A indústria de fertilizantes movimenta mais de 8 bilhões de dólares por ano no mundo. No Brasil, é um dos setores que mais cresce dentro do agronegócio. Esse mercado foi construído sobre uma premissa que precisa ser questionada.
A premissa de que as plantas precisam de nutrientes que só existem em produto comprado. Essa premissa é falsa. E os próximos minutos vão demonstrar isso com precisão.
Adubo por adubo, nutriente por nutriente. Tudo o que uma planta precisa para crescer, florescer e produzir existe ao redor de qualquer pessoa, em qualquer cidade brasileira. Dentro de casa, na cozinha, no quintal, na rua.
O conhecimento de onde encontrar esses materiais e como usá-los é o único investimento necessário. E esse conhecimento não está em nenhuma loja de jardinagem. Antes de apresentar cada adubo, é necessário entender o que as plantas realmente precisam.
Porque quem não entende a necessidade, não consegue avaliar se o produto está realmente atendendo ela. As plantas precisam de macronutrientes, que são os nutrientes consumidos em maior quantidade. Nitrogênio é o responsável pelo crescimento vegetativo, folhas, caules e ramos.
Fósforo é responsável pelo desenvolvimento radicular e pela transferência de energia dentro da planta. Potássio é responsável pela regulação hídrica, pelo transporte de nutrientes entre células e pela qualidade dos frutos. Os micronutrientes são necessários em quantidades menores, mas igualmente essenciais.
Cálcio fortalece as paredes celulares e previne doenças como a podridão de ponta no tomate. Magnésio é o átomo central da clorofila. Sem ele, a fotossíntese não acontece.
Enxofre participa da síntese de proteínas e aminoácidos. Ferro, manganês, zinco, boro e outros elementos são necessários em traços mínimos para funções metabólicas específicas. Cada um deles tem um papel que nenhum outro elemento substitui.
A maioria dos solos brasileiros contém todos esses elementos em quantidade suficiente. O problema não é a ausência de nutrientes. É disponibilidade.
Nutrientes bloqueados por pH inadequado ou por ausência de micro-organismos não chegam às raízes, mesmo estando presentes no solo. É como ter uma dispensa cheia de comida com a porta trancada. Os sete adubos que serão apresentados hoje atuam de formas diferentes.
Alguns fornecem os nutrientes diretamente. Outros desbloqueiam os que já estão no solo. Outros ainda alimentam os micro-organismos que fazem todo o trabalho de conversão.
Juntos, eles formam o programa de nutrição mais completo que existe para uma horta doméstica, com custo praticamente zero. Antes de continuar, uma informação rápida para quem quer ir além do que esse vídeo ensina. O e-book 20 Truques Naturais que fazem qualquer horta produzir muito mais está com 50% de desconto durante todo o mês de maio, em comemoração ao Dia das Mães.
São 20 técnicas do canal reunidas num guia completo. O link está na descrição e nos comentários fixados. Adubo 1 – Borra de Café A borra de café usada é um dos fertilizantes mais poderosos e mais subestimados disponíveis em qualquer domicílio.
No Brasil, país com um dos maiores consumos per capita de café do mundo, esse material é gerado diariamente em praticamente todas as residências. A composição da borra de café inclui entre 2% e 5% de nitrogênio em peso seco, além de potássio, fósforo, cálcio, magnésio e cobre em concentrações menores. O nitrogênio da borra de café está em forma orgânica.
Isso significa que ele é liberado progressivamente conforme os microorganismos do solo o decompõem, não de uma vez como o nitrogênio sintético dos adubos químicos. Essa liberação lenta e progressiva é uma vantagem significativa. O nitrogênio sintético é liberado rapidamente e se perde por lixo e viação antes que as raízes consigam absorver tudo.
O nitrogênio orgânico da borra fica disponível por semanas, no ritmo que a planta consegue absorver. É a diferença entre dar ao corpo uma quantidade enorme de comida de uma vez e dar porções ao longo do dia. Além da nutrição direta, a borra de café estimula a multiplicação de bactérias benéficas do solo, especialmente as bactérias fixadoras de nitrogênio, que capturam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para as plantas.
