Hoje eu vou fazer um vídeo que tá virando praticamente tradição aqui no canal, que é tentar fazer a galera não se desesperar depois das eleições. E eu já não quero ser mal compreendido aqui. Eu não vou dizer que a situação tá boa, tá?
Meu ponto aqui não vai ser convencer vocês de que os próximos anos vão ser super tranquilos. A ideia que eu quero trazer aqui é a ideia que eu trouxe nos outros anos e que pode ser resumida com um mantra: Não caireis na tentação de odiar o povo. O resultado das eleições meio que desde sempre causa um certo desespero em algumas pessoas de esquerda.
E na verdade uma certa confusão a respeito de por que a classe trabalhadora vota como vota. A resposta afobada para esse fenômeno é: "O povo brasileiro é burro e mau caráter e não sabe votar direito. " E existe uma versão até pior disso, que é: "O povo merece o país que tem porque não sabe votar".
Em outras palavras, é botar a culpa do sofrimento dos trabalhadores nos trabalhadores. Eu vou dar uns exemplos extremos aqui do lugar onde o bom senso vai para morrer, que é o Twitter. Deem uma olhada aqui.
Se o Flávio ganhar, espero que a primeira coisa que ele faça é cortar o Bolsa Família. O Twitter é uma rede social pequena e tal e assim é um tweet, não é evidência de muita coisa, mas tem 90. 000 likes.
Isso pro Twitter é bastante expressivo. Outro aqui, amo que em 2018 era ninguém solta a mão de ninguém e vamos combater o ódio com amor. Vibes esse ano é: "Tomara que canceleem seu Bolsa Família, trabalha 7 por0 aí, seu Espero que tu perca a casa para Bet.
Vou pedir iFood todo dia que tiver chovendo. " Então assim, na verdade esse tweet tá resumindo o que eu tô querendo dizer. E eu podia ficar pegando tweet ou post em rede social o dia inteiro explicitando essa mesma coisa, mas acho que vocês já entenderam.
O objetivo desse vídeo é falar sobre como afirmações desse tipo são imensos equívocos. Primeiro porque elas não se baseiam numa análise concreta da realidade e segundo porque elas não conseguem apontar para uma solução. Só que antes de começar, eu queria fazer um comentário de ordem mais pessoal.
Agora em setembro, o canal ficou parado mais ou menos um mês e a galera que segue um pouco mais assiduamente ficou meio confusa. Então, se você tiver curiosidade de saber o que aconteceu, eu vou falar sobre isso lá no fim do vídeo. Eu não vou falar agora para não tomar o tempo de quem veio aqui ver o tema, beleza?
Então vamos começar o tema aqui. De fato, antes de qualquer coisa, vamos levantar alguns números concretos aqui. Domingo foi o primeiro turno das eleições e a gente pode dizer que o resultado foi em parte esperado e em parte bastante inesperado.
A parte inesperada foi que o Flávio Bolsonaro, que é o cara que é envolvido com tudo que não presta, terminou em primeiro lugar no primeiro turno. Flávio Bolsonaro do PL e Lula do PT vão disputar segundo turno pra presidência da República. O Flávio Bolsonaro ficou com 47,03% dos votos e o Lula ficou com 45,16% dos votos.
E isso aqui lembra um pouco a situação de 2018, que as pesquisas mostravam o Bolsonaro de um jeito e o resultado da eleição foi de outro jeito. Agora, o resultado que eu tô dizendo que foi relativamente esperado foi o do Senado. PL sai vencedor das urnas e terá maior bancada do Senado em 2027.
A gente pode dizer que a situação do Senado é apocalíptica. O PL tomou 28 cadeiras. E por que que eu tô dizendo que isso é relativamente esperado?
Porque quem tava acompanhando as articulações internas da extrema direireita nos últimos anos sabe que o alvo deles era justamente o Senado. O PT em relação a 2018 também conseguiu crescer um pouco no Senado. Em 2018 foram quatro senadores eleitos, agora foram nove.
Foi um avanço pro PT, com certeza, mas muito insuficiente para barrar os fascistas. E na Câmara também, de forma relativamente esperada, o PL também cresceu. O PL saiu de 98 deputados para 121 deputados e o PT, que é a segunda maior bancada, passou de 65 para 70.
Tá muito longe de conseguir construir maioria. Então, lembram que eu falei que esse não é um vídeo para falar que as coisas estão muito bem? Pois é, né?
O avanço do PL não é só a direita tomando mais espaço. A direita sempre teve maioria no legislativo. O problema é que o PL é um tipo muito específico de direita.
É uma direita, inclusive que quer reconfigurar a democracia burguesa no Brasil. E a principal razão pela qual a extrema direita tava mirando no Senado é para conseguir articular um impeachment de algum ministro do Supremo Tribunal Federal, talvez mais de um impeachment. E se você não entende muito bem qual que é o problema da extrema direireita com STF, a gente tem um vídeo explicando tudo.
