Salve galera, beleza? Você está na maré da história, o canal preferido de Sérgio Boarque de Holanda e a gente vai começar a estudar esse livro aqui, pequeno, porém grandioso, Raízes do Brasil, que é um clássico do pensamento social brasileiro, não é não? Bom, sem delongas, deixa seu comentário se você quiser que a gente se aprofunde, deixa seu like, se inscreve no canal se você não é inscrito e vamos lá.
Esta obra, ela tá mais ou menos no contexto da obra passada que a gente tava vendo aqui no canal, que é o Casagrande Senzala do Gilberto Freire. Embora há uma mudança metodológica completa aqui e e na forma de analisar e pensar o Brasil. O Sérgio Boarque, além de ser pai do Chico Boarque, ele sempre foi muito influente na na cultura eh brasileira.
Ele sempre teve muito presente ali, sobretudo nos ciclos paulistas. E já com 15, 16 anos ele frequentou ali a semana de 22. Então ele tem um uma relação com o modernismo, ele tinha relação com cronistas ali dos anos 20 e ele vai pra Europa e acaba estudando na Alemanha a obra do Max Weber, né?
E vai trazer isso pro Brasil. Isso, a viagem da Alemanha dele, acho que é em 1927. E este livro aqui é de 1936, né?
Então ele, a grande inovação que o Sérgio traz pro pensamento social brasileiro é justamente trazer o pensamento de VER. Se você não entende o V, dificilmente você vai entender legal aqui a obra do Sérgio. Então, é interessante que você pelo menos veja o videozinho sobre o Max Weber aqui para entender o que que é um tipo ideal e o que que é uma ação social em Max Weber.
Porque enquanto o Gilberto Freira em Casa Grande Senzala se utiliza de Durkin com base do seu pensamento metodológico e sociologia com a ideia de solidariedade, fato social que a gente já viu lá. Mas se você não assistiu os vídeos sobre Casa Grande Cesala, eu recomendo. E também tem certa influência de Freud ali do começo dos anos 30.
Agora o Sérgio Boarque, ele já vai se inspirar numa sociologia alemã, né, rompendo com a França na nossa tradição, que é muito forte, e vai trazer a ideia do do Max Weber para pensar o certa individualidade do brasileiro, o que leva ele a tomar as suas ações sociais, né? E e isso é uma mudança extraordinária do ponto de vista metodológico. E é importante ter isso em mente quando vai se ler uma obra, né?
Eh, sobretudo aqui quando vamos ler o pensamento social brasileiro. E ele vai trazer como tese central desse desse pensamento, pensando aqui muito mais as raízes lusitanas, portuguesas, europeias do Brasil. escitou esse livro, ele não vai trazer grandes contribuições sobre as as matrizes africanas e e indígenas.
Ele faz esse recorte e eu uso o Sérgio Boarque muito no meu trabalho, não, porque ele estuda muito as comunidades nativas e e mestças do Brasil, como caminhos e fronteiras, Monções, ah, também no próprio eh, como que é o nome daquele? aquele livro que eu mais utilizo inclusive que trata canéia aqui, visão do paraíso, né? Então, eh, a obra é mais vasta do que isso, porque esse aqui é o primeira primeiro livro assim de sociologia do do Sérgio.
Beleza? Então, acho que é importante fazer essas considerações iniciais. E o livro é de 1936.
Então ele tá bem no final ali eh do rompimento geral, assim da do pensamento social brasileiro com aquela historiografia mais tradicionalista, positivista, historicista, na qual o Gilberto Freire começa a romper trazendo o método de Durkaim pro Brasil. E agora definitivamente só vai se pensar o Brasil a partir de algum método ou escola bem definida. A gente vai ter depois o nos anos 40 paraa frente isso, o pensamento social brasileiro eh deslancha, né?
A gente pode vai trazer aqui outros autores, né? O Caio Prado Júnior com a formação do Brasil contemporâneo, o próprio os donos do poder do Raimundo Faouro, cada um com a sua metodologia. Eh, bom, então vamos aqui ao ao Sérgio Boarque, principalmente a ideia de homem cordial, né?
