e aí oi oi gente tem gente já aí presente e vamos esperar o pessoal chegar e aí e vamos esperar um um pouquinho todo mundo chegar só faltam dois minutos e aí a gente começa tá vamos tentar começar na hora porque pelo que eu entendi que a gente pode falar meia hora depois vai cair a live né e vocês tão conseguindo me ouvir bem gente bom então ouvindo só dá uma cena assim tão ouvindo bem oi tá ruim oi pera aí ah entendi tá torto né pera aí pera aí pera aí você diz assim e
é melhor gente para mim você é novidade tá só que aí eu tinha feito uma gambiarra que não vai funcionar vamos tentar pera aí para não ter que ficar segurando o celular pera aí pera aí deixa eu ver como é que a gente vai fazer e eu vou ter que segurar minha gente pera aí ó e aí ah tá bom assim como mentor tu né mas bom eu vou ver se eu consigo colocar aqui uma coisinha para segurar pronto pronto bom então vamos começar a gente eu sou valeska zanello sou professora do departamento de psicologia
clínica da universidade de brasília a ideia da gente fazer essas quatro lives aqui a gente tá vivendo um momento bem complicado bem difícil para todos nós né nessa questão da pandemia e a ideia também a gente poder ter um pouquinho de saúde mental estudar algumas coisas e nos preparar porque essa pandemia vai passar e a gente vai ter muito trabalho pela frente para desconstruir e reconstruir muitas coisas nesse país bom é dito isso eu queria compartilhar com vocês um pouco como é que surgiu o tema do da de saúde mental e gênero lembrando que aqui
a gente vai ter pessoas que são da psicologia o som da assistência social são da saúde mental mas também tem pessoas que estão aqui porque tem interesse nesse tema muitas mulheres que querem entender por exemplo porque que ela sofrem tanto nas relações amorosas homens também que se pegam sendo seis perdão sexistas bom então a primeira coisa que eu queria dizer para vocês é que eu era professora sou professora de psicopatologia então eu não vim da área de gênero minha formação de base eu sou formado em psicologia e filosofia é como é que surgiu o meu
interesse por gênero surgiu do cotidiano eu tava conversando com um amigo meu gay e o outro amigo o nosso que era gay eles tavam meio obrigado chegou para ele de seguinte cara vai tomar no cu e esse meu amigo virou e falou assim ah quem me dera e todo mundo começou a rir inclusive eu e aquilo ali despertou em mim a a ideia de caramba às vezes a gente quer ofender uma pessoa e aquela palavra não consegue ofender eu comecei a fazer pesquisa sobre xingamentos e foi muito interessante porque em geral quando eu falava para
as pessoas que eu pesquisava xingamento todo mundo dizia mas isso não é sério e xingamento é um verdadeiro uma verdadeira forma de controle social o xingamento é um sintoma social que aponta para um lugar que a gente não deve ocupar para um comportamento que a gente não deve ter então essa pesquisa não vai dar tempo de eu falar aqui porque ela é curta mas assistam eu fiz um ted ted ex chamado porque xingamos homens e mulheres de formas diferentes e teve vários desdobramentos fizemos pesquisas sobre o imaginário erótico porque xingamentos na esfera pública eram considerados
ofensivos na esfera pública eram considerados como excitantes na esfera privada pessoas que gostavam de ser xingados enfim então aí surgiu é esse ouvido para a questão dessa escuta para essa questão do gênero e con comitantemente eu dava estágio no hospital em brasília e duas coisas me chamaram a atenção como é que era recorrente na fala dos homens quando eles estavam muito mal queixas a respeito é de impotência sexual e também de não poder não poderem estar naquele momento sustentando as famílias mas geralmente a forma dos homens né de demonstrar o sofrimento vim através do delírio
e nesses delírios eram muito comum era muito comum que eles falassem então do tanto que eles eram potentes vocês vão ver isso no final do livro é na parte das masculinidades então quanto que eles tinham várias mulheres um deles dizia assim olha eu tenho várias mulheres inclusive eu traio eu sou casado com aquele que traiu com angélica então homens muito poderosos seja na esfera sexual seja na questão financeira e do trabalho então homens riquíssimos super bem sucedidos e no caso das mulheres aparecer muita queixa em relação ao amor principalmente depois da maternidade então aquele canario