Uma colher de sopa de borra seca contém centenas de milhões de bactérias vivas que ativam o ecossistema do solo ao redor das raízes. A borra não é apenas fertilizante, é um inoculante microbiano natural. Para aplicar corretamente, a borra pode ser misturada diretamente ao substrato do vaso ou canteiro.
Pode ser aplicada na superfície do solo como cobertura fina de um centímetro. Ou pode ser enterrada na trincheira de compostagem, junto com os outros restos orgânicos da semana. O método de aplicação não altera significativamente o resultado.
O que importa é a regularidade. Para vasos pequenos, uma colher de sopa de borra por semana é suficiente. Para vasos grandes, duas a três colheres.
Para canteiros, uma xícara de borra por metro quadrado a cada 15 dias. Essa dose fornece nitrogênio suficiente para manter o crescimento vegetativo ativo, sem excesso que possa acidificar o solo progressivamente. A única ressalva da borra de café é que em excesso ela pode acidificar levemente o solo ao longo do tempo.
Em solos já ácidos, como os da maioria das regiões brasileiras, essa acidificação pode reduzir a disponibilidade de alguns micronutrientes. A solução é simples e será apresentada no adubo número 4. Combinada com cinza de madeira, o efeito acidificante da borra é completamente compensado.
Adubo 2. Casca de banana. A casca de banana é o fertilizante de potássio mais acessível que existe.
Uma única casca de banana madura contém entre 40 e 50 miligramas de potássio, além de cálcio, magnésio e fósforo em quantidades menores. O potássio é o nutriente mais crítico para plantas em fase de frutificação e é o nutriente que mais frequentemente está em déficit nas hortas domésticas urbanas. Para entender por que o potássio é tão importante, é necessário entender o que ele faz dentro da planta.
Ele regula a abertura e fechamento dos estômatos, que são os poros nas folhas pelos quais a planta troca gases e regula a transpiração. Quando os estômatos funcionam corretamente, a planta absorve 2 para a fotossíntese com eficiência e perde o mínimo possível de água por transpiração. Com deficiência de potássio, os estômatos ficam desregulados e a planta transpira mais do que deveria.
Além do controle estomático, o potássio regula o transporte de açúcares das folhas para os frutos. Uma planta com potássio adequado transfere mais açúcares para os frutos em formação. Esses açúcares determinam o sabor, o tamanho e o peso final dos frutos.
É por isso que frutas e legumes cultivados em solo rico em potássio têm sabor mais intenso do que os cultivados em solo pobre. A deficiência de potássio tem sintomas característicos e bem definidos. As bordas das folhas mais velhas ficam amareladas ou com queimadura, começando pelas folhas basais e progredindo para cima.
Flores caem antes de virar fruto. Frutos desenvolvem, mas ficam menores e com sabor menos pronunciado do que o normal para a variedade. Esses sintomas aparecem nas folhas mais velhas primeiro, porque a planta é inteligente.
Quando o potássio escasseia, ela retira das folhas antigas para manter as folhas novas e os frutos em formação. A forma mais eficiente de usar a casca de banana é enterrá-la diretamente na borda do vaso ou canteiro. A decomposição da casca de banana é relativamente rápida em solo ativo, entre duas e três semanas, liberando o potássio de forma gradual.
Existe uma alternativa ainda mais eficiente para casos de deficiência severa. O chá de casca de banana. Deixe as cascas de molho em água por 24 a 48 horas.
A água resultante, de coloração levemente amarronzada, contém potássio, já dissolvido em forma iônica. Quando aplicado pela rega, esse potássio chega às raízes já em forma absorvível, sem precisar esperar a decomposição da casca. O resultado aparece em 2 a 4 dias, muito mais rápido do que a aplicação da casca sólida.
Para o chá, usa 3 a 5 cascas para cada litro de água. Dilui o chá na proporção de 1 para 5 antes de aplicar para não concentrar em excesso. Aplique ao redor da base das plantas com frutificação ativa uma vez por semana.
Em plantas com deficiência severa, duas vezes por semana nas primeiras duas semanas de tratamento. Adubo 3. Casca de ovo com vinagre.
