Tem dores que a gente passa que talvez a gente nunca venha saber o resultado dela, mas ao mesmo tempo também Deus nos dá às vezes essa graça de conhecer os frutos do nosso penoso trabalho, né? E aí chegou o dia da inauguração do poço. Eh, a gente pegou o microfone, colocou uma caixa d'água e foi fazer a inauguração. Aí chega lá aquele lomão, quase 2 m de altura e pega o microfone da minha mão. Eu falei: "Meu Deus, eu vou apanhar aqui agora". [música] Ele falou assim: "Olha, nós estamos aqui há vários anos sofrendo com
a falta d'água e bebendo água com cocô." Eu tô falando cocô, ele falou outra palavra, né? Mas em uma semana o Jesus dos crentes resolveu o nosso problema. Então o grito de guerra que nós davam paraa Ansã hoje nós vamos dar pro Jesus desses crentes. Geralmente a gente diz assim: "Eis-me aqui envia aquele ali, né? A gente nunca pensa que que Deus tá querendo contar com a gente. Por exemplo, o seminário não me ensinou a separar briga de marido e mulher com a faca na mão. O seminário não me ensinou a pegar numa enchada e
fazer um tacho de cimento. O seminário não me ensinou a montar num lombo de jumento. O seminário não me ensinou a colar cano. Tudo isso foi o campo missionário que me ensinou. Então as muitas vezes o cara vem para cá, sabe, com uma cultura de de acadêmica, o que é muito bom, mas ele tá vindo só com a metade da coisa. E aí eu soltei o microfone assim por lá, falei: "Ó, atenção, gente". E aí todo mundo parou e olhou para mim. Deus tá me dizendo que vai curar aqui hoje. Aí todo mundo ficou quieto.
Falei: "Se tiver alguém aqui com alguma doença, alguma coisa, vem aqui na frente que eu quero orar por você". Aí o pessoal começou a vir, começou a vir. Aí eu falei: "Meu Deus do céu, e agora?" [risadas] Aí eu comecei a colocar a mão na cabeça das pessoas. Aí comecei a orar. Daqui a pouco, Miguel, tinha uma senhora que ela andava encurvada, ela desencurvou. Teve outra, ela tava bem empolgada, ela falou: "Sumiu, sumiu, sumiu." Eu falei: "Sumiu o qu, minha senhora?" Ela sumiu aqui. A gente é um nódulo, né? Mas ela fala: "Caroço, o caroço."
Meu nome é Jader Medeiros, sou pastor da Primeira Igreja Batista na cidade de Amparo e da segunda igreja batista na cidade de Breginha. Uma fica na Paraíba, outra fica em Pernambuco e sou missionário no sertão nordestino. Jader, como foi tua conversão? Rapaz, a minha conversão se deu com algo muito parecido com o que você faz, através do cinema. Ah, no ano de 2001, a Cruzada Estudantil Profissional para Cristo estava fazendo o projeto filme Jesus, aquele filme baseado no Evangelho de Lucas e lá em João Pessoa, cidade da onde eu sou. Eles estavam colocando na nas
esquinas telões e eu era um menino só de 14 anos apaixonado pelo um cinema que eu nunca fui, só conhecia pela televisão. E aí eu, eles divulgaram muito sabiamente, né? Cinema gratuito na rua e eu fui e era a história de Jesus. E aí no finalzinho o locutor dizia: "Você que deseja entregar a sua vida a Jesus, faça essa oração comigo". E eu fiz a oração e no final levantei a mão, né, porque eles pediam para que levantasse a mão para para ir pegar o seu nome e eu dei meu nome, dei meu endereço. Só
que passaram mais ou menos um mês e aí ninguém foi me visitar. E eu falei: "Puxa, eu sou crente, mas não tô indo pra igreja nenhuma de crente". [risadas] E aí eu chamei o meu vizinho da frente, Carlinhos, falei: "Carlinho, vamos numa igreja de crente comigo, porque eu fiz aquela oração e eu tenho que ir para alguma igreja". E aí ele falou assim: "Rapaz, eu vou, mas eu vou só te acompanhando, mas não vou inventar de ser crente que nem tu, não." E lá na igreja, o pastor fez o apelo de novo e quando eu
olhei tava eu e o meu colega lá na frente chorando, entregando a vida a Jesus. Foi assim. [risadas] E aí da tua conversão até o o chamado missionário, foi um longo período ou foi logo ali? Foi rápido, porque quando eu quando eu me converti, ah, eu eu al de alguma alguma coisa, né? Eu acredito que o Espírito Santo tava ali me mostrando, vendo aquelas pessoas pregarem, falar com tanta paixão e e algo dentro de mim ardia, dizendo assim: "Eu eu quero ser essa pessoa que prega também, que fala, mas eu preciso entender mais para poder
um dia ser assim", né? Era, eu sempre tive essa paixão accesa dentro de mim e e eu lembro que um dia eu fui visitar minha avó no interior do Rio Grande do Norte. Então, eu nasci em João Pessoa, meu pai é sertanejo do sertão da Paraíba e minha mãe é brejeira do brejo do Rio Grand do Agresto, né? Agrestina do agreste do Rio Grande do Norte. Então a minha vida sempre foi capital interior, capital interior, porque nas férias eu ia. E eu lembro que uma vez eu fui visitar uma Assembleia de Deus lá no interior
do Rio Grande do Norte e eu sou batista, tá gente? São sou como batista, a gente é bem precavido com algumas questões de de profecia, dessas coisas. Mas tem algumas coisas que a gente não consegue negar. E aí numa dessas visitas que eu fiz a essa igreja, eh, o meu nome é Jader, mas a minha família, as pessoas são mais íntimas de mim, me chamam de Júnior. Quase ninguém sabe disso, só a minha família mesmo. E aí quando eu tava lá sentadinho lá atrás, o pregador falou assim: "Olha, Júnior, Deus tá me dizendo que você
vai para longe, vai pregar muito longe e vai ser um missionário". Eu fiquei assustado com aquilo ali. Puxa, mas ninguém me conhece por júnior. O pessoal só me chama de Jader. Eu era um adolescente, agora já com 15 anos. E aí quando eu voltei para João Pessoa, eh, eu eu já tava ainda digerindo tudo isso. Eu indo pra escola dominical. Dessa outra vez eu fui por trás e geralmente eu sempre ia pela avenida principal. E aí um senhor me parou, colocou a mão assim no meu coração e falou: "Meu jovem, Deus estava falando sério com
você. Ele vai te enviar para longe um estádio de diferença e uma semana de diferença. Ou seja, isso aconteceu no Rio Grande do Norte e na Paraíba. O senhor confirmou, né? Assim, é, é, é uma coisa que eu tenho que contar, porque por mais que isso seja visto nos nossos dias como ah, espiritualizar demais as coisas, mas é uma experiência que nós vivemos e eu não consigo negar essa experiência. E desde então, a gente começou a se aprofundar em estudar sobre missiologia, sobre missões. Fui para um seminário de teologia lá na Juv, em João Pessoa.
