta-feira, então eu frequentava a aula na segunda que era folga, Porque a segunda era folga de quem jogou no domingo e frequentava a aula na quinta-feira. >> Era folga do que >> era folga. E aí eu fui fazendo um umaabarismo, pregando eh um número menor de disciplinas, porque eh naquele momento inclusive eu ganhava um uma ajuda de custo, tipo dois salários mínimos, que já
era suficiente para bancar minhas coisas, né, no da vida como uma pessoa adulta, né, morava ainda Com meus pais, que eh a casa de meus pais era muito grande, né, então eh não tinha problema de espaço. Hum. >> Então, e boa qualidade de vida. E aí foi final, eu parei, passei a ser efetivamente estudante de ciências sociais com 21 anos. >> Você demorou mais tempo do que o o esperado no curso para se formar? >> Nem tanto. >> 83 que você começou. Eu eu comecei em 83, mas Ocorreu duas greves, >> é >> que paralisou
a universidade de uma maneira absurda. >> Então acrescenta mais um ano. Eu formei em 8. Então, se considerar, foi em 86 que eu comecei a estudar, porque esses três primeiros anos foi e foi e foi dedicado ao futebol. Aí em 86, quando eu comecei a a Estudar, meu score mentor e eu eh a as portas do futebol eu mesmo fechei e aí fui para ciências sociais e comecei logo imediato fiz estágios em um dos principais eh lugares aqui para fazer formação de ciências sociais. Eh, o estágio na Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária com Ciências Sociais.
>> Hum. que era do estado na eh centro de eh ação regional, que era o lugar da Elite das ciências sociais da Economia da Bahia. era o centro de comunista, né, dos comunistas, do povo fazer desenvolvimento regional, com um ativismo muito grande sobre reforma agrária. Eu estagei lá eh no setor de cadastramento, de eh para eh levantamento, criação dos perfis do das pessoas que iam ser contempladas com políticas públicas, né, de acesso à terra. Uhum. >> Eh, um material bem legal. eh com Organizando os dados, os questionários, tabulando dados. Para mim era fascinante a simples
ideia de de materializar o das ciências sociais uma coisa >> Uhum. >> que era muito etérea, né? A gente estudava na faculdade eh teorias, salvo algumas situações, a gente não sabia onde aplicar, né? lia bastante Dirkheim, teoria marxista, eh um pouco de Weber, a teoria do Estado, eh, chega posteriormente quando chega uma professora que chama Rute Laniado, que foi um ponto de eh mudança no perfil da formação da dos estudantes da minha faculdade. Eu consigo reconhecer isso. Ela tinha vindo de São Paulo, eu acho que é, ela é de São Paulo, mas tinha estudado na
na Lond School of Economics com Ernesto Lacla e veio e parou aqui >> Rute >> Rute Laneado. >> Laneado >> é >> ciência política. Claro. >> Ela tem formação em ciência política, mas ficou instalada no departamento de ciência de sociologia. >> Porque a a os departamentos forte eram sociologia. an sociologia, que era grande guarda-chuva, antropologia e o departamento de ciência Política tinham seis docentes. Uhum. >> E todos dissidentes do direito ensinava muito no perfil de eh disciplinas no estilo de teoria geral do Estado, bem normativa, ela era o período da ditadura militar, então pouco capacidade
crítica tinha naquele período, né? e não tinha uma grande adesão dos dos estudantes, todo mundo ia aqui, ia para lá, ia para ciência, sociologia. Então, eh, a experiência de Estudar nessa faculdade e poder trazer um pouquinho o conhecimento mais aplicado, né, porque tava muito disperso. Aí fiz eh estágio na cá, companhia de deses momento ação de regional. Depois, eh, um momento, acho que mágico da minha trajetória é quando eu encontro o professor Michel Agier. que é do grupo da professora Nadia Guimarães, Antônio Sérgio Guimarães. >> Uhum. >> E o o Michel é é tipo assim,
é aquela Figura eh personagem tutô, né, que apareceu aqui em Salvador, eh, e mudou a as os estudos sobre relações raciais no Brasil. Você chegou, era, mas ele deu curso, palestras e ele veio, ele era eh um antropólogo francês eh que veio eh ele era eh um pesquisador do Auston. Eh, é organização de pesquisa eh e desenvolvimento da França. É um uma Organização eh uma >> organização e de pesquisa, tipo um grande centro de pesquisa eh estatal. E ele era ancopólogo de lá e também acho que ensinava na escola de alto de altos estudos da
França. E ele veio tinha ido para tinha veio de para o Brasil depois de uma experiência em Camarões e fazia pesquisa sobre antropologia urbana e mobilizações de étnicas raciais em países em desenvolvimento. Ele veio pro Brasil que eu encontrei com ele, eu acho que mais ou menos em 87, foi quando eh eu encontrei eh Michel, ele fez uma chamada de seleção de aluno para de bolsista para CNPq, que eh as pessoas não têm dimensão do qual é a importância do CNPq, né, naquele período. É uma bolsa >> eh invejável. Quando aparecia a chamada de bolsa
do CNPq no Na faculdade, os alunos veteranos arrancavam os cartazes das paredes, não havia um edital, então arrancavam os cartazes e somente eles sabiam. Os novos não tinham dimensão da relevância e as bolsas eram é como se fosse hoje eh eh R$ 800 devia ser R$.200 R$ 200 para um estudante de graduação >> era muito, >> era muito dinheiro. E ainda tinha bolsa de iniciação científica, tinha bolsa de aperfeiçoamento, que era um pouco maior, E tinha de mestrado e doutorado. Nesse período era o grande eh interesse era a bolsa de iniciação científica. E se envolvendo
os projetos dos pesquis dos professores, né? Eh, nem todos tinham eh engajamento em pesquisa, eram raros. Então, quando o principal centro de pesquisa aqui eh era o CRH, Centro de Recursos Humanos da UFBA, o acho que chama Centro de Humanidades, Pesquisas e Humanidades, que mudou o nome agora, eh, eu não me recordo Direito o título, mas o CRH era o lugar onde eh abrigava Anete eh Ivo e Na Moreira de Carvalho. Guaraci Deldato, Naddia eh Guimarães, Antônio Sérgio Guimarães, Iracema Guimarães. Então, era um celeiro de pesquisadores todos ligados à Faculdade de Ciências Sociais, de Filosofia,
Ciências Humanas com Ciências Sociais e desenvolvendo pesquisa eh numa escala muito de preocupação com o Desenvolvimento regional, mas sobretudo conexões muito boas em ramificadas nacionais com eh articulação naxo de fundação Apox, né, >> com a SB eh, Sociedade Brasileira de Sociologia, com a com a ABA. Então, eram pesquisadores locais, mas com uma grande eh conexão, né, já uma rede nacional e era esse pessoal que fazia pesquisa geralmente com apoio de verbas do governo do estado, verba do CNPq, da CAPS e também eh de alguns organismos internacionais. Então, a a minha entrada no nesse projeto de
Michel foi fundamental, porque foi eh e coincidiu com a minha transição para virar estudante realmente dedicado. E ele foi muito eh generoso comigo. Ele já tinha essa essa tendência, né, de formação. O o curioso é que ele chega em Salvador com essa agenda de pesquisa sobre Relações raciais num momento de declínio dessa discussão, porque era fazer muito classe social, uma pegada marxista. Aí quando ele eh chega aqui, ele traz essa nova agenda, atrai eh Antônio Sérgio Guimarães e Nádia Guimarães para parcerias com eles. Então ficam os três pesquisadores sênios, não é? e eh desenvolve um
projeto, se não me engano, chamar eh trabalho, classe social e mudanças políticas na Bahia e que eh conseguiu Fazer um uma mudança de paradigma nos estudos de relações raciais. Tinham esses três pesquisadores sors e mais um conjunto de uns 10 científica. O Antônio Sérgio Anad a gente entrevistou recentemente, né, e teve essa mudança grande diária dele, por exemplo, né, do mundo do trabalho para depois relações raciais, né, ele também vai para São Paulo. É, e e o o curioso que eu acho linda a trajetória de de Antônio Sérgio e de Nia, porque eh talvez provocado
por Michel, eles eh compreenderam bem a relevância da variável raça na dinâmica do mercado de trabalho local, sobretudo que havia uma emergência do movimento sindical, o polo petr por causa do polo petroquímico que realmente havia um eu acho que chegou a ter 40.000 1 petroquímicos naquele período de várias eh fábricas, um movimento sindical forte, muito ativo e eh também o havia Reemergência da sociedade civil, os movimentos, o movimento negro tava também pulsando e muitas pessoas que faziam parte do sindicato, fazia parte do movimento negro, houvia uma sensibilidade deles para perceber a relevância da variável raça.