A casca de ovo é composta por aproximadamente 94% de carbonato de cálcio. É a fonte de cálcio mais pura e mais concentrada disponível em qualquer cozinha. O cálcio tem múltiplas funções essenciais nas plantas, que vão muito além da estrutura que as pessoas associam com ossos.
Ele fortalece as paredes celulares dos tecidos, tornando as células mais resistentes a doenças fúngicas e bacterianas. Participa diretamente da divisão celular e do desenvolvimento das raízes novas. E previne a podridão apical, que é a mancha escura e murcha que aparece na ponta do tomate, pimentão, pepino e abobrinha.
A podridão apical não é fungo, não é bactéria, não é praga. É deficiência de cálcio chegando ao ponto mais distante da raiz dentro da planta. O problema com a casca de ovo aplicada diretamente no solo é a velocidade de liberação.
O carbonato de cálcio é praticamente insolúvel em água. A raiz não absorve o que não está dissolvido. A decomposição natural da casca de ovo leva meses até liberar cálcio em quantidade significativa.
Meses que a planta com deficiência não tem. O vinagre resolve esse problema em horas. O ácido acético do vinagre reage com o carbonato de cálcio da casca de ovo em uma reação química simples e bem documentada.
Essa reação quebra o carbonato e libera íons de cálcio diretamente na solução. O cálcio que levaria meses para se liberar por decomposição natural fica disponível em 4 a 12 horas. O processo é exatamente o mesmo que a indústria usa para produzir suplementos de cálcio solúvel para plantas.
Com a diferença que o custo desse processo em casa é praticamente zero. Para preparar, junta 5 cascas de ovos secas e trituradas em pedaços de 1 a 2 milímetros. Adicione um copo de 200 ml de vinagre de álcool comum.
Deixe em recipiente de vidro com tampa levemente aberta por 4 a 12 horas. As bolhas que aparecem são dióxido de carbono, sinal de que a reação está acontecendo corretamente. Quando as bolhas pararem e as cascas ficarem transparentes, a reação terminou.
Dilui a solução na proporção de 1 para 10 partes de água. Aplica pelo solo ao redor da base das plantas uma vez por semana durante a frutificação. Em casos de podridão apical já instalada, completa com pulverização foliar na proporção de 1 para 20 partes de água, sempre no final da tarde.
Adubo 4. Cinza de madeira A cinza de madeira é o resíduo mineral da combustão de madeira natural. Quando a madeira queima, a parte orgânica se transforma em gás e fumaça.
O que sobra é a concentração dos minerais que estavam na madeira. A composição da cinza de madeira varia com a espécie, mas em geral contém entre 30% e 40 % de cálcio, entre 5% e 12% de potássio, além de magnésio, fósforo e enxofre. Além da nutrição mineral, a cinza tem uma propriedade química fundamental para a maioria dos solos brasileiros.
Ela é fortemente alcalina, com pH entre 11 e 12. A maioria dos solos brasileiros é naturalmente ácida, com pH entre 5 e 6. Nessa faixa de acidez, vários nutrientes importantes ficam bloqueados, em formas que as raízes não conseguem absorver.
O alumínio, por exemplo, que é tóxico para as raízes, se torna mais solúvel em solos ácidos e pode prejudicar diretamente o desenvolvimento radicular. A cinza de madeira eleva gradualmente o pH em direção à faixa neutra, de 6,5 a 7, onde a maioria dos nutrientes fica disponível. Esse processo de correção de pH pela cinza é chamado de calagem caseira.
Mais suave e gradual do que a calagem convencional com calcário agrícola, mas eficaz para o cultivo doméstico em vasos e canteiros. Para aplicar no canteiro, a dose mensal segura é uma colher de sopa por metro quadrado. Para vasos pequenos, com até 5 litros, meia colher de chá por mês.
Para vasos médios, de 5 a 15 litros, uma colher de chá por mês. Para vasos grandes, acima de 15 litros, uma colher de sopa por mês. A dosagem no vaso é mais crítica do que no canteiro, porque o volume de substrato é menor.