Mas uma das coisas que muito me marcou, Miguel, sim, foi quando eh o pastor Sydney Shachá, aí eu já tinha 15 anos, ele foi pregar na nossa igreja e aí ele contou uma história. Cara, essa história foi porque até então era só uma profecia, né? Era só uma palavra dita. E eu sempre tive um pé atrás com esse tipo de coisa, por mais que as confirmações fossem dando. Mas Deus, ele usou uma história muito, muito forte para mexer com o coração de um menino de 15 anos. Ah, o pastor Sidney Chachá da igreja do Nazareno
foi pregar no curto de missões. E aí ele falou assim que queria concluir a mensagem dele com essa história. Ele contou a história de um missionário chamado Sebastião, conhecido como pastor Tião, na cidade de Itaporanga. Dentre muitas coisas espetaculares da história do pastor Tião, e uma delas é que ela aprendeu a ler chorando em cima de uma pedra com a Bíblia na mão. E ele pedia para Deus ensinar ele a ler, porque ele só pregava o sermão que ele tinha escutado de um pastor. E aí enquanto ele estava lendo João 3:16, ele continuou o capítulo
inteiro. Ele olhando para João 3:16, ele conseguiu ler o capítulo inteiro. Então, pastor Tião aprendeu a ler lendo a Bíblia. Mas a história que mais me me chocou do pastor Tião foi um dia que ele tava lá em Itaporanga. Itaporanga hoje é uma cidade bem desenvolvida para os moldes do moldes do sertão até uma cidade grande, mas naquela época era muito restrito acesso à saúde e ele tava com uma dor de dente muito forte e o dente muito inchado e não tinha dentista no dia na cidade. Ele não tinha dinheiro para comprar remédio e ele
tinha uma motinha velha guardada na garagem. E aí ele conta que ele olhou pra moto e pensou assim: "E se eu pingasse um pouquinho de gasolina no dente?" E aí ele pingou a gasolina no dente e o pastor Xachá perguntou para ele assim: "E aí, Tião, desinchou?" Ele falou assim: "Pastor, desinchar não desinchou não, mas eu preguei sábado e domingo sem doer, né? E na segunda ele finalmente foi pra cidade vizinha, para outra cidade para poder ir pro dentista. Enquanto a igreja ria com essa história, eu tava chorando. Eu pensava: "Meu Deus, o que leva
alguém a voluntariamente, né, passar por tudo isso e ainda querer falar do teu amor, falar falar do Senhor, pregar o evangelho?" E eu pensava, se existem homens como Tião, eu não mereço fazer menos que isso, né? Eu tenho eu tenho que fazer alguma coisa também. eu tenho que pregar o evangelho. E aí no final o pastor Xachá fez um apelo e aí foi juntando tudo, a história do Tião, foi juntando a a história do do que aconteceu no Rio Grande do Norte quando eu voltei. E ele disse: "Se você sente um chamado para pregar o
o evangelho, para ser um missionário, vem aqui na frente que eu quero orar por você". E eu fui e eu fico feliz em dizer que hoje eu viajo, né, fazendo a mesma coisa que o pastor Xachá fez. E quer saber de uma coisa incrível? Uma vez eu fui pregar numa conferência missionária eh em Iguatu, no Ceará, a igreja pastoreada pelo meu xará, pastor Jader. E aí quando eu fui pregar nessa confessão missionária, eu contei essa história que eu tô contando para você agora. Enquanto eu contava essa história, tinha um um senhor sentado lá no último
banco chorando, rapaz. E aí [risadas] quando terminou o culto, eu fui falar com ele, né? Ele veio falar comigo também. A gente começou a conversar, aí ele falou: "Olha, muito obrigado, muito obrigado por compartilhar seu testemunho. Eu vou estar pregando aqui amanhã. Hoje foi você na abertura da conferência". Eu falei: "É, como é seu nome?" Ele falou assim: "Pastor, te amo". E aí eu disse assim: "Não acredito, pastor Tião que eu tá". Ele falou: "É". Eu falei: "E o Senhor tá chorando tanto assim". Porque ele disse, porque naquele dia eu não sabia porque que eu
tava passando por tanta dificuldade. E hoje eu sei que a minha história, a minha história tocou no coração de um adolescente que hoje é um pastor e um missionário. Sabe, Miguel, naquela hora eu vi que tem dores que a gente passa que talvez a gente nunca venha saber o resultado dela, mas ao mesmo tempo também Deus nos dá às vezes essa graça de conhecer os frutos do nosso penoso trabalho, né? Muito bom, J. Muito bom. E faz quanto tempo que tu tá na missão? Ah, eu me converti. A primeira vez que eu fui pro para
o campo missionário como pastor foi em 2007, mas em 2002 a gente começou um projeto, né? O nome era projeto conexão ID, que era evangelizar as 14 cidades com menos de 1% de crente da do estado da Paraíba. E a gente visitou essas 14 cidades. Eu pintava o rosto de palhaço, né? Eh, a gente fazia peça nas praças, dormia em em dormia em debaixo de pé de garoba, dormia em aqueles, como é que fala? Coreto de praça, né? Então assim, a gente passou várias aventuras, muitas aventuras mesmo, pregando o evangelho nessas cidades do interior, até
que um uma dessas cidades foi aqui pertinho, né, Caraúbas, se converteram, ó que coisa interessante, o nome do projeto era projeto 14 dentro do Ministério de Conexão ID e se converteram 14 cidades na última cidade que a gente visitou. 14 pessoas. 14 pessoas nessa cidade. Isso. E aí, eh, nessa conversão dessas 14 pessoas, eu fiquei orando, né? Meu Deus. Terminou, passamos um mês lá, 14 pessoas se converteram e não tem pastor lá para cuidar desse povo, manda um pastor para aquela cidade. E eu já tava, já tinha concluído meu seminário, né? E aí eu comecei
a visitar seminários em João Pessoa. Meu Deus, manda algum pastor para para Caraúbas, manda algum pastor para Caraúbas. E eu tava com três meses de casado, já tinha me casado. Eu até brinco com essa história. Eu digo que geralmente a gente diz assim: "Eis-me aqui, envia aquele ali, né? A gente nunca pensa que que Deus tá querendo contar com a gente. E numa dessas orações fervorosas lá, já voltando pro meu trabalho, três meses de casado, o Espírito Santo falou ao meu coração: "Por que não você, né?" Então eu comecei a fazer algumas provas com o
