o Olá alunas e alunos do 3º semestre do curso de letras português e espanhol da unespar Campus de União da Vitória na disciplina de teoria literária três eu estou gravando Mais uma aula para discutir assuntos relacionados aos nossos planos de ensino e hoje em especial encerrando uma discussão sobre um gênero crônica claro que nós naturalmente Teremos muito mais para conversar mas precisamos economizar nosso tempo é curto Ainda temos que tratar de outros gênios da prosa então encerramos parcialmente a nossa conversa sobre a crônica e não poderíamos incluir essas função sem a conhecer um pouco mais
o trabalho literário do maior cronista do Brasil o que é o bem Braga eu escolhi duas Crônicas de Oi e a comentar aqui eu gostaria de ver mais uma mas não teremos tempo para isso a terceira era uma crônica ele escreveu quando era correspondente de guerra na 2ª Guerra Mundial a são as suas crônicas da FEB que lhe acompanhava FEB força expedicionária brasileira e ele escreveria sobre situações de guerra então eu não vou conseguir agora ler para vocês esse texto que é uma crônica belíssima chamado o Cristo morto mas eu vou enviar depois o link
na plataforma do mundo para todos terão oportunidade de ler também esse esse belo texto eu vou fazer a leitura escolher duas crônicas A primeira é o conde o passarinho que é uma crônica de 1935 está reunida no livro 200 crônicas as escolhidas as melhores de Rubem Braga EA outra que está neste livro meu 939 um episódio em Porto Alegre continuada show urubu eu gostaria que vocês observassem a medida que eu fosse ler um texto os aspectos inclusive poéticos que de certa forma estão imbricados com a linguagem da crônica na obra de Rubem Braga vamos lá
o conde o passarinho crônica que eu citei algumas vezes nos encontros anteriores acontece O Conde Matarazzo estava passando pelo parto ou no Matarazzo um homem muito velho que tem muitas fábricas tem também muitas honras uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro e o conde exibir a lapela amarrada com uma fitinha era uma condecoração a hora aconteceu também passarinho no parque vi um passarinho esses dois personagens o conjunto passarinho foram os únicos da Singular história narrada pelo já que São Paulo e vou confessar para eliminar preliminarmente que entre um conjunto passarinho prefiro passarinho e
torço pelo passarinho Não é por nada não sei mesmo explicar essa preferência afinal de contas um passarinho canta e voa O Conde não sabe o que o diário e voaram onde orgia com apito de usinas para olheiras enormes e fábricas espalhadas pelo Brasil vozes de Operários dos teares das máquinas de aço e de carne que trabalham para o conde onde gorjeia o dinheiro que entra e sai dos seus próprios o quando industrial e o con de Cone porque Industrial passarem no Industrial não é com de não tem fábricas Em um ninho sabe cantar essa voar
é apenas um passarinho isso é gentil ser um passarinho eu quisera ser um passarinho não passarinho não Mavi maior mais triste eu quiser ser um urubu entretanto não quiseram é a minha vida sempre foi inventada pelo fato de eu não Pretender ser Conde eu não amo os Condes também não amo os industriais que eu amo a Irina e pouco mais pedindo EA vida duas coisas que se confundem hoje amanhã mas se fundiram na morte entretanto por vida o fato de um homem de ver fumando nos três primeiros bancos e falando o motorneiro e ainda ontem
ou anteontem assim escrevi vocês e vai falar o motorneiro O povo deve falar o motorneiro se o motorneiro se fizer de surdo O povo deve puxar aba do paletó do motorneiro em geral necessitam constâncias motorneiro dá um coice então um povo deve agarrar o motorneiro poder A Arte da manivela colocar o bonde a nove pontos cortaram o torneio em pedacinhos e comendo com farofa e quando eu era calor de direito aconteceu que uma turma de calouros assaltam bonde foi um salto Imortal marcamos no relógio quanto nos deu na cabeça e declaramos que a passagem era
grátis o motorneiro o condutor perderam rápida e violentamente o exercício de suas funções perderam também os bonés bonés eram os símbolos do poder desde aquele momento perdi o respeito por todos os motorneiros e Condutores aquilo foi apenas uma boa molecagem paciência vida também é uma imensa molecagem molecagem podre quando poderá ser um urubu meu velho Rúben é mas voltemos ao quando eu passarinho o ar ou quando estava passeando e veio passarinho Quando deixou ser e nem o seu Patrício outro Francisco Francisco da umbria para conversar com passarinho mas não era o santo Francisco de Assis