Diante desse cenário, muita gente ficou muito deprimida e, sinceramente, é perfeitamente compreensível. A gente pode vivenciar um retrocesso inédito na história do Brasil. Para vocês terem uma ideia, nem a ditadura militar foi tão entreguista quanto o Flávio Bolsonaro tá prometendo ser.
Em primeiro discurso de campanha, Flávio Bolsonaro promete tesouraço, homenagia Jair e critica Lula, caloteiro da esperança. A gente tem um vídeo detalhando tudo que o Flávio Bolsonaro prometeu pro Trump, se vocês quiserem assistir. E falando do Supremo Tribunal Federal, além do impeachment, se o Flávio Bolsonaro ganhar, ele vai poder indicar quatro ministros nos próximos anos.
Então, tem motivo para tristeza? Tem, tem motivo para medo? muito.
Só que esses sentimentos de tristeza e medo não podem levar a gente a botar culpa no povo. E eu sei que é frustrante, mas a gente precisa resistir a tentação de colocar a culpa no povo. E eu digo que é uma tentação porque isso vem de um lugar de medo e de raiva, não vem da razão.
Então aqui eu não vou fazer uma análise dos números de cada estado e tentar analisar como cada deputado atraiu cada parcela do eleitorado. Lembra que eu falei que um vídeo desse tipo tá virando praticamente tradição aqui no canal? Pois é.
O que explica esse fenômeno não é só o carisma de fulaninho ou a proposta de segurança pública de Beltraninho. Isso até pode ajudar a gente a entender casos pontuais, só que existem fatores amplos e estruturais que ajudam a gente a entender por que as coisas caminham dessa forma. E mais importante de tudo pra gente, esclarecem uma solução.
Eu vou trazer alguns desses elementos estruturais, mas existe uma tese central e é uma tese que parece um paradoxo. A tese é: "Prestem atenção, o voto não é um espelho ideológico do eleitor. " Eu vou colocar em outras palavras para ficar mais claro.
Se a gente tem um legislativo que é, suponhamos, 50% extrema direita, isso não significa que 50% do eleitorado seja de extrema direita. A gente consegue evidenciar um pouquinho isso cruzando estatísticas. Por exemplo, dá uma olhada aqui.
Quest, maioria apoia fim da escala 6x1 e diz que usaria tempo livre para descansar. Quase 70% da população é a favor do fim da 6 por1. Isso significa que 70% dos deputados eleitos são a favor do fim da 6 por1?
Não necessariamente. Claro que existem outras questões, não é todo mundo que foi consultado que vota, etc. Mas acho que vocês estão entendendo onde eu tô querendo chegar.
A gente consegue encontrar gente que é a favor do fim da 6 por1 votando em candidatos que são contra o fim da 6 por1. Eu tô trazendo exemplos que tê dados bem expressivos para tentar mostrar para vocês o que eu tô querendo dizer. Vamos dar um outro exemplo que ficou bem comentado durante a eleição do Bolsonaro em 2018.
Aqui 2017, 70% são contra privatizações no Brasil. Nas vésperas da eleição do Bolsonaro, que é um privatista de marca maior, 70% da população era contra as privatizações. A gente consegue achar um dado parecido a respeito da redução das leis trabalhistas também.
E eu não preciso nem dizer para vocês o que que o Bolsonaro acha das leis trabalhistas, né? O Bolsonaro vivia dizendo que acha que os trabalhadores têm direitos demais. A gente podia ficar levantando dados desse tipo o dia todo e isso apresenta aparentemente uma dissonância cognitiva.
Parte da população que defende uma coisa tende a votar em candidatos que são contra essa mesma coisa. E é aqui que a gente volta pra nossa afirmação inicial. O voto não é um espelho ideológico do eleitor.
E aí, como explicar um fenômeno que aparentemente é de uma pessoa votando em algo que é contra a ideologia dela? É aqui que a coisa fica extremamente complexa. Antes de qualquer coisa, eu preciso definir muito bem o que que eu tô querendo dizer com a palavra ideologia.
Eu tô usando uma definição simples aqui de conjunto de ideias pré-concebidas que orientam a nossa atuação sobre a realidade. É um conjunto de ideias que organizam a nossa visão de mundo. Essa não é a única definição de ideologia e nem a mais complexa.
Se vocês quiserem uma investigação mais profunda do que que significa ideologia, lá no glossário marxista leninista a gente tem um verbeto sobre isso. De novo, como a pessoa aparentemente vota em algo que é contra a ideologia dela, é porque a pessoa não tá exatamente votando contra a ideologia dela mesma, mas é que boa parte da população tem dificuldade de identificar a própria ideologia. Agora eu vou dar uma volta teórica grande, mas situações complexas precisam de explicações complexas.
Eu quero fazer um exercício de reflexão com vocês aqui. Eu imagino que a maior parte das pessoas assistindo esse vídeo se identifiquem como sendo de esquerda. Ou seja, a gente pode dizer que a ideologia da maior parte das pessoas assistindo é esquerda, declaradamente de esquerda.
