Viver não é tão difícil, não precisaria ser tão impossível. Não somos seres de bem-estar. O humano é conflito, conflito estrutural entre pulsão e forças e recalque. O tempo inteiro gera mal-estar na civilização. A gente tá numa fase que a gente se autoriza a pulsar. Será que a civilização ela não tá sofrendo do mal-estar de assistir a pulsão livre, agressiva? A gente transfere pro outro poder, saber, a gente pede, me diz o que que eu faço? A gente não sabe quem a gente é. Eu esperaria que a gente fosse caminhando para mundo em que a gente
estamos começando mais um Lutos Podcast. Hoje eu tenho a honra de receber Maria Homem. Muito obrigada pelo convite. Obrigada você por ter aceito. Eu tava te falando em off que você é um dos nomes mais pedidos aí. Eu tava te falando que meu professor de música também é seu fã. Conheço muita gente que gosta do seu trabalho. Então, olha, é uma honra. Ó, manda um abraço pro professor de música, para todos os seus fãs, eu dou pessoalmente, né? E que bom, fico feliz, né, de saber isso. Que bom. Você começou tua carreira, eh, você se
graduou em psicologia mesmo, né? Mas depois fez filosofia, mestrado, doutorado. Sim, exato. Mas aí você começou trabalhando no CAPS, não foi isso? Aham. Nossa, tá por dentro, hein, Lotes. Muito bem. estudou a personagem, mas eu acho que eu mesma fiz, né, recentemente um post, porque muita gente me perguntava isso. Pera aí, como que você você fez o quê? Da onde? Como você chegou na psicanálise? Como você foi para esse universo mais público, né? como você foi usar a psicanálise como instrumento, né, para, não sei se a câmera pega esses instrumentos todos, mas assim, como instrumento
de leitura do mundo em que a gente vive, né? Então eu sempre fui uma alma inquieta, digamos assim, mas e aí eu fiz um post recentemente, se as pessoas aqui quiserem lá ver, ele tá no pin. Ele tá eh pregadinho ali no nosso postite ali para ver que eu fui lá e fui contando essa história, que é essa mesma que você falou. Eu fiz, na verdade, eu posso começar antes um pouco porque a minha história para você depois ver onde que eu tô. boa que eu eu deveria ter posto no meu próprio carrossel, mas é
assim, eu sou a primeira filha, né, do dos irmãos, então somos três irmãos, eu sou a mais velha. E isso eu eu até hoje acho, a psicanálise também sabe que a posição da chegada ao mundo, ela é ela é relevante, né? Você ser o caçulo é um certo lugar. Você ser o primogênito é outro. Você ser do meio, não é? Você ser menino, menina. Isso é a tragédia edípica humana clássica, não é? Hum. Você é qual? Eu sou filho único. Então é outro, é outro, é outro trágico, né? É outro. Eu é, eu tenho, é
mais mimado, né? Eu tenho um filho, eh, como diz uma amiga minha, já não compete. Então, eu acho que também tem um peso, né? O olhar de ambos os pais está sobre aquele objeto, aquele ser. Então, você imagina isso. Mas no meu caso, eu nem falei por causa de olhar e a eh, enfim, mais porque aí minha mãe, talvez meus pais falavam assim: "Ah, ensina seus irmãos, né?" Então assim, você aprendeu primeiro a ler, escrever, ensina aí matemática, eh, toma conta, da da, sei lá, vai ajudar a dar banho, vai vai ajudar a olhar, né?
Então, eu sempre dei a aula desde que eu nasci, desde que eu me conheço por gente, eu sou aquela que cuida, que recebe, que aprende, né? Vai lá meio no abrindo o facão, né? mato no facão, vai dando umas tropeçadas e vaiá e aí transmite para essa essa, né, esse lugar do espaço público e e de escrever, de falar, que é onde eu tô, né, onde estamos, assim, ele é um lugar que é da transmissão. E eu gosto, adoro isso e e me alimenta, né? Porque não é só eu tô aqui e eu te ensino,
então porque eu não sou mais a primogênita, né? Mas de alguma maneira eu gosto desse poder distribuir, né, o que eu tô aprendendo e muito da troca, né, de de qualquer lugar que eu vou aprendo, né? Você me fala: "Ah, você toca e J, eu falo: "Você toca Jz free J você toca". toca, né? Então assim, eh eh se eh eu gosto, né, desse, eu sou uma pessoa curiosa, então eu acho que tem a ver, por isso que eu contei. E aí um outro detalhe que também é biográfico, que eu acho que também tem a
ver com onde eu tô hoje, que é o seguinte, eu sempre fui muito, essa curiosidade é o bem e o mal, né? Porque você vai para todo canto, mas aí você se perde porque você acha. Então eu entrei aqui, bati o olho, eu falei: "Pô, você lê Behave, né? Porque eu já olhei o Sapsk, que é um, né, um livrão, é difícil. Ele deu um curso que tá no YouTube, que também recomenda, talvez tenha até legenda. Então assim, o livrão, eu gostei, eu gosto, eu vou nessa história biologia, acho que, né, uma coisa neuroendócrino que
é meio psiconeuroendócrino do meu humilde ponto de vista contra ele próprio, porque enfim, então eu já venho, já bato o olho, aí tinha que escolher exatas humanas biológicas, lembra disso? Aliás, você tinha muitas dúvidas assim, muitas. E olha só, para resumir, você era aquela pessoa que gostava, conseguia ver, eh, achar interessante todas as matérias. Exato. Era louca e que eu até hoje eu amo uma escola, né? Tô fazendo uma escola, eu tenho, né, uma escola, uma academy, um lugar que é de cursos. Então, imagina. E vou indo, claro, a lupa, como eu mesmo escrevi no
no livro, né? Poxa, eu devia ter te trazido, mas enfim. Lupa da alma. Eu depois te mando. É essa ferramenta maravilhosa, psicanálise, para você olhar a alma humana e ela pode estar no profundo de uma vida, um divan, uma história no individual. Ela pode estar na família, nos amigos, num numa psique de um país, um projeto que eu tenho, acho que eu posso talvez dar um spoiler aqui, é pensar um podcast que tem a ver que país é este, que país queremos, né, pra gente talvez tentar recosturar o Brasil, né, da despolarizar para colocar os
polos em comunicação para pra energia eletromagnética voltar. tá a fluir, né, de de uma maneira, enfim. Mas eu a então comecei com exatas, que eu era bom em matemática e que maneira. Não, não esperaria isso. Legal. É, não, todo mundo se surpreende. Na verdade, eu fiz um colégio na Paulista que chama São Luís. É, eu sou do tempo que ele era na Paulista. Agora ele mudou primeira poera. Mas era lá dos jesuítas, sabe? Colegião, tal. E eles punham os alunos para dar aula pros outros e pro quem queria entrar, para quem fazia cursinho do colégio.