era pelos Conde Francisco Matarazzo puxou porém ficou Encantado ao reparar que passarinho voa para ele onde ele deu as mãos feito uma criança feito Santo mas não é mãos de crianças nem de Santo era um mão de Conde Industrial o passarinho desvio se dirigiu o filme para o peito do Conde e bicar o seu coração não ele não era um bicho grande de bico de bico forte não era por exemplo Urubu é apenas um passarinho o bico fitinha puxou saiu voando com a fitinha e com a medalha O Conde ficou muito aborrecido achou muita graça
hora essa e passarinho mais esquisito Isso foi para o Diário de São Paulo contou o passarinho essa hora assim está voando com a medalha no bíblico em que peito colocareis irmão passarinho e voar e voar e voar por entre as chaminés do Conde Varandas fábricas do Conde sobre as máquinas de carne e trabalham para o com o aivoye Vai Passarinho Uai fevereiro de 1935 veja o que coisa curiosa e essa é uma crônica e inspirou foi inspirada a partir da leitura de uma reportagem de uma notícia jornalística em que apareceu no Jornal A foto do
Conde Francisco Matarazzo que é um rico industrial de São Paulo do início do século 20 uma família tradicional Paulista e inclusive teve um papel importante na no patrocínio da Semana de Arte Moderna onde Matarazzo grande Industrial como se fosse Bill Gates hoje em uma pessoa de grande importância no âmbito econômico e ele de percebe que o conde está sentado naquela naquele parque e vem um passarinho se aproxima dele bica a sua lapela e tira uma medalhinha o conde e voa e vai embora e essa cena é um pretexto Rubem Braga escrever sobre as relações entre
mundo econômico e industrial do dinheiro do desenvolvimento técnico e o mundo da poesia mundo da Beleza o mundo da inutilidade das coisas de Passarinho né que não têm valor que não tem preço e que apresenta naquela situação uma imagem poética porque passarinho ele não se tivesse armado uma brincadeira uma cilada uma né fazendo uma é mas aquele um máximo de gratuidade né e fique o homem Braga ver como alguma coisa poética e esse é o cerne da crônica que a partir de uma situação aparentemente banal um conversamos nos encontros anteriores você não contingente efêmera o
poeta cronista ele vê naquela cena uma matéria potencialmente poética ele viu na cena do passarinho como um a Vitória ali da Beleza Além da Vida Econômica Além da Vida burguesa Além da Vida Industrial tanto é que ele faz ao longo da crônica algumas reflexões que o tempo que era calor de direito e como é que eles fizeram um tipo de a brincadeira no bonde para não precisar pagar passagem o mesmo momento que ele fala sobre motorneiro no bonde eu tenho situações do cotidiano Mas o mais importante é que essa cena é aparentemente banal simples e
se apresenta ao cronista como uma imagem potencialmente poética e termina dizendo zuar e passar em voar e porque eu gosto mais de passarinho do que de condes ele contrasta grandeza riqueza a imponência do Conde Matarazzo com a simplicidade com a beleza do passarinho faz lembrar também aquela crônica do José Castello falando sobre a Vertigem sobreloja que ele fala também sobre o voo do passarinho uma coisa gratuita e essa importância do voo como algo mais belo e profundo do que o ponto de chegada então a crônica esse voa crônica esse gênero passarinho já é a segunda
crônica que eu gostaria de ler para vocês ela é muito curiosa e nos interessa Porque ela foi escrita a partir de uma visita aqui a Porto União da Vitória o bem Braga fazendo uma viagem passa por aqui e aí ele vai descrever uma cena muito curiosa que tem a ver com a nossa a nossa comunidade aqui o título é crônica é show urubu e ela foi publicada em jornal com boa parte das Crônicas e seis então e Nove de Setembro de 1939 um cidadão de Porto União Santa Catarina foi dar um passeio em uma da