Se ideologia é um conjunto de ideias que orientam a nossa atuação sobre a realidade, então o que que é esse conjunto de ideias que define ser de esquerda? Eu quero que você mesmo aí pare um pouco e pense o que que você acha que significa ser de esquerda. Mas fica aqui comigo, não se perde não, porque isso aqui é o ponto de partida pra gente entender porque que um trabalhador vota na extrema direita, tá?
esquerda e direita, no senso comum, dizem respeito a opiniões individuais e na sua maior parte uma opinião individual a respeito de um conceito abstrato. A esquerda é associada com um conceito abstrato de justiça e igualdade. A direita é associada com os conceitos abstratos de liberdade e prosperidade, muitas vezes Deus, religião, Jesus.
Então, esquerda e direita, no senso comum diz respeito ao caráter individual de cada pessoa. E é um caráter muito pouco definido. E eu digo que é muito pouco definido porque vocês viram o Bolsonaro falar a palavra liberdade até a exaustão, sem nunca ameaçar explicar o que isso significa.
E mais recentemente o debate sobre esquerda e direita se deslocou muito paraa área dos costumes. Essas eleições deixaram isso muito evidente. Grande parte dos deputados da extrema direireita mais votados no Brasil t duas plataformas só: odiar minorias e ser contra o aborto.
Só. Nessas eleições vocês viram até mulher que é a favor da submissão das mulheres. E essa própria definição de ideologia no senso comum aponta pro problema.
É isso que a gente vai investigar agora. Se vocês aí assistindo t justamente essa concepção de esquerda e direita, de que esquerda e direita dizem respeito a convicções individuais, eu quero convidar vocês para pensar de uma forma diferente. Eu quero que a gente pense ideologia política sob outra perspectiva.
Bom, eu me defino como esquerda, mas eu não sou de esquerda. Vocês estão num canal que é construído por militantes comunistas. E nós comunistas, mais especificamente os marxistas, entendem espectro político ideológico de outra forma.
Para nós, as raízes mais profundas dos fenômenos sociais estão na economia. E, por conseguinte, ideologia para nós tem as suas origens em critérios econômicos. Isso significa que esquerda e direita pra gente não significa opinião pessoal.
Esquerda e direita são posições acerca de como se organiza a atividade econômica fundamental, o trabalho. E falando de uma forma mais ampla, o espectro político diz respeito a uma posição acerca do sistema que a gente vive, o capitalismo. Então, para nós, ser de esquerda é defender os interesses econômicos da classe trabalhadora, defender os direitos, a qualidade de vida de quem trabalha e como nós comunistas defendemos a superação desse sistema que explora os trabalhadores, que é o capitalismo.
Por conseguinte, ser de direita significa defender os direitos dos proprietários, dos donos do capital, significa defender a manutenção e a expansão do capitalismo. E acho que a gente pode afirmar sem medo de errar que essa definição não é a mais comum. A pergunta que a gente tem que fazer é por que esse ponto de vista não é o mais comum?
Por que que o entendimento de esquerda e direita, baseado em conceitos abstratos e opiniões pessoais é o dominante? A resposta de novo tá na economia. Vamos lá.
Só faz sentido falar em ideologia política numa sociedade onde as pessoas são politizadas. Para as pessoas serem politizadas, elas precisam aprender política. E aí eu pergunto para vocês, onde as pessoas se politizam?
Onde a população constrói esse conjunto de ideias que orientam a ação que a gente chamou de ideologia? Vocês podem ter pensado na escola, talvez na televisão, no rádio, na internet, bem provável também. Nas igrejas também muito provável.
Só que o problema é que tem um espaço do nosso cotidiano que tá se despolitizando cada vez mais e que é o lugar que nós comunistas julgamos o mais importante, o ambiente de trabalho. Os trabalhadores se politizam cada vez menos no próprio ambiente de trabalho. E o resultado disso é que existe uma desconexão entre mundo do trabalho e política partidária.
A primeira evidência dessa despolitização é a situação dos sindicatos no Brasil. O sindicato é a forma organizativa por excelência das categorias de trabalho e o que a gente tem visto, principalmente nos últimos 10 anos, é o enfraquecimento dos sindicatos. Muitos se tornando passivos e muitos se tornando, inclusive pelegos mesmo.
E aqui eu quero botar os nossos pés no chão de novo. A causa disso não é moral, não é má fé por parte das centrais sindicais ou dos dirigentes. Os sindicatos estão sendo atacados e desmontados de forma consciente pela direita.
Para dar um exemplo pontual para vocês aqui, sindicatos perdem 90% da contribuição sindical no primeiro ano após a reforma. As reformas do governo Michel Temer foram um ataque frontal aos sindicatos, justamente porque se tem uma classe que sabe que se politizar no ambiente de trabalho é perigoso, é a classe dominante, é a burguesia. E por que que o sindicato é tão importante?
Porque o sindicato consegue unir o interesse econômico de um trabalhador com o interesse econômico dos demais trabalhadores. O trabalhador que recebe um salário muito baixo se une com outros trabalhadores que também recebem salário muito baixo para unir forças. Então essa é a nossa primeira evidência.