senhor. Se o Senhor quer que eu vá, então faça a minha patroa me demitir, eu não vou pedir demissão. Eu coloquei um monte de dificuldade. A lama ser molhada. Isso. A lã molhada. Agora eu quero seca e só a grama molhada, entendeu? Eu fiz até algumas piores do que essa, [risadas] mas tudo que eu colocava ia acontecendo, né? Então eu entendi que realmente Deus estava nos chamando. Nós passamos por muita dificuldade, Miguel. Muitas dificuldades mesmo. Eu lembro que quando finalmente a gente decidiu ir, colocamos os móveis em cima do caminhão e fomos embora. Eh, a,
eu tava só com um salário mínimo prometido pela igreja que nos enviou, né, que concordou e nos enviar, porque eu tive que falar com a igreja para ela concordar e nos enviar. E eu tinha ido um mês antes. Então, quando a minha esposa chegou com a mudança e já com já com o salário, eu já tava praticamente devendo o salário inteiro na cidade, porque eu precisei comer, precisei pagar o aluguel. E aí sobrou apenas R$ 1 no bolso, né? Ainda tinha aquela cédulazinha de R$ 1, né, que agora não tem mais. E a minha esposa
sempre foi muito, muito apreciadora de maçã. Ela sempre gostou de maçã, né? Esse é um testemunho que eu conto onde eu vou. E aí um eu acho que na primeira semana que a gente tava lá, ela disse assim: "Eu queria comer uma maçã, meu filho." E eu não contei para ela que só tinha R$ 1 no meu bolso, né? E aí a gente foi lá em João da Verdura. Ah, eu não sei se João ainda tem essa esse verdurão que fala lá, né? Falei: "João, tem maçã?" Ele falou: "Tem duas ali, pastor." Aí eu olhei,
era dois ovinhos de cordão nas murchas, né? Porque aqui no no Cariri é tem o dia de feira. Então, se não for o dia de feira, vai ter só a sobra da feira, né? E aí eu falei: "Ô, amor, vamos para casa. É melhor a gente comprar pão amanhã do que comprar essas duas maçãzinha hoje, né? E R$ 1 naquela, naquele tempo dava para comprar cinco pães. E aí ela fez: "Tá, tudo bem. E só que aquele tudo bem de mulher, né? Em uma semana no campo, eu acho que ela pensou, né? Acho, não tenho
certeza. Puxa, ele disse que Deus ia manter de tudo e agora a gente tem que escolher se vai comprar pão ou vai comprar comprar maçã. E foi muito difícil porque era o nosso primeiro campo missionário, longe da nossa família, numa outra cultura. Hoje eu me considero mais carizeiro do que peçoense, mas na época a o tempero, a cultura, o jeitinho de falar, tudo era muito diferente pra gente e para minha esposa era ainda mais desafiador. Ela era ela é até hoje, né, bailarina. Então, fazia balé na pontinha dos pés lá no Teatro Santa Rosa e
agora tava numa situação totalmente diferente do que a gente tava acostumado. E aí eu fui sentar perto dela para tentar acalmar ela, mas eu vi que ela tava bem triste. Aí eu fui pro quarto orar, eu falei: "Ô, meu Deus! Eu creio que o Senhor realmente nos mandou para cá, mas a minha esposa, ela não não tá crendo muito não. E sinceramente, se ela se ela parar de acreditar, tá aí eu vou parar também. E aí quando foi depois dessa oração, me levantei, fui tentar sentar perto dela de novo. Mas antes mesmo que eu que
eu pudesse sentar, alguém bateu na nossa porta e era a irmã Eliane que tinha acabado de chegar de Caruaru. E ela disse assim: "Pastor Jada, é verdade que a sua esposa já chegou de João Pessoa?" E eu falei: "É, minha irmã, ela tá aqui." Ela falou: "Chama ela aí para eu poder falar com ela". E aí ela se levantou, enxugou as lágrimas assim, porque esposa de pastor não pode nem chorar, né? E aí quando ela abriu a porta, falou: "Ô, irmã, obrigado por ter vindo aqui cuidado da gente, sabe que a irmã é uma resposta
de oração? Eu não tinha conhecido a irmã ainda porque eu tava fora, mas eu vim de Caruaru e trouxe um negocinho pra irmã. E aí quando ela puxou assim da sacola, eram cinco maçãs vermelhas bem bonitas, né? E ali a gente viu que era Deus dizendo: "Eu vou cuidar de vocês, né, de cada detalhe. E que vale a pena, sabe, Miguel, a gente dizer, dizer sim para o Senhor, porque Deus não tem obrigação nenhuma de nos dar maçã ou de fazer os desejos do nosso coração. Ele já fez o principal, que é nos dar a
salvação, morrer na cruz, pagar o preço pelo nosso lugar. Mas é tão lindo perceber que apesar das nossas falhas, apesar das nossas limitações, às vezes da nossa falta de fé, mas o Senhor ele ele ele permanece fiel, ele permanece do nosso lado, ele nunca nos deixa só e de vez em quando ele nos dá esse esses mimos, né, para mostrar que ele tá conosco. Muito bom, Jader. Eh, a gente sabe da dificuldade do campo missionário assim, né, principalmente dentro do contexto eh do Nordeste assim, né? Conta um pouco dessa tua experiência. Você falou aí esse
relato, mas já chegou a ponto de faltar, de chegar perto de faltar. Como é essa essa relação aí, rapaz? É vida de Chicó João Grilo. Fica rico, fica pobre. Fica rico, fica pobre. [risadas] Tem vida de missionário é assim, tem hora que você tá abençoando outros, né? Transbordando e tem hora que você tá orando para Jesus mandar um maná no outro dia de novo, né? Eh, eu eu até lembro uma vez eu tava [risadas] eu tava assistindo um daqueles programas sensacionalistas na TV, né? E e o pastor perguntava assim: "Ah, qual foi o momento mais
difícil da sua vida?" E o pai chorando dizia: "Ah, foi quando eu tive que quebrar o porquinho do meu filho para comprar pão". Eu digo: "Ih, disso daí eu já tô [risadas] acho que quando eu vou Samuel já faz de novo, pai". Mas também tem hora que a gente tá dentro de um avião viajando para pregar numa conferência missionária e a a moça perguntando: "Be ou chicken, né? [risadas] Eu aproveito, eu digo: "O tiu, minha senhora, os ti, bota os dois aqui que eu não sei quando é que eu vou comer bife ou de novo."