Então eu sempre dei aulinha pros irmãos, pros vizinhos, pros amigos, pros colegas da classe, depois pro no São Luís e fui indo física, química e matemática. E eu dei até durante a faculdade. Aí eu ficava dando aula de física química. Que maneira. Enfim. E aí eu então entrei em exatas no primeiro. Aí depois eu falei: "Ah, super interessante a lógica". Acho que Lacan para mim é fácil porque uma vez você pegando aquela linguagem do Lacã que é intrincada, que é rococó, que é difícil, é que nem Guimarães, é outra língua, mas uma vez que você
entrou é maravilhoso, é incrível. Você e o Lacan essa linguagem com a lógica. Você vai estudar a lógica, tem letras S1, S2, A, grande A, pequeno A, espelho. Tem para mim não é isso, não é o difícil do Lacan, isso é o é o que elucida a obra. Porque minha mente é essa, né? Como como disse o pai do meu filho, há dois dias que a gente estava discutindo disso para ele, que vai ter que pensar sobre isso, ele falou: "Eu vou te falar, a tua mãe é exatas, tua mãe engana, tua mãe engana". Eu
falo, não é que eu sou, eu sou eh, nem sei. Essa divisão podemos discutir, mas acho que a base é sempre lógica. O objeto pode ser de exatas, de humanas ou de biológicas, certo? Qual é a lógica da vida? Qual é a lógica da célula, do neurônio, do neurotransmissor, do hormônio, desse sistema que se comunica e aí você junta o significante, a palavra, o simbólico. Isso é a alma humana, né? Uhum. Aí eu fui fazer um cursinho no primeiro de programação, porque daí imagina isso faz 30 anos, uma décadas. Aí eu eu falei: "Ah, né,
computador, lógico, é o futuro, né? Eu tava certíssima. E aí fui fazer e aprendi assim, era bem básico, ficó, eu nem lembro os nomes, mas aí você entende que é assim, vai ter um input, você recebe, né, aquele dado, você vai direcionar, você vai falar, ó, se tal coisa, então vai para cá, se tal outra vai para lá e você fazendo uma árvore. E é essa estrutura. Eu falei: "Ah, que interessante". Aí fui fazendo, fazendo, fazendo. Chegou no fim do ano, eu falei: "Entendi, tem graça isso aqui. Eu não vou passar minha vida inteira. A
vida é mais complicada que isso. A vida tinha uma angústia, né? Aí que que eu fiz? Acho que a medicina porque poxa, o cérebro, meu outro objeto era o de paixão, era o cérebro. Mudei, fiz esse vchame, passei, mudei de sala, de amigo, de turma, fui para biológicas no segundo. Aí tava lá, poxa, medicina, neurologia, né? Queria operar o cérebro, entrar na cabeça das pessoas. Você já tinha tido contato com eh livros e tudo mais, com textos da de Freud, esse tipo de coisa? Olha, essa época eu li, por acaso, era banca de jornal, o
mesmo livro que eu te falei, que eu que eu estranhei, que não tinha na biblioteca, Freud, que você me falou que você gosta de psicologia, então, malestar na civilização. Olha aí. Eh, na verdade tinha outro caminho que eu sempre conto e conto em entrevista tal, que eu sempre gostei de ler, sempre fui maníaca do livro. até hoje. E o caminho eh para eu chegar até aqui é longo, né? Então eu eu atravessei a cidade e alguém dirigia para mim, que que eu faço? Aí eu tenho meu livro na bolsa. Então, tá ali na minha bolsa
o livro que eu tô lendo, que é a minha mais nova paixão, que eu acabei de voltar eh da França e meio com atraso me apaixonei pelo pelo Eduardo Luiz e tô lendo essa história de vida muito interessante que, enfim, que é outro capítulo. Então, eu era mergulhadíssima nos livros e fui ler Machado de Assis, que tinha na biblioteca da minha avó. Aí eu falei: "Nossa, foi o machado que me levou paraa psicologia". Olha aí, porque de alguma maneira é, né? E aí você vai ler aí Machado, Shakespeare, Clarice e mais tarde que eu ligueães,
que acho que para mim são todos e o Freud, acho que eu colocaria todos esses essa meia dúzia assim como, né, maravilhosos escritores e conhecedores da alma. Aí eu não mudei de sala, que eu fiquei com vergonha de fazer esse papelão, né? Um ano cada uma, mas eu prestei, ainda tinha dúvida, porque eu falava assim: "Ah, eh, diplomacia, porque tem a guerra, porque o mundo é muito louco, né? O mundo é muito louco e eu tô até hoje com essa mesma. a gente tem que ter um delírio para poder trabalhar e tem que ser um
delírio bem assim, ele tem que ser um pouco meio sem propor, tanto faz a proporção, mas você tem que se ver em algum lugar para você conseguir operar no mundo, né? E operar na realidade. Aí até hoje me surpreende. Como assim você mata? Como você você mata para terra, para ter ouro, para ter palácio, para para dizer que o seu Deus é o é o verdadeiro? Não, não, não, sabe? Então, aí eu falei, tem que fazer direito, né, para prestar Rio Branco e fazer diplomacia. É isso. Aí eu fiquei na dúvida. Aí no fim eu
não consegui decidir essa dúvida e prestei psico na USP, direito na PUC. Foi isso que eu prestei. E e claro, eu como era maníaca de lei e até sou, eu era muito CDF e sempre tive facilidade. Acho que também não sei, tive uma boa educação, né? Eh, boa educação, não da boa escola, que por acaso também tive. E meus pais eram imigrantes que davam valor a boa educação, minha minha família, né? Mas não é nem isso assim, sabe, de ter casa de vó, de pular eh o muro, de soltar pipa, de de ser livre. Tive
uma educação de liberdade, acho que isso ajuda o raciocínio. Então, eu não tinha problema nenhum na escola. E eu era bagunceira, faltava, chegava atrasada, tirava 10. Era mais ou menos esse perfil estranho e entendia alguma coisa. Então eu poderia fazer medicina, engenharia, computação, psicologia, poderia e fui super bem no vestibular. E terminei nessa encruzilhada. Comecei, fiz as matrículas, fui tocando, mas a USP era integral, a psico. E aí teve um evento trágico na minha vida e complicou tudo e eu fiquei na psico. Foi mais ou menos essa história. Então você vê que tudo isso que
eu contei está aqui até hoje, porque eu continuo atrás da lupa da alma, seja pela por tudo que você lê, de ficção, de não ficção, o que você lê, o que você escreve, o que você escuta, o que você recebe, o que você fala, o que você produz também por fala ou por escrita sobre a pluralidade que tá aí da vida. O que eu tenho é um método, né? É, é o único método que é esse analítico, né? Que que é basicamente você tá, você recebe tudo, mas que que tá aqui no subterrâneo? Que que
tá rolando? Pera aí. Todo esse papo para para que você quer chegar onde que você tá falando? Sabe assim, não você, mas assim, o Trump, entende? o Bolsonaro, o Lula, assim, a a as pessoas, as dores das pessoas, o que que tá acontecendo no mundo, o que borbulha e o que que eu vou escutar eh para além disso ou para quem disso. Eu eu adoro esse lugar assim de escutar, de ver, de sentir e falar, pera aí, deixa eu dar uma É decifrável. Qual que é esse enigma, né? Esse enigma da alma, da mente humana,
eu acho dos mais difíceis, interessantes, intrincados e e e tô aqui até hoje, né? Basicamente é a mesma garota. Você tava comentando em off para mim sobre o o malestar na civilização e tudo mais. Primeiro eu quero entender o que que exatamente ele fala aí nesse livro, qual que seria a ideia principal, mas quando você olha até pra tua carreira assim, ah, o tipo de malestar que você vê, ele mudou, ele continua o mesmo? É a mesma coisa, só que a razão é diferente nos últimos tantos anos aí. É, essa é uma boa entrada, né?