O enfraquecimento desse tipo de organização tem impacto direto na forma como as pessoas pensam política. Vamos trazer uma segunda evidência aqui de que o ambiente de trabalho está sendo despolitizado. A segunda evidência é que o ambiente de trabalho foi abandonado pelos partidos de esquerda.
E aqui eu tô falando partido de esquerda de forma ampla. Eu não tô me referindo só aos comunistas. E quando eu digo abandono é porque houve um tempo no qual existia essa presença.
A própria esquerda socialdemocrata cresceu muito por conta disso. A gente precisa lembrar que o PT surgiu, cresceu e se consolidou dentro do movimento sindical. Na década de 80, o PT era um partido muito proletarizado.
E, de novo, esse abandono não aconteceu por falta de moral ou má fé por parte dos partidos. Existem muitas causas materiais para isso ter acontecido. A gente teve a desindustrialização, neoliberalismo, o fim da União Soviética que botou todo mundo na defensiva e no caso específico do PT, isso também foi consequência da própria estratégia do partido.
Se vocês querem ver uma análise em detalhe disso, eu dei uma entrevista lá no Inteligência Limitada sobre socialdemocracia e por que o abandono dos partidos do ambiente de trabalho tem um impacto tão profundo na ideologia das pessoas. Lembram que eu falei que o sindicato consegue unir o interesse econômico de um trabalhador com o interesse econômico de vários trabalhadores? O partido consegue transformar o interesse econômico de uma categoria e interesse político de uma classe.
Em outras palavras, os partidos conseguem politizar a luta sindical. Os partidos conseguem conectar as lutas sindicais diferentes num movimento político unificado. E por que que nós comunistas julgamos o ambiente de trabalho o ambiente mais importante para se politizar?
Porque é no ambiente de trabalho que os interesses de classe são irreconciliáveis. O trabalho e o capital se chocam de maneira frontal no trabalho. A luta de classes acontece de forma muito mais explícita.
O operário, por exemplo, consegue ver o quanto a fábrica produz e o quanto ele ganha. Ele consegue ver que esses números não fecham. Ele consegue ver que ele é explorado.
É no ambiente de trabalho que essa contradição fundamental que é econômica fica mais explícita. E aí, se o ambiente de trabalho, que é onde esses interesses econômicos se chocam, tá cada vez mais despolitizado, por onde as pessoas se politizam? Porque elas se politizam.
É o que a gente já falou, escola, televisão, rádio, igreja. Em outras palavras, politização deixa de ser uma luta concreta em torno de critérios econômicos e vira disputa de discurso, vira uma disputa de ideias abstratas. É por conta disso que direita e esquerda deixam de dizer respeito a como se organiza trabalho.
Deixam de se referir a uma postura acerca do capitalismo. E aí eu pergunto para vocês uma coisa fundamental aqui. Num sistema onde existem exploradores e explorados, despolitizar o trabalho beneficia quem?
Evidentemente que beneficia os exploradores. Bom, se as pessoas se politizam, por exemplo, por, rádio e internet, eu pergunto para vocês, quem domina esses meios de comunicação? Seis bilionários controlam as redes sociais.
Três concentram 90% da inteligência artificial global. Falando de redes sociais, Instagram, Twitter, Facebook, não são fóruns livres de debate, tá? São espaços super controlados, nos quais o alcance do discurso é controlado por um algoritmo que a gente sequer sabe como funciona.
E aí eu pergunto para vocês, vocês concordam que a internet tem impacto sobre as eleições? Dá uma olhada nos candidatos da extrema direita que ficaram em primeiro lugar. Eles vieram da onde?
Eles são populares em quais lugares? Pois é, esse espaço de comunicação que define eleições é privado e super obscuro. O funcionamento desse algoritmo que a gente sequer entende pode mudar ao bel prazer dos proprietários dessas redes.
Vocês imaginam a quantidade de poder concentrado que isso tem? Não é à toa que o Elon Musk resolveu comprar o Twitter. Ele mesmo sabe o poder político que isso tem.
E falando de Brasil, a mídia tradicional não é diferente. Cinco famílias controlam 50% dos principais veículos de mídia do país, indica relatório. Esses aqui vocês sabem, é Abravanel, é Saad, é Macedo, vocês conhecem.
São centenas de afiliadas de televisão e rádio no Brasil inteiro. E as linhas editoriais dos jornais, das TVs, dos rádios são definidas por essas famílias. Não existe uma grande emissora de TV popular e as rádios comunitárias são muito pequenas perto das grandes.
Na internet, portal de notícia progressista não consegue nem encostar nos portais grandes. Então, quando Marx diz que as ideias da classe dominante são em todas as épocas ideias dominantes, ele não tá falando em abstrato. E isso aqui tem um peso imenso na desassociação entre voto e interesse material.
O trabalhador no cotidiano do trabalho sabe que ele sofre. Ele sabe muito bem que ele é explorado. Ninguém precisa avisar isso para ele.