Então a gente tem essa essa essa percepção do que Paulo nos ensinou, né? Que tudo posso naquilo que me naquele que me fortalece. Então esse tudo posso é é passar por aquilo que é bom e é passar por aquilo que é difícil, né? Se a gente só glorifica a Deus quando tem uma lasanha na mesa, né? Não, a gente tem que glorificar quando tá só o cuscuzinho, às vezes sem ovo, sem uma margarina, né? Porque a nossa fé, ela não deve ser circunstancial. A nossa gratidão a Deus, ela tem que transpor aquilo que ele faz,
mas por quem ele é e por aquilo que ele já fez, né? Mas uma coisa eu tenho aprendido, Miguel, que Deus ele não deixa, ele não deixa faltar. Deus, ele não deixa faltar aquela palavra real, né? Nunca vi o justo eh mendigar o pão, né? A sua descendência mendigar o pão. Então isso é real. A gente tem visto o prover de Deus. O pão de cada dia. Não, não nos falta não. Uhum. Muito bom. Ô, ô J, se tu pudesse dar um panorama assim, como é que tá a relação de igreja que envia e o
pessoal que está no campo missionário. Como é que se dá esse sustento? acha que hoje a gente já chegou num nível assim que o missionário consegue ser totalmente sustentado ou ainda existe esse abandono? Como é que tu enxerga essa relação no contexto nordestino, né, que onde tu estás aqui? Sim, existem os missionários enviados por agências, né? Geralmente esses missionários enviados por agências, ele tm essa característica de ter uma manutenção mais segura, eh, mais comprometida. No entanto, também muitas vezes a experiência mostra, não sei bem o porquê, que também não são permanências duradouras. A maioria desses
missionários são temporais. O que esses anos todos vivendo a missiologia integral tem me mostrado é que o que se perdura são os missionários locais, os missionários que nasceram dentro do campo, né? Eu eu estou há 20 anos trabalhando integralmente no sertão nordestino, mas uma das coisas que eu tenho percebido é que nós precisamos formar Timóteus, tem que ser missionário da terra. E um dos grandes desafios é justamente esse que você falou, é a manutenção, Miguel. Porque geralmente o missionário da Terra, ele não foi enviado por uma agência ou por uma igreja. Ele nasceu ali no
campo. E a manutenção desse missionário, ela às vezes tem que estar dividida entre cuidar de uma roça, eh, trabalhar secularmente e ao mesmo tempo cuidar da igreja, o que às vezes deixa ele psicologicamente exausto, fisicamente exausto. Então, o trabalho fica, a qualidade do trabalho fica um tanto quanto comprometida. No entanto, eh, a gente sabe que se esse missionário tem um certo acesso às mídias, no nosso caso, nós nós temos uma um uma network hoje, né? Hoje a gente construiu eh igrejas, parceiros, o nosso livro, mas até a gente chegar aí foi uma longa e dura
caminhada, né? Mas a grande maioria dos missionários são anônimos. A grande maioria dos missionários realmente passam muitas lutas, muitas dificuldades. Tanto é que hoje pessoas assim com ministério um pouco mais consolidado como o meu tem que tá transbordando para esses missionários, tem que estar socorrendo cesta básica, sabe? missionário que às vezes tem que est fazendo campanha para pagar um medicamento de um filho que adoeceu. E então assim, isso é muito desafiador. Eu sinto que seria muito mais interessante as grandes igrejas dos grandes centros, ao invés de enviar alguém da capital para cá, treinar aqueles que
já estão no campo fazendo alguma coisa e manter os que já estão fazendo, porque eh é muito melhor você somar com quem já iniciou do que você trazer alguém que vai ter que passar por toda fase de adaptação. E a grande maioria dos que vêm não se adaptam, né? ou vem o choque cultural, vem as críticas às vezes que mesmo que não queira, né? Porque eu vou dar um exemplo bem simples no início do meu ministério. Eh, eu sou do do litoral, então eu sou eu sou maluco pro caranguejo. Eu gosto demais de caranguejo, é
uma coisa que eu gosto. Pena que aqui não tem, né? Sertão e cari não tem. Então, sempre que eu vou à capital ou alguma cidade litorânia, eu sempre eh como algum tipo de fruto do mar. E uma vez eu resolvi trazer caranguejo, isso em 2007, para um dos campos missionários que eu era pastor. E a gente tinha uma cultura de fazer jantar, almoço, para que as pessoas viessem e a gente eh eh pudesse evangelizá-las, né? A gente fazia uma oração, lia um versículo, dava um estudo bíblico e depois se viu o almoço ou jantar. Era
assim que a gente fazia os nossos grupos e até hoje a gente faz isso. Então, na minha concepção de um jovem missionário, o melhor que eu poderia oferecer era o caranguejo, né? Era uma coisa que eu gostava. E quando eu coloquei a mesa, fedo, isso parece uma caranguejeira, parece uma aranha, que coisa horrorosa, como é que vocês comem isso? Mas já prevendo isso, a minha esposa, né, ela fez um frango, tal, e a gente deu muita risada. Aí o nesse mesmo dia, um dos casais que a gente tava acompanhando falou assim: "Pastor, amanhã o senhor
vai comer uma coisa boa, né? Amanhã o senhor vai comer uma coisa boa". Eu falei: "Tá certo". E aí ele me levou para almoçar na casa dele. Quando chegou lá era mocó, era um roedor. Para quem não sabe o que é mocó, é um é um é um ratinho. É um ratinho. E eu falei: "Credo, gente, isso aqui parece um rato". Eu falei naquela inocência de de de [risadas] que o pessoal falou que o meu parecia uma caranguejeira. Eu falei dele parece um rato só que aí fez aquele silêncio sepulcral na sala. E foi quando