O Cândido Mendes, ele aquele crítico literário, ele faz uma prefácio muito interessante, né? Ele escreve e ele vai dizer aqui, ó, a ideia do homem cordial, né? Vai vai tentar trazer então a partir da ideia de ação social do Max Weber, que são três tipos básicos, né?
que é a tradicional, a racional e a emocional, eh, que compõe, eh, tipos ideais de sociedade que influencia ação. Então, por exemplo, os Estados Unidos, a Inglaterra, a Holanda, países onde tiveram desenvolvimento do capitalismo, a gente tem uma uma mais ligada a racional. h, países do Oriente, como a China, o Japão, ação ligada à tradição.
E no Brasil ele vai trazer como exemplo eh majestoso de ação baseada na emoção, a partir daquilo que ele vai chamar de homem cordial, que o Cândido Mendes diz aqui, né? O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva, inclusive sua eh suas manifestações externas, perdão, não necessariamente sinceras nem profundas, que se opõe aos ritualismos da polidez. O homem cordial é visceralmente inadequado às relações impessoais que decorrem da posição e da função do indivíduo e não sua marca pessoal e familiar das afinidades nascidas na intimidade dos grupos primitivos.
Ou seja, nós temos uma dificuldade imensa, segundo o Sérgio Boar, que ele vai analisar isso a partir do processo histórico que a gente vai ver aqui, capítulo por capítulo, ã, em diferenciar a esfera pública da privada, o público do particular, o pessoal do impessoal. Então, tudo eh se torna algo de cunho pessoal e pode ser resolvido também por meios pessoais, vamos chamar assim, né? e que nossas relações sociais, as nossas ações sociais, do jeito que a gente eh come, o jeito que a gente eh se comunica, a forma como em quem votamos e o por votamos, eh que ação, o voto ação social, eh como nos casamos e por nos casamos, casamento também é uma certa certo tipo um um fato social, mas uma ação social também está permeado por essa cordialidade que não tem nada a ver com ser eh eh de tem a ver com polidez, tem a ver com cárdio, né, de agir com o coração.
É um sujeito que age a partir dos afetos. Ele vota por afeto, ele trabalha por afeto, ele faz ou deixa de fazer algo por sobretudo afeto. E ele vai então, né, falar uma série de teses para chegar lá no conceito de homem cordial, no capítulo 7, mas ele vai tratar, por exemplo, da falta de feudalismo em Portugal, a questão da personalidade do personalismo do herói, a questão ã de uma série de coisas que compõe o o português e que vai influenciar no brasileiro e, por consequência eh fazer do brasileiro esse homem cordial, este, eh, novo sujeito, essa nova É tipo social que surgiu no mundo, né?
Isso que é interessante. Um um tipo aberto ao outro, hospitaleiro, um tipo da aventura, como diz o Sérgio Boar, que quer colher os quer os frutos do trabalho, mas não quer plantar a árvore, né? Eh, então a gente vai analisar isso com calma, só para fazer alguma consideração final sobre essa ideia basilar aqui que a gente tá apresentando sobre o homem cordial.
Eh, a questão, por exemplo, do prefixo inho, né? Então, por exemplo, um minutinho é é uma relação de afeto muito maior do que um minuto. 60 minutinhos é muito menos na relação afetuosa do brasileiro da comunicação do que uma hora.
Então, essas esses pequenos contornos, queria até dar o exemplo da Santa Terezinha, né? esses santos que ganham intimidade dentro do jeitinho brasileiro. E se a gente for ver aqui em poucas palavras, é isso que o Sérgio estuda, né?
o jeitinho brasileiro a partir daquilo que ele vai chamar de uma ética do aventureiro, daquele que que tá disposto ao jogo, a aventura, as emoções, sobretudo. E é isso, em 10 minutinhos eu tentei aqui retratar uma visão geral eh do homem cordial, né, de Sérgio Boarque, esse homem afetivo, esse homem que age eh sobretudo pelas emoções. E a gente vai tentar estudar parte por parte aqui desta obra com calma, né?
E as fronteiras da Europa, a diferença entre o trabalho e a aventura, a herança rural, o semeador e o ladrinhador. E por fim, no capítulo 5, falei sete, né? O homem cordial.
Depois tem novos tempos em nossa revolução, mas acho que eu não vou tratar aqui. Então a gente se vê em breve para estudar Raizes do Brasil de Sérgio Boarque. Firmeza?
É nós, galera. tamos junto e boa semana, bons estudos para todos.