Só que como o ambiente de trabalho tá despolitizado e os espaços nos quais as pessoas se politizam são dominados pela classe dominante, os trabalhadores são levados a interpretar essa realidade de forma que não corresponde com seus próprios interesses. Colocando em outras palavras aqui, cada vez mais o único lugar onde um trabalhador se politiza é o lugar que é dominado por ideologia burguesa. É o lugar que é bombardeado com as ideias dos capitalistas, dos ricos.
E a prioridade dos ricos é fazer com que as suas ideias pareçam as ideias de todo mundo. Isso é muito fácil de observar na mídia, gente. É na mídia que o trabalhador vai ver todo dia que o aumento salarial pode quebrar a economia e vai ser ruim para ele, que o aumento do gasto público vai quebrar o país, que o aumento do gasto público vai gerar inflação e vai ser ruim para ele, que a defesa é restrita do agronegócio é importante porque o agro sustenta o Brasil.
Tudo isso é ideologia dominante, transmitida como sendo interesse geral. O problema é que a pessoa sequer tem o direito de ver uma análise do ponto de vista da classe dela. São nesses espaços também que esses valores abstratos de liberdade, de prosperidade, aparecem.
Inclusive, é nesse espaço que a direita conseguiu se colar numa coisa que sequer é ideologia própria, que é anticorrupção. E aí o debate a respeito de exploração do trabalho fica invisível, porque o ambiente de trabalho onde esse choque de classes acontece tá despolitizado. Então vamos voltar paraa nossa tese lá do começo de que o voto não é um espelho ideológico do eleitor.
Lá no começo eu falei que a maior parte do eleitorado tem dificuldade de identificar a própria ideologia. Agora, eu acho que eu já trouxe elementos o suficiente para explicar isso em pormenores. O que acontece na prática?
O trabalhador vai lá e vota na extrema direita, seduzido por um discurso moralista que diz respeito a costumes e valores abstratos. O que acontece na prática é que ele tá defendendo os interesses da classe dominante da burguesia sem ter a dimensão da consequência dessa escolha. E justamente isso é efeito de uma coisa que eu falei lá no começo, porque o ambiente de trabalho tá despolitizado, existe uma desconexão entre trabalho e política partidária.
E a direita se aproveita e nada de braçada nisso. É isso que permite que a direita coloque os trabalhadores contra os próprios interesses sem que eles muitas vezes percebam. E aqui eu quero reforçar muito uma ideia.
Eu não tô dizendo que isso é falta de inteligência por parte do povo trabalhador. Ideologia, gente, não é um fenômeno que tem a ver com capacidade cognitiva. Não existe uma relação direta entre quantidade de inteligência e ideologia.
Como eu já expliquei aqui, ideologia é um fenômeno que tem a ver com luta de classes. E o que acontece na prática é que os trabalhadores estão imersos num sistema que faz de tudo para impedir que eles enxerguem a própria ideologia. E agora eu posso explicar o que eu quero dizer exatamente com o voto não é um espelho ideológico do eleitor.
Não significa que os eleitores não estão votando conforme as ideologias deles. O meu ponto aqui é que boa parte do eleitorado não tem o direito de ter consciência sobre a própria ideologia. Muitos dos eleitores que votam na extrema direita sequer se dizem de direita e muitos dos que se dizem de direita citam valores super abstratos como liberdade anticorrupção e Jesus Cristo.
O que seria ter consciência da própria ideologia nesses casos? Isso seria o caso daquele trabalhador que vota na direita dizendo que tá defendendo os interesses dos proprietários, dos capitalistas, dos ricos. E tem trabalhador que faz isso, com certeza.
são principalmente aqueles que acham que um dia vão ser classe dominante, mas definitivamente não é maioria do eleitorado e a gente consegue demonstrar isso. A gente consegue ver, por exemplo, gente votando na direita e na esquerda, tudo misturado, ou gente votando na direita numa eleição e na esquerda na outra. E aí, para evitar me repetir, eu acho que eu já consegui demonstrar minha tese aqui.
Essa é a primeira tese do vídeo. Em resumo aqui, o voto não é espelho ideológico do eleitor, porque a maior parte dos eleitores não tm o direito de ter consciência sobre a própria ideologia. Então não é que ele não está votando na própria ideologia, ele não tem consciência de que a ideologia dele é a ideologia dominante.
Segundo, a despolitização do ambiente de trabalho faz com que os trabalhadores sejam mais facilmente convencidos a votar contra si mesmos. Essa é a tese geral aqui do vídeo. E aqui eu preciso abrir um parênteses para evitar uma interpretação equivocada.
E é uma interpretação que a gente, infelizmente, vê muito na internet. Eu de jeito nenhum sou adepto daquela tese de que a esquerda está perdendo porque passou a defender identitarismo. Ah, a esquerda começou a falar de gays e minorias e perdeu o trabalhador.
Eu vou dizer de forma categórica aqui, a causa da derrota não é o que a esquerda começou a fazer, é o que ela deixou de fazer. E o que ela deixou de fazer é disputar um ambiente de trabalho. Já deixei isso aqui muito claro.