Ó, é assim, eh, poxa, é um texto clássico. Eu vou te resumir em uma linha porque eu vou eu vou te dar um tweet, tá? Que, né, vamos na lacração e e o poder de síntese é um poder, né, é difícil, mas eu eu vou chutar um tweet aqui para você, mas eu vou recomendar, né, assim, vamos ler, galera. Esse livro é um clássico e eu acho que merece. é curto, é muito bem escrito, é um texto do final da última década de produção do Freud. É um texto que tem um século, é de 1930.
E o Freud é um visionário, ele tá sentindo tudo que tá ali, né? Ele tá já antes, já nos anos 20, ele já tá entendendo que a Europa já tava com uma pulsão de morte batendo na porta, né? e já tava uma violência, uma agressão. Então, eh, qual que é a tônica geral, né? A gente não somos seres de bem-estar. Por quê? Hum. Como assim? Então, ó, você tá se sentindo bem? Vamos fazer um curso, né, de bondade, de bem-estar, de motivacional. Não, não é essa a epistemeia freudiana, não é essa a visão de mundo,
né? E o humano é conflito. É conflito. Isso é a base do que a gente é sempre. Consciente, inconsciente. Desejos diferentes que vem à tona. O o eu, né? Você mesmo quer uma coisa e você mesmo quer outra. Você tem dúvida? casa, compra uma bicicleta, coloca tua energia, tua libido aqui, mas aí você decide com certeza absoluta no reveillon, no seu. E daí você não faz nada disso, você se sabota. Que que é autossabotagem? A gente faz isso todos os dias da nossa vida, né? Você vai realmente fazer uma dieta? Você realmente vai fazer exercício,
você realmente vai. E ao mesmo tempo por você não vai? Porque que você ama, mas você trai? Ou você ama, mas não ama, você quer, mas, né? Somos conflitantes todos e uns com os outros também. A gente ama e odeia. Para viver junto, a gente tem que recalcar, a gente tem que falar: "Não, vamos ficar junto, a gente é amigo, a gente é sócio, né? a gente vai dar certo. E o que me irrita em você, nessa sociedade doméstica chamada casamento, nessa sociedade CNPJ, que é a nossa empresa, nesta neste trabalho com meu chefe, neste
país, eu vou recalcar para que a gente tenha a realidade possível. Só que recalcar custa, gera o mal-estar. E a coisa não fica quietinha ali porque ela tem força, ela tem impulso, é pulsão, ela pulsa. Então isso é o resumo. Conflito estrutural entre pulsão e forças e recalque. Pulsão e recalque. Pulsão e recalque. O tempo inteiro gera mal-estar na civilização. Legal. se civilizar, ser civilizado é recalcar mais. E aí você tem um custo de não exercer o, né, não deixar pulsar neste momento. Então, já entrando na segunda parte do que você perguntou, neste momento, o
que que eu vejo de diferente, né? Desde, desde que eu tava na faculdade, que eu tinha 17 anos agora, que a gente tá numa fase que a gente se autoriza pulsar, a gente se autoriza a falar seu ingrato do [ __ ] vai tomar no cu, [ __ ] Não é isso? Essa é uma autorização inédita. Concorda comigo? Eu eu não sei se podia falar palavrão, mas mas eu acho que se, né, você sabe que não fui eu que falei, eu tô, né, assim, então quando que um filho diria pro pai e quando que um
pai falaria seu bosta, seu merda, seu idiota, seu otário, né, que parece ter sido e ser o caso e e há décadas de violência no trato. Então essa não é a família elegante, aristocrática do século XVI de um Conde X que moraria na França, na Inglaterra, no Brasil. Não é a família real inglesa da porta da rua para fora. E daí sucesso, the crown, né? Aí você vai ver os podres da família real quando você baixa a barreira da censura, né? Você vai olhar atrás da chave da da fechadura e ver tudo que foi recalcado
para a imagem. Afinal, qual é que é a da quente com o príncipe, né? Com o nosso Billy, assim, que que tá acontecendo, né? Ou quais são as tretas? A gente quer ver Big Brother, a gente quer ver pancadaria. Será que a civilização ela não tá sofrendo do malestar de assistir a pulsão livre, agressiva, né? Porque a gente tem agressividade é um impulso basal, né? Pulsão de morte, de destruição e eros. Então isso também é outro tweet do texto, é esse conflito que também é estrutural entre eros e tânatos, poções de vida, de conexão eróticas,
sexuais, mas o erotismo que tá em qualquer ligação que você faça com tudo que você gosta, tua família, teu trabalho, tua produção, tua obra, o dinheiro, ã, a paisagem e a destruição, agressão, expulsão, forças tanicas. A gente fica ali no meio disso, né? E tem que ter as duas para viver. Você não pode só colar em alguma coisa, simbiótico, mas também só desconectar leva à morte, né? O não recalcar também gera o sofrimento. Então, tem muito para onde? Sim. Exato. Então, conclusão é equilibrar. Equilibrar. Essa isso, né, já tá lá nos gregos, né, que a
em médium Virtus, a maneira dos romanos traduzirem a temperança e e a uma base da moral grega é a virtude está no meio. Então, pegar um pouco de erros, pegar um pouco de tânatos, pegar um pouco de pulsão, deixa escoar, mas dá uma recalcada aí, né? Porque, né, tem eh hum tem esses moralistas franceses, né? Tem uns escritores muito elegantes assim do século 17 ou XI e eles são ótimos. Eles falam assim: "Por favor, né, a hipocrisia, um pouco de hipocrisia social, por gentileza, muito obrigada, né?" Então não precisa toda a verdade viatona e todo