Em vasos, o impacto da cinza no pH é mais concentrado e mais rápido. Excesso de cinza em vaso pode elevar o pH acima de 7 e bloquear a absorção de ferro e manganês. Os primeiros sintomas são folhas novas amareladas com nervuras verdes, chamadas de clorose internerval.
Se isso ocorrer, pula dois meses de aplicação e rega abundantemente para lixiviar o excesso de álcool. Um detalhe crítico sobre a origem da cinza. Apenas cinza de madeira natural, sem tratamento, sem tinta e sem verniz é segura para uso no canteiro.
Cinza de carvão industrializado de churrasco contém substâncias químicas que são tóxicas para os microorganismos do solo. Cinza de madeira tratada ou pintada pode conter metais pesados que contaminam os alimentos. A cinza utilizada deve vir exclusivamente de fogão a lenha, fogueira de madeira natural ou churrasqueira com carvão vegetal artesanal.
Adubo 5 – Água de arroz fermentada A água de arroz é o líquido descartado durante a lavagem do arroz antes do cozimento. Aparência turva, consistência levemente viscosa, característica que indica alta concentração de amido dissolvido. Esse amido é a fonte de energia preferida de um grupo específico de bactérias do solo, chamadas bactérias aciduláticas ou lactobacilos.
Quando a água de arroz é aplicada no solo, ela estimula a proliferação dessas bactérias de forma rápida e intensa. Os lactobacilos têm uma função específica muito importante no ciclo de nutrição do solo. Eles produzem ácidos orgânicos que dissolvem compostos de fósforo insolúveis presentes no solo, tornando esse nutriente disponível para absorção pelas raízes.
O fósforo é frequentemente o nutriente mais limitante em solos domésticos urbanos. Ele existe em abundância na maioria dos solos, mas em formas que as raízes não conseguem absorver diretamente. Os lactobacilos estimulados pela água de arroz fazem a conversão desse fósforo bloqueado em formas solúveis e disponíveis.
É como ter um exército de trabalhadores que vai ao depósito fechado, abre as caixas e coloca os produtos nas partilheiras acessíveis. Além do efeito sobre o fósforo, a água de arroz contém vitaminas do complexo B em concentrações significativas, especialmente B1, B2, B3 e B6, que têm efeito direto e documentado sobre o desenvolvimento radicular. Plantas com boa disponibilidade de vitaminas do complexo B desenvolvem raízes mais densas e com maior capacidade de absorção.
Uma raiz mais densa em substrato com mais fósforo disponível é uma combinação que acelera visualmente o crescimento das plantas. Para preparar a versão fermentada, que é mais potente do que a água de arroz fresca, o processo é simples. Lava meia xícara de arroz em dois copos de água, mexendo por alguns segundos, até a água ficar turva.
Despeja essa água em um pote de vidro ou plástico. Cobre com um pano ou tampa solta e deixa descansar por 24 horas em local sombreado e fresco. Durante esse período, acontece uma leve fermentação natural pelos microorganismos presentes no ambiente.
Pequenas bolhas na superfície ou cheiro levemente azedo e suave são sinais normais de fermentação bem-sucedida. Depois de 24 horas, dilui uma parte da água fermentada em 10 partes de água limpa. Aplica pela rega normal uma vez por semana em vasos e canteiros.
A água de arroz fermentada não tem dose excessiva que cause dano. Toda a água de lavagem de arroz que seria descartada pode ir diretamente para os vasos e canteiros, sem nenhuma diluição adicional, se for aplicada fresca, antes de fermentar. A versão fermentada e diluída é recomendada porque a fermentação multiplica a concentração de lactobacilos e potencializa o efeito sobre o fósforo do solo.
A grama cortada do quintal ou de áreas vizinhas é uma das fontes de nitrogênio mais abundantes e mais ignoradas do cultivo doméstico. A grama verde fresca contém entre 2% e 4 % de nitrogênio em peso seco, concentração comparável à da borra de café. Mas a grama verde fresca tem uma limitação importante que a maioria das pessoas desconhece.