Por que que eu tô reforçando isso? Porque as duas lutas podem coexistir tranquilamente. Inclusive, os trabalhadores que são minorias sofrem dupla ou tripla opressão.
E essas opressões precisam ser combatidas na sua especificidade. Eu vou voltar nesse assunto quando a gente for falar das soluções, mas eu já quero deixar isso aqui registrado. Enfim, eu sou contra explicações que apresentam um fator só que explica tudo.
Existem vários outros fatores para esse fenômeno de trabalhadores elegendo o extrema direito em massa. Eu só creio que essa primeira é a que ajuda a entender as demais. Por exemplo, até aqui a gente estava considerando o voto como uma livre escolha da população, só que a verdade é que as eleições não são livres para todo mundo no Brasil.
Tem muita coerão em muitos lugares, principalmente nas cidades pequenas do interior. Quase metade dos municípios brasileiros t no máximo 10. 000 habitantes de BGE.
Por que que eu tô trazendo esse dado aqui? Em muitas cidades pequenas, as famílias tradicionais mandam e desmandam por serem proprietárias de terra. Essa propriedade da terra não se traduz só na exploração do trabalho da população, é também uma propriedade de terra que vira especulação imobiliária.
São famílias que são donas de várias casas alugadas, dos prédios onde as empresas operam. São famílias que são, na prática, donas das cidades. E aí, como não pode deixar de ser, esse poder econômico vira poder político.
Rapidamente, isso vira controle da Prefeitura e da Câmara dos Vereadores. E isso converte a estrutura municipal em um cabide de empregos. Prefeitura é maior empregador em 56% das cidades pequenas.
E antes que você diga que em serviço público existe estabilidade, é porque você tá esquecendo que grande parte dos cargos são comissionados. Contratações temporárias e cargos comissionados em prefeituras disparam. Precarização e clientelismo adverte jornal.
Isso significa que o eleitor fica acorrentado ao político. O vereador perdeu, o eleitor perde a sua renda, perde o seu emprego. Isso significa que cada eleitor não é só um voto, é uma rede de interesses.
É esse funcionário que tem família, que tem amigos, que vai convencendo seus próximos a também votar nisso por conta da preservação do seu emprego. Isso aqui é uma coção clientelista. E a partir de baixo se constrói uma base para deputados estaduais e deputados federais que são reacionários.
São esses vereadores e prefeitos que garantem essa base nos menores rincões do Brasil. Esse é um dos pilares da extrema direita. Muitas das cidades pequenas, cidades pequenas que vão se somando e rendem dezenas de milhões de votos.
Tem muitos casos que o cara não tá nem votando porque ele gosta do político, é porque ele precisa sobreviver. Ele nem tem a ideologia do político. Aí uma pessoa que quer votar, sei lá, no PESOL, no PT, é obrigado a votar no União Brasil.
E é bom a gente lembrar também que é nos interiores que a perseguição aos partidos de esquerda e aos militantes de esquerda é muito mais intensa. Brasil teve 14 massacres e 374 assassinatos no campo nos últimos 10 anos mais violentos da história recente. E a isso se soma a dificuldade dos próprios partidos comunistas de fincarem raízes nesses lugares.
É a mistura da falta de dinheiro de recursos com a perseguição ativa. Então, a gente falou da politização do trabalho, a gente falou do clientelismo. Agora vamos trazer um terceiro elemento que explica o por que a extrema direita também tá ganhando muito espaço.
Apatia. Quando uma pessoa vota no Brasil, ela pode ter duas certezas. A primeira é que as coisas vão mudar muito pouco ou quase nada.
E a segunda é que ela não vai participar de nenhum processo político por pelo menos dois anos. E é isso que faz com que muita gente simplesmente opte por não votar. Nessa eleição não foi diferente.
Pra presidência a gente soma entre nulos, brancos e abstenções quase 40 milhões. E sinceramente, dá pra gente dizer que essas pessoas estão muito erradas no raciocínio? Não.
Não dá. E como eu disse, isso remonta a nossa tese inicial, que é a tese da despoletização do ambiente de trabalho. Sem uma organização que capacite o trabalhador a lutar contra a burguesia, a sensação é de impotência.
E como eu falei, muitos não relacionam os interesses materiais do trabalho com a política partidária. É isso que faz o tanto faz, tanto fez, ficar em terceiro lugar aí na presidência. Mais um elemento que eu queria trazer aqui, interferência dos Estados Unidos.
E eu tô falando de uma interferência que com certeza aconteceu. A gente só precisa saber os detalhes daqui paraa frente. Eu não tô falando especificamente de uma conspiração dos Estados Unidos mexendo com os números, não é isso.
Tô falando da interferência que vocês já sabem que aconteceu. O que diz carta de parlamentares dos Estados Unidos que acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras? Isso aqui é uma carta do partido democrata que cita algumas formas de interferência que a gente já abordou aqui no canal.
Tarifaço, classificação do PCC e do CV como terroristas, etc. E gente, isso vindo do partido democrata. Se a gente for analisar a história do século XX, os dois estão pau a pau em intervenção externa.