E no contato com Michel, eles desenvolveram um grande projeto e incorporaram esses jovens eh estudantes de ciências sociais. E o muito bom é que eles foram eh realmente eh formadores de Nova geração de pesquisadores. Como resultado eh dessa geração temos Paulo Neves, que é professor da Federal do OABC, a professora Paula, eh, Cristina da Silva, que é professora do meu departamento, você é titular hoje. Eu sou professor também da Federal da Bahia, a professora Rosângela Araújo também e eh é um geração enorme. Todas que conseguiram sair da graduação em sessão científica, passou pelo mestrado, Doutorado
>> e se tornaram docentes. tem a eh como sub produto de uma segunda geração da professora Edilsa Sotero, que também é do meu grupo de pesquisa, que foi bolsista do mesmo grupo de pesquisa da gente, depois se tornou eh orientando ali Antônio Sérgio na USP. Então, houve uma germinou bem o trabalho dessa primeira experiência do grupo de pesquisa >> do Antônio Sérgio, Nádia e Eh Michel Ag. Agora o no no teu latis, né, tem a não sei seá monografia TCC, como é que chamava de da graduação, o negro poder, os negros candidatos a vereador nas
eleições de Salvador, 1988. a Inaiad orientadora. Era isso. >> Isso. E e esse esse projeto eu eu >> ele marcou minha minha minha formação. É tipoó quando você descobre um tema ou o tema te encra, né? me esbarrer nesse tema porque eu eh inclusive foi a partir desse Questionamento que Michel me incorporou no grupo dele. >> Uhum. Eu tava ainda na graduação num seminário lá de com vários alunos das da das ciências da da universidade que era uma disciplina que chama EPB e >> estuda os problemas brasileiros >> e era um grupo que tinha alunos
de administração e embora o curso de ciências sociais seja pouco valorizado, mas no contato que a gente tem com outros áreas, a gente a gente tem uma Coisa diferente no olhar aqui. que deve valer a pena, né? >> Uhum. >> E eu fiquei indignado com a alienação dos alunos na nas discussões sobre estado, sociedade. Aí eu fiz uma monografia eh analisando as anedotas contra os negros. Eh, foi publicado um número da revista Caceta e Planeta, que era aqueles carne todo. Eles, cada número era dedicado a Um, a um tipo, né? Um dia faziam eh deboche
dos judeus, outro dos negros, dos nordestinos e eles fizeram um número especial contra os negros, né, com a série de anedotas, né, eh, do dito popular. Negro quando corre é branco quando corre é atleta, negro quando corre é ladrão. Aí eu olhei aquilo que eu olhando na banca de revista disse: >> "Dá para analisar? nem sabia o que era análise de discurso, nada disso, Apenas tinha um filtro crítico. Aí, eh, fiz o trabalho na nessa disciplina a com tod de num tom de, eh, esbofetear meus colegas pela alienação. E acabou criando um um trabalho, uma
análise crítica, né? Uma ampliou minha percepção e eu no processo de seleção para me tornar bolsista de Michel, ele fez: "O que que você já fez?" Most o trabalho e fez, gostei, gostei, aqui é bom. Aí, eh, a partir desse contato com ele, ele gostou e Passou a cada vez mais me integrar nos projetos. Eu eu fui recrutado como eh para analisar entrevistas, história de vida e eh ao mesmo tempo tava fazendo um projeto de graduação que Michel deu apoio também com Iá. E Iá me deixou em contato com ela não sabia do tema relações
raciais, foi muito generosa em Naá. Ela a equipe, como era um trabalho que tinha que fazer de campo, ela permitiu que fosse feito por três pessoas. Aí a equipe foi eh Laudicea Oliveira, Maura Vieira e eu. Eu era o redator da equipe e as moças trabalhavam fazendo pesquisa, dados todos. E desse material a gente acabou fazendo uma pesquisa ampla, entrevistando eh candidatos a vereadores em Salvador. >> Uhum. entrevistando eh as grandes referências do que analisavam política que a a nossa eh entrevistada foi Maria Brandão, que era eh filha do T de Azevedo. E o curioso
é que Maria, quando fez, ah, visto Maria Brandão, a gente não tinha menor ideia de quem era Maria Brandão, tinha se aposentado da universidade, tava como eh um cargo especial na no Desembanco, que é no Banco de Desenvolvimento do Estado da Bahia, um cargo >> Uhum. >> importante. E ela, fizemos a entrevista com ela, disse: "Cara, esse tema é muito bom". mas eh ninguém sabia direito eh Indicar bibliografia, literatura, nada disso. E o tudo que se tinha sobre disc sobre raça e política era a partir da produção feita em antropologia. >> Uhum. sociologia, ciência ciência
política não tocava sobre isso. E eh e eu por isso que eu acho que esse esse trabalho é relevante, porque foi um trabalho de um estudante de graduação de TCC, >> eh, exploratório Com um uma orientação, lógico, para fazer pesquisa qualitativa com entrevistas, pegando depoimento dos candidatos a vereadores. E o filtro da gente era justamente esse. É a pergunta chave. Eh, quais são os obstáculos que um candidato negro enfrenta para disputar as eleições municipais pra Câmara de Vereadores na cidade de maioria negra? Num período que havia efervescência dos movimentos sociais e o movimento negro na
Bahia. Então, em 88 a cidade pulsava negritude e começavam a aparecer cartazes nas ruas de candidatos negros. E o o retrato que a gente tinha de da estatísticas eram desigualdade racial imensa no mercado de trabalho. E a minha pergunta era até que ponto esses preconceitos e essas desigualdades se reproduzem no mundo da política. >> Hum. Então foi com essa eh >> e quais eram os obstáculos? Reproduzia >> quais eram os obstáculos? E eh a pergunta tava bem posta. Eh, o o legal é que a os nossos interlocutores, né, entrevistei a tinha sido candidata, né, como
pesquisa exploratória, eh, Maria Brandão, simplesmente a a filha de Talives, que socióloga conhecida desenvolvimento regional e uma intelectual, né, >> bastante consolidada. E eu nem eu tinha lido os trabalhos do Pai dela, não sabia ligar a filha ao pai. O entrevistei a Luía Barros, que depois se tornou ministra da CEPI. ela tinha sido candidata a à deputada federal pelo PT e entrevistei Luiz Alberto, eh, que depois se tornou eh deputado, eh, federal durante quatro mandatos na Câmara deputados Federais pelo PT e todos deram depoimentos. entante a a eh >> Uhum. >> recolheu esse esse material
e o Principal dica que eles deram que o o existe preconceito sim, barreira dos partidos, mas eh é uma oportunidade a candidatura. Eles viam a campanha eleitoral como um momento também naquele modelo gramichiniano, né, de levantar a consciência das bases, das massas sobre os problemas da agenda ligada a ao empoderamento do negro e promoção de equidade. E a Luía Barros então incentivou bastante Essa pesquisa, né? Começou com a gente horas e ela era nesse período dirigente do movimento negro unificado também. eh tinha ativismo, movimento feminista negro e era eh técnica da Secretaria de Planejamento, fazendo
pesquisa de emprego e desemprego, e ainda por cima tinha feito uma tese de uma dissertação de mestrado eh sobre mercado de trabalho na Bahia com a orientação do João Reis, que tinha sido Bem impactante, né? Uhum. Então juntava tudo isso, foi a gente colhia esses depoimentos e ao final eh foi um material bastante rico, eh, que permitiu que eu produzisse, né, construísse uma agenda de estudos sobre relações raciais, raça e política. >> Uhum. >> Agora você, só para para continuar, você terminou a graduação 88, né? >> 88. >> Mestrado você vai fazer em 93. >>
Sim. esses 5 anos você ficou trabalhando nessas pesquisas >> e porque e eu não não posso reclamar de maneira alguma porque eu terminei 88 eh o diploma lacrado 889 novo ciclo. Eu me torno o pesquisador do desse grupo de pesquisa do Antônio Sérgio Guimarães, Nádia e Michel, com uma bolsa já eh categoria de mestrado E desenvolvendo a dando continuidade à minha pesquisa de graduação. Então, eh, Michel e Nádia incorporaram meu projeto de graduação no escopo do projeto que foi submetido paraa Fundação Ford. de uma pesquisa ampla sobre eh trabalho, classe social e mudanças eh sociais
na Bahia. >> Uhum. >> Né? E um projeto eh que é curioso. Eh, inclusive eu fiquei no projeto Porque veio para cá para eh fazer uma prospecção do projeto convidado pelo Michel. Eh, o, deixa eu ver, Thomas Skidmore. >> Hum. que era consultor da Fundação Ford, eh, tava, eu acho que tá coordenando a a o birô, né, do da Fundação Ford no Brasil, analisando projetos, ele veio para cá e aí num reunião com a gente, aí botou na sala lá no CRH, eh, toda a equipe é Michel, nós estamos esse projeto, queríamos $.000 para fazer
essa Pesquisa. Aí Micha e toma skin e não dá não. A gente não financia projeto de 10.000. É melhor fazer uma pedida de 50.000, 100$ 1.000 porque não tá no escopo da Fundação Ford e eh financiar projeto com essa envergadura. Aí meu olho brilhou na hora. Disse: "Aqui vai dar jogo, viu? aqui tem oportunidade. E eu eu tava com nesse período os pesquisadores que foram incorporados nessa categoria de eh mestrando, né, foi eu e a professora Paula, Paula Cristina, eh os dois, ela tinha passado na seleção do mestrado em sociologia. Eu tava eh finalizando minha
pesquisa de campo desse trabalho, então fiquei envolvido sobre orientação de Michel. E Michel fez uma coisa boa comigo, como eu tinha um déficit de formação da do segundo grau, aquelas coisas todas. Então ele eh e também da própria graduação, ele ficou meu tutor e fez um plano de leitura para eu ler todos os Clássicos da das ciências sociais e eh >> verificando, me dando eh eh missões de fichar texto, discutir comigo. Imagina você discutir a obra de Lev Str com antropólogo francês que com essa compreensão ampla sobre estruralismo, tudo isso. E ele também colocou a
mim e a Paula como várias eh cursos de formação. o programa da Fundação Fordia deu curso de inglês pra gente, francês, português e tudo que a gente e também Passagens e hospedagem para ir pros congressos nacionais. Então eu ia para, eu ia para os encontros nacionais todos com esse suporte. Então, nesse período que eu fiquei sentar na na no mestrado, foi que eu concluí minha pesquisa e tentei ainda fazer uma seleção de mestrado na USP, na antropologia, mas tava em pleno trabalho de campo. >> Uhum. Era uma migração diária. Na verdade, eu não tinha uma
Concentração, não tinha uma área concentrada que tivesse me dedicado. Eu tinha feito sociologia política com trabalho, meu projeto era sociologia política. E eh por causa de Michel ou a atração por pela os estudos eh antropológicos, eu acabei fazendo a seleção do na USP, que não sem chance nenhuma aquele período para um processo seletivo daquele para 20 bagas, tinha 100 pessoas do país todo, todas afiadíssimas. >> Uhum. eh tinha feito até um contato de um possível orientador que seria João Batista Borges Pereira, que trabalhava com estudos sobre eh raça e política em São Paulo. >> Uhum.