Quando aplicada em camadas grossas diretamente sobre o solo, ela compacta rapidamente e forma uma barreira impermeável. Essa barreira impede a passagem de água e ar para o solo abaixo. Raízes sem acesso a ar não respiram.
Raízes que não respiram não absorvem nutrientes. A solução é deixar a grama secar completamente antes de usar como adubo ou cobertura. Grama seca mantém todas as propriedades nutricionais, mas não compacta.
E tem uma vantagem adicional quando usada seca. O processo de secagem concentra os nutrientes porque a água evapora, mas os minerais ficam. Uma quantidade de grama seca equivalente a um corte de quintal médio, aproximadamente 10 litros de volume, supera as necessidades de nitrogênio de um metro quadrado de canteiro por 3 a 4 semanas.
É uma quantidade significativa de fertilizante, que a maioria das pessoas descarta no lixo ou joga na calçada. Para quem não tem quintal próprio, o serviço de jardinagem de condomínios e de vizinhos descarta a grama cortada regularmente. Com um pedido simples, é possível receber regularmente um material que tem valor real para o canteiro.
A aplicação ideal é em camada de 2 a 3 centímetros sobre a superfície do solo. Essa espessura é suficiente para fornecer nitrogênio progressivamente sem criar barreira de impermeabilização. Com o tempo, a grama seca se decompõe e se incorpora ao substrato.
Quando a camada reduzir para menos de 1 centímetro, é hora de adicionar mais. Existe um uso ainda mais eficiente da grama cortada para quem quer resultado mais rápido. A fermentação anaeróbica da grama em água cria um biofertilizante líquido concentrado em nitrogênio.
Coloca um volume de grama verde numa caixa ou balde com tampa. Adiciona água suficiente para cobrir toda a grama. Fecha e deixa fermentar por 7 a 10 dias em local fresco.
O processo anaeróbico quebra os tecidos vegetais e libera os nutrientes em forma líquida. O líquido resultante é escuro, tem cheiro intenso e é extremamente rico em nitrogênio e micronutrientes. Dilui na proporção de 1 para 20 partes de água antes de aplicar pela rega.
Aplica uma vez por semana nas plantas em fase de crescimento vegetativo intenso. O resultado no crescimento das folhas é visível em 3 a 5 dias. Adubo 7 – O líquido secreto de folhas fermentadas O sétimo adubo é o mais poderoso de todos os apresentados aqui.
E também o menos conhecido fora dos círculos de agricultura natural mais avançados. O processo utiliza bactérias acidoláticas naturalmente presentes na superfície das folhas verdes. Em ambiente anaeróbico com sal, essas bactérias fermentam a matéria orgânica das folhas e liberam ácidos orgânicos, enzimas e nutrientes em formas altamente solúveis.
O resultado é um líquido escuro e concentrado, que devidamente diluído, funciona como fertilizante foliar e de solo com resultado extraordinariamente rápido. Plantas em processo de deficiência nutricional respondem a esse líquido em horas, não em dias. Para preparar, coleta qualquer folha verde disponível.
Folhas de bananeira, folhas de capim, folhas de ervas daninhas, folhas de couve descartadas, qualquer biomassa verde serve. A diversidade de folhas aumenta a diversidade de nutrientes no produto final. Uma mistura de folhas diferentes produz um biofertilizante mais completo do que folhas de uma única espécie.
Pesa a quantidade de folhas que você tem disponível. Para cada 100 gramas de folhas picadas, usa 10 gramas de sal grosso, que é 1% do peso das folhas. Coloca as folhas picadas em recipiente com tampa, adiciona o sal e mistura bem.
Feche o recipiente completamente impedindo a entrada de ar. O sal cria um ambiente que favorece as bactérias aciduláticas e inibe os micro-organismos indesejados. As bactérias aciduláticas são anaeróbicas, ou seja, funcionam sem oxigênio.
Deixa fermentar por 3 a 7 dias em temperatura ambiente, entre 20 e 30 graus. Nos primeiros dois dias, abre o recipiente uma vez por dia para liberar o excesso de gases produzidos pela fermentação inicial. A partir do terceiro dia, o recipiente pode ficar completamente fechado.