é me traiu é e aí é um filho da [ __ ] tinha muita muita queixa mesmo amorosa e uma outra coisa e aí surgiu uma ideia eu tava com o ex-aluno meu na época o gustavo e eu pensei gente porque um dia a gente chegou lá no hospital tava tocando aquela música que vocês vão se lembrar chora me liga implora meu beijo de novo e todas as mulheres estão dançando eram são bem velhinho mas deu para ver que tava rolando alguma coisa ali que era uma catar se e aí veio a ideia da gente
fazer um projeto onde a gente passava músicas sertanejas que tinham representação desse amor de uma outra forma então não era ela sendo abandonada mas ela dizendo para o cara olha beijo me liga na saída eu vou viver a minha vida e gente foi muito interessante porque a gente contabilizou o número de contenções no dia das oficinas e simplesmente as condições foram praticamente zero ou seja a gente não curou mas a gente o gênero como uma forma de intervenção então só pra dizer assim que essas ideias surgiram há muito tempo atrás quem tiver interesse nesses temas
pode pesquisar dois artigos que estão lá no nosso blog a gente tem um blog chamado saúde mental e gênero onde tem várias pesquisas onde tem todos os membros do grupo de mestrado doutorado iniciação científica e vocês podem achar isso em dois artigos loucura e cultura uma escuta das relações de gênero nas falas de pacientes psiquiátricos a dus e o outro é mais música menos haldol uma experiência entre música farma.com e loucura bom além disso também a gente realizou análise de prontuários do serviço de saúde mental e a gente comparou sintomas e os diagnósticos e foi
muito interessante porque em geral mulheres eram diagnosticados com transtornos mentais comuns ou seja depressão e ansiedade e os homens em geral eram casos de psicose uma das mais graves de uma quebra maior que fica é o retardo e nos sintomas a gente percebeu o sangramento então para os homens apareceram os sintomas assim só no prontuário diminuição da libido não ter motivação para o trabalho isso já me chamou atenção porque muitas mulheres também não tinham libido e não tinham motivação para o trabalho mas não aparecia no prontuário dessas mulheres que que aparecia no prontuário dessas mulheres
poliqueixosa que algo muito usado hoje para as mulheres gente poliqueixosa é uma forma que diz qualifica queixa da mulher e dizer que ela sofre por muitas coisas e por nada ao mesmo tempo traços histriônicos obesidade tinha muitos homens obesos mas isso não apareceu nos prontuários masculinos desse prazer nas tarefas domésticas libido exacerbada para os homens às vezes a gente chegava lá os homens tiravam pênis para fora e isso não era considerada exacerbado afinal em aspas o homem sente tesão mulher não é uma coisa que me chamou muita atenção que foi choro e motivado eu tenho
mais de 20 anos de clínica e eu nunca vi uma mulher chorar sem motivo então isso começou a me chamar atenção geralmente eram mulheres diagnosticadas com depressão para mim sua ponta aqui ou clínico não quis ouvir aquela mulher ou desqualificou o motivo pelo qual a sofre e um desses casos eu me aproximei para conversar na quinta vez que eu me aproximei e que ela não tava chorando a mayara é uma é um nome é fictício ela começou a me contar então de sete anos de estupros no casamento e aí começou aparecer uma coisa também muito
importante a invisibilidade da violência contra as mulheres na saúde mental gente estupro no casamento é algo muito rotineiro no nosso país a gente vai falar sobre isso quando a gente for tratado o dispositivo amoroso eu nunca na minha vida nunca atende uma mulher heterossexual que nunca tenha feito pelo menos e fez na vida dela sexo sem vontade que que é uma mulher heterossexual adulta é uma mulher que aprendeu a usar o seu corpo como objeto de barganha nós vamos falar disso mais para frente tá então três aspectos se destacaram um o quanto o ato diagnóstico