>> Com análise sobre raça e política. Então tava na linha e como havia Borges Pereira, eu pensei que seria a pessoa mais apropriada, mas eu acabei eh não passando e eh no ano seguinte eu fiz a Seleção para o Houve um concurso nacional de a Ford fez um edital e fez uma parceria com a Las Pau Latinoamérica estado e eh Latino-America escola. da que é tem é ligado a a à Universidade de Harvard, então fez um edital nacional, no ano seguinte tinha feito um e foi uma aluna lá do Rio de Janeiro que chama Denise
Ferreira, que ficou radicada lá nos Estados Unidos. Eh, depois fez outra seleção e nessa seleção, na primeira só tinha bolsa para mestrado, para cumprir o mestrado todo na universidade americana. E no segundo ano teve a bolsa, duas bolsas de mestrado e duas de doutorado. Eh, coincidentemente eh três desses pessoas que concorreram, cinco que concorreram daqui. Eu concorri ao mestrado, a e a o professor Josélio Tes dos Santos ao doutorado Luía Barrios, eh, doutorado, eh, o, deixa eu ver, Barcel o a seleção e eu acabei ganhando a bolsa, que foi a minha da Fundação Ford. >>
Da Fundação Ford, uma bolsa nacional. >> Eu submeti meu projeto, teve um a triagem de uma disputa nacional, eu submeti meu projeto, esse projeto da graduação, agora com outro escopo e eh ganhei essa eh essa bolsa e fui para lá Com o apoio da Fundação Ford. Passei 2 anos e meio na Universidade de Pittsburg. Primeiro fiz eh preparação em em idiomas e acadêmica e fiquei lá eh porque a Universidade de Pittsburg tinha muito interesse em fixar alunos lá. >> Uhum. E eles tinham um centro de estudo latino-americanos, a professora Peg Lovel e o, eu esqueci
o nome do outro professor, ligado mais à ciência política, tavam eh Mitel estavam Interessados em fixar eh Hill de Andrews, eh Mitchell e também a Peg Llovel tava interessados em ter esses alunos da Las Pau por lá e a a Ford dava um bom dinheiro, custeava tudo, pagava Twist, todas essas coisas. Então, eh, caía com uma luva, eu fui para lá, eu queria ir para o CL. >> Humum. >> Por quê? Tinha praia na em Los Angeles e eu não tinha menor noção, né? Eu pensava, a minha escolha foi: "Eu sou de Salvador, eu não
vou me adaptar em cidade sem má". Então, as minhas escolhas foram considerando esses aspectos. Aí, eh, fiz a proposta de Daelei, tinha também, eh, Michigan, que também me parecia interessante, que tinha um estudo sobre opinião pública, e tinha Pittsburg. Pittsburg ofereceu mundos e fundos o calendário para aceitação. A gente chegou lá em maio e o período para eh Application finalizava em junho e já estava em Pittsburg, foi o melhor cenário possível. Eu acabei ficando em Pittsburg quando terminei o IF. Agora, esses dados que eu havia coletados aqui, eu sistematizei, fiz trabalho quant com orientação, aprendi
uma bibliografia nova, eh, sobretudo com orientação, professora Peg Lovel, havia um ambiente com infraestrutura fantástica. Imagine um aluno saindo de Salvador, da UFBA, >> 93, 95, né, que você ficou morando lá, >> mas saí de Salvador com a graduação que eu fiz. part time, né? Graduação. Depois houve realmente uma melhoria de investimento. E aí vou parar na universidade o esquema médio calendário com tendo que fazer três paper por semestre, uma carga de leitura de cerca de 500 400 páginas por semana, dois cursos obrigatórios com disciplinas Quantitativas. Não foi fácil para um jovem vir daqui, >>
mas sobreviveu. >> Sobrevivia sim. Agora nos Estados Unidos a questão racial já era absolutamente presente e obrigatória nas ciências sociais, né? A Fundação FOR também teve um papel importante de trazer essa discussão pro Brasil. Nessa época ainda era uma certa novidade, vamos dizer assim, ou não. >> Mas que correto. Inclusive o projeto da Fordação Ford era de lideranças negras. >> Sim. >> Tinha recorte racial desses dois projetos. O o a a primeira edição, segunda edição, eles fizeram 13 edições, piloto. E depois disso eles fizeram um. Se inicialmente dava eh quatro bolsas, depois eles começaram a
dar 50 bolsas. Antônio Sérgio Guimarãense, se eu não me engano, fez parte até do comitê que julgava a a esses processos de escolha Dos eh das pessoas que disputavam, né, e acabou criando um impulso de formação de novas lideranças. Então, a preocupação da Ford era formar liderançades negras e atingir o objetivo, porque eh tu a tudo que você considera como liderança, né? A Luía Bos foi para lá, se eh ficou comigo lá com a gente no curso de preparação inglês. Três meses depois foi para Michigan State University E com a Rut Hamilton e que era
uma uma pesquisadora negra referência na estudo sobre sociologia, relações raciais e depois disso voltou pro Brasil e teve a trajetória pode se tornar uma eh secretária da CPI. o com diferença de proposições, eu fui para lá, voltei, me tornei docente. >> Uhum. >> E com um eh a à frente integrando um grupo que discute raça e política com Produzindo alguns trabalhos que servem de referências eh nessa área. Então, eh o propósito da da Ford foi atingido. >> Uhum. >> né? formação de intelectuais negros, eh criação de uma pensamento crítico sobre, eh, raça e e política
e democracia no Brasil. Então eu eu acho que cumpriu o objetivo. >> Agora, Cláudia, mais tirando a parte, vamos dizer, estrutamente acadêmica da discussão sobre raça e tal, a tua Experiência de morar nos Estados Unidos, em termos de raça, você venda Brasil, Bahia em particular, Salvador e para paraos Estados Unidos. >> Foi aquela coisa eh >> ser negro aqui e ser negro lá >> foi fantástica, sobretudo porque é uma coisa meio de Macavel, né? eh a oportunidade que foi dada, né, Di Salvador com essa eh percepção incipiente ainda sobre conhecia questão racial, mas ainda de
maneira eh na Leitura leitura sistemática já sobre a literatura toda, sobre as relações raciais, eu cobri aquilo que tinha disponível e aí fui para os Estados Unidos e lá o choque da universidade eh o choque o que que eu falo, mas não nos não não nada me assustou. Nesse sentido, ser um pouquinho naível, né, ingêno permite que você não crie grandes eh assombros em relação a nada que se coloca. Acham apenas que era uma coisa de Desigualdade regional, né, eh, geopolítica. Então, eu transitava com isso com muita tranquilidade e sabia do interesse da universidade em
ter a gente lá. Quem ficou lá foi Luís Barcelos, Luiz Cláudio Barcelos, que eu havia esquecido o nome, e eu fiquei lá na na em Pittsburg, no departamento de sociologia. e também a Denise Ferreira. Eles dois eram da, ela era da do IFIX, eh, orientando de Ivon Magi. Ele, eh, eu não me lembro que era O orientador doentador, orientadora, eu acho que era Ivon Magui também, que era eh uma referência na área de Não, Carlos Razenbalg é do Perg. >> Do Iupge. Ele, ele era do Perg. E havia fix a Ivone, acho que o Peter,
>> o Peter FR. também >> que a gente conhecia, eu conheci eh todas essas pessoas, quando eu só lia artigos, de repente passei a conviver com eles, né? Aí eh eu fui para lá, não houve eh nenhum assombro. O que Aconteceu foi a intensificação da percepção da importância da variável racial. >> Uhum. na dinâmica política e da trajetória da experiência da do dos negros nos Estados Unidos, da estrutura da sociedade como um todo, de maneira estrutural e também eh da variável religião, mas o que eu tava debruçado era sobre raça. Eu eh fui eh Era
93, então havia pouco tempo das ações afirmativas dos Estados Unidos, talvez cerca de 20 anos no máximo, que era do final dos anos 70, início dos anos 90, eh quando tava intensificando as ações afirmativas, já havia eh já alguma tensão, mas havia as políticas eh existiam as políticas públicas todas de ação afirmativa de cotas, onde universidade que eu tava mesmo contratava professores baseada em cotas. >> Aham. >> E quando eu fui para lá, eu comecei a ler bastante sobre as movos direitos civis americanos. >> Uhum. e fiquei fascinado por isso. E compreendi também eh no
contato de lá e eh fui acolhido muito pelos professores, transitei em vários departamentos, eh queria migrar no eh da sociologia paraa comunicação, porque eu entendia que a a chave do meu negócio tava na comunicação, mas Acontece que é um trâmito muito complicado. Eu já tava lá e eu terminei o mestre. >> Uhum. e tive que retornar, mas tinha sido aceito na no doutorado logo no primeiro ano você já faz a a o engajamento. Então, como eu tive um bom desempenho no primeiro ano, eh a Peg Llovel já me promoveu para estudante de doutorado, então tava
ia cumprir os créditos para da do trabalho de mestrado >> e que lá não é uma tese de doutorado, é Um empiríical paper, >> tese de mestrado. É, >> porque o produto principal não é o o o mestrado, não é esse trabalho. >> Aí eu fiz o o trabalho com ela e eh esse contato com direitos civis foi muito bom para mim e sobretudo a coisa temporal. >> Mas aí por que você não ficou lá terminar o doutorado? Teve que voltar? Você falou >> porque eu casei, eu tinha uma namorada aqui, aí ela, a Gente
casou, eu fui, >> ela ficou aqui, ela foi para lá >> e a gente casou, se é para colocar curiosidade na biografia, a gente já tá namorava aqui, né? já tinha dois anos de relacionamento, namoro mesmo. A gente se conheceu no curso de inglês e e tinha uma sintonia fina da gente. Aí eu perguntei para ela, eh, existe a possibilidade de eu ir paraa França ou pros Estados Unidos aí, eh, e também eh de Ficar por aqui. Aí eu fui pergun Paris ou Piripiri? Piripiri é um bairro de subúrbio aqui bem periférico. Uma uma um
tocadilho com com P, né? Paris ou Piripri. Ela fez qualquer lugar. Tá bom. Disse então tá. >> Essa é a pessoa que eu quero do meu lado. E eu fui pros Estados Unidos em março. Não, em em >> n em Paris, n em Piripiri. Foi para Pittsburg. >> Pittsburg. Tudo deu P, né? >> Aí fomos para, eu fui para lá e para preparar o a chegada, né? me adaptar. Aí fiz, comecei as aulas, fui em maio, comecei as aulas em setembro e aí cheg em de janeiro ela foi não, fevereiro ela foi para lá e
ela a gente casou por procuração porque para receber o visto do >> tinha que tá casado, >> tinha que estar casado. Eu tava nos planos mesmo de casar. Aí, eh, casamos e ela foi e o meu representante no Casamento foi meu irmão. >> Hum. >> Meu irmão. Aí foi lá e assinou o documento por mim e depois fez escola. Isso aí, porque um colega meu e hoje hoje em dia ele é professor da Universidade de Miami, ensina coreografia e dança, Augusto Soledar, Soledade. Aí ele viu minha experiência, fez isso. Falei, vou fazer isso também, porque