esse desrecalque. Mas eu acho que também essa transformação técnica, né? A gente ter essa arma na mão, que é a câmera, hum, que é o microfone, tá todo mundo com mega fone. Mega não, né? Mas um mick assim, tá todo mundo podendo filmar, ser filmado, postar. Você é o seu e broadcaster, né? É o slogan do YouTube, né? Você é o emissor do seu programa, então é como se a gente tivesse dado a faca e o queijo para ser expulsionais. Escoa que eu quero ver. Escoa a pulsão. Deixa ver. Joga. se joga no tobogã e
filma. Deixa eu assistir você, então tá bom. Tô aqui vendo de camarote. E aí a gente às vezes dá uma extrapolada. Então vou fazer, sei lá, umas trepadas aqui, uns suicídios a colar, umas pancadarias ali, né? A gente, enfim, aí o humano é complexo no seu gozo, um pouco perverso, né? sado masoquista, exibicionista, voerista e a gente tem toda o detalhe, né? Desculpa interromper esse podcast maravilhoso, mas tem um recadinho para você é da do nosso parceiro a Insider, tá bom? Nesse mês, durante todo esse mês, a gente tem aí 15% de desconto em todo
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Obrigado, Insider. Que que você acha da nossa relação com a tecnologia hoje? sabe? Eh, o jeito que a gente usa o celular, o asias hoje em dia, eh, sendo o nosso oráculo que a gente vai ali e pergunta: "Ah, que que você acha dessa decisão que eu quero tomar?" Eh, ou às vezes um próprio influencer que vira o nosso oráculo. Que que você acha que isso pode causar na humanidade? É, eu mesmo levantei a bola, você já foi lá e já, né, já já fez assistência, né? já deu passe aqui. Eh, olha, eu ando fazendo
várias palestras sobre esse tema, né, hoje em dia, porque é um tema relevante. Então, eh, tecnologia, ela ela é a velha deusa tecnê, é a técnica. A gente é um bicho frágil, né? volta pra pro saposco e volta pra estrutura, né? É, é um bicho frágil e a força dele tá em poder se unir. E como é que ele pode se unir? Basicamente através da linguagem, tá? Então, a cola, né, ela e a cola criativa, diferente da cola das formigas, das abelhas, que também são bichos frágeis, que também se unem muito bem e operam ali
num sistema que acho que ainda está se tentando decifrar, que ele não é só propriamente genético. Como é que no gene, como é que numa sequência de proteínas você ensina que uma vai ficar ali botando mão de ovo e as outras vão ficar ali trabalhando, não é? Não tem a rainha, a operária que a gente dá esses nomes tão humanos, né? Mas enfim, eu não sei quem é mais operária, se é rainha ou se é operária, não é? Mas enfim, sem aí a gente tem sempre ferramentas para ajudar a gente nessas duas operações. O trabalho,
né, que é com corpo, então a pedra que a gente corta, né, e faz o primeiro grande instrumento, o bronze, o ferro, a todos os metais, todos os plásticos. E a gente também tem a técnica na cola simbólica, que tem a ver com as mídias, com as comunicações, né? Como é que a gente se conecta, porque a gente precisa de uma história pra gente combinar que a gente vai fazer um grupo de operários e operárias. A gente precisa combinar que a gente vem aqui nesse horário, a gente tem essa conversa, as pessoas assistem, elas dão
opinião, elas pensam mais ou menos. A partir disso, a gente imagina que ela elas tomem decisões para cá ou para lá. Então, a gente sempre fez isso. A gente vai, a minha pergunta seria assim, essa nova técnica, tá, que é inteligência artificial, o nome que a gente dá, né? E o o Harari nem diz que é uma inteligência artificial, né? Ele diz que é uma inteligência alienígena. Ele usa esse a para falar que é um alien, que é um é um outro, né, que tá entrando aqui invadindo. A gente vai ser mais ou menos sujeito
com esse outro que a gente tá convidando para entrar na sala. Interessante, porque o outro que a gente tá convidando para entrar na sala é um outro que sabe fazer outras inteligências. Então, a gente tá convidando um alienígena que se replica e muito. Então, a sala chamada internet, que é gigantesca, virtualmente infinita, ela já tem muitos botes e elas já tem muitas inteligências que vão gerando outras e que vão criando, vão aprendendo e criando outras. Porque é isso que a gente deu um salto quântico na nossa invenção da deusa tecn quântico, porque a gente tá
falando, eu inventei a galinha dos ovos de ouro e ela põe ovos. É, é, é. Você entende que a gente tá fazendo isso e a gente sabe que tá fazendo isso, mas assim, eu acho que nem eu nem você temos o poder, claro, de parar esse processo ou de pensar ou de criar critérios ou de fazer uma assembleia aqui para definir quais os limites, como regular isso. E aí os americanos eles dizem: "Bom, mas basicamente se a gente parar as pesquisas, aí você sabe, tem assinaturas, abaixo assinado, vamos dar seis meses, vamos parar um pouco,
