Qual é a melhor equação para estimar a gordura corporal? Equações com mais dobras são melhores. Como fazer melhor escolha?
Entre a soma de dobra e a porcentagem de gordura? Qual é a melhor? Quando eu não consigo medir algumas dobras, o que que eu faço?
Onde eu encontro literatura sobre isso? Como que eu faço para avaliar a massa muscular e depois como é que eu classifico? E a massa óssea é importante avaliar por quê?
Como saber se as pessoas precisam aumentar a massa muscular? Existe um limite para esses ganhos? Há um pouco mais de 20 anos atrás, eu tinha as mesmas dúvidas que você acabou de escutar aqui.
Eu confesso que durante a minha graduação em educação física, o que eu aprendi sobre a área da composição corporal não era o suficiente para fazer um bom trabalho, um trabalho excelente. Era o suficiente para fazer um pouco mais do mesmo, o trivial, o básico, digamos assim. uma avaliação que se resumia a estimativa da porcentagem de gordura e aquela dúvida de sempre, qual equação eu devo usar?
Bom, talvez você já tenha passado por isso também, ou talvez esteja passando por isso nesse exato momento. Ao menos esse tem sido um dos frequentes relatos de diversos dos meus alunos. E se você me perguntar, Paulo, mas avaliar a composição corporal não é o mesmo que estimar a porcentagem de gordura?
Eu vou lhe responder que não, não é o mesmo. Porcentagem de gordura é apenas uma das possíveis informações e importantes informações que você pode obter na avaliação da composição corporal, mas definitivamente não é o que resume a área da composição corporal. Aliás, um dos grandes equívocos que ocorre, inclusive na literatura científica, é o seguinte: para estimar a composição corporal, utilizamos a equação de Jackson e Polog.
Equações de Jackson e Polo, que assim como as equações de Durning, Walmersley, Uras, Thorland, Whtter, Cing, Catch, Macardo, Geds, Petrossk, Slauter, Daren Riley, Evans, não importa o autor, essas equações elas foram desenvolvidas pra estimativa da gordura relativa, mas não é o que resume a composição corporal. Composição corporal depende também de outros importantes componentes da massa magra, por exemplo, massa muscular e massa óssea. Depende também da adiposidade, sim, mas não se resume a isso.
De fato, nenhum profissional e avaliador deveria se limitar a esse contexto. Atletas, por exemplo, já têm um estado de gordura satisfatório. E o que os difere e os levam muitas vezes a otimização morfológica frente às demandas biomecânicas dos seus esportes, não tá associado à gordura corporal.
Aliás, eles já t satisfatório, tá associado aos componentes da massa magra, músculo e esqueleto. E na combinação, na associação ou na razão entre esses dois componentes, deixa eu te explicar melhor quanto maior é a proporção de massa muscular para cada quilo de esqueleto, com maior potência um corpo consegue ser deslocado no espaço. Chamamos essa proporção de índice músculo ósseo ou analogamente como índice motor, chassis, se você assim preferir.
Aliás, um dos grandes exploradores desse índice músculo ósseo é o Francis Hallwe, que é um nutricionista argentino Isaac nível 4. E se você ficou instigado sobre essa analogia, se é uma novidade para você, me acompanha que eu ainda vou voltar a falar sobre esse assunto. E continuando um pouco mais da minha história, ao longo dos anos eu comecei a me especializar, fiz mestrado, fiz doutorado, fiz os meus primeiros três níveis de acreditação Isaac.
E anos depois recebi com muita felicidade o reconhecimento de um dos poucos antropometristas Isaac nível 4, que é o nível mais alto dentro da hierarquia nessa sociedade. Com o tempo, adquirindo experiência, atuando na formação de milhares de alunos e estudando aquilo que eu realmente considerava importante e aplicado na área da composição corporal, eu comecei a ensinar os meus alunos da forma que eu gostaria de ter aprendido lá na minha graduação, quando eu ainda estava tendo o primeiro contato com a área da composição corporal. E é incrível perceber que hoje eu tenho alunos que ainda estudantes conhecem muito mais do que eu conhecia naquela época quando ainda estava na universidade.
Eu costumo dizer que porcentagem de gordura é o mais tradicional e cultural resultado da composição corporal. Isso porque desde a década de 40, pós- Segunda Guerra Mundial, o método hidrodensometria, desenvolvido pelo Dr Albert Bank da Marinha americana, que desenvolveu as famosas equações que estimam gordura a partir de dobras cutâneas, por exemplo, se popularizou no mundo todo. E perceba, não há nada de errado nisso.