ele também tinha ganho uma bolsa para eh para ir para fazer dança na Universidade de Rochester lá no norte, Estados Unidos. Aí, eh, também casou, tinha ido para lá, recebeu uma bolsa e casou por procuração também, mas só que no caso dele, a, a, a, o amigo dele que representou disse: "Mas eu quero vir vestido de noiva". que rivalizando com a própria mulher dele. Não, a noiva sou eu, não vou representar o Gusto desse jeito. Aí foi eh também eu soube eh posteriormente um um professor eh muito respeitado aqui eh eh Maia, que até marido
da professora Silva Maia, que é irmã do do João eh João Reis, também tinha feito essa experiência também tinha ido pro doutorado fora e eh acho que mestrado e também casou com a Silvia por procuração. >> Aí essa mulher casou e foi para lá. >> É, >> qual o nome dela? Desculpa. >> Margarete Oliveira. >> Margarete Oliveira. Aí Margarete casou, Foi para lá, acabou e engravidamos logo rápido. Eh, quando eh chim engravidamos lá e aí minha filha acabou nascendo lá, faltando eh 3 meses para para terminar depositar o trabalho de empírico paper final. empirical paper,
três papers finais para apresentar e ainda uma criança que tinha nascido não tinha condições nenhuma de fazer essa gestão de tantas demandas. Aí Ela tinha a tava ainda suspenso. Eu fiz um pedido de bolsa paraa Fundação Ford, mas tinha que fechar o ciclo. Eh, e também eu tentei ainda uma bolsa do CNPq, mas eu já tava fora, não fazia sentido. Nádia eh Guimarães fez até uma carta muito bonita que eu guardei, né, recomendando o meu nome, mas aí eu acabei voltando e foi melhor coisa que me aconteceu. Eu voltei e automaticamente com um mês depois
passei no concurso >> para virar docente da universidade. >> Feira de Santana. >> Isso. >> Isso. Bom, e também com com filho pequeno, filha pequeno, né? deve ter tido mais apoio, vamos dizer, familiar aqui ou não? >> Tinha, sim. >> É outra. >> Tinha. E que eh a lógico, eu vim sem casa, sem nada. A Casa de meus pais era muito grande, muito grande. Nesse período eh tinha suí, coisa, toda a estrutura, casa grande de 4 qu4 de eh mais de 400 m². Então, uma casa grande que permitia acomodar. Então não criava fricção nenhuma e
ter um filho em casa, minha mãe tinha divorciado do meu pai, então tinha um ambiente eh tranquilo. Eu e minha mulher ficamos lá e foi, a gente morou lá uns 3 anos, depois a gente foi pra própria casa da Gente. É o tempo de estabilizar na universidade, mas de também dar suporte pra minha mãe. >> Você não morava em Feira de Santana, ficou aqui a morava em Salvador. >> Exato. Tá, ela é Universidade estadual, né? Feira de Santana. >> É. sobre a experiência nos Estados Unidos, o contato com direitos civis foi fundamental para mim. eh
a perceber as tensões e as mobilizações Lá. A um pouco das história das segregações foi importante também eh o a informação, a compreensão sobre o que significou ação ação afirmativa. >> É porque quando você voltou, quer dizer, lá já tinha o mais de uma década de ações no Brasil tava começando, né? quer dizer, muito, >> na verdade, >> discussão e o Fernando Henrique, né, que vai e e é curioso porque eu voltei >> eh e com essas ideias, né, e tinha um um Eu tinha entrevistado durante a minha pesquisa de campo um vereador eh eh
aqui em Salvador, negro, tinha trabalho na periferia eh de Salvador e ele eh tinha uma boa simpatia comigo, gostava porque era muito menino, né? né? Então, eh, o acolhimento do jovem, né, jovem negro também e amável, né? Eh, fui muito bem acolhido pelo movimento negro quando eu entrevistar esse vereador também. Aí ele quando eu voltei, eu disse, tu voltei, terminei o Mestrado, tem um trabalho legal aqui. E aí ele fez, Cloves, me diga o que que você sugeriu, um projeto de pesquisa, um projeto de lei para eu fazer aqui, para eu colocar na Câmara. Aí
eu disse: "Olha, eu tenho uma ideia boa. Lá nos Estados Unidos tá uma discussão sobre ação afirmativa. Eh, então as políticas públicas levam em consideração muito o perfil do do do cidadão, né, do do consumidor de serviços públicos. A a administração Pública também leva em consideração no recrutamento quem são as pessoas, né? o a tentando espelhar um pouquinho o perfil sociemográfico, eu disse, eu tenho uma sugestão na sua alçada, você pode fazer um projeto, eu vou fazer um projeto e você submete que é obrigando o serviço público. Isso lá em 96, obrigando o serviço público
aqui da municipal, que ele era vereador, a eh colocar como procedimento de registro do protocolo identificação da cor Dos das pessoas que que recebem esse serviço e também dos próprios funcionários. É um cadastramento geral que incluísse no formulário, o formulário é variável co e raça. Ele muito bacana. Gostei. Ele era um vereador de direita >> ligado ao PMD. É PMDB mais PMDB mais a direita. >> Mas tinha uma sensibilidade para essa agenda >> de relações raciais que ele era em um Bairro popular. Aí eu fiz o projeto todo, eu submeti, ele e fez, mas eu
acho que não vai dar certo porque o os meus colegas não vão aceitar um projeto como esse aí ele preveu, aí não submeteu, engavetou. Aí depois quando avançou um ano depois ele tinha havido a eh a eleição de Celso Pita, o tema das relações sociais tava em pauta, >> São Paulo >> em 96, tava pulsando, né, uma discussão. Aí ele fez, Cloves, eh, aquele projeto Que você me falou, eu acho que eu vou reapresentar, me traga uma nova cópia. E aí apresentou, foi rechaçado. Eu disse: "Porra, por que o que aconteceu? Não conseguiu aprovação?" Ele
fez consegui. Sim, eu consegui criar uma pauta. Então ele já colocou na agenda e marcou presença como uma pessoa pioneira apresentando um projeto desse >> tipo, que é uma uma inicial dele, >> eh, Dionisa Juvenal. >> Dionisa Juvenal, >> do PMDB, >> tá? era um um líder de movimento eh de bairro muito eh inteligente que e era um dos poucos negros da Câmara de Vereadores de Salvador naquela década de de eh 80 90. Já tinha sido reeleito umas duas ou três vezes com uma base eleitoral no bairro popular e eh transitava bem com os caciques
dos partidos, né? mas ainda assim era um candidato eh Regional, né, territorial de bairro. E ele foi muito eh atencioso comigo e foi a oportunidade que eu tive de dessa minha experiência americana, não só trazer uma uma reflexão, né, que depois passou a ser incorporada nos meus trabalhos, mas também proposta de projetos. Depois, eh, participei muito de, eh, contatos com pessoas do movimento negro que pediam para eu apresentar o resultado da pesquisa e, eh, inclusive Parte da agenda deles de luta pelo poder político, muitas delas foram resultados de diálogo que teve comigo. >> Uhum. E
como é que você viu no Brasil esse esse debate? Você se engajou eh debate sobre ação afirmativa? Nessa época você tinha pessoas que eram contra por razões, >> vamos dizer, mais conservadoras ou raionárias, mas também tinha pessoas, Vamos dizer, mais progressistas até em relação a isso, que tinham um receio de que isso fosse criar, né, coisas que não havia no Brasil, racialização, uma série de de questões. Tinha um debate acadêmico também >> que não era. Eu acompanhei, não fui eh um um intelectual público para debater, ainda mais que nesse período tinha eh não tava muito
no meu horizonte. Eu tava na Universidade Estadual eh tava no meu grupo de pesquisa, que é esse programa Cor da Bahia, que tinha sido criado em 93 por Michel Aier, Nádia eh Guimarães, Antônio Sérgio, Lívio Sansônio, Jélio, a professora Paula era jovem como eu, então tinha um grupo de pesquisadores sênios. Eu acompanhava com atenção, torcendo e eh o o eu acho que nem mesmo eu acho que Antônio Sérgio se incorpora, eu acho que fica muito mais intenso um debate entre o grupo do Rio de Janeiro que é ligado ao IFIX, professorativa no Brasil iriam racializar
o ambiente Brasileiro. É o Peter Fry, eu acho que pelo mesmo caminho tinha, eu acho que a mesmo naquele período a Lilia Schwartz também era tinha dúvidas sobre a a pertinência de corporar ações afirmativas no Brasil, também com medo de criar um intensificar o conflito racial. >> Uhum. >> Então havia e o movimento negro também muito eh intenso eh protestando e criando mobilizações sociais. Tem uma Instituição que chama aqui um NG que chama Instituto Shive Bico, que fez protestos nas ruas, fez eh na frente da reitoria reivindicando a eh as suções afirmativas. Então, acompanhei de
longe. O que eu fiz de ação afirmativa? eh já ligado como pesquisador, eu acho que eu fui pioneiro nesse nessa ação, foi criar curso de formações para políticos negros, que minha área de expertise era >> política e eleições. Eh, o Jélio Tes dos Santos, professor do departamento de de antropologia, nesse período, era o coordenador também do programa Cor da Bahia, substituiu Michel, eh, Michel tinha saído, depois ficou Antônio Sérgio, depois foi Lívio Sansoni e, eh, finalmente apareceu a geração dos eh formados aqui na própria UFBA, baianos, que começaram a tomar controle desse grupo de pesquisa
porque Michel já tinha ido eh Antônio Sérgio tava em São Paulo Sempre como pesquisador associado e Nadia também. Lívio tá tinha ido a ser diretor do estudos afroasiáticos lá da Cândido Mendes. Então o Jério tinha terminado o doutorado, veio para para Salvador e tava à frente. E a gente ganhou, tinha ainda um recurso da Fundação Ford e eu fiz uma proposta de curso de formação para políticos negros e pela cidadania. A cidadania é um modo de suavizar a marca de uma agenda racializada, né? Mas Era >> uma coisa ampla, né? >> E eh foi em
98, o submetemos o projeto pra Fundação Ford, ela deu eh recursos pra gente. A gente durante dois meses era um curso uma espécie de de ciclo de palestras com experts em comunicação política. Uhum. Porque da minha eh experiência, o que eu descobri foi, não se trata tanto dos preconceitos como uma barreira intransponível, também eh tem a ver com Criar eh eh preparar e formar os políticos negros para competir nessa arena que cada vez mais exige eh experiência e profissionalismo. Então, eu já tinha passado por um curso de formação e marketing político que foi oferecido na
UFBAS, curso de extensão e eh nesse curso tinha eh passado por ele, tinha sido organizado por Cátia Dilmon, que era uma uma coordenadora de campanha eh ligada aos grupos da do MDB da aqui Da Bahia. E ela tinha uma expertise muito grande e montou um curso nesse formato de painel. Ela ela tinha domínio sobre agenda, pesquisa de banco de dados, mas ela não era uma especialista de comunicação. Então convidou para esse curso Eduardo Safira, que era o o publicitário ligado ao grupo de ACM, foi o responsável por redesenhar a imagem pública de Antônio Carlos Magalhães.