vamos regular, vamos pensar, vamos combinar como é que a gente vai deixar entrar na nossa sala um monte de ai", aí eles dizem: "Não dá para parar, porque se a gente parar os outros não vão parar, eles estão fazendo aí. os chineses estão fazendo é muito rápido e até passaram os americos Estados Unidos que são, né, os dois grandes polos. Aí eles também não param não, eles estão indo mesmo e eles nem perguntam, eles vão indo porque é outro tipo de sistema, não é muito aberto, democrático, transparente com a governança ocidentalizada, não é? Pelo contrário,
aí a gente, como é fechado, a gente fica mais paranoico ainda. O que será que eles estão fazendo? Então vamos lá, vamos rápido. E pronto, agora vamos colar no governo republicano da vez aqui pra gente ir pro tecnofeudalismo, que é o sistema que alguns tão nomeando. O nosso sistema, né? É um tecnofeudalismo ultracapitalista contemporâneo em que a gente tá fazendo a pirâmide e sube muito. Então não é que é uma pirâmide, é um é uma pirâmide com a ponta lá na rua. Aham. Né? Então eu diria tudo bem. Você pergunta pro seu agente virtual que
você mesmo educou, criou, deu informação, porque você entregou tudo que era teu, certo? Você treinou o seu chat GPT. E eh eu diria, eh você quer mesmo perguntar para ele qual decisão você toma, que livro você lê para ele resumir para você o resumo da prova, o resumo do trabalho, um resumo da sua vida? Você você tá delegando mesmo? Então eu acho que essa é a grande pergunta, né? Porque a gente é um bicho dependente, a gente nasceu um bebê dependente e parece que a maioria da nossa espécie quer assim permanecer. Então você vai ficar
pedindo pro outro te dar um conselho e te explicar o que é o mundo, o que é realidade e o que você faz. Acho curioso essa situação, acho séria, mas ao mesmo tempo do que eu posso ver hoje, eu acho que é majoritária essa posição demandante, né, pro outro. obediente. A gente é obediente. A gente a gente transfere pro outro poder, saber. A gente pede, me diz o que que eu faço. Me diz o que é o bom. Isso é isso é ruim. Me mic, se eu tiver errado, tá? Eu acho que tem a ver
com isso que a gente tá, eu acho isso, isso, isso. Assim é, eu eu sou asserva, né? Mas assim, eu eu acho que é é perigoso. Eu acho que é Mas vaiá lá, fala fala. Não sei se tem a ver com isso que a gente tá falando, mas até onde eu sei, eu te falei off que eu não sou da Não fiz faculdade em nada, mas a psicanálise tem mais a eh costuma ouvir mais ali, ficar mais ouvindo do que e talvez provocando do que necessariamente falando, ó, você deve fazer tal coisa. Uhum. Compara em
comparação com outras outras vertentes ali da de terapia. Tem algo a ver com isso que a gente tá falando agora? Tem tudo. Tem tudo. Agora eu, claro, eu me repergunto, né? Eu pergunto isso. Pera aí, mas qual o problema? É mais ou menos o que você falou. Qual o problema? Se essa é a natureza humana, se isso seria eh o jeito da gente fazer. Então vamos nessa, né? Tudo bem. Eu quero que você me diga, né? Você é o líder, você é o Deus, você é o mito, você é o chefe, você é o pai,
você é o condutor, né? Il condotere, il é o o o o o Mussolini, é o condutor. É aquele dut, é o que dá o duto, é o que dá o caminho. Eu tô na frente. Vem comigo, galera. Deixa que eu conduzo, né? Eu tô no leme do barco, eu tô na proa, eu Então o Niet na virada do no fim, né, do século XIX, ele tinha horror a isso. Ele chamava isso de rebanho, né? E ele falaria só o homem que tá nesse lugar, né, que é mal traduzido como superhomem, mas esse Uberm, esse
homem que estaria é um macro, né? é um é um sobrehomem que estaria em paz com a sua condição mortal humana, poderia dançar sobre o precipício. A expressão do Niet, né, que tem coragem. Ele enfrenta a verdade da condição humana e ele pensa com a sua própria cabeça e ele escolhe seu caminho, ele banca o seu desejo. Eu imaginaria, vai pra gente ter a ousadia de poder sonhar, a ousadia de esperar, da esperança. Eu esperaria que a gente fosse caminhando para mundo em que a gente fosse mais sujeito e menos objeto na mão do outro,
que a gente fosse mais adulto, pegar a rédia da sua própria história e da nossa história humana nas nossas mãos e não delegar tanto pros outros. Agora tá complexo esse momento histórico. Ele tá complexo porque parece que tá tão difícil, tá tão angustiante que a gente tá dobrando a posta em dizer: "Tá, me salva, tá, um milagre vai acontecer, tá? Então, eh, o Messias chegará, então a Bet me salvará. Então, né, a gente tá e tem toda uma indústria em cima disso, né, dessa ideia que a gente tá perdido e eu tenho a solução, por
exemplo. Muitas, muitas. Eu eu citei aqui duas, a indústria da política e a indústria das bets propriamente, mas você pode pensar também na indústria das drogas lícitas e ilícitas do narcotráfico ilegal, da indústria química legalizada, porque é uma maneira de você falar: "Nossa, tá difícil, então calma, dorme bem". Você não tá conseguindo dormir e dorme. Você não tá conseguindo comer, então tó come. Você não tá conseguindo parar de comer, então tó to toma esse remédio que você vai conseguir. Você não tá conseguindo levantar para viver, tó. Você não tá conseguindo parar de chorar, tó, né?