em saúde mental não é um ato neutro é permeado pela subjetividade do profissional de saúde então do psiquiatra do psicólogo e aí a gente vai ter vários valores que pode passar aí pela questão do classicismo mas a questão do gênero é muito forte e que se não for problematizado qual é a grande chance de ser uma violência institucional segundo o quanto os sintomas em saúde mental são gendradas então por exemplo choro é muito difícil a gente vê um homem chorando porque os homens eles são interpelados a não chorarem no tipo de masculinidade que a gente
tem no nosso país geralmente os homens mostram o sofrimento a dor através da agressividade da irritação então a gente precisa oi e o terceiros próprios manuais de classificação que são utilizados a saúde mental também passam por um viés de gênero então exemplo no diagnóstico de depressão um dos sintomas ea tristeza e o exemplo que é dado da tristeza é o choro isso faz com que a gente veja muito talvez muito mais depressão em mulheres do que em homens bom então tem vários artigos sobre isso eles podem entrar lá no blog que que é interessante isso
começou a chamar a atenção de como é que as mulheres e os homens trás e um motivos de sofrimento e de quebra psíquica diferentes ou seja isso me fez perguntar o que que faz as pessoas quebrarem que secretamente vejam que eu não estou dizendo causa tô dizendo uma pedra psíquica ou seja o que que tem nesse modo de se tornar pessoa pessoal homem pessoa mulher e que facilita e que torna vulnerável essa quebra então as mulheres principalmente na questão amorosa e da maternidade os homens na questão do trabalho e do sexo e é sobre isso
que nós vamos falar nessas duas semanas bom antes de eu de eu começar porque agora eu vou falar o quê que é gênero vou falar um pouco das tecnologias de gênero eu quero mostrar vocês viram que o livro tá aí em download gratuito então baixa em que a ideia que eu vá apresentando que vocês complementem através da leitura mas vejam esta é a capa do livro gente essa imagem é é um quadro a imagem de um vaso que pertenceu os meus avós paternos meu avô era um homem que viajava muito a trabalho e numa dessas
viagens ele trouxe esse quadro esse quadro ficava no lugar onde é a família dos meus avós fazia a refeição e a meu avô meu avô e minha avó tiveram vários filhos meu avô um homem patriarcal como todos os homens da geração dele e numa dessas viagens os meus tios pediram a vamos fazer uma festa vamos fazer uma festa e minha avó porque era proibido dançar música lenta era uma coisa considerar eu e minha avó como quase todas as mulheres que aquela coisa não não vamos fazer nós dois aqui não conta para o seu pai não
é sempre tão botando panos que em sempre tão dando um jeitinho minha vó falou tudo bem vocês podem fazer a festa desde que no outro dia caso esteja organizada e que não sobe um vestígio do que aconteceu e assim foi feito foi um festão esse quadro foi retirado da parede e foi colocado num canto só que nesse canto te entrego e esse quadro foi perfurado tô no outro dia quando eles foram arrumar minha vó viu o que se passa um furo e minha avó é uma gênia do cotidiano minha vó tem 97 anos tá vivo
ainda e ela não teve dúvida ela botou esparadrapo atrás do quadro só que ficou um buraco branco e aí além de tudo a [ __ ] é pinta bem ela pintou gente essa araucária então essa é a araucária foi minha avó que acrescentou o quadro eu e meu avô passou o resto da vida ele se sentava na mesa de jantar e ele dizia assim mas maria esse quadro só tinha uma árvore e minha avó dizia se você tá ficando doido homem claro que esse quadro tinha duas árvores e meu avô morreu sem saber dessa história
e essa é uma história engraçada na minha família e a voz cheia de histórias como essa a gente morre de rir mas eu como estudiosa de gênero não posso deixar de me perguntar que lugar é esse que nós mulheres nos constituímos psiquicamente como responsáveis pelo bem-estar dos outros é ou seja talvez para mim fica uma uma mensagem talvez tenha chegado o tempo de deixar os homens terem que ser a ver com o próprio buraco não se esqueçam silêncio e a gente vai falar desse em outra nas outras lives o silêncio é um corportamento de entrado