Vitória Paraná as duas cidades são uma sua cidade cortada ao meio pela divisa em União da Vitória o cidadão morreu de repente depois das Lágrimas e Lamentações de praxe ele foi posto dentro de um caixão formou-se por tejo para levá-lo até o cemitério de sua cidade ali do outro lado da Fronteira em Porto União quando o cortejo e transpondo a linha de limites teve de ter e em sua frente estavam funcionário fiscal Paranaense esse Digno fiscal queria que ele pagasse a taxa de dez mil réis várias pessoas protestaram fiscal obtemperou que estava cumprindo seu dever
não podia permitir por defuntos raiz do território no estado do Paraná sem pagar a taxa de dez mil réis a todos entretanto se ligarão a pagar alegando que defunto nativo de exportação quanto o próprio defunto manter-se firme não puxou dinheiro entendeu uma palavra conservou-se dignamente com o defunto perfeitamente duro esticado no seu caixão os homens quiseram avançar mas o fiscal em teus braços não o Paraná não saiu cadáver de contrabando não vou remédio um dos homens puxou uma pelego de 10 entregou ao fiscal assim o defunto foi posto em território Catarinense por felicidade não apareceu
nenhum fiscal de Santa Catarina para cobrar direitos de entrada e tudo se conclui que a nesse país uma grande estimação pelos defuntos as unidades federativas recebem livros de direitos e se esforçam para redeluz cercando a fronteira com fiscais eu por mim um show de Porto Alegre se por acaso morrer aqui e quiser ser enterrado na minha terra trilha atravessar sem fronteiras para atingir o meu cemitério Natal o melhor você me o cemitério da minha terra natal e seriam só de taxas 50 mil réis como sou homem de boa estatura regular peso creio que o frete
ficaria caro assim sendo aproveitar a oportunidade para avisar que não faço questão podem enterrar perfeitamente o cemitério qualquer Porto Alegre tem me dado muito bem com os vivos essa cidade Creio que não me daria Mau Os defuntos mais Me desculpe e tivemos uma queda seguindo de resto eu preferia que no lugar de me enterrar me queimassem ao invés de ir apodrecer viu mente em baixo do chão eu seria transformado em suave cinza espalhado aos Ventos nas asas do vento eu vou ali a dispersos talvez partículas de meu servo assim languidamente pela rua da praia atrás
de alguma doce linda mulher também as outras espalhasse por longas terras do Brasil e passasse imperceptíveis por todos os fiscais de todas as fronteiras se fossem dançar invisíveis em volta a divulgar junto te amei pousando em mãos de amigos em cabelos de mulher em algumas iriam até minha terra natal vocês gostariam que os galhos do velho pé de fruta-pão subiriam uma curva suave até a caixa da água até o Cajueiro de ser in para os fundos da casa talvez passassem pelo tanque e entrassem na cozinha Avenida que parar um pouco na Copa ouvindo os canários
belgas depois de invadirem uma velha sala de jantar sobre a grande mesa Hoje quase vazia bailarino Alegremente em volta de uma criança pode ser que entrasse no quarto maior e procurassem a linha uma cadeira de balanço no pequena mulher Moreno de cabelos brancos e vou usar assim sua testa cansada com o pé um beijo leve depois bem mas vamos parar por aqui que só tem esses aos Ventos e elas saberão de irão diabo que a carregue o essencial é que não paga imposto ou a senhores do fisco ou invulnerável só intransponíveis senhor está xai-xai os
vivos Encontrei as vossas link olhei as vossas garras olhos se abrem e perante o pobre carne amarelada dos defuntos choro Boo show Globo e vejam e essa crônica é muito bonita muito curiosa porque ele parte de um acontecimento ocorrido nas gêmeas do Iguaçu Porto União da Vitória quando uma pessoa morre tem que pagar um Pedro Henrique pagar naquele momento um pedágio uma taxa para poder sair de um estado para entrar em outro assim deveria acontecer com os defuntos e ele acha que uma do surdo e aí nesse sentido a crônica mais reflexão começo sobre a
burocracia da vida tem tudo a ver com a crônica onde o passarinho né porque quando o passarinho está falando justamente juntar contrapondo o mundo da economia da Razão da objetividade da utilidade é o mundo gratuito da poesia do do voo do passarinho aqui também não é porque ele parte dessa cena e burocrática e tem que se pagar um pedágio para ir no meu lugar na outro isso nós vivenciamos aqui que mora em Porto União da Vitória tem coisas que tem no lugar mas eu não pode volta prestado e leva o documento pago uma taxa aqui