Apenas precisamos entender que avaliar a composição corporal não depende apenas disso. Uma coisa é certa, estimamos a adiposidade para classificar pessoas com fins de saúde ou de esporte, mas sabemos que esse resultado dependerá sempre, sempre da equação de predição que foi utilizada e que o seu significado em termos de classificação dependerá também sempre da escala de referência que foi utilizada. No geral, para fins de saúde, os limites superiores de porcentagem de gordura para homens e mulheres giram em torno de 25 e 30%, respectivamente, obviamente, a depender do fator idade, mas entenda que valores iguais ou acima desses mencionados significam excesso desse componente no corpo.
Já na maioria dos esportes, homens costumam ter abaixo de 15%, mulheres abaixo de 20%, podendo chegar a valores mínimos como 5, 6% em homens ou na ordem de uns 12% para mulheres a depender do esporte. valores mínimos, esses que correspondem a um percentil cinco de uma escala normativa, ou seja, quando comparados com pessoas comuns, o que em outras palavras significa que está muito abaixo da média normativa ou da média populacional. Quando falamos em padrões estéticos, falamos de valores preferencialmente abaixo de 25% para homens e abaixo de 30% para mulheres.
Isso parece ser satisfatório, mas obviamente o grau de adiposidade nesse caso vai depender muito dos objetivos e das necessidades de cada um. Agora você precisa entender que gordura e tecido adiposo carregam significados diferentes. Bom, deixa eu te explicar qual é essa diferença conceitual.
Gordura é um componente químico que pode ser facilmente extraído do tecido adiposo com álcool e éter. No geral, é a maior parte do tecido adiposo. Já o tecido adiposo contém essa fração lipídica, gordura, mas também contém água, proteínas, eletrólitos.
Eu costumo dizer que o tecido adiposo contém também uma fração livre de gordura. E essa fração livre de gordura, que a grosso modo corresponde a uns 15% do tecido adiposo, ela é bastante variável entre as pessoas. Por essa razão, a densidade do tecido adiposo é mais variável entre as pessoas do que a densidade da gordura.
Bom, mas por que que eu tô te explicando essas diferenças conceituais? Porque é muito importante que você entenda que quando estamos estimando a gordura relativa, estamos estimando um compartimento químico, que não é o tecido adiposo propriamente dito, mas que é um importantíssimo parâmetro de mudanças no tecido adiposo, OK? Por isso, dizemos que nessa avaliação tradicional da adiposidade, proveniente das mais de 100 equações desenvolvidas para a estimativa da gordura corporal, é feita por uma via metodológica bicompartimental de análise química, onde o que se estima é a gordura relativa e o resto que sobra nós chamamos de massa magra.
Já quando estimamos tecido adiposo, estamos falando de um compartimento tecidual que, por definição anatômica, estima o tecido em quilogramas valor absoluto e que somente é possível conhecer através de um método que foi desenvolvido e validado na década de 80 com base em cadáveres. Trata-se de um método pentaimental desenvolvido por Carry Ross, que possibilita que possamos fracionar a massa do corpo em cinco componentes. de poso, muscular, ósseo, residual e pele.
Agora, conhecendo um pouco sobre essas diferenças conceituais entre gordura e tecido adiposo e sabendo que existem métodos específicos para estimar um ou outro, presta atenção no que eu vou te dizer. 25% de tecido adiposo para um homem como eu significa normal. Mas Paulo, como assim?
H pouco você acabou de dizer que 25% estava no limite superior de uma escala normativa e que significava excesso ou muito elevado. E ainda deu a entender que 15% era o valor de normalidade. Calma, deixa eu te explicar.
Entenda que 25% de tecido adiposo está normal para um homem como eu, assim como 15% de gordura está normal para um homem como eu. Eu não posso classificar tecido adiposo na escala de classificação que foi desenvolvida pra gordura e vice-versa. Paulo, explica melhor.
OK, vamos lá. Hoje aqui em Porto Alegre, na cidade onde eu vivo, está fazendo 30ºC, que é o equivalente a 86 F. Ou seja, são números completamente diferentes, mas a sensação de temperatura na minha pele é exatamente a mesma.
Por exemplo, daqui onde eu estou, que é o espaço medsize, até a minha casa, são 500 m ou 0,3 milhas. Não importa o número ou a unidade, a distância é a mesma. Fisicamente a reta é a mesma.
E é por isso, por ser tão perto, que eu brinco às vezes que o espaço medsise é o pátio da minha casa, entendeu? Não importa os números, importa o quanto eles valem em termos de classificação na sua escala de compatibilidade. Bom, agora você já sabe que em antropometria podemos estimar a adiposidade pela porcentagem de gordura ou por quilogramas de tecido adiposo.