o silêncio ele é prescrito para as mulheres as mulheres aprendem a se calar pelo bem-estar dos outros e das relações não e aqui doença mental de mulher é depressão e ansiedade as mulheres engolem as palavras implodem científicamente bom dito isso então a gente precisa falar um pouco é primeiro o que que é gênero e quais são os caminhos de constituição de se tornasse homem e mulher na nossa cultura vejam só a gente tá vivendo um momento político complicado onde onde pessoas que nunca leram um livro de gênero se dão o direito de opinar sobre gênio
eu vou falar da ideologia de gênero desconhecendo o que significa gênero gênero é um campo que têm pelo menos 50 anos de pesquisa séria científicas e que a gente precisa respeitar para a gente entender o surgimento dessa palavra que eu primeiro preciso dizer para vocês o seguinte o conceito de pessoa não é meramente um conceito biológico é um conceito antropológico sociológico para vocês terem ideia tem sociedades que consideram o golfinho pessoa e na nossa cultura ocidental indígenas não eram pessoas pessoas negras não eram pessoas por exemplo no século 16 e mulheres não eram pessoas foi
com muita luta política que esses grupos conseguiram conquistar direitos e serem reconhecidos pelo estado como pessoas para a gente entender o surgimento da palavra gênero a gente precisa então entender o movimento de mulheres em geral se dividir hoje em quatro tem gente que fala até em cinco ondas né do movimento de mulheres ondas feministas que tem várias críticas gente mas didaticamente é muito bom para nós aqui vai nos interessar até terceira onda quais foram essas ondas a primeira onda foi a luta das mulheres pelo direito ao sufrágio lembrando que isso no brasil se deu muito
recentemente se eu não me engano o primeira vez que as mulheres brancas letrados puderam votar ou conseguiram o direito de votar foi 1932 mas o direito universal de todas as mulheres votarem só veio é de redemocratização então a primeira onda feminista é a luta pelo sufrágio final do século 19 e começo do século 20 a segunda onda ocorreu na década de 60 60 para 70 vejam esse momento é que surgiu a palavra gênero essa palavra vejo um autor de um médico psicanalista chamado robert stoller e nesse momento o que que é considerado o gênero bom
nesse momento você acredita que existe uma diferença física anatômica e inquestionável indubitável entre homens e mulheres e os gêneros seria uma construção social a partir dessas diferenças são os famosos papéis sexuais papéis de gênero nesse momento se pensa ainda o masculino eo feminino a mulher e o homem no singular então houve várias críticas por esse tipo de pensamento principalmente de mulheres que não se viam representadas mulheres negras mulheres indígenas mulheres ciganas mulheres o que as mulheres latinas e os homens também porque da mesma maneira masculinidade era pensada no singular homens gays homens negros homens latinos
a terceira onda ela surgiu ela aconteceu na década de 80 e o ápice dela foi no final da década de 80 a principal autora é a judith butler talvez a mais importante a mais reconhecida e ajuste butler ela trouxe contribuições muito importantes para o campo de estudos de gênero primeira coisa que ela diz o seguinte e a própria construção da diferença física é uma construção de gênero em geral as pessoas não entendem dizer se a mulher é uma louca existe pinto existe pênis existe vagina e como é que ela tá questionando agora tudo é cultura
tudo agenda aí a gente tem que entender o que que ela tá dizendo como eu falei para vocês no começo da larga eu sou formado em filosofia eu vou tentar explicar de uma maneira sucinta essa ideia e a gente vai precisar de três pontos para isso primeiro é pensar em relação entre palavra e coisa veja é desde os gregos existe uma discussão sobre essa relação e várias posições mais uma coisa em geral os filósofos concordam é que eu não tenho acesso a coisa por e simplesmente as coisas sempre me aparecem interpretadas pela linguagem falar em
interpretar falar é permitir que algo vem a ser de uma determinada forma um exemplo que eu sempre dou nas minhas palestras é mesa e a nossa cultura serve para muita coisa serve para sentar serve para estudar serve para comer e não serve para várias outras se eu pegasse essa mesa jogasse lá no meio da amazônia e um determinado povo tradicional que nunca tivesse tido contato com os brancos pegasse a mesma chamasse de tite e e tratasse como um totem esse daqui a dez anos o antropólogo se ele tiver contato com essa comunidade ele vai poder