eu fui perceber que para quem vem de fora, qualquer coisa que ele fale para o caririzeiro, ele já é tão acostumado a ser a sofrer com preconceito, a a apanhar, a ser visto de cima para baixo, que parece uma ofensa, quando na verdade para mim era uma naturalidade de uma brincadeira. Então esse tipo de choque cultural criou ali uma resistência que aquele casal ficou um tempão sem falar com a gente. E esse tipo de coisa não acontece, por exemplo, com o missionário da terra, né? Então eu precisei aprender errando. E tudo isso seria evitado se
as grandes agências, as grandes igrejas investissem mais em missionários locais, em menos em em enviar. Claro, eu tô falando isso no mundo ideal e não no mundo possível, mas ah, muitas vezes, Miguel, as grandes igrejas vê achando que tem que treinar as igrejas do sertão e do Cariri, mas eu vou eu vou ser ousado aqui. Os obreiros do sertão e do Cariri tem muito o que ensinar para as igrejas do grande centro. Tem muito que ensinar. Com certeza, J. Com certeza. Eh, e qual deve ser o posicionamento do missionário que está no campo eh com
relação a quem tá mantendo, com relação à igreja? Porque às vezes parece que é pedindo um favor. Como é que ele deve se portar, se posicionar? Como é que ele deve ser? Ele deve só orar a Deus? Ele deve pedir aos irmãos? Como é que se dá isso? Porque é delicado, já que um lado não sustenta, como é que ele deve se posicionar? é uma linha muito muito tênue entre eh demonstrar a necessidade de oferta, né, e e pedir. Isso mexe muitas vezes até com a dignidade do próprio missionário. Alguns não, outros são mais descarados,
às vezes são sensacionalistas. Eu não não acredito que sejam missionários eh reais os que fazem sensacionalismo. Às vezes faz uma visita numa casinha de taipa, tira uma foto com o menininho buchudinho para comover. É muito triste às vezes perceber que eh se não for assim, às vezes a igreja não vai olhar pra causa do missionário. Eu acho que precisa se encontrar um equilíbrio entre transparência do trabalho que é feito e generosidade da igreja que já foi abençoada com recursos financeiros. É, é lamentável perceber que às vezes as igrejas dos grandes centros, de onde eu vim
estão inchando. Tem pastor de criança, tem pastor da melhor idade, tem pastor de jovens casais, tem pastor de adolescentes. Às vezes uma igreja só tem 12, 15 pastores, enquanto que o campo missionário tá ali com um pastor lutando para conseguir um salário mínimo para pagar uma conta no final do mês. Eu acho que a igreja dos grandes centros, ela ela necessita olhar com mais generosidade para os campos missionários. E o missionário, agora sim, respondendo a sua pergunta, ele precisa ser mais transparente no trabalho dele. Ele não pode mais se dar o luxo de ser anônimo.
Eh, ele pode sim ser transparente com o que faz, sem ser sensacionalista. Ele pode e deve ser transparente, prestar conta aos seus mantendedores. Olha, essa semana foi feito isso, eh, eh, eu recebi tanto, foi gasto com isso. Porque é o princípio do do dinheiro público. Quando você lida com dinheiro público, você tem que ter a transparência, né? Então, olha, foi arrecadado isso, a gente conseguiu eh pagar isso, conseguiu fazer aquilo. E uma coisa eu tenho aprendido no meu ministério, Miguel, quanto mais serviço você mostra, eh, mais recursos aparece e você consegue fazer mais. O problema
é que às vezes nós nós ficamos: "Ah, eu tô precisando, tá difícil fazer". Começa, sabe? Marcha, como o Senhor falou para Moisés, diga ao povo que marche e quando você chegar diante de um mar vermelho, ele vai se abrir, né? ele vai se abrir. Mas existe sim a necessidade de você ser transparente com o que você faz, de você mostrar para as pessoas, olha, e esse é o desafio, nós precisamos fazer isso. E, se possível também eh tenha um um CNPJ, se possível. Eu entendo que para aqueles que estão isolados em comunidades rurais, isso é
uma realidade mais distante, mas para aqueles que estão eh em cidades um pouquinho maiores, é muito bom que você trabalhe com o CNPJ e não com o CPF. Agora, sendo bem real, bem real, não custa nada a igreja olhar paraainha, para Mariazinha, que muitas vezes tem uma leitura restrita, mas que tá ali, sabe, toda semana pregando o evangelho em algum em algum alguma comunidade, em algum vilarejo, em algum sítio, algum povoado. E e são coisas, Miguel, que para quem tá no grande centro é pouco, mas para quem tá aqui é muito, sabe? É muito. Isso
faz uma grande diferença no final do mês. Muito bom. Não, aqui eu parabenizo você até porque tu tem o site e dos projetos lá do perfuração de posse, tu coloca os recibos, tudo direitinho, muito organizado. Então eu quando eu vi a primeira vez eu me assustei. Rapaz, é muito isso aqui é muito transparente. Até o cafezinho que a gente toma, tá lá o recibo do café. Tá [risadas] aqui o eu parabenizo essa questão. E já falando da questão do dos poos, né, Jad? Acho que o a o Água da Vida, que é o projeto de
perpuração, né? Eh, é, acho que é o teu projeto mais bem sucedido assim no do ministério, né? que é mais atuante, né? Como foi que ele que surgiu, rapaz? Foi numa visita que a gente fez a um povoado quilombola em Santa Tereesinha, sertão de Pernambuco. E lá a gente foi evangelizar, só evangelizar. E o o líder Quilombola, ele se demonstrou bem resistente. Ele falou assim: "Aqui olha, vocês não são bem-vindos não. Aqui a gente já tem nossa fé". Falei: "Não, a gente vê só ajudar, tal". Ah, vocês querem ajudar? Ó, ó a água que a