E curiosamente, se você quiser voltar em algum momento nesse vídeo para acompanhar cada detalhe da minha fala, você vai perceber que quando eu não quero me comprometer com um método ou outro e quero simplesmente falar que esse componente em excesso é prejudicial à saúde, eu uso o termo adiposidade. Eu não misturo gordura com tecido adiposo. Uso esses termos para definir metodologicamente como eu quero acessar ou avaliar a adiposidade.
Agora, um cuidado muito especial tá relacionado à interpretação da adiposidade relativa elevada, porque ela pode estar elevada por duas razões distintas. A primeira é quantidade realmente elevada de adiposidade para uma quantidade normal de massa muscular. E a segunda razão é uma quantidade normal de adiposidade para uma quantidade diminuída.
de massa muscular. Note que nesses exemplos, as razões pelas quais a fatia, a diposa será maior num gráfico, por exemplo, são completamente diferentes. Alguns costumam chamar esse segundo exemplo que tem alta adiposidade relativa, explicada pela baixa quantidade muscular numa condição de índice de massa corporal normal, como overfat.
Basicamente, se a prevalência de obesidade é elevada, a prevalência de pessoas ditas overfat, excesso de adiposidade, é maior ainda. E fica fácil se a gente enxerga um iceberg observar que a obesidade é só a pontinha daquilo que expressa um excesso de adiposidade. Agora, aproveitando o raciocínio dos percentuais, deixa eu te perguntar, presta atenção.
O que acontece com a fração de adiposidade se a massa muscular em quilogramas aumentar? Ah, Paulo, a fração da adiposidade vai diminuir, mas é porque a pessoa reduziu a adiposidade, não é porque ela aumentou a massa muscular. Bom, deixa eu tentar te explicar de outra forma.
Você deve gostar de pizza. Obviamente, quem não gosta de pizza, digamos que o sabor que você mais gosta é vegetariana. O que eu mais gosto é portuguesa.
Mentira, gosto de todas, mas assim, ó, nesse exemplo vai ser a portuguesa. Então, eu pedi uma pizza pra gente comer metade metade. Metade vegetariana, metade portuguesa.
Aí depois tu chegou para mim e disse: "Ó, Paulo, da próxima vez pede a minha fatia maior, porque metade para mim não é o suficiente". Bom, chegou o segundo momento e eu pedi uma fatia maior para ti. O que que aconteceu com a contribuição da tua fatia?
Se nós pesarmos, aumentou em termos relativos. E se eu pesar, a tua fatia agora também é maior do que aquela metade anterior. Mas o que que aconteceu com a minha humilde fatia portuguesa?
Em termos relativos, reduziu. E em termos de quantidade, quando eu boto na balança, não mudou absolutamente nada. Fazendo uma analogia da pizza com o exemplo anterior que eu expliquei, entenda que a minha fatia portuguesa é a quantidade de gordura e que a expressão, a contribuição dela foi reduzida em virtude do aumento da tua fatia, que nessa analogia é a quantidade de massa muscular.
Em outras palavras, a contribuição relativa da minha fatia portuguesa só reduziu as custas da quantidade absoluta mais de vegetariana que eu coloquei na pizza só para te agradar. Portanto, você me deve uma. Bom, agora vamos falar um pouco sobre proporções.
Vamos estabelecer um raciocínio de análise e interpretação sobre proporções. Num exemplo hipotético, digamos que uma mulher, mulher de 23 anos de idade carregava no seu corpo 50 kg de massa total. Desses 50 kg, 10 eram de gordura corporal.
10 kg de gordura. Estamos falando de uma análise bicompartimental da composição corporal, onde o corpo é dividido em duas fatias, dois componentes. O que se estima é a gordura e o resto que sobra nós chamamos de massa magra.
Que fique claro, não é a massa muscular massa magra, não é a massa muscular propriamente dita, é o resto do corpo para fechar o 100% da massa da balança. Então, se eu reduzir 50 de 10, eu vou ter 40 kg, que é o resto do corpo, que se referem à massa magra. Vou colocar aqui como mm.
Posso calcular a porcentagem de gordura? Claro. Como que eu faço esse cálculo?
é 10 kg de gordura, divido pela massa da balança, multiplico por 100 e eu tenho aqui 20%. Inicialmente ela foi submetida a uma intervenção de um ano, lembram? Exemplo hipotético, onde as demandas do treinamento e de nutrição foram compatíveis com seus objetivos de hipertrofia muscular.