traduzir oração a ti ti por oração a mesa não porque tite mesa não são a mesma coisa apesar da mesma materialidade fala interpretado por isso que os movimentos das minorias lutam tanto pelas palavras gente por isso que o movimento negro luta tanto para separar palavras que juntem a negritude com coisas pejorativas por isso que a gente luta também quando te vi lá a gente teve uma presidenta quando a gente recrie as palavras a gente rede descreve o mundo e a gente cria novas emocionalidade diz então falar é sério segunda eu tô explicando a frase da
butler segundo vem da contribuição a gente precisa que da contribuição da gestalt pessoal da psicologia tá careca de saber isso aí mas talvez os demais não que que ele está eu te falei a teoria da percepção que todo ato perceptivo ele é feito elegendo um foco e um fundo é impossível você ter foco e fundo no foco ao mesmo tempo então aqui tem um exemplo eu separei aqui no livro é esse essa uma imagem muito comum se você focar sua atenção da parte preta você vai ver uma taça e se você focar na parte branca
você vai ver duas faces é impossível ver as duas coisas ao mesmo tempo e por que que eu tô falando isso existe um autor muito importante nos estudos de gênero que eu tô mais lá quer e esse autor ele fez uma pesquisa exegese é exegética de interpretação dos manuais de anatomia e fisiologia na história do ocidente e o que que é seu e ele percebeu que até o século 18 os órgãos reprodutores masculinos e femininos eles tinham como foco a retração da semelhança e não da diferença então aqui é um exemplo de imagem do século
16 do órgão reprodutor feminino gente é um pênis né é um pênis e o quê por quê que sucedeu e por que mudou veja até o século 18 que predominou foi a teoria aristotélica aristóteles acreditavam que não existe uma diferença essencial entre homens e mulheres mais degraus as mulheres eram consideradas como homens menores homens incompletos homem sub-desenvolvidos então se acreditava que todo mundo tinha um mesmo órgão reprodutor só que o das mulheres era embutido então existem registros históricos que contam seguinte menininhas que estão correndo isso no século 16 que pula e o pênis sai a
valesca como é que pode gente eu não sei mas a questão é você acredita o que não era uma diferença essencial e no século 18 a retratação passa a ter como foco a diferença e não há semelhança e o que que aconteceu em geral as pessoas ela senta esse pão e dizem obviamente foi um avanço da ciência e o arqueiro é muito taxativa eles errado a o motivo foi muito mais ideológico do que científico o que que tá acontecendo no século 18 a consolidação do capitalismo e o capitalismo gente traz uma grande novidade para sociedades
ocidentais que a ideia de mobilidade social se você nascesse na idade média se você nascer sei lá no século 16 filhos de pedreiro você é ser pedreiro seu neto é ser pedreiro ou padeiro mesma coisa grande parte dos sobrenomes que aqui no brasil a gente achar que coisa maravilhosa e gera uma profissão porque todo a família seguir a mesma profissão mas vejam capitalismo traz uma ideia de mobilidade social para todos e não para todas como justificar que uma parcela da população a leia e seja realizada dessa ideia de mobilidade social transformando diferenças físicas em razão
e justificativa para desigualdades sociais e nesse momento que surgem as teorias raciais também e que vão despontar no racismo científico o capitalismo ele precisa de quatro grandes patas para sobreviver o racismo o sexismo o classicismo e o especismo que é uma relação de instrumentalização dos animais que é comum na nossa cultura veja então nesse sentido sexismo eo racismo andam de mãos dadas em ambos a partir de uma característica física do dia que você nasce você colocada no lugar de desempoderamento tá eu considero no nosso país a principal forma de opressão racismo e logo depois o