gente tá bebendo? E aí ele apontou para um balde que tinha uma água verde lá dentro. Aí eu falei assim: "Puxa, essa água vem de onde?" Ele me mostrou o Barreiro e aí ele disse que a maior necessidade deles era um poço. E naquela época eu não tinha nem ideia de como era isso, de quanto custava um poço e tal. E aí foi quando eu comecei a orar, eu falei: "Meu Deus, as portas não vão se abrir pra gente pregar naquele vilarejo ali". E aí eu liguei para alguns amigos na época, a pastora de Omar
lá de João Pessoa, pastor Paulo, a o pastor Jeremias Pereira lá de Belo Horizonte, mandei as fotos, mandei os vídeos. Eu falei: "Ó, esse é o desafio, a gente tem que mudar essa realidade." E aí nós conseguimos instalar um poço lá nesse povoado, né? E aí quando a gente, para você ter uma ideia da da do desafio que foi, Miguel, só a linha de de água foi 1 km de distância do poço, porque o povoado fica no alto de uma serra, a bomba teve que ser cavalos e meio de potência para poder mandar a água
lá para cima. E aí chegou o dia da inauguração do poço. E aí com essa inauguração, isso foi o nosso primeiro trabalho com o poço, né? Eh, a gente pegou o microfone, colocou uma caixa d'água, colocou uma caixa amplificada, colocou uma caixa d'água eh no centro da comunidade e foi fazer a inauguração. Aí chega lá aquele mão quase 2 m de altura e pega o microfone da minha mão. Eu falei: "Meu Deus, eu vou apanhar aqui agora". Ele falou assim: "Olha, nós estamos aqui há vários anos sofrendo com a falta d'água e bebendo água com
cocô". Eu tô falando cocô, ele falou outra palavra, né? Mas em uma semana o Jesus dos crentes resolveu o nosso problema. Então o grito de guerra que nós davam para Ansã hoje nós vamos dar pro Jesus desses crentes, né? E aí ele deu um grito de guerra lá e e no final falou: "Jesus, não é? Jesus, Jesus Salvador, aqui o Senhor manda". Foi algo mais ou menos assim. E deu um grito, hei. Aí entregou o microfone para mim. E aí eu fiquei ali abismado com aquilo, né, que que tudo começou a partir daquele poço e
eu fiz o apelo no final e quem se converteu foi ele. Hoje tem uma igreja lá, O Brasil para Cristo, pastor Valdeban, né? Uma coisa linda. E e vou dizer para vocês ali, eu entendi que o poço ele tem a capacidade de primeiro abrir as portas pra pregação do evangelho e de trazer dois tipos de água. água para vida e a água da vida que é Jesus Cristo, né? Então é mais do que levar água, essa água que a gente bebe, volta a ter sede. Inclusive na nas caixas de água a gente coloca Jesus é
água da vida e o texto lá de João capítulo 4, né? Então Jesus é água da vida. Então a gente usa o poço para socorrer quem precisa, tanto física quanto espiritualmente. Muito bom. Já eu estive contigo em algum das das perfurações e é a gente cavou em alguns lugares bem improváveis assim, né? Impressionante. Que que tu já viu de de milagre que para mim aquele dia de serra de moça assim foi emblemático. Eu eu subi te xingando assim de hom se vai fazer o que a como é que vai ter água em cima da serra?
Mais de 700 m acima do nível do mar, né? Como foi aquele dia? Que aconteceu, rapaz? É, na verdade é a gente tava em São João, São João do Cariri, e alguém disse, né, da necessidade desse povo chamado Serra de Moça. E eu disse: "Vamos lá". E eu tinha o Fiat Unzinho. A gente foi se embora lá conhecer esse povoado, eu e o pastor Arimaté. Quando a gente chegou na no pé da serra, tinha umas casinhas. Eu falei: "É aqui só tem três casinas". Não, o povoado é lá em cima e quase que a gente
não sobe, Miguel, porque quando vocês foram, vocês foram pelo outro lado. A gente foi pelo lado de cá, que era mais difícil ainda. E aí quando a gente finalmente chegou lá em cima, a gente viu realmente a carência de água, as pessoas andando quilômetros a pé para poder pegar uma lata d'água na cabeça, eh, cavar uma rocha para poder ver se juntava água na chuva. E e era uma seca terrível, tava tudo muito seco. E eu falei: "É, nós vamos furar um poço aqui." Aí disse: "Jad, tu sabe que aqui é muito alto aqui para
dar água." Meu irmão Jesus fe brotar água da rocha. Eu nunca vou esquecer quando e eh vocês foram lá que Jonielson subiu, né? Com os caminhões. A gente tava até pensando em pegar um trator para conseguir puxar o caminhão. Aí falou assim: "Pastor, olha, eu vou perfurar porque o senhor tá pedindo para perfurar, mas eu trabalho há anos aqui, não vai dar água não". [risadas] Eu falei: "Ô Joniel, será que Deus nos trouxe aqui para nada, rapaz? Vamos, vamos, vamos crer." Aí a gente fez uma oração, Senhor, tu fez brotar água da roça, senhor. Pode
fazer isso aqui de novo? E com 14 m, 14 m de perfuração, a mais de 700 m acima do nível do mar, a água jorrou, né? Então aquilo ali, eu falei, não, para Deus não tem nada impossível mesmo, né? A partir de agora, onde Deus nos mandar, a gente vai perfurar, né, Miguel? E tem sido transformador. Tem sido transformador. A gente já fez mais de 150 perfurações, né? E a e em atividade, que infelizmente perfurar não quer dizer que que tem água, né? Mas em atividade nós estamos com 55 poços em atividade. Louvado seja Deus.