No terceiro ao quinto dia, o líquido escuro começa a se acumular no fundo do recipiente. Esse líquido é o biofertilizante. Filtra com pano ou peneira fina para separar o sólido do líquido.
O líquido é armazenado em garrafa fechada por até um mês em local fresco e escuro. O sólido que sobra pode ser enterrado na trincheira de compostagem ou adicionado diretamente ao substrato dos vasos. A diluição correta para aplicação é de uma parte de líquido para 20 partes de água.
Aplica pela rega ao redor da base das plantas ou por pulverização foliar. Para pulverização foliar, o líquido precisa estar bem filtrado para não entupir o bico do borrifador. Aplica sempre no final da tarde para evitar queima das folhas pela interação do ácido com o sol direto.
A frequência ideal é uma vez por semana pela rega e uma vez a cada 15 dias pela folhagem. Em plantas com deficiência nutricional severa, aplica uma vez a cada três dias pela rega, nas primeiras duas semanas. Cada um dos sete adubos apresentados atua de forma diferente e em momentos diferentes do ciclo da planta.
A eficiência máxima acontece quando são usados de forma integrada, cada um no momento certo. A borra de café e a grama cortada fornecem nitrogênio para o crescimento vegetativo. Aplica esses dois principalmente quando a planta está na fase de desenvolvimento de folhas e caules.
A casca de banana e a cinza de madeira fornecem potássio para a frutificação. Aumenta a frequência desses dois quando as primeiras flores aparecem e durante toda a fase de frutificação. A casca de ovo com vinagre fornece cálcio para a estrutura celular e prevenção de doenças.
Aplica de forma regular durante todo o ciclo da planta, com ênfase na fase de formação dos frutos. A água de arroz fermentada ativa os microorganismos, que tornam o fósforo disponível. Aplica uma vez por semana de forma consistente durante todo o ciclo de cultivo.
O líquido secreto de folhas fermentadas funciona como suplemento geral de micronutrientes e estimulante do sistema de raízes. Aplica uma vez por semana como suplemento regular ou em casos de deficiência aguda. Para uma horta com múltiplas plantas em diferentes estágios, o cronograma semanal mais eficiente é esse.
Segunda-feira, água de arroz fermentada em todos os vasos e canteiros. Quarta-feira, borra de café nas plantas em crescimento vegetativo ativo. Casca de banana nas plantas em frutificação.
Sexta-feira, líquido secreto de folhas fermentadas diluído em pulverização ou rega. Uma vez por mês, cinza de madeira nos canteiros e vasos. Casca de ovo com vinagre em todas as plantas.
A cada 15 dias, grama seca como cobertura renovada sobre os canteiros. Esse cronograma fornece nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e uma série de micronutrientes de forma regular e balanceada. Sem nenhum produto comprado.
Sem nenhum custo fixo mensal. A diferença que esse sistema produz em relação ao cultivo sem nenhuma nutrição é visível em 30 dias. A diferença em relação ao cultivo com fertilizantes sintéticos é mais sutil, mais consistente ao longo do tempo.
O fertilizante sintético produz crescimento rápido, mas desequilibrado. O sistema orgânico produz-se crescimento mais lento no início, mas progressivamente mais saudável e resiliente. Uma planta cultivada com os sete adubos por seis meses tem raízes mais profundas, sistema imunológico mais desenvolvido e produção mais consistente ao longo do tempo do que uma planta cultivada com fertilizante sintético pelo mesmo período.
Isso acontece porque o sistema orgânico alimenta o solo, além de alimentar a planta. E um solo vivo e ativo é o maior ativo que uma horta pode ter. Não foi sorte, foi entendimento.
Entender o que a planta precisa, onde esses nutrientes existem naturalmente e como torná-los disponíveis é o conhecimento que liberta qualquer cultivador da dependência de produto comprado. No próximo vídeo será mostrado como criar composto de alta qualidade em apenas sete dias, usando uma técnica de compostagem acelerada. Se inscreve e ativa o sino para não perder!
Qualquer dúvida sobre o que foi mostrado aqui, deixa nos comentários abaixo. Tudo é lido e respondido pessoalmente. Até a próxima!