para não afligir as questões da irmãzinha, ela invadia a vida da mais velha e fazia da vida da mais velha um inferno. Então, os os sofrimentos da infância, por exemplo, as pessoas no consultório me procuravam muito para atender criança. Você não gosta de atender criança?
Amo atender criança é maravilhoso, é lúdico, só não atendo. E não atendia. Por quê?
Porque não sei como que é a sua realidade, até quero te ouvir. 90% das questões das crianças não eram das crianças, era do entorno, era da família. E aí eu ia ter que mobilizar, mexer na família e a família não queria.
A família queria me trazer uma criança com problema e que eu resolvesse e nunca, ou na maioria das vezes não era a criança. É por isso que eu digo que ser mãe, ser pai devia ser algo acionado por um grau de amadurecimento, algo no sistema nervoso central que falasse assim: plim, aquela hora que cai a nossa ficha e a gente fala assim: "Nossa, ser um ser humano é uma coisa grandiosa, que responsabilidade. " Devia ter teste de aptidão, igual alguns cursos na faculdade.
Música. Ah, você tem que saber tocar umas notas. Arquiteto.
Você precisa saber desenhar o básico, amor. Se você sabe desenhar casinha só de cominho prévio. Deveria ser assim, não é?
Tem que ver qual o talento. Nossa. E e aí o meu sofrimento em atender criança era exatamente esse.
Era difícil. Eu atendi situações. Uma vez eu atendi uma menininha com toque, gente, o toque dela era absolutamente justificável.
A mãe invadia o mundo dela, a individualidade dela, porque a irmãzinha tinha questões e aí para não afligir as questões da irmãzinha, ela invadia a vida da mais velha e fazia da vida da mais velha um inferno. E até para se proteger internamente dessa invasão, ela desenvolveu um transtorno obsessivo e compulsivo. Aí isso sim me mobilizava.
Entendi. Isso eu não conseguia separar. E aí eu optei ela já tava no processo, né?
É. Agora, é interessante isso. Eu peguei muitos casos de criança, mas eu tive uma experiência diferente da sua, porque as minhas crianças que hoje estão todas adultos pelo mundo e sempre manda, olha seus frutos, aí manda os filhos.
Eh, comigo eu fazia assim, dependendo e crianças até que tinham se supradas ou ou com conivência da mãe. Chegava uma hora que eu falava: "Eu queria te dizer tanta coisa boa, mas eu tenho que te dizer uma coisa". Mas isso quando já tava lá se entre 12, 14.
Uhum. Antes eu eu era tia que amparava tudo, fazia o mundo mágico. Chegava uma hora.
Eu falei: "Eu tenho uma verdade difícil de falar, mas a gente precisa viver com a realidade. Você não tem mãe, isso que tá aí é uma pessoa, mas ela nunca vai ser mãe. Mãe no sentido eh de acolher, de amparar.
Mas posso dizer, se você for uma menina eh com força de vontade, com determinação, um dia você vai ser a sua própria mãe e você vai ser maravilhosa. Você tem que ser maravilhosa para você. E como é que elas recebiam essa fala num primeiro momento?
Mas ela não vai mudar. Eu falei: "Não, não vai e você não vai ficar esperando". Eu tive, eu tive adolescentes que o pai quando fez 18 anos, eu falei assim: "Faz qualquer coisa e some no mundo e trabalha, mas trabalha, trabalha, trabalha e depois você estuda, porque você não pode nem ser dependente dessa família".
E eu vou te dizer, quando você dava certeza de que eles podiam e não mais, tipo assim, ah, coitado, seria bom se sua mãe mudar, ah, ela ia mudar, mas não vai. Se um dia mudar, vai ser um lucro. É ótimo.
E todo mundo tá pronto pro lucro, né? Tipo assim, uma notícia boa, não tem problema. Se prepare para ser a pessoa mais fantástica e não espere.
E não espere, porque se um dia vier aí é a cereja do bolo. Faz o bolo. Eu vi uma cena ontem tão maravilhosa, tropecei nessa cena que liguei a televisão, quase nunca posto, tava vendo lá uma cena da Odet Hitman com o