Muito bom. Já muito bom. Tu lembra de outra marcante assim que eu eu compartilhei essa porque eu tava presente, né? Eu fui testemunha ocular daquela loucura do dos caminhões subindo uma ladeira super íngreme assim, né? Mach tem outras eh memórias de de outras perfurações tão emblemáticas quanto essa? Sim. Olha, tem uma eh aqui no povoado de São José do Egito que a necessidade maior deles era água para beber. Era água para beber. E a água deu salobra. E a água salobra ela serve no máximo para animar o bebê, né? Para porque o gado gosta da
água salobra. Ela ela ajuda os animais, ela ajuda algum tipo de irrigação que não seja diretamente, mas que seja por gotejamento, mas ela não socorre os seres humanos, né, rapaz? É, é daqueles momentos que que a fé brota, sabe? E por isso que a Bíblia diz que que é é um dom de Deus, né? Porque não é sempre que isso acontece, mas eu fui tomado ali por por uma revolta santa, sabe? Que eu comecei a chorar. Eu falei: "Ô Deus, mas tanto esforço, tanto dinheiro investido". E e eu pedi para todo mundo dar as mãos
ao redor do poço. Nós oramos, né? A água era salobra e pedimos a Deus para fazer um milagre. E quando foi dois dias pra gente fazer a inauguração que a gente provou a água, a água tava doce, né? Então eu vi um poço salobro virar doce, que é como a gente fala água potável, a gente chama de água doce aqui, né? E a água ficou doce, água salgada virou água doce. Então, eh, é uma das coisas assim que a eu costumo dizer quando eu vou pregar por aí fora que tem lugares onde o milagre é
desejado e tem lugares onde o milagre é necessário, porque Deus se revela através dessas coisas sobrenaturais, né? E e a gente vive numa numa circunstância aqui, Miguel, você é carizir, você sabe disso, onde as pessoas elas são muito muito religiosas, elas têm muito sincretismo religioso, ela existem religiões que prometem certos milagres. Então, quando esse tipo de coisa acontece, é Deus dizendo: "Ó, quem faz milagre de verdade sou eu, né? E isso somado ao verdadeiro evangelho sendo pregado, isso é poderoso demais, né? É o poder de Deus se manifestando. Isso é muito maravilhoso. É isso aí.
Ô Jade, quais são os grandes privilégios assim da missão que a gente compartilhou um pouco dos desafios, né? Tem toda a questão que você é peregrino nessa terra, você é de João Pessoa, não é daqui, né? Então os desafios a gente passa a tarde inteira listando aqui, né? Que que existem, mas quais são os grandes privilégios de de estar na no campo assim, cara? Primeiro de tudo é participar daquilo que Deus tá fazendo. Eu tenho a plena consciência que Deus ia fazer isso com sem mim. Se não fosse eu, ele levantaria outro, assim como tem
levantado muitos outros que fazem até melhor do que eu tô fazendo. É um grande privilégio participar do que Deus tá fazendo. Esse é o principal de todos. Mas também tem outros, eh, você servir a Jesus, as portas se abrem, sabe? As pessoas as pessoas elas lhe tratam bem. E é por isso que é tão triste quando alguém deshonra isso, quando alguém deshonra o chamado ministerial, chamado pastoral, porque o o cafezinho é diferente pro pastor, sabe? Tem lugar, tem casinha que a gente chega. Aí eu lá em Serra de Moça mesmo, eu até fiz um story
mostrando isso, a menina dizendo assim: "Cadê a chicrinha do pastor? Ela tem uma chicrinha diferente para quando o pastor vai visitar, sabe? Eh, a forma como as pessoas lhe tratam." Uma vez o apóstolo Pedro disse assim: "Ô, Senhor, o que é que nós que deixamos tudo vamos ganhar, né? A gente deixou o pai, mãe, irmão, casa, que é que a gente ganha com isso?" E o Senhor diz assim: "1 vezes mais." E para olhos despercebidos ou olhos cobiçosos, parece que Jesus está falando de bens materiais, né? Mas o que Pedro falou, que deixou foi irmão,
mãe, né? Casa. Então, o Senhor tá dizendo, você vai ter 100 vezes mais irmãos, 100 vezes mais mãe, 100 vezes mais pai. 100 vezes mais casas. Onde você chega, você tem uma casa. Onde você tem chega, você tem alguém que lhe trata como filho. Onde você chega, você tem alguém para chamar de irmão. Aqui mesmo, acabei de comer uma tapioquinha com queijo manteiga. Então o grande privilégio, Miguel, é fazer parte de uma família tão linda. Você conversa com um crente, parece que você conhece há há anos, né? E você acabou de conhecer, porque a família
de Jesus é grande demais. Esse é o maior privilégio. Muito bom. Muito bom. Eh, para só para ir para os encaminhamentos finais, tem uma pergunta que eu sempre faço nesses, nesse quadro que a gente tá fazendo, que é, eh, algumas pessoas fazem a distinção entre a presença de Deus e a presença manifesto de Deus, né? Deus está aqui, Deus está no nosso meio, ele está presente nosso dia, mas parece que em alguns momentos específicos a presença de Deus se manifesta de uma maneira mais palpável, que quase dá pra gente pegar, a gente sente de uma
maneira mais intensa assim. Então, tu tem lembrança de um momento que tu sentiu essa presença mais intensa, de maneira mais forte, incontestável assim na tua caminhada? Tem, rapaz, você você vai você vai me complicar porque eu sou batista. Ah, ótimo. [risadas] Ah, teve um povoado que a gente foi que você sabe, existe muito charlatanismo, existe muita, muito aproveitador, mas eu lembro que uma vez eu fui pregar e o clima tava muito tenso, era um povoado onde tinha muita influência de religiões, eh, nada, nada contra quem tem as suas religiões, mas dentro do cristianismo, a gente
sabe que a nossa fé ela tem um um contra vários contrapontos, na verdade com religiões de matrizes africanas. Eu fui pregar num povoado em que era assim, né? E eu percebi que ninguém tava prestando atenção, tava com o microfone na mão, tava tudo organizado, mas era menino correndo, era gente conversando, era um bar com som ligado. E eu disse: "Meu Deus, não vai ter como fazer esse culto aqui". E era a inauguração de um poço, né? e nem isso conseguiu. E aí o Senhor falando ao meu coração, ore por cura, ore por cura. E eu
falei: "Meu Deus, isso deve ser cois da minha cabeça". [risadas] E aí eu tenta, gente, presta atenção aqui, crianças, silêncio, tal. E sabe aquela visão de festa de aniversário de criança desesperadora. E aí eu soltei o microfone assim pro lá, falei: "Ó, atenção, gente". E aí todo mundo parou e olhou para mim. Deus tá me dizendo que vai curar aqui hoje. Aí todo mundo ficou quieto. F. Se tiver alguém aqui com alguma doença, alguma coisa, vem aqui na frente que eu quero orar por você. Aí o pessoal começou a vi, começou a vir. Aí eu
falei: "Meu Deus do céu, e agora?" [risadas] Aí eu comecei a orar, falei: "Deus, tu és o mesmo. O Senhor não, o Senhor não mudou. Pai, mostra quem o sen quem o Senhor é. Mostra mostra mostra a tua boa e poderosa mão, rapaz. Aí eu comecei a colocar a mão na cabeça das pessoas. Aí comecei a orar. Daqui a pouco, Miguel, tinha uma senhora que ela andava encurvada, ela desencurvou. Teve outra, ela tava bem empolgada, ela falou: "Sumiu, sumiu, sumiu." Eu falei: "Sumiu o que, minha senhora?" Ela sumiu aqui. A gente é um nódulo, né?