a pior do que a Lia o certas coisas ali né é pior do que aqui você tem coisas que um sabe é essa separação gera conflitos burocráticos em relação a documentações é o mesmo nas importante mas foi registrado no Vitória então a minha naturalidade consta como sendo do Paraná mas na verdade nasce em Santa Catarina então nós vivemos esse essa desterritorialização porque não Somos bem Catarina nem Paraná nós somos esses seres meio desse territorializados e ao mesmo tempo somos as duas coisas ao mesmo tempo né enfim mas o mais curioso é que parte dessa cena
burocrática para fazer uma grande grande é A reflexão o melhor devaneio sobre a vida não é ele fala sobre a finalidade da vida e depois se a pessoa morre vocês podem me dar um quiserem prefiro até que me creme ele disse porque ele começa a fazer um passeio e aí a cinza vai passeando e ele vai entrando numa zona muito poética que ele bate uma questão de tiva quase jornalística em fim da vida da vida real né burocrática para falar sobre a vida a beleza da vida EA beleza da Morte também é que a morte
Deixa de ser um tabu ele fala da beleza das cinzas passeando enjoando ao sabor do vento ao léu né então diria que O que é uma crônica muito poética a gente foi poesia tanto na crônica Conde passarinho ou depois de fazer uma reflexão sobre esse episódio né do Conde na Praça É de um pássaro pousa perto dele e ele bica lapela e rouba medalinha e voa para longe ele ver nessa cena uma coisa poética porque o pássaro ter efeito uma trapaça para o rico e imponente cond Industrial não é a que acontece uma coisa muito
parecida Porque a partir dessa cena de morte da da tragédia da burocracia da vida chata ganho Extra né no dia a dia que o Alex Salomão chamava daquele cotidiano estéreo de horrível fixidez e que a gente vê a todos os dias na burocracia inclusive Como eu disse na nossa região né intensas complexidades burocráticas é para fazer uma grande reflexão sobre a vida sobre a beleza da vida EA beleza da Morte também não é quando fala o essencial é que os defuntos não paga impostos os senhores do fisco aí vulneráveis o intransponíveis senhores tasha e tachar
é taxar os vivos mas encolher as vossas garra ações saciaveis senhores perante a pobre carne amarelada dos defuntos né quase que um clamor se vamos respeitar os mortos também eu provavelmente ele passou por aqui e achou curiosa essa situação que ele ele viu ele ouviu e vou retornando a Porto Alegre onde ele estava morando naquele momento né final dos anos 30 logo depois da Revolução Constitucionalista Getúlio Vargas no poder e tal e aí ele escreve essa essa crônica nesses dois textos para finalizar nossa discussão nós vemos aqui as grandes características do gênero é um texto
conciso é um texto bom e se concentra numa situação específica é um texto que são dois textos que foram publicados em jornais e posteriormente reunidos em livros são dois textos que partem do cotidiano são dois textos que parecem de algo objetivo do cotidiano para fazer uma reflexão poética são todos os elementos que vão caracterizar isso que a gente chama de gênero crônica Então pensa sobre isso um texto como eu disse nos aos interiores muito interessante para se apresentar a literatura por jovem então trabalhar a literatura na escola por meio da crônica é uma coisa muito
interessante não é e por ser um texto conciso e ele acaba sendo também um texto cativante para o jovem né mas é sempre Aquela aquele rés-do-chão de que falava o Antônio Cândido né ela fala sobre a vida o rés-do-chão Mas a partir desse e esse rés-do-chão ela lança para alguma coisa mais filosófica o poética sobre a vida é isso que faz a crônica um gênio muito interessante muito agradável que circula na Esfera jornalística que faz a ponte entre o jornalismo EA literatura né quiser a crônica está nesse entre lugar e o jornalismo EA literatura entre
Jornalismo e literatura e isso faz dela também um texto ao mesmo tempo FM no canal contingente que hoje é produzido publicado e é completamente esquecido amanhã ou depois da manhã e mais ao mesmo tempo é o que salva o cotidiano dessa esse dessa horrível fixidez que caracteriza né a vida é a Vida do dia a dia nós nos vemos na próxima Vamos fazer uma aula online para ler os textos e as crônicas escritas por vocês e depois começaremos então a discutir o gênero da novela mal linha e sobre também Tolstói e Google um abraço a
todos até a próxima