>> Uhum. Eh, eh, Cláudio, eh, Couto, se não me engano, que era um publicitário também, que tinha feito campanha eh para governador na Bahia. Então, uma série de profissionais que estavam acessível ao alcance da gente, que eram amigos de de Kátia Dilmon, e ela fez esse painel. Eu fiquei encantado por a a magia, da capacidade da retórica. reconstruir a imagem pública mesmo de grupos marcados por estigmas. >> Uhum. Então, eh, na minha compreensão, o racismo e o preconceito racial não eram barreiras intransponíveis, ainda mais depois de ver o resultado da campanha de maravilha de Duda
Mendonça, que conseguiram eleger eh Celso Pita, prefeito de São Paulo, uma cidade que tem 30% de negros e eh num partido de direita e ele sendo carioca. Então tinha muita de eh magia e de eh no de como usar retórica para eh jogar luz em sombra, né? Valorizar. >> Então interesse por comunicação também aparece aí, né? >> Exatamente. Aí o o >> o doutorado New Perge tem a ver com isso, Marcos Figueiredo, né? Figueiredo, >> Doxa, né? no Dox. Então, a transição é tem uma uma lógica de minha trajetória muito marcada, não tem muitos acasos.
>> Uhum. >> E aí quando eu fiz esse curso, eu pensei em eu mesmo criar um curso mais voltado Para políticos negros. A a ideia era fazer um curso no Centro de Estudo Afro eh Orientais aqui da UFBA para 40 pessoas, teve 250 inscrições. E aí eu, eu e Joréio disse: "Agora como é que a gente faz?" mantém. Vamos procurar um lugar para acolher >> todo mundo. Onde eh acabamos mud conseguimos uma parceria com a faculdade de teatro da UFBA e tem um teatro no na no na faculdade que cabe umas 200 Pessoas. >> Ori
mental. >> É, >> é >> é lá que tem os ensaios, as produções de peças. Eu acho que deve ter umas 200 pessoas ou coisa parecida. cadeira tinha reformado. Então, um teatro maravilhoso e vai eu jovem com eh essa demanda, né, de de eh organizar um curso dessa intensidade e conseguir eh a marca UFBA É muito forte, então todos os convites que nós fizemos foram bem acolhidos por pelos profissionais. Eu levei eh profissionais de marketing político, de comunicação, de criação. Eh, eu esqueci o nome agora dele que tem muito tempo, tem mais de 30 anos
isso. Então, eh, o quase 30 anos, um profissional e de criação da DM9, que era empresa de publicidade for ligada a Duda Mendonça. Eh, também levei o red o redator, não, o Editor do jornal Tarde, que era explicar como se tornar notícia durante as campanhas. Então, chamei eh esse editor que é eh eu esqueci o nome dele agora, que é jornal à tarde, que ele foi lá, fez eh uma palestra só sobre isso. ter um pai. Toda semana nós tínhamos os principais profissionais da área numa plateia de cerca de em torno de de 120 a
150 pessoas já haviam inscrito, se inscrito uns 250 e toda semana tinha esse evento com as Pessoas participando intensamente. Chamei também políticos, o Luís Alberto tinha se tornar deputado federal para falar também vereadores. Então, o depoimento, tipo, misturou trajetórias de políticos e experts em comunicação e planejamento de campanha. Então, foram >> sucesso, >> sucesso e um esforço enorme. Eh, eu, eh, nesse período, >> deixa ver, eh foi bastante estrondosa Essa experiência. teve e para mim demarcou muito grande a importância da comunicação. >> Mas e o doutorado? fala um pouco essa opção, né, do Perge, como
é que surgiu 2000 o e para você ver como essa conexão com o o com o doutorado foi o resultado desse curso de formação, porque eu fiz esse esse seminário, né, esse curso de formação de marketing político e eh eu Tinha encontrado o professor Marcos Figueiredo num evento dax que eu já estava pensando em fazer doutorado, tinha entrado na universidade, passado no concurso em 95, eu entrei na univers, voltei dos Estados Unidos, um mês depois virei professor substituto na universidade e em janeiro me tornei professor do departamento de ciência política e eh amadureci um projeto,
não se não não queria mais trabalhar com a mesma coisa. E coincidiu em 96 a eleição de pita. E eu disse: "Olha, aqui tem um mote bom para eu trabalhar sobre campanhas eleitorais de prefeitos. Saí de eleições municipais, vereadores e passei a trabalhar com o desafio de eleger um um político negro numa grande cidade, numa capital. Aí eu encontrei com o professor Michael Huncher, que tinha feito pesquisa aqui no Brasil, escreveu um livro que o Feu e Poder, que Gerou um grande impacto, porque ele fez uma crítica ao movimento negro, dizendo que o movimento negro
era muito culturalista e entrou no embate com a professora Luía Barros, né, com a Luía Barros e o Michael Hancher, ele gostou do me viu numa apresentação num congresso e aí fez: "Você quer fazer doutorado comigo lá na nos Estados Unidos, na Northwester. Aí ele disse: "Mas você não precisa responder agora. Eu tenho um contato Também de um professor que chama Michael Dawson na Universidade de Chicago. Você quer?" Eu disse: "Ah, já tinha tido essa experiência nos Estados Unidos." Aí disse: "Tá bom, vou lá". Aí eu visitei Michael Dawson lá em Chicago, fiquei encantado pela
eh quando entrei na não pela ciência política, mas e na escola de Chicago, no departamento de antropologia da escola de Chicago. Quando eu vi o painel da escola com pesquisas no mundo todo, eu fiquei: "Pô, Realmente dinheiro é poder." E e eh tive contato com ele, ele tinha uma uma foi bem eh acolhedor e depois eu visitei a Northwest e tem um processo de inscrição. Eu acabei não sendo não passando pelas etapas porque eles exigiam. Eu tinha feito tinha meu inglês, tava bom, muito legal, mas eles exigiam uma documentação muito complexa. >> Uhum. inclusive eh,
dia os exames todos De proficiência, o inglês tava bom, mas tinha todos os testes que típico do estudante americano de graduação. Aí acabou e caducando essa essa as duas inscrições na Northwest também da mesma forma, mas o Michael Daws Michael Ranchard me levou no campos, fez aquele jogo de sedução, né, de atrair novos estudantes, não deu certo. E mas eu pretendia fazer pesquisa ainda sobre o Brasil, caso brasileiro. >> Uhum. vindo para o Brasil, encontrei num Evento o professor eh eh Afonso Buquerque, que trabalhava com que ele é da UF, que é os principais nomes
tudo sobre análise de conteúdo de campanhas eleitorais, discurso político. Então, Afonso, jovem ainda, ele eh eu dividi um quarto com ele, né, no na pox. Aí eu disse, ó, eh, e aí que você tá fazendo? Você faz tudo isso? Ele disse: "Pô, coincidência, eu quero trabalhar com isso." Ele fez, eu tenho uma pessoa para te para para que pode te ajudar. Aí me Apresentou o Michael, eh, o Michel Bagier, o Michelê, não, o Marcos Figueiredo, >> que foi muito acolhedor comigo. E eu, se não me engano, eu convidei Marcos Figueiredo para vir fazer abertura do
curso de marketing político aqui. >> Uhum. E ele fez um um uma abertura fantástica na Câmara Municipal de Salvador. E o o evento deu uma escala enorme porque o evento, o curso foi na faculdade de Teatro, nas no teatro das faculdades de da escola de teatro da UFBA e a abertura foi no na Câmara Municipal. boa adesão e o Marcos foi fantástico. E então eu compreendi que o Marcos tinha uma aderência à minha proposta. Me submeti todos os ritos de eh a seleção, né, do doutorado. Fui aprovado e passei a integrar o grupo de pesquisa
dele, do Doxa, >> que não podia ter acontecido melhor Coisa para mim. Eu conheci o Marcos e várias pessoas que Alessandra Ald >> isso. >> Rogério Schmid >> isso. >> Alquim Carlosim, não sei se era também do mesmo grupo, né? >> Mácia Dias >> tinha. É, eu tinha a minha mulher na época era antropóloga, estrava antropologia da política e o Marcos várias vezes convidava pro Dox, ela ia Também. Karina Cnir. >> Karina Cnir. Você é esposa do >> Fui. >> Fui Karina C tem um trabalho sobre eleições, campanhas eleitorais de vereadores lá no Rio que
servi muito de referência para mim. Então eu que tava na na ciência política num curso de eu a faculdade que eu tava nesse período >> e era um grupo mesmo de pesquisa, tinham muitas agendas e muito trabalho e se Encontravam, discutiam, né? O Doxa era uma >> maravilhoso, Doxa. Eh, eu tava ensinava no eu tava no no Departamento de Ciências Humanas da Estadual de Feira, ensinando disciplinas de graduação para estudantes de direito, administração, que foi uma experiência muito boa paraa minha história também. E ao mesmo tempo mantinha a minha atividade de pesquisador como ligada ao
grupo de pesquisa do programa Cor da Bahia. Por Isso que eu organizei eventos, participava de publicações e quando eh no Doxa eu tive o ambiente perfeito, era muito voltado cultura política, eh pesquisa de opinião, imagem essas, né? >> E e modelou minha percepção. >> Você morou no Rio lá para fazer quanto tempo? >> Morei no Rio. Morei, eh, morei um ano inicialmente, depois e depois que cumpri os créditos. A cada seis meses porque não precisava morar constantemente >> e tinha minha minha mulher tava aqui com minha filha, então tinha condições de de orquestrar e também
eh tinha coisa de campo que poderia ser produzida, trabalhada de outro jeito, tinha muito dados, eh transcrição de entrevista. O meu trabalho de doutorado foi uma pesquisa sobre estudo comparativo das campanhas eleitorais de Celso Pita e de Benedita da Silva. >> Uhum. O título era inevitável invisibilidade da cor e somente a partir desse contato com o grupo do professor Marcos, eu falo grupo porque eh a troca de experiências com eh Alessandre Ald eh eh faltou o sobrenome, eu sei quem é Luciana, tá na comunicação agora e também é a professora na UNIR. Eu isso era
com escana do FGV. Ô, enfim, >> com a é porque são tão amigos >> que esses sobrenomes, essas normas de de sobrenomes acaba um pouco perdida. >> Luciana foi pro Paraná, se não me engano, depois voltou. Isso, Luciana. Eh, ela nesse tempo ela estudava, ensinava na na Federal de Uberlândia, depois foi pro Paraná, trabalhou lá anos e depois foi pro Rio. Mas eh >> muito eh importante essa intercução com a Luciana, com o a Márcia Dias também, que estudava partidos políticos. Então eu tinha um ambiente Perfeito, não é? Eh, e sobretudo porque e malcamargo, que