A gente tá chapando a mente, literalmente. São as indústrias mais rentáveis do momento e a gente não tem nem muitos números. Mas eu eu li um trabalho recentemente da estimativa do poder do narcotráfico global e são indústrias globais e o Brasil tá na ponta, né? PCC, CV, tá? Tá assim, né? Você atravessa a América do Sul, você produz aqui, você distribui na América, né? No norte global, você vai, né, de Indonésia, Filipinas, Europa, Berlim, Nova York, você tem uma rede gigante e não se sabe muito bem qual é o PIB dessa indústria, mas se fosse
um país, qual é o PIB, quanto você produz? É muito, é muito. Então assim, isso é só uma pontinha, né, desses icebergs que a gente tava falando lá atrás, né, que que a psicanálise ela, né, a metáfora do Freud e a ponta do iceberg é o visível, é o consciente. Então, né, tudo que sustenta a pontinha é gigante. E aí, que que tem aqui embaixo, né? tem o desejo da gente chapar a mente. É isso que sustenta a a grande parte da nossa rotina. É remédio, é aposta, é pensamento mágico, é consumo de lixo, né,
nas redes, é entretenimento um pouco vazio, é um lixo para mente, né? É um lixo mental, não é algo que te faz pensar, não é algo que te faz descobrir, é algo, é um anestésico. Ai, deixa eu ver um pouco mais de gatinho, deixa eu ver um pouco. Isso é, isso é o melhor termo possível pro, para isso que a gente faz hoje, ficar rodando res. É um anestésico. Isso. Isso. Então, ocupa, ocupa, descansa. Porque assim, eu imaginaria que neste momento de transição de paradigma que a gente tá em crise, porque você fala: "Nossa, o
que que tá acontecendo? Não tô entendendo nada. O mundo, o mundo tá mudando e muito rápido os mundos, né? Então, pera aí, que que é ser homem? Que que é ser mulher? Pera aí, não entendi. Que que é casamento? Que que é fidelidade? Que que é parentalidade? Que que é ser mãe? Que que é ser pai? Que que é ter filho? O que que é não ter? Que que que é ganhar dinheiro? O que que é estudar? O que que é roubar? O que que é espaço público? O que que é espaço privado? Tudo isso
concorda que tá em transformação, tá, né? Tá na borda, tá difícil. Eu até fiz um livro sobre isso. Dois, coisa de menina, coisa de menino, com o contardo, caligares. Então, assim, eh, como é que a gente desenhou o lugar da mulher? como a gente desenhou o lugar do homem durante milênios e agora a gente tá, nossa, não tem mais nada a ver com aquilo. Aí a gente acha estranho. Então, no meu coração mais esperançoso, eu diria a gente tá sofrendo, tá muito difícil entender, tá assim, upside down, tá tudo de pernas pro ar, de ponta
cabeça, está confuso, não é? É pior do que a metáfora do iceberg que tá aqui, porque é um monte de iceberg derretendo, vai. É aquecimento global, inteligência artificial, o que que é o bem e o mal, o que que é o passado? O que que eu vou conservar? O que que eu vou jogar fora? O que que é o futuro? O que que é o apocalipse futurístico? Você concorda que tá angústia? O que que é doença mental? Que que é saúde mental? Tá, eu fui para Antártica, fiz uma viagem interessante. Foi um, foi muito legal,
foi um trabalho num navio que ia atravessava o Drake, que é um mar dos mais difíceis de atravessar, que já matou muito, né, aqueles navegadores de ponta assim. E aí, eh, parava também ali, descia na terra, tinha, né, os pinguins, as baleias, os icebergs reais. Achei, é maravilhoso, lindo, da ordem do belo. E aí, né, às vezes ele se soltava, tinha quedas, então às vezes tem, né, vai. Aí eu aprendi, né, o jeito que a água congela e a luz do sol e a refração e o aquecimento. Às vezes você tava aqui no navio pá,
né? Então essa imagem que me vem à mente para assim, é como se a gente tivesse vivendo isso. Então a gente tá um pouco, né, como se diria em franceses, bulvê, tá tá girando, tá em tá tá dando cambalhota. E aí? Aí você pode falar para tudo que eu quero descer. Não tô entendendo nada. Tô confuso, tô péssimo. Burnout que me Eu espero que depois disso a gente fale: "Opa, calma, o mundo não acabou. Pera aí, vamos colocar essai, essa inteligência artificial na nossa vida de algumas maneiras. Vamos reconfigurar os pactos. Vamos. Pera aí, não,
não precisa ir tanto, né? Tanto pra loucura, tanto pra fantasia, tanto pra, né? É muita notícia errada, é muita mentira, muita ilusão, muito pensamento mágico, muito delírio, muita paranoia, muito pensamento persecutório. Então, calma. Então, daqui é o quê? 5 anos, daqui 10 ou daqui três séculos. Tudo bem, eu acho que estaremos todos mortos, salvo alguma tecnologia maravilhosa. Mas assim, aí quem sabe a gente vai se reorganizar e refazer um outro pacto social amplo e talvez viver de uma maneira menos louca, né? Talvez o caminho seja nesse momento agora. Não, eh, tomar cuidado, né, para não
buscar uma resposta simples de algum de algum ídolo, de algum guru, algum guru, a gente, né, você tava falando, ah, a gente não sabe mais o que é ser pai, o que é ser mãe. E vão ter vários que cada um vai falar uma coisa explicando o que que é, como que você deve ser o pai correto e cada pessoa vai falar uma coisa diferente, né? É. E aí, qual é toda a base da análise? Qual é a base? Não é só da psicanálise do século XX, Freud e derivados. Isso é a própria história do
pensamento. Isso é lá a filosofia, né? É o século Vto na Grécia, mas antes a história do pensamento humano, conhece-te a ti mesmo. Tá no oráculo. Tá no oráculo essa frase. Então, como que você não vai cair na mão do guru, na mão do pastor, na mão do pastor maligno, né? Na mão do do autoritário, daquele que diz me segue, né? você vai se conhecer, você vai pensar pela sua própria consciência e levando em consideração o seu inconsciente, o seu desejo. E aí vai combinar com amigo, vai combinar com com os colegas que fazem os
sócios, né, da sua sociedade. Você vai ter que combinar, né? Não dá para não pagar imposto, gato. Todo mundo paga para a gente mais ou menos asfaltar a rua. Pode ser assim. É a vaquinha. É a vaquinha do coletivo. Não, assim, você foi lá e fez a máfia do INSS, não vai dar, porque todo mundo vai em algum momento, não conseguir mais trabalhar. Vai adoecer ou vai envelhecer, vai ter que pagar, a gente vai ter que sustentar. É o é o combinadão. Faz século já que a gente entendeu isso, não? Então, eu tô dando pequenos
exemplos, mas a gente vai ter que recombinar algumas coisas, mas como com pessoas minimamente que se conhecem, que pensam, que se coíbem, que também e se exercitam. Lembra? Coibir um pouco, recalcar um pouco, mas também fluir. Sim. Deixa o flow, deixa rolar, porque senão vai ser falso. Que que você gosta, né? Que que você faz? Qual é o teu talento? Onde você tá à vontade, né? Você tá assim a rigor? Você acha que eu tô sofrendo de est aqui batendo esse papo? Não. Você tá, a gente tá feliz, né? A gente, a gente tá feliz.