sexismo são a gente nas lives eu também vou tentar abordar um pouco dessas interseccionalidades porque eu acho que isso é muito importante bom dito isso voltando para frase da ju o que que ela quer dizer que a própria diferença física é uma construção de gênero que ela tá dizendo que certas diferenças físicas foram eleitas um certo momento histórico para justificar as desigualdades sociais é nesse momento também que surge a separação entre o público eo privado o homem vai para a esfera pública e ele faz em aspas o verdadeiro trabalho que vai ser remunerado e reconhecido
e nós mulheres pelo fato de sermos portadoras de um útero somos vistas como tendo vocação para cuidar das crianças e cuidar da casa então aí também que se começa a construir o ideal de maternidade que eu vou falar na live do dispositivo materno bom dito isso o que que a judith butler fala sobre gênero ela diz o seguinte gênero é uma repetição estilizada de performances que diabos é isso gente performance do teatro quando você vai ao teatro existe um script e o ator-performer skript cada ator pode dar um pouco nós vamos colocar sim do seu
gingado para o papel mas essa liberdade não é total senão você nem percebe o script e nem que aquela peça isso acontece no cinema às vezes o mesmo filme romeu e julieta per formado por atores diferentes então gênero é um script que existe culturalmente historicamente feito e é sempre um gerúndio porque está sendo construído agora e reforçada agora e que diz como você deve performar em sociedade sexistas o binarismo é muito claro binarismo que é construído não é natural como você deve performar como o homem ou mulher quando você performa adequadamente você reforsado e quando
você não performa adequadamente você é bonito desde uma punição social como xingamento a punições e institucionais direito área mesma violência institucional a saúde a gente pode depois até pensar uma live sobre isso e como é que são interpelados essas performances através das tecnologias de gênero que são tecnologias de gênero esse é um conceito que foi cunhado pela teresa de lauretis é uma feminista que eu gosto muito e quer dizer o seguinte são produtos culturais que não apenas representam essas diferenças esses valores esses ideais de gênero mas reforma e reafirmo o seja estão criando o próprio
gênero agora maior exemplo das tecnologias de gênero são as mídias filme música é a gente pode depois até eu tô até pensando em fazer umas lajes só sobre tecnologias de gênero então olha só vou trazer alguns exemplos para vocês é eu sei que muitos de vocês aqui assistiram o desenho da pequena sereia qual que é a ideia qual que é a história da pequena sereia ariel é uma sereia super curiosa que faz tudo que dá na tenda o pai dela diz assim não vai em tal lugar ela manda ver a tela me diz uma tecnologia
de gênero voltada para mulheres que não coloque como algo central o mais importante o essencial um homem e aí o que que acontece ela simplesmente vai barganhar com a úrsula que a bruxa do fundo do mar para trocar para perder a cauda de sereia é um corpo de mulher e o que que ela abre mão gente avós avós nesse momento ela pergunta mas se eu abrir mão da minha voz como é que eu vou conquistar o cara e a úrsula começa a requebrar e disse para que vó se você tem quadrice e não satisfeito os
bichinhos que estão em volta dela cantam a seguinte a musiquinha o homem abomina tagarela garota caladinho ele adora se a mulher fica falando o dia inteiro e fofocando o homem se zanga diz adeus e vai embora não não vai querer jogar conversa fora se os homens fazem tudo para evitar sabe quem é mais querida é a garota retraída e só as bem quietinhos vão casar gente duas grandes pedal a efetivas nesse desenho um que a coisa mais importante na vida de uma mulher e ter um homem e se você quiser ter e manter um homem
você precisa aprender assim calar vejam as memes que estão rolando em tempo de convide que a mulher fala mulher não para de falar as meninas só vão mostrar as coisas que a gente tá tá vendo aqui tá é um exemplo aí vamos eu sempre gosto de provocar os homens porque às vezes é difícil a gente tem empatia por um lugar que a gente desconhece então vamos pegar um exemplo mas eu vou fazer um contra-exemplo que são as propagandas de cerveja em geral como é que são propagandas de cerveja os homens estão lá na mesa do