era eh hoje é tem uma empresa de consultoria e também empresa de pesquisa jovem muito eh antenado, né? Eh, com tudo que se existe de ponta em pesquisa, com eh Luiz Ademia. Então, era um grupo enorme que permitia interlocução e Marcos acolhia, embora fosse da Bahia, eh houve uma espécie de embaixada baiana, embaixada nacional, né, que eu era daqui da Bahia, Marcos, o Malcon de Minas, Luiz Ademir, tinha Gente de São Paulo, o Luiz Laurenço, que é meu colega no departamento de sociologia daqui da UFOBA, fez ciência política também com sobre orientação de Marcos Fig
>> Luciana Veiga. Luciana Veiga, eu eu não eu não quisar. >> Eu tava aqui >> Luciana Veiga, né? Que ela vai ficar chateada de out é nossa idade faz. >> É a Luciana Vega. Então foi era um grupo Fantástico e contato com o Afonso Abuquerque que dava orientação sobre análise, como é que foi a estratégia dele de fazer a planila dele da análise de conteúdo do discurso político. Então eu não teria isso se tivesse ido pros Estados Unidos. E e no Perge mesmo, tirando o grupo do Marcos, você fez outros cursos também, como é que
era o >> E o Per tava já numa fase de de de crise, né, também e que vai acabar tá Bom. >> Far uma uma década, >> a experiência do do Iperdio foi maravilhosa, que eu tive professores como Nelson Vernec ou Luiz Vernec Viana. Luiz Vernec Viana é uma figura icônica, né, que basta você dizer, projeto, >> basta você dizer que fez aula com Luis Ver Luiz Vernec Viana, que você diz que ó, tive um momento eh singular, né, Luiz, eh o o Vernec também com o professor Marcos Figueiredo, com a Maria Regina, com, deixa
me ver mais, eh, com E tinha um ciclo de seminários que é, eu tinha contato com todos os professores da instituição, com Jairo, com eh Fabiano, Vanderlei, V. >> Então, eh era uma oportunidade e e eu acho que tinha um e ainda deve existir no Iupja, um ambiente muito de acolhimento. >> Otávio Amorim tava ainda lá. >> Otávio Amorim. Eu não tive aula com Otávio não. Otávio era jovem nesse período. Otávio, o o Jairo e o Fabiano eram >> Nelson. >> Que Nelson é >> eu tentando lembrar os professores. >> Então o o era muito
acolhedor não e os professores tinham a proximidade com os alunos de conversar e de diálogos, né? Então, eh, eu não poderia ter tido melhor lugar para fazer meu doutorado e sobretudo porque o existia o grupo de Pesquisa, havia um ambiente de eh respeito dos professores dos alunos, havia um um melhor do que existia na América Latina, né? tinha professor, alunos uruguaios, argentinos, colombianos que vinham fazer doutorado nepeg de quebra a gente tinha contato com os alunos da do IFIX, né? Então, a o ambiente do Rio de Janeiro era muito propício para eh desafios acadêmicos, né?
>> Ainda tinha praia também. >> Ainda tinha praia. E aí foi maravilhoso, mas o principal mesmo foi a forma como Marcos fazia eh o a condução da orientação. O meu projeto foi caro porque implicou captura de eh arquivos perdidos de propaganda eleitoral de 92 que eu analisei a campanha eleitoral de de Benedita da Silva e César Maia na Campanha naquele período. Concentrei nos dois e analisei a campanha de Celso Pita e de Luiz Erondina. comparando, né, as estratégias eleitor eh retórica dos dois e tudo significava comprar arquivos, alguns deles e proprietário de de produtoras. Então,
o o a taxa de bancada que o Marcos administrava pagou por esses materiais, que eu não teria outra instituição para fazer esse aporte. Eu tive cerca de seis bolsistas de iniciação científica Fazendo transcrição das entrevistas. >> Quer dizer, embora jovem, eu tava, ele deu liberdade para eu eh ainda doutorando, né, para fazer a gestão de um projeto de pesquisa todo e com a interlocução dele, né? Então, e fora isso, o que tinha de de melhor é que eu eh eu faço a provocação com meus alunos hoje, conversando com meus colegas pesquisadores, que o pulo do
gato para quem faz estudo sobre relações raciais no Brasil É deixar de ser um pouco mais monográfico em estudos sobre relações raciais e começar incorporar a variável racial para estudo de fenômenos diversos do própria, para além da própria desigualdade, estudar instituições, estudar comportamentos diversos e vários ambientes, estudos organizacionais. E eu eh com o Marcos e e nesse grupo ele me apresentou uma Literatura sobre comunicação política. >> Uhum. >> Sobre comportamento eleitoral. Para mim foi um um movimento de ruptura que eu tinha uma formação em literatura sobre relações raciais. >> Tinha acumulado um longo percurso de
estudar relações raciais. >> Uhum. desde o período da Nina Rodriguez, passando pela as teorias racialistas e eugenísticas até as vários Momentos da teoria das relações raciais para chegar nesse período contemporâneo, mas esgotava o meu referencial que não dava conta de explicar campanhas eleitorais. >> Uhum. >> disputas políticas, disputas partidárias. Então foi com o >> tinha que sair do nicho de só discutir raça, né? E quer dizer ver raça em outros outros terreiros, né? Outros Lugares. >> E foi isso que aconteceu. Eh, e e não é fácil porque você tem que começar uma formação quase do
zero, né? >> Uhum. >> Ser apresentado para Autony Downs, teoria da escolha racional, que eu não não conhecia. Eh, Chumpet tem uma série de autores que estuda, que trabalham com comportamento eleitoral. Então, a literatura toda Em inglês, forte falava bem inglês, né? E também a literatura nacional que tava pulsando nesse período. Eu caí num momento, na minha trajetória muito bom, que era um momento de consolidação da área de comunicação política. Eu ensinando recentemente uma disciplina mídia política na minha faculdade, eu me dei conta eh de que eu tava no momento de forma de consolidação da
área. >> Uhum. >> Como jovem e testemunhando o os debates, os as definições do campo da comunicação política. Eu vi recentemente >> TGT Nampox, né? De comunicação GTX. a criação das revistas da a Eu tá eh testemunhei a criação da da com política e então eu vi a formação das instituições, né, da dos grupos de pesquisa aqui, eh dos grupos, né, de pesquisadores da área de comunicação Política, a a própria eh o GT Dampox Comunicação Política e comecei a sair das relações raciais e mergulhar mais nessas áreas. E para mim foi fundamental, >> foi >>
hoje você se consideraria mais comunicação política do que questões raciais ou um mix dos dois? Como é que você >> um mix dos dois? Porque eu sou convidado para comunicação política, porque eu Transito bem com relações raciais. é a cota, uma cota eh tranquila, na qual eu sou convidado a discutir às vezes temas sobre raça e política, gênero e política e faço isso sem muito ruído, sobretudo incorporei de maneira mais forte uma reflexão sobre gênero, né, porque >> o combo, né, funciona muito bem, porque essas opressões que interseccionais que aparecem e mas eh Eu gosto
muito de trabalhar com área de comunicação Política e eleições. >> Uhum. >> Ótimo. Agora você depois do doutorado, você veio ser professor na Universidade Federal da Bahia, né? Saiu de de Feira de Santana 2000 e 11. Foi isso? >> Isso. Eu terminei o doutorado em 2007 e aí tinha que pagar o pedágio, né? cumprir o probatório, né, de ficar lá esperando, né, tinha, já tinha muita identificação com a UF, porque meu grupo De pesquisa era na UF, minhas atividades. >> Esse acordo da Bahia continu continuou esse período todo até hoje. >> Atualmente eu sou o
coordenador do do grupo, né, e a vice-coordenadora a professora Edilsa Sotero. Então eu já tava totalmente raizado desenvolvendo projetos aqui com programa da Bahia. E aí eu cumpri o estágio. Quando com terminou o estágio, abri um concurso na UFBA, né, no E onde eu queria no Departamento de ciência política. >> Uhum. >> Coincidentemente eu eh, na verdade eu teve um concurso, primeiro, eu fiquei em terceiro lugar. paraa ciência política. >> Para ciência política. Aí passaram dois colegas meus que hoje são colegas, né? E eu fiquei em terceiro lugar. De alguma maneira foi até bom, porque
se eu tivesse sido aprovado, acho que foi em 2000 2010, eu não teria sido eh Aproveitado porque a universidade que eu trabalhava teria indeferido que eu não tinha cumprido o estágio probatório. >> Aham. Mas eu eh fiz o a a seleção, o concurso, eh me familiarizei com os pontos do concurso que era muit eram 10 pontos, todos daquela coisa mais dura da canônica da ciência política, teoria do estado, representação, movimentos sociais, políticas públicas. Aquele cardápio para você cumprir a vida toda. Eu fiz o concurso, fiquei em terceiro lugar e depois no ano seguinte, eh, dois
um ano depois, eu acho, eu fiz eh e fui aprovado e automaticamente já era no prazo do limite, parece que terminou meu probatório, eu fui aprovado e fiz a transição para UFBA desde então. Tô na na no departamento de ciência política. Eh, assim que entrei, virei logo o chefe Do departamento, o ônus cai na no ombro dos novos, né? é serviço militar obrigatório para cumprir, >> mas foi bom porque eu tenho a a tese de que eh para você conhecer a instituição, esses cargos eh de direção são muito bom, que você acaba eh tendo um
treinamento intenso para sobreviver na instituição que você vai passar grande parte da sua vida, né? Aí eu passei 4 anos como chefe de departamento e aí Desde então eu tô >> cumprindo as coisas lá. Uhum. Agora já professores mais snior, né, do departamento. É, é, eu tô agora associado quatro. Eh, daqui a um ano e meio posso prestar pro titular, >> porque eu tive que apagar toda a trajetória do >> É que eu várias vezes na entrevista você falou: "Era muito jovem, muito jovem, Coordenava e tinha isso, muito jovem, muito jovem", né? Quer dizer, como