A gente tem um trabalho que a gente gosta de de conversar, de pensar, de viajar, de pensar hipóteses, de ler coisas que nos alimentem. Então assim, acho que eu eu ao fim e ao cabo eu acho que eu não sou otimista nem pessimista, mas eu acho que a realidade ela é mais interessante do que a gente acha e que tem prazer na realidade, que a gente pode achar. A gente pode achar. E não é tão impossível todo mundo, às vezes às vezes a gente esquece disso, né? e acaba caindo numa numa depressão, alguma coisa do
tipo. É, ou a gente eh inventa eh sistemas de interpretação do mundo ou sistemas mágicos, né? A gente inventa um umas uns imaginários, coloca muitas imagens, muitas falsidades, né? O o o o corpo ideal que a mulher deveria ter, que agora o homem também tem que ter, não é isso? Então, eh, é difícil, né? Mas viver não é tão difícil, não precisaria ser tão impossível. Perfeito. Mas a gente pode fazer uma pausa rapidinho. Quero mais um, mais um café já volta. Claro, voltou. Voltamos. Voltamos. E eu que vou começar te perguntando. Fala, fala aquela frase
que você ia começar a falar que era muito boa. Por que você não leu Freud ainda, Lut? Boa, boa. Perfeito. Eh, ia te contar assim, ó, mas vou contar aqui mesmo. Eh, eu comecei a me interessar por psicologia antes mesmo de ter o podcast. Comecei a me interessar para esses assuntos antes mesmo. E quando eu comecei, eu era mais vendo vídeos. Aí eu via vídeos sobre Freud, sobre Jung, sobre Lacan, sobre eh os Beharioristas também, sobre todo mundo. Eu eu via esses vídeos. Eh, também tinha uma via mais eh mais ligada à espiritualidade assim, então
gostava bastante de meditar, gosto ainda. E foi esse meu primeiro contato com coisas da mente. E aí quando eu comecei o podcast, que eu comecei a trazer os os profissionais da mente aqui, né, e não só psicólogos e tudo mais, mas às vezes um filósofo, alguma coisa do tipo para falar sobre esses assuntos. E acabou que durante o podcast fez 4 anos, né? Isso. Durante boa parte desse período, por algum motivo, criei uma rede ali que eh trouxe muito mais a galera da neurociência, a coisa mais biológica mesmo, igual estava falando ali. E eu me
encantei por isso, eh, sou encantado por essa parte também, mas ao mesmo tempo eu ia eh namorando as coisas que são da psicanálise e tudo mais. Só que, né, eh, uma crítica a vocês profissionais da saúde, parem de se bater, eh, de, pô, o meu lado é o certo, meu, sabe, a minha total razão, a minha vertente é certa, porque assim, eu tenho amigos de ambos os lados, sabe? E eu converso com eles aqui no no podcast, em off também e eu aprendo muito de todos os lados. Eles têm vocês têm muito mais em comum
do que eh contra, né? E mas foi mais por isso, foi uma coisa do acaso mesmo que acabou, comecei pelo lado mais biológico assim, sabe? Uhum. Mas cada vez mais quero voltar assim a a a quero voltar a ter um um caminho assim de e quero conhecer todas essas vertentes possíveis e acho que um bom caminho é o Freud, né? Então, com certeza. Sabe por quê? Porque o Freud, não só isso, o Freud era biológicas, o Freud era cientista de bancada. E ele começou ali, ó, ver aparelhos neuronais. Ele ele achava que o mistério da
mente tava ancorado no corpo. Ele é um materialista convicto. Não tem nem alma. essa essa divisão platônica, corpo e alma, não entende. O Freud ele é interessante, ele é uma figura que você vai gostar, né? E eu eh muitas vezes eu cito neurociência e leio e acompanho e, né, e tenho amigos também e aprendo muito e sou muito interessada por essa base e contei, né, é minha própria microtrajetória já já, né? Então assim, na faculdades e a psico na USP é biológicas, então a gente teve aula no ICB, que é o a biologia, então tinha
aula de embriologia, de anátomo, de, né, de abrir cérebros. E eu fiz uma optativa que era psicofármaco, que é útil para mim até hoje. Então você vai ler lá giro do símbolo, hipotálamo, hipocampo, né? fora o o o óbvio, né, que que é o córtex e o pré-frontal e tal. Então, é muito interessante a acho que a gente tá tá chegando a a gente vai chegar, né? O detalhe é que, como eu falei no início, somos seres simbólicos, somos seres de linguagem. Então, as lembranças, as memórias, as palavras, os afetos, a história que a gente
vai contar, as narrativas, a história de vida, que é a sua, que você conta e reconta e repagina. Então, eh, como é que a gente vai juntar todas essas densidades, essas camadas para fazer o complexo que é uma mente? né, uma alma nesse sentido, né, não transcendente, mas a a alma, esse é acho que temos que todos temos que nos unir, até os economistas, os eu aumentaria o balaio porque imagina, a gente tá entendendo que ser mulher e conseguir ou não engravidar tem a ver também com uma construção social que veio lá atrás, que dá
um valor, que tira valor, terg orgasmo, não ter orgasmo também. A gente tá descobrindo isso. É clitores é biologia. Não, não só, mas é claro que é. Aham. Então, ó que exemplo o que tá na interface, né? A própria definição do Freud pra pulsão, ela tá no limear do somático e do psíquico. Ela tá entre, ela é borda, ela é corpo e alma. Psicossoma, uma palavra do inicot também. Não, ninguém briga aqui não. Dentro de mim não briga não. Legal isso. Legal isso. Quando a gente fala de um de um de um processo de de
análise, você atende ainda um pouquinho, bem pouquinho, porque não tenho não tenho nem tempo, né? Não tenho. Mas eu adoro atender, adoro. Acho é assim, eu acho que é um, todos esses lugares eles são insubstituíveis. É sempre a mesma coisa que eu faço, que é basicamente escutar o mundo, processar, deixar germinar e propor, né, uma uma leitura, uma palavra, um texto, um verso, uma fala. É isso, né? O tempo todo, como qualquer bicho, é isso. Você recebe, né, o verso do Caetano, né, a luz que a folha traga. e traduz. Eu acho que é todo
mundo é folha, todo mundo é bicho, todo mundo é ser vivo. Você recebe o mundo, processa e devolve. E esse lugar diante de alguém, né, esse lugar de escuta e de testemunha de alguém que tá falando sobre a sua história, que é a clínica individual ou de casal ou de família, é um lugar muito específico, né? É, é o lugar de analista. que faz essa escuta e que vai receber essa, o que se transfere junto com essas palavras, né? A transferência, que é um fenômeno muito mágico e muito louco. Como você faz esse manejo disso?