bar e aí passa uma mulheres têm menos né as garçonetes e o cara de assim vem verão aí você não sabe seu peito é a bunda se a cerveja vamos fazer uma analogia vamos supor que as propagandas de cerveja fossem assim nós mulheres na mesa de bar tô passando os homens né como garçons passando nos de pênis ereto e que a gente ficasse nossa olha aquele fininho muchibento olha tortinho nossa que ele é ligar som eu quero uma tulipa grossa e comprida gente talvez os homens começassem a transar de luz apagada então eu chamo atenção
e esse é um ponto importante que essas tecnologias degeneração acontecendo o tempo inteiro o tempo inteiro é dito isso então é importante a gente apontar como é que é cultura cria caminhos privilegiados de se tornar homem e mulher tornar-se pessoa na nossa cultura no brasil hoje o binarismo ainda funciona eu trabalho com binarismo estratégico tá ou seja não é uma essência natural metafísica mas exercício da cultura então a gente precisa pensar em termos teóricos até para dar conta dos fenômenos a gente lida hoje o termo gênero tem sido usado em pelo menos três sentidos diferentes
o primeiro deles é a questão da construção do masculino e do feminino feminino então aí é o binarismo então eu trabalho com conceito de uma altura chamadas piva que é o binarismo estratégico o segundo orientação sexual e o terceiro a identidade de gênero que tem a ver nascer com uma certa parte do corpo e tem que ter uma identidade relacionado a esse binarismo que eu apontei veja a gente esse é um ponto importante subverter orientação sexual não necessariamente te leva a subverter os dispositivos de gêneros eu vou explicar nas próximas lives tá e vou provocar
vocês também principalmente os homens gays no mundo gay a misoginia infelizmente não é desconstruído e a gente precisa de vocês também para desconstruir quando eu for falar dos dispositivos talvez eles fiquem tá bom então só pra gente finalizar live vamos combinar o seguinte quem é da psicologia leia o capítulo 1 e 2 primeiro capítulo ele é mais teórico ele epistemológico ele é mais denso ele é mais chato de ler eu sei disso para quem não é da psicologia ou não trabalha com saúde ou assistência social pula logo lá para o segundo se quiser ler um
pouco sobre a história da psiquiatria como é que é psiquiatria uma história dos homens sempre teorizando sobre as mulheres vamos lá no primeiro capítulo eu vou falar da importância da cultura na construção desses caminhos de subjetivação na construção das emoções então as emoções como apreendidas também e no capítulo 2 eu falo sobre o que é gênero e falo dessas tecnologias de gênero então na quinta-feira a gente vai falar especificamente sobre o dispositivo amoroso é muito importante beijo gente só pra gente finalizar eu e nós somos tecnologia de gênero uns para os outros um exemplo que
eu gosto muito de dar para nós mulheres qual é uma das primeiras perguntas que nos fazem quando a gente vai por exemplo numa no encontro de natal ou quando a gente encontra uma amiga que a gente não vê muito tempo amiga e aí tá namorando casou isso é tecnologia de gênero o que que você tá informando para colega que a coisa mais importante na vida dela é ter um homem você não pergunta do mestrado doutorado que ela fez ela viajou comecem a mudar vocês como tecnologias de gênero comecem a pensar quando vocês reproduzem e interpelam
certos dispositivos certas performance de gênero em outras mulheres a gente vai terminar a live agora eu vou encerrar eu vou salvar e aí na quinta-feira a gente se vê para falar do dispositivo amoroso eu via não deu para ler os comentários que se eu ler e me concentrar mas eu vi que algumas pessoas pediram para a gente poder colocar o link dos artigos eu vou fazer isso tá eu vou pedir ajuda dos universitários gente porque eu tô sozinha aqui e eu adoro tecnologia mas eu não sou muito boa nisso não então beijo nos vemos quinta-feira
se tiverem dúvidas questões eu não posso prometer que eu vou conseguir ler tudo até quinta mas mandem para o nosso blog qual é o e-mail saúde mental e gênero sem acento e tudo junto arroba gmail.com a gente se vê então quinta-feira comecem a ler o livro tá bom porque aí a gente vai ficando mais afinado e também se preparando para os próximos encontros então beijo gente até quinta-feira