é que você vê agora que você eh, enfim, já é um professor sénior, né? eh, vamos dizer envelhecimento, né, na na profissão, no meio acadêmico. É, eh, eu, eu acho isso bem bem interessante, né? Porque é uma trajetória muito longa. E eu falo jovem, principalmente porque até 30 e poucos anos eu tava na na estadual, eh tinha entrado lá e passei Atividade mesmo, quatro eh 9 anos ou 10 anos como professor e quatro licença para doutorado. Então efetivamente eu trabalhei nessa universidade cerca de 10 anos e aí tive que apagar todo esse período e começar
do zero. >> Uhum. na UFBA, porque não incorpora, né? >> Ah, tá. >> Não incorpora. E eh nessa transição eu me sinto um pouquinho mais madura, Porque de alguma maneira eu eh passei a trabalhar no na no núcleo duro da ciência política, que até então eu trabalhava como docente, oferecendo disciplinas de graduação, né, no período da UEFS, eh, para cursos diversos que o grau de profundidade, de crítica é menor. >> Uhum. >> Então, indo paraa UFBA, me permitiu contatos com colegas sênos, né, mais eh inclusive com maior treinamento em Ciência política do que eu, que
a alguns com experiência como político, né, tinha a militância política e também tinha a formação acadêmica robusta. Então eu fiz essa transição e o contato com o professor Paulo Fábio, o professor Jorge Almeida, a professionalice eh Alcântara que criou o o programa de estudo de gênero da da UFBA, eh Cecília Sarderberg, um conjunto de professores e professoras muito eh maduros, permitiu Que eu eh tivesse contato, inclusive eh, descobrisse minha identidade profissional, né? Então, por isso que eu digo que hoje eu me inclino mais. >> Ciência política. >> Ciência política, >> mas vendo as, quer dizer,
ciências sociais, né, tradicionalmente no Brasil tem antropologia, sociologia e ciência política, né, eh, eu fiz meu mestrado, doutorado em antropologia. Eh, mas olhando às vezes a provocação que eu já que eu já fiz, você não precisa concordar não. >> Ciência política às vezes parece mais tradicional em termos de ter um cano da ciência política, enquanto sociologia e antropologia estão muito mais, como é, decolonializadas, como se fala hoje, muito mais, entendeu? >> Eh, eh, transformadas, eh, né? Não, não tão canônicas como era antes. A ciência política parece que ainda é mais Tradicional. Não sei se você
concorda ou não essa provocação. >> Eu concordo. Eh, inclusive me acuso na ciência política de ser pouco pouco cientista político, né? Porque começa meu objeto que estuda Relações anciátis, que é um tema ainda residual na agenda de pesquisa da nossa área, né? Eu sou coordenador do da área de relações raciais e etnicidade da Da ABCP. Eh, atualmente eu e a professora Viviane Gonçalves somos coordenadores. É o segundo ano agora eu também eh exercição de coordenador da área de relações raciais dax 2 anos. eh com uma experiência boa também. E então eh a marca de relações
raciais, de uma expertise em relações raciais me acompanha. E ainda por cima o na ciência política, eu estudo comunicação política, que é uma coisa também meio Etérea, que trabalha bastante, agora tá incorporando mais eh estudos quantos, né? Mas trabalha muito com quali, >> discurso, agora tá incorporando programas de análise discurso, uma coisa mais sistemática, mas a gente a gente anteriormente é uma coisa muito artesanal, né? >> Sim. É, tem uma linhagem da ciência política que se se não tem regressão não é ciência, né? uma coisa. Tô tô exagerando. >> É isso mesmo, >> evidentemente, mas
né, quer dizer, cientificidade, né, teve >> corrigor na prova, né, pouca >> inclusive nax, né, me lembro do discussão que teve que ficou clássica pública lá do do Fábio Vanderlei na ciência política com Marisa Peirana, antropóloga de Issoir >> NB, né, foi aquilo tentar, >> né, entrevistar mulheres pobres da periferia, não é científico, uma coisa Mais ou menos assim. Exatamente. >> E era uma discussão, né, de uma uma certa linhagem da ciência política que se não tem o, né, não é hard, não é científico. Não sei também. Eu tô falando aqui. >> Concordo com você
agora. O o eu tive recentemente uma recompensa, eu tava numa reunião da ABCP, o coordenador dessa reunião foi era nesse período foi o Luís Augusto Campos, que é professor do IESP, e a o Cristiano Rodriguez, que é da UFMG, todos com experiência, estudo sobre eh raça e política e com a literatura atualizada muito boa. E eh numa certa, nesse evento que eu tava, né, que me convidaram, eu participei dessa de uma uma mesa que tá discutindo sobre agenda de estudo sobre relação e política no Brasil. Eu eu fiz a primeira agenda em 2002, se não
me engano, eu publiquei um artigo Que era uma agenda sobre eh raça, eh negro e poder no Brasil. >> Uhum. que foi um trabalho que era eh tinha a ver com um trabalho de doutorado, precisava publicar, né? E também uma demanda de um grupo de pesquisa que eu tava organizado pela professora por eh Luía Bairros, que ela organizou um evento eh um projeto de cooperação internacional financiado pela Fundação Ford. Esse Grupo ganhou acho que cerca de 200.000 e aí fez dois times, Brasil e Estados Unidos. de pesquisador de cientistas políticos negros americanos, ligado à Associação
Americana de Cient de Cientistas Políticos, chama National Conference of Black Political Scientist, esse grupo de lá que tinha docentes sênios, eh, de várias universidades, eh bem bem conceituada. A uma das presidentes da associação eh Recentemente foi a Daan Pinder que simplesmente tinha sido presidente da Associação Americana de Ciência Política e da Associação Internacional de Ciência Política. fazia parte desse grupo. Então, eh, essa essa parceria eh de intercâmbio me colocou numa network de ciência política eh americana muito boa e que me deixou eh absolver uma literatura de ponta sobre raça e política nos Estados Unidos, Quando
o houve uma publicação que a Luía Barros organizou, que era resultado desses encontros e eu fiz esse esse esse e esse artigo que eu fiz de maneira ingênua, né, aquela coisa assim, ah, o que eu tenho aqui, o que que eu acho que deve acontecer, o que que seria preciso para avançar essa área. Aí fui dando dicas para avançar em estudo de cenário, de comunicação política e isso ficou como referência aí no nesse evento que nós Tivemos eh na BCP, o Luís Augusto finalmente me encontrou, né, fez: "Pô, de hoje que eu queria te conhecer".
Aí falou: "Um artigo que você escreveu dessa agenda eh me inspirou muito e foi a partir dele que eu criei uma, eu e Carlos Machado, que é professor da UnB, criei várias eh categorias para fazer estudos quantos sobre eh desigualdade racial na política. Eu naquele paraa minha proposta, se você pensa nesse tensão Quali quant estudo de caso versus eh sars e surve e e levantamentos estatísticos muitos amplos, né? Porque eu trabalhei com estudo de caso e também revisão de literatura, enquanto que Carlos e o Luiz Augusto trabalharam com a base de dados da do TSE
que mexia, que foi ficou disponibilizado a partir de 2014, que começou a introduzir a variável racial, porque anteriormente não era possível fazer trabalho estatístico com raça. >> Uhum. >> Não, simplesmente não era possível. Então eles pegaram esse momento com um treinamento muito bom, né, de combinação com antiquali e uma literatura robusta de ciência política, já estudo de comportamento eleitoral, quer dizer, todas essas ferramentas mais eh atualizadas e sofisticadas, né, em termos de acúmulo de conhecimento, eles colocaram em prática. E ele falou: "Olha, o aquela dica que você deu lá de Olhar essa esse padrão de
desempenho todo foi muito bom." Então, foi um feedback que eu tive que foi reconfortante, né? >> É ótimo. É, às vezes coisas despretenciosas que a gente faz acabam tendo um impacto não previsto, né? Bom, >> foi e outro também que também teve uma um feedback da da resposta. Esse foi Luís Augusto, que eu admiro muito. Eu acho que eh e Carlos Machado, uma geração, Flávia Rios, todos e que foram até orientando do Antônio Sérgio, que tem feito trabalhos lindos, né? E um rapaz que chama eh Janus e Janus Angus Genus, eh, da Universidade do do
de Flórida. da Flórida. Não, Flórida não, acho que é a Universidade da Flórida, que é grande universidade. É, e ele >> fez meu sanduíche lá 91, 92. É a Universidade >> é a maior da da Flórida. >> Da Flórida. E todos os recursos que uma universidade de primeiro mundo, né, >> estruturada nesse sistema universitário americano tem. Aí ele eh conhecia meu trabalho e foi me conhecer lá num evento que eu tava em Miami, aí fez: "Eu vim aqui nesse evento só para te conhecer". Eu disse que honra, porque eu não imaginava que pudesse ter uma
repercussão dessa, porque como eu faço Um estudo de caso da experiência local Salvador, que é um laboratório sim de relações sociais, depois essas experiências tudo de campanhas eleitorais, né, em São Paulo Rio e eventualmente umas análises de aqui. Então, eu não imaginava que eh uma espécie de trabalho desse tipo semente, né, ou de criar, provocar percepções pudessem ser tão influentes, né? Então, parte dos do geração que tem surgido tem me dado os Feedbacks a respeito de eh a trabalhos como esse que eu falei para você. Então, >> eh ainda antes de terminar o doutorado, parece
que tem uma grande resposta. da nova geração. >> Agora, Cloves, você teve a experiência de de de morar nos Estados Unidos, né, desses financiamentos da FOR, bibliografia, professores e tal. Agora no governo Trump a gente tá vendo, né, uma um refluxo de de tudo isso. Quer dizer, Agora são palavras proibidas você botar, né, desigualdade, raça, não sei, muitas vezes ações afirmativas, né, que isso tudo eh refluindo de uma forma muito intensa, não? Como é que você tem tem visto? Eu completamente concordo com a sua percepção e curiosamente eu participei de um projeto, eu fui fiz
o doutorado, o pósdoc com a sobre a supervisão do professora Elsimara Teles, que é da UFMG, ela tinha feito doutorado na USP, Eu a conheci eh nesses eventos de acadêmicos e fiz a o doutorado com supervisão dela lá nax ou na UFMG, no departamento de ciência polí política e fiz um sanduíche parte nos eh na >> no pós-doutorado, >> no pós-doutorado, parte na Universidade Deluer sobre a supervisão do professor Casey Morrison. E como produto final, a gente eh fez uma coletânia sobre eh Vidas negras em porta na América Latina, Que é uma coletânia muito legal