O que tá acontecendo agora que a gente está no capitalismo em crise. Os mecanismos de contenção da burguesia foram acionados nos Estados Unidos e o projeto do Trump é retomar a América Latina como seu quintal. É por isso que a gente tem visto ao longo desse ano inteiro intervenções mais ou menos violentas em vários países da América Latina.
E é isso que nos leva também a um outro elemento que se articula com isso, é justamente essa crise econômica internacional que faz com que a burguesia do Brasil passe de apoiar a direita para apoiar a extrema direita. Foi o que eu falei lá no começo, não é que é novidade que a direita tem maioria no legislativo, ela sempre teve. A questão é que o PL representa um tipo específico de direita, um tipo de direita que impõe de forma agressiva e violenta os interesses da burguesia.
Esse tipo de fenômeno que a gente chama de fascismo, surge justamente nos momentos de crise. E aí, nesses momentos, a despolitização do trabalho se soma o aumento do sofrimento material da classe trabalhadora. Como a política passa a ser disputada só no campo do discurso, a extrema direita apresenta soluções erradas, falsas, mentirosas para os trabalhadores.
Eu vou trazer só mais um elemento que explica o que aconteceu nessas eleições, mas a gente poderia ficar aqui num vídeo de 10 horas falando sobre isso. Esse último elemento é uma coisa que eu comentei muito nas eleições de 2024, que foi o efeito do orçamento secreto sobre os currais eleitorais da direita. Lá no comecinho a gente falou sobre como o principal alvo da extrema direita era o Senado e como o principal alvo da extrema direita no Senado é o Supremo Tribunal Federal.
A extrema direita diz que o Supremo Tribunal Federal é uma ditadura de toga que persegue o Bolsonaro, que foi injusto com a Débora do Batom, etc, etc. Só que a causa principal do ódio da extrema direita ao STF é porque nos últimos anos o orçamento secreto começou a ser cerceado. Rosa Weber vota pela inconstitucionalidade do orçamento secreto.
Dino barra manobra do Congresso que libera emendas do orçamento secreto. STF determina que PF apure possíveis crimes na execução das emendas PIC. O orçamento secreto é o maior esquema de corrupção da história do país.
A gente tem vídeo aqui no canal sobre isso. São bilhões de reais enviados com pouco nenhum controle no Brasil, com fins eleitoreiros ou de superfaturamento. E o peso do orçamento secreto das emendas Pix não pode ser subestimado quando a gente analisa o crescimento do PL de 2022 para cá.
Partido de Bolsonaro PL é campeão em indicações do orçamento secreto em 2022. O PL foi medalha de ouro de corrupção com orçamento secreto no mesmo ano que elegeu a maior bancada do Senado pela primeira vez. PL faz a maior bancada do Senado, PSD, o segundo maior partido.
Isso aqui não é coincidência, é evidência do peso que isso teve nas eleições. Só que a partir de 2022, o STF passou a enquadrar a falta de transparência no envio dessas emendas. O que o STF estava fazendo era ameaçar tirar das mãos da direita bilhões de reais em emendas parlamentares.
E aí é óbvio que a extrema direita não ficou parada e depois disso o STF virou o principal alvo dos fachos. Era uma coisa que já vinha crescendo desde 2021 com Alexandre de Moraes e o bolsonarismo, mas agora é generalizado. O PL como partido embarcou de vez aos ataques contra o STF e na real recentemente o STF foi vítima de si mesmo.
Vários ministros do STF se lambuzaram nas relações com Daniel Vorcaro e saíram todos sujos de lama. Derrota particular do Supremo. Vantagem de Flávio Bolsonaro e o domínio da extrema direita no Senado projetam um futuro tenebroso pro Tribunal e paraa Constituição.
Isso aqui é um cenário perfeito para se o Flávio Bolsonaro ganhar, eles reconfigurarem a democracia burguesa no Brasil. E sim, sabem o pior? O Flávio Bolsonaro tá envolvido até o pescoço com o Daniel Vorcaro.
Mas quem disse que vai acontecer alguma coisa? Bom, depois de elencar todos esses fatores e tentar complexificar o máximo a questão, a gente faz a pergunta fundamental aqui. O que que a gente faz agora?
Eu comecei o vídeo dizendo que a acusação de que brasileiro não sabe votar direito não tá só errada, mas impede a gente de ver uma solução. Se o brasileiro não sabe votar, a solução seria o quê? Educar.
Essa leitura de que basta educar traz consigo uma tese que tá equivocada. O diagnóstico feito pelos adeptos dessa tese é de que o problema da esquerda tá na sua comunicação, de que a esquerda não consegue dialogar com o trabalhador, de que a esquerda não consegue conquistar corações e mentes porque não se reinventou. Ou seja, por conseguinte, a solução seria uma renovação na forma de comunicar as ideias, uma comunicação que supostamente convencesse os trabalhadores a votar direito na próxima eleição.