O que aconteceu após um ano? Esses 40 kg aumentaram para 45, ou seja, ela ganhou 5 kg de massa magra, não de massa muscular, porque massa magra, mais uma vez não é a massa muscular propriamente dita. Massa magra, nessa comparação ao longo do tempo, é o importante indicador de mudanças na massa muscular, mas eu não posso dizer que esse número exatamente se refere à massa muscular, OK?
Posso recalcular a porcentagem de gordura? Posso. Mas para quanto que foi a gordura?
Eu só mostrei por enquanto alteração na massa magra. Agora eu vou mostrar a alteração na gordura de 10 kg. Ela não foi para lugar nenhum.
Ela se manteve como 10 kg. Portanto, Paulo, restabeleça o percentual. Eu divido esses 10 kg pela nova massa da balança, que agora é 55, não é mais 50, porque somou 5 kg de massa magra, lembram?
E multiplico por 100. Qual é o resultado disso? 18%.
Ou seja, ela reduziu na gordura dois pontos percentuais. Ela reduziu gordura. ela diminuiu gordura?
Não, a gordura é exatamente a mesma, já que se trata da mesma pessoa, eu tenho que fazer análise em quilogramas ao longo do tempo. Agora, a porcentagem de gordura, ela reduziu em contribuição naquele corpo em virtude do aumento de massa magra de 5 kg, as custas do aumento de 5 kg de massa magra. Se você lembrar na analogia que eu fiz com as pizzas, onde a minha fatia era portuguesa e a sua fatia era vegetariana, a minha fatia portuguesa, ela só reduziu em contribuição naquele todo pelo maior pedaço de da fatia vegetariana que eu pedi só para te agradar.
Portanto, você me deve mais uma. É isso que acontece no nosso corpo. Contribuições relativas de um determinado componente podem variar, mesmo que ele mantenha a quantidade absoluta em virtude de mudanças em outros componentes.
E a questão é, percebam que a análise da composição corporal das mudanças, elas não podem ser vistas dentro de uma caixa fechada, ela deve ser vista a partir da combinação de alguns componentes. A questão é que alguns métodos conseguem mostrar isso e outros não. Logo, nessa linha de raciocínio, é compreensível que outras inteligentes interpretações na composição corporal estão além da adiposidade ou gordura relativa, estão atribuídas a um componente plástico tão ou mais importante que é a massa muscular.
[música] Bom, agora deixa eu me apresentar um pouco melhor para você. Eu me chamo Paulo Cé, sou professor, diretor da MEDSIS, sou antropometrista critério ISAC nível 4 com mestrado e doutorado em ciências do movimento humano. MEDSIS é a minha empresa, mas eu nunca tive o objetivo de ter uma empresa.
Digamos que foi um objetivo da vida para mim. Eu sempre quis ser professor universitário e de preferência em Universidade Federal. Afinal, eu queria muito trabalhar com pesquisa.
E quando começou a chegar perto da fase de eu prestar concurso a nível de doutorado, bom, aí eu comecei a ficar com medo, com muito medo de passar e ter que assumir um cargo que me exigiria dedicação exclusiva e que me limitaria com certeza, em relação a todas as atividades que eu faço hoje, com muito entusiasmo, sem fronteiras e sem limites. Com certeza não foi uma decisão muito fácil, mas sabe quando tu descobre aquilo que faz o teu coração realmente cantar? E aí já é tarde demais para voltar atrás.
Basicamente isso. Bom, basicamente esse é o Paulo que já ajudou milhares de antropometristas, que já instruiu milhares de profissionais em relação à avaliação antropométrica e análise de composição corporal, que é autor de alguns capítulos de livros, de alguns artigos científicos, professor convidado em alguns cursos de especialização também. Ah, e muito importante, esse é o Paulo, que também conseguiu, através da sua empresa, combinar duas coisas que ele sempre considerou muito importante.
Trabalhar com a formação de profissionais através de cursos sem deixar de desenvolver pesquisa. E se você tá gostando de me acompanhar nessa série de vídeos, então saiba que nós estamos [música] só começando. Convida teus colegas para participarem, deixa um comentário em alguma plataforma, em algum lugar, para eu poder ler o que que você tá achando dessa série.
E eu te vejo lá no próximo episódio. [música] Então, uma vez que tu estabelece o percentual de gordura alvo, tu consegue calcular o quanto a pessoa tem que reduzir em quilos de gordura em peças dessa, por exemplo, levando em consideração manutenção da massa magra atual. Se são dois componentes, um tem que ficar fixo para observar a variação no outro.
Essa é a matemática. [música] Take my Ah.