Mas ela fala: "Caroço, o caroço, o caroço que tava aqui." Ela quase que queria. Eu falei: "Não, minha senhora, eu acredito, [risadas] eu acredito." Um outro que tava com a hérnia no no no testículo também queria. Falei: "Não, eu acredito". coisa das assim e assim Deus fez de um jeito tão grande. Falei: "Então, gente, esse Jesus que curou vocês, ele tem uma mensagem para vocês e ali, a partir dali, Miguel, eh, as pessoas prestaram atenção na pregação, a gente pregou e vidas se converteram. Então, é como eu falei, existem certas circunstâncias onde fato existe essas
manifestações eh sobrenaturais, tá dizendo? É, é além do natural. E eu também acredito que são milagrosas. E milagre, o próprio nome já tá dizendo, é um milagre, não é uma coisa rotineira, não é quando se quer, é quando Deus quer, do jeito que Deus quer. Então assim, o campo missionário, ele me trouxe muita humildade, ele me trouxe muita dependência do Espírito Santo, sabe? Ó, no início eu eu vim para cá e eu sou um camarada que eu tenho uma biblioteca muito vasta, eu amo a teologia, eu acredito que a gente vive um período de pobreza
teológica, mas o campo missionário me ensinou que a teologia é uma das asas do ministério e só se voa com duas, né? Então, de certa forma, eh, ao vir para cá, essa dependência do sobrenatural, essa dependência de como você usou o termo que você usou da palpabilidade da presença, ela se tornou muito necessária. Eu lembro que que quando eu fui pregar uma vez e eu doido para colocar para fora toda a minha teologia, eu tava num povoadozinho lá no interior do Rio Grande do Norte, lá em Nova Floresta. Enquanto eu tava pregando, quando eu terminei
de pregar, eu satisfeito com cada um dos pontos divididos do meu sermão, com a elucidação, seu Zé se aproximou de mim e disse assim: "Pastor, que palestra bonita essa sua?" Eu falei: "Ô, seu Zé, muito obrigado. O senhor entendeu?" Falou: "Oi, entendeu? Eu não entendi, mas que foi bonita. Foi. [risadas] E foi ali que eu entendi o poder da contextualização missionária, da sensibilidade ao meio que você está, de que a palavra precisa ter clareza. Não adianta eu ser fiel ao que eu creio no sentido eh da da palavra, mas eu não consegui transmitir essa fidelidade
na linguagem que a pessoa entenda. eu não está sensível ao Espírito Santo para o que ele quer fazer naquele momento. Então, o campo missionário me trouxe humildade. Ele é uma grande escola para mim. Eu aprendi muito aqui. Ô J, e só mais uma pergunta, falei que era a última, mas só mais uma. Eh, e já chegou ao ponto de tu chocar a tua teologia, tu estudou uma coisa na sala de aula e aí quando tu vai pro campo, não, não tá batendo aqui as ideias, acontece disso, acontece tu mudar também de de postura, de posição
acerca de tema? Não, teologicamente não. Teologicamente eh, eu tive uma boa base, graças a Deus. Então, não tem nada teológico que eu diga: "Ah, agora eu, eu cria nisso, eu não creio mais." Não, não a esse ponto. Mas liturgicamente, a forma como o culto acontece, né? eh contextualização, a a cultura local, eh o modo de falar, às vezes o sermão que eu tava acostumado com aquele esboços de púlpito, às vezes é desenhar no chão, sabe? às vezes é usar umas pedrinhas como exemplo. Então, eh, dependendo, claro, para ficar bem claro, eu não tô dizendo que
o sertanejo ele é incapaz de absorver um sermão expositivo. Existem dois sertões. Existe o sertão rural, o sertão do povoado isolado, existe o sertão dos centros, né? Eu não tô falando da igreja onde eu sou pastor ou das igrejas do sertão. Eu tô falando da do lugar onde as taxas de analfabetismo são muito altas ou analfabetismo funcional ou onde as pessoas são mais simples, a cultura é mais simples. Você precisa transmitir o poder de Deus, o evangelho, mas de uma forma mais acessível. O que me fez eh entrar em choque foi muita coisa que eu
não aprendi no seminário. Por exemplo, o seminário não me ensinou a separar briga de marido e mulher com a faca na mão. O seminário não me ensinou a pegar numa enchada e fazer um tacho de cimento. O seminário não me ensinou a montar num lombo de jumento. O seminário não me ensinou a colar cano. Tudo isso foi o campo missionário que me ensinou. Então as muitas vezes o cara vem para cá, sabe, uma cultura de de acadêmica, o que é muito bom, mas ele tá vindo só com a metade da coisa. Todo o resto vai
ser a prática que vai ensinar, né? Perfeito. Perfeito. Então, quem quiser acompanhar teu trabalho, como é que faz? Pode acompanhar no nosso site, né? O nosso ministério é o conexãoid. Então, conexãoid.com.br, conchaid.com.br ou lá no Instagram @prjadermedeiros. Prjadermedeiros. Tá saindo daqui, vai acabar o posto de semana? Como vai ser? Tô indo agora lá para Camalaú, né? Que bom que deu certo a gente se encontrar, né? Eu tô indo lá para Camalaú encontrar com o pastor Mateia. Vamos fazer a visita em dois povoados e essa semana já vamos fazer mais duas perfurações em nome de Jesus.