Só que se você tava prestando atenção até aqui, você sabe onde eu vou chegar agora. No campo do discurso e apenas do discurso, a direita tem uma vantagem que é intransponível. Em outras palavras, a gente não consegue bater de frente com a direita só no campo do discurso.
Eu demonstrei aqui para vocês como a burguesia tem um domínio gigantesco sobre os meios de comunicação. Então, apostar só no discurso, só numa mudança na forma do discurso é esmorrar ponta de faca. Só que existe um lugar no qual a nossa vantagem é intransponível.
Esse lugar é o ambiente de trabalho. Porque no ambiente de trabalho os interesses de classe se mostram como sendo antagônicos. Então, não basta a esquerda mudar o seu discurso continuando distante do ambiente de trabalho das pessoas.
E veja bem, eu não tô dizendo que boa comunicação não é importante, que a gente deva abandonar a comunicação. O que eu tô dizendo é que a esquerda precisa ter o que comunicar. E por ter o que comunicar, eu tô me referindo a comunicar o que acontece de concreto nas ruas, na luta cotidiana.
Só o discurso é muito pouco e vocês conseguem ver as evidências disso ao longo dos anos. E essa é a razão pela qual eu não concordo com essa tese de que a esquerda perdeu porque passou a falar de identitarismo. O problema não foi a mudança do discurso, o problema é o excesso de foco apenas no discurso.
E enquanto não houver uma retomada das ruas, do ambiente de trabalho, principalmente da classe operária, esse cenário vai se repetir indefinidamente. E fazer esse tipo de trabalho sindical e partidário é difícil, é muitas vezes ingrato, mas ele precisa ser feito. A análise material das condições não aponta para nenhum outro caminho.
Eu não tô falando de esperar 2028 para ver se as coisas melhoram. O trabalho continua no dia seguinte das eleições. Justamente o caminho é parar de achar que o povo é o problema e entender que o povo, na verdade, é a solução.
Só que isso demanda um trabalho político muito difícil e muito longo. E se a gente tem muito trabalho a fazer, é bom que a gente comece agora, né? Só para encerrar falando da situação concreta do segundo turno aqui.
É necessário sim fazer uma campanha para garantir a vitória do Lula no segundo turno. De forma alguma a gente é adepto do quanto pior, melhor, tá? Um governo Lula é significativamente mais favorável paraos trabalhadores e inclusive para essa própria organização do trabalho que eu tô falando.
Então, apesar de todas as críticas que eu fiz aqui, eu não tô advogando pela isenção no segundo turno, tá? A situação é muito desfavorável. Lembra um pouco o que aconteceu em 2018, como eu falei, mas o que resta fazer agora é concentrar esforços.
Beleza? Bom, se você chegou até aqui, o meu muito obrigado. E como prometido, eu falei no começo do vídeo que eu ia explicar o que aconteceu nesse mês de setembro.
A gente ficou por volta de um mês sem publicar nada aqui no canal do YouTube. E a razão disso é, em resumo, a minha saúde. No meio desse ano, eu peguei uma doença respiratória muito severa em cima de uma sinusite bacteriana que me derrubou para caramba, já fez o trabalho aqui no canal ficar bem difícil.
O problema é que passou um mês, passou dois meses, passou três meses e eu continuava com dor no peito, com tosse, com falta de ar, etc. Bom, em setembro eu descobri que, na verdade, eu desenvolvi uma doença crônica no pulmão. É uma doença crônica que não tem cura, eu vou ter que aprender a viver com ela pro resto da minha vida.
Então, o que aconteceu em setembro foi justamente eu tentando lidar com essa situação e planejar minha vida em torno dessa doença nova. Na real, confesso para vocês que eu tô num certo processo de luto, principalmente porque eu sou jovem e nunca fumei, nunca nem cheguei perto de um cigarro. Mas eu moro em São Paulo, né?
Então, é possível que a poluição da cidade tenha agravado muito esse quadro. Tem muitas coisas que eu não sei ainda, eu preciso acompanhar de perto a situação, mas já é certeza de que é algo crônico e que vai me acompanhar a vida toda. E aí, como que isso vai afetar o canal?
Sinceramente, eu não sei. Eu evitei o máximo dar informações porque eu detesto falar da minha vida pessoal, mas acho que eu devia satisfações, principalmente para quem apoia o canal, não apoia-se. Muita gente retirou o apoio nesse último mês.
Eu acho isso perfeitamente compreensivo. Por quê? Porque vocês contribuem com o canal justamente para que eu produza conteúdo.
E eu não fiz isso nesse último mês, né? Mas enfim, por hora a gente vai retomar as atividades normalmente, vai ter como news, vai ter vídeo ensaio lá no canal História Pública e novamente, como não pode deixar de ser, eu preciso divulgar o apoio-se, porque é o que torna tudo isso possível. Então, se você gosta do trabalho que a gente faz aqui, considere deixar um apoio lá no apoia.
Pública. É isso, a gente volta com as publicações normais ao longo dessa semana. E como sempre, organizem-se e um beijo no coração de vocês.