que a gente conseguiu eh capturar, né, convidar eh pesquisadores de da Argentina, vários países da América Latina, Estados Unidos, para fazer um painel sobre as lutas por cidadania e pela preservação. da vida, para equidade na América Latina. Inicialmente era para ser e todas Américas, mas ao final a gente conseguiu coletar um material robusto da América Latina. Eu acho que não sei quantos capítulos tem, acho cerca de 30 capítulos tem nesse, 20 capítulos tem nesse livro. uma coletânia muito boa e gerou a coletânia que foi publicada eh acho que trs anos atrás, 2 anos atrás e
gerou um documentário. Eu fui agora em março divulgar o documentário, fui no lançamento documentário na Universidade da Califórnia, Los Angeles, e na Universidade de Notredam, o evento. E é nesse contexto agora de março, o a eu uma uma colega da gente que me convidou, né, a professora Lor e Fraser, que é chefe do departamento de vice-chefe do Departamento de Ciência Política e coordenadora do Centro de Estudo, Bunch Center de Estudos eh Afro-americanos, ela chamou a gente e explicou o cenário da mudança de eh ambiente. Para eh políticas de diversidade. Então é um contexto realmente crítico
e mesmo na na em Nutridan, eu vi eh colegas com um bottom, né? Eu sou a favor da diversidade e o que eu ouvi lá eh transitando na nos corredores da universidade é que eles estão sendo obrigados a assimilar um novo protocolo para submeter projetos na para eh concessão de de financiamento de grants. Tem que eliminar a palavra Raça, gênero, diversidade, direitos humanos. é de é de uma eh amplitude, intensidade que a gente não tem dimensão de pensar que um país que é um um dos inspiradores, modelo de de política de promoção de equidade e
diversidade nesse período do governo atual Trump, foi capaz de simplesmente eh frear e retroceder e criar realmente eh restrições Amplas a liberdade de expressão, a liberdade intelectual, a direito de cátedra e modelando e e censurando qualquer iniciativa de desenvolver pesquisas que de alguma maneira atente contra a agenda do que ele eh é um >> processo muito violento, nem intenso, é violento nesse sentido, né? >> É >> e essa mudança muito radical que h um tempo atrás era mais ou menos Obrigatório você falar de, né, de desigualdade, de raças, agora virou em muitos casos o oposto,
né? Quer dizer, proibido, o que era quase que obrigatório, virou perseguido, proibido, né? Para você ter uma ideia, que nós tínhamos a agenda eh ia fazer uma espécie de tour de promoção desse documentário que foi produzido e organizado pela professora Gled Smitchel, que é professora da Universidade eh North Car, Universidade Central da Carolina do Norte. ela tinha sido professora em eh, deixame ver, eu esqueci a outra instituto que ela trabalhou e eh agora recentemente tá em com um uma cátedra que tem recursos para fazer projetos diversos. Blue Blue Tun Cátedra, que é uma uma cátedra
que reserva recursos, eu não me lembro o valor que a a docente pode administrar. Então, ela produziu um documentário e eh Tem trabalhado intensamente. A ideia da gente era lançar esse documentário em pelo menos seis universidades. Simplesmente não foi possível que muitas declinaram diante do ambiente hostil. Era para fazer de costa a costa. Fizemos somente duas. >> Uhum. E mesmo quando eu fui para lá, houve depois eles me contaram o receio que já tava no na era do governo Trump, tava com receio muito grande que eu não entrasse, Tivesse alguma tensão na entrada na fronteira,
>> emigração. >> Por sorte, eu tenho um um histórico. Eu já estudei nos Estados Unidos, eu eh participei de eh de eventos produzidos organizados por pelo embaixada americana, né? Então, eh, e esse histórico, né, de acadêmico também, eh, de vários trânsitos e fluxuídas e vindas para lá, eh, não me coloca no Perfil de nenhuma ameaça ou que comprometa a ideia de atividade acadêmica, né, do que eu tô me propondo a fazer. Mas foi muito, >> o ambiente mudou, >> mudou. Bom, espero que não chegue aqui. >> Eu tenho cá minhas dúvidas, >> porque eu tô
orientando agora um um grupo, porque eu na UFBA tem um setor de intercâmbios. >> Sim. >> Eu ensino eh anualmente vem universidades do exterior, Alemanha tem uma universidade Michigan, Michigan State University. Aí eu leciono uma disciplina que é raça e política, né? que é bem interessante e é um grupo de alunas tá fazendo uma pesquisa sobre comparando os impactos das novas políticas, né, o quadro institucional e novas políticas de diversidade nas organizações, comparando o impacto da política trumpista E da política brasileira para o as práticas organizacionais da Google e da Meta. e já tem a
preocupação de que esse ambiente da, né, as as imposições eh da ordens eh administrativa de Trump impactam o comportamento de atores, né, como as empresas eh americanas em outros países. E aí esperar para ver se isso não vai respingar nas políticas locais, né? >> Pois é. Bom, não nem falar mais. Bom, Cloves, bom, a gente, né, >> cobriu, >> cobriu aqui, você tá hoje ativo, trabalhando aí, >> eh, enfim, passamos, né, pelos seus momentos mais importantes, eu acho, né, que você foi muito interessante ouvir você sobre suas opções, escolhas alternativas, né? Mas tem uma pergunta
que eu sempre gosto de fazer no finalzinho da da da entrevista para entrevistar. Desde o Início quase eu tenho feito isso. Se você tiver que destacar assim um livro que te marcou, um autor, uma na sua trajetória, o que é que te vem à mente? tem da literatura americana, eh, tem Mendeberg, que é uma cientista política americana, que serviu de base da minha tese de doutorado e e da literatura americana, né, porque ela trouxe parâmetros que eu acho que ajuda a gente bastante para entender as Dinâmicas Relaciraciais no Brasil. O livro dela é Mensagens implícitas
em campanhas. É Tal Mendeberg, eu não me lembro, recordo agora qual universidade. Quem me apresentou esse livro, eh, essa coisa de network é fantástica. O professor Case Morrison, eh, era meu tutor. Eu tinha orientado o o Marcos Figueiredo, que era meu orientador, e ele, eh, >> deixa, dava muita liberdade pra gente. Eu tinha contato com esse grupo de Pesquisadores americanas. E aí o K M disse: "Olha, tem um livro que eu acho que tem tudo a ver com seu projeto, que é Mensagem Plistance em campanha, que é T Mandberg. e ela estudava justamente eh mensagens
de campanha eleitoral nos Estados Unidos, não só o discurso explícito, mas as estratégias subliminares de eh ativação de eh preconceitos, de mensagens sobre eh Estereótipos e representação sobre relações raciais e conflitos. Então, a Tal Mender, ela traz esse esse material, foi civil de base no meu doutorado e foi a partir daí que eu comecei, inclusive criar uma percepção mais clara de que na ordem do discurso é preciso observar o explícito, o discurso verbal, eh as mensagens eh marcadas, verbais, vocalizadas, mas também um conjunto de mensagens Implícit semióticas que tem a ver com gesto, com a
composição de cenários, com os personagens, com os temas que você agenda no debate. Então, e esse contato com essa literatura, eh, parte tudo a partir do trabalho do Tal Mendeberg, foi muito bom para mim. Então, esse material foi um um divisor de águas e inclusive eu eh costumo trabalhar bastante na na nas Minhas reflexões eh ficar atento, né, ao que existe de explícito, né? >> Uhum. em jornais, sobretudo em produção de audiovisual e também no que tem eh de implícito. Eh, quem olha, por exemplo, a a ascensão ao poder de Jair Bolsonaro, aquela momento icônico,
né, quando ele eh vai discursar no agradecendo aos seus eleitores por sido Eleito, quem olha eh a fotografia, né, do de quem tá tava presente naquele momento. Todos os grupos que apoiam ele estão ali presentes, pastores, né? Eh, política de partidos mais conservadores, né? E tem também um um apoiador dele, o Hélio Santos, se não me engano, que vulgamente conhecido como Hélio Bolsonaro, o nome dele político Hélio Bolsonaro, que é iconicamente um homem preto. >> Uhum. Que era braço direito dele em todos os eventos e mesmo para um personagem que tinha ao longo da sua
história e campanha sempre um discurso eh de preconceito, né? >> Uhum. >> Contra negros, contra mulheres, eh, nordestinos, sobretudo os negros, né? tem momentos significativos de entrevista dele. Ele eh para poder na minha interpreta suavizar A qualquer rotulação de ser racista, né, ele coloca como anteparo nesse lado, né, essa esse homem negro como sendo uma referência da não hostilidade ou da ausência de preconceito, que ele tem amigos pretos, né? Então esse trabalho marcante e outro eh trabalho que eu acho fundamental, eh, que é é antológico, acho que vale a pena Prestar atenção aos clássicos, né,
que é Tales de Azevedo, que chama As elites de C, né, que é um um livro que ele fez sobre as pesquisas dele no fazendo parte do grupo da UNESCO. que foi um um livro inicial que eu comecei a trabalhar, né? Quer dizer, aquele na ponta no final da trajetória é um no início. Aquele do Tal de Azevedo, Zelite indicou que ele eh faz um levantamento do das estratégias de Mobilidade social dos negros na Bahia. >> Uhum. E ele mostra nesse livro de maneira tudo, né, de caso, de biografias, ele mostra que eh a política
era uma das reconhecidas rotas de mobilidade social para os pretos e pardos em na Bahia. >> E é curioso isso, né? Além do casamento, a política também, né? ou nascer rico, ou casar com rico ou eh >> na política. >> Ingressar na política. >> Interessante. Bom, ótimas duas duas lembranças de livros. Bom, Cloves, então acho que é isso. Mais uma vez queria agradecer aí tua disponibilidade porque 2 horas meia de entrevista, >> eu acho que é bastante >> bastante longa, né? >> E obrigado também lá. >> Obrigado. Muito obrigado pela paciência.