Então eu acho muito interessante. Achou, mas você não precisa estar na clínica, a gente faz manejo de transferência e a gente faz isso com a família, com o trabalho, na vida, com estranho, com conhecido, o tempo todo a gente tá fazendo, somos analistas assim, sabendo ou não disso, profissionais ou não. O que que é esse conceito exatamente da transferência? Puxa vida, quer marcar outro? Vamos, vamos, vamos. O próximo a gente pode já abrir com a transferência, mas para um tweet é como se fosse assim, lembra o iceberg? A gente não sabe quem a gente é,
na verdade, para já chegar no fim da novela, a gente não sabe. A gente fica conhecendo-se o tempo inteiro. Conhece-te a ti mesmo, porque a gente não se conhece. tem uma base inconsciente muito profunda e densa e com, né, ancestralidades. E aí, como você faz para conhecer? Como você faz para? Então, às vezes você chegou aqui para mim, você é meu novo chefe, você é um nova relação, você é meu analista e eu já acho que você tá me desprezando. Está me desprezando, porque esse olhar, olha aí, ó, tem está me desprezando. Então, por que,
por que você tá fazendo isso comigo? Por que você tá me olhando com esse olhar de superioridade? Você está me desprezando? Porque você não tá me dando valor? Por que você tá, por você me, me deixou, porque você me me abandonou? Você tá me evitando? Você tá me evitando que você tá mais interessado em outra coisa, né? Você me deixou esperando ali na sala de espera porque, né? Porque eu não sou um paciente, uma paciente tão importante para você, né? Entende? Aham. Então, a gente já a gente não faz isso o tempo inteiro, a gente
já não interpreta a o que o outro tá fazendo com a gente. A gente já não entra numas viagens e numas noias. Eu tô transferindo para você o que ainda é inconsciente para mim. Não consegue vir à tona na minha consciência. Ah, que interessante. Você sempre se sente preterido pelo outro. Você sempre acha que outro tá te desprezando, que não está te dando valor. Você se sente humilhado. Ah, porque seu pai na infância te humilhava, porque seu pai abandonou sua mãe e não foi um pai presente, ele foi um pai ausente. Você não se sente
digno de nota. Você não foi amado. Você não se sente digno desse amor. Você acha que você é menos, porque se você fosse mais, o seu pai não teria te abandonado, nem abandonado a sua mãe, entende? É, é toda uma construção que a gente Ah, isso é beabá da clínica e da vida, do da literatura, do cinema, dos romances, das tragédias. Isso é, isso é incrível. Isso foi um dos insites geniais do Freud. Isso é uma ferramenta maravilhosa para você ter na mão, porque aí você concorda que você não vai surtar demais quando alguém vem
e te fala tudo isso. Se você tá com sua análise em dia, que vamos esperar que todos estejamos, eu já tô querendo que 8 bilhões de pessoas estejam pra gente não entrar no caos e no apocalipse que se anuncia com as trombetas, né? Se você tá sabendo de você, você fala: "Ah, que interessante, então fala mais sobre isso. Tô te desprezando." Como é que é? Pera aí. Como é que é? Volta nesse desprezo. Desprezo. Que palavra, né? Você pega o significante. O lacã ajuda a gente a saber que os significantes, as palavras, os os símbolos,
alguns têm peso mais que outros. Aí você é um pescador desses símbolos, né? Minha arte é essa das palavras do simbólico de navegar nessa nessa massa sonora gigantesca de sons e de imagens. Aí você fala desprezo. Ã, fala mais. Interessante, porque você sabe, pode ser a primeira sessão, porque você marcou a primeira sessão e você me fez esperar 10 minutos ou 20 ou Então você já sabe na primeira sessão que esse significante que essa palavra desprezo, quem despreza quem e daí como é que sempre vai se sentir desprezado, mas sempre vai desprezar também, porque sempre
tudo tem uma dialética e a gente é passivo e ativo sempre. E aí você já sabe que esse tem grande chance de ser um significante norteador daquele processo. Você você tem algumas pistas na mão, isso é muito legal. É super, não é? É, então essa posição de analista, assim, quando você tá no detalhe, você tá no no íntimo, é o território de uma intimidade para você receber com cuidado, né? É muito interessante. E você e ler a cultura também é interessante, porque a cultura ela é, poxa, ela é devaça, ela se oferece sem pudor, né?
Imagina se lê jornal. Eu fal, eu falo pro meu filho, né? Eu falo: "Poxa, esse negócio, você tem quantos anos?" 15. Que vou te falar, é uma aventura, mas essa coisa, não muito agora, mas antes, né? essa coisa de videogame, eu falava: "Olha, filho, esse negócio de realidade é tão mais complexo que o videogame, é um jogo brutal, é um jogo real, profundo e não é 3D, é 1000 e 3D. É incrível o real se você, né, pô". E atualmente então que você tá com mundo no, né, pandemia, pós-pandemia, guerras, parece que deu uma acelerada
nesse século XX, depois em retrospectiva, você fala: "Nossa, começou destruindo dois prédios meio sem querer, querendo". Depois teve uma crise, daí teve bolha imobiliária, daí o sistema financeiro capital, pera aí, como é que é aí? O poder, aí as narrativas, os gurus. Uau! Tô de camarote. Se não fosse só minha vida e do meu filho, de, né, das pessoas que eu amo, que estão aqui em risco, eu estaria falando. Mas eu na verdade eu falo que momento histórico para tá viva. Muito obrigada, deuses e deusas. Tá animado, tá animado, tá animado, tá animado. Tá interessante
assim, de tédio a gente não morre. Eu pelo menos não, eu acho difícil, acho difícil, pira a minha cabeça. Então eu acho bom, eu gosto. Infelizmente demos nosso tempo, mas eu queria agradecer, foi muito legal. É, espero muito obrigada. Quero fazer já um convite. Você viram uma outra vez aí também, a gente vai transferência sobre transferência para onde fomos. Afundamos muito, estamos submergindo. A gente tem um milhão de coisas legais pra gente conversar, mas obrigado vindo aí. E obrigada. Eu vou falar aqui eh para todos que eu já te falei, né, que você é muito
bom entrevistador, você cultiva o silêncio e se dá a palavra pro outro. Então, muito obrigada. Espero que tenha sido bom para você também. Foi, foi muito bom. Como que as pessoas podem fazer para acompanhar mais o seu trabalho? Eu sei que você é bem ativa na na internet e tudo mais. Mariaem, Instagram, né? @maria. Acho que vocês põe tudo aqui o canal no YouTube, Maria. Eu acho que eu tenho um nome, Luts, tão peculiar que várias pessoas me perguntam: "Nossa, como você criou esse nome? Que nem eu te perguntei, né?" né? Aí eu falo: "Olha,
infelizmente ou felizmente eu não tenho essa criatividade porque é o meu nome mesmo no Uber, sabe? Maria Homem é o meu primeiro e último nome. Então se você colocar, acho que só tem eu. Maria Homem, legal. No Instagram, no TikTok, os livros. É, aí vocês põe aqui, vocês fazem aquela ediçãozinha aqui, com certeza. E é isso. Escrevo por aí, estou por aí e faço vários cursos. Tem o site Mariaom.com. Todos bem-vindos aqui no nosso território. Vou deixar todos os links aí então na descrição pro pessoal. E obrigado mais uma vez. Obrigado, gente. Até a próxima
e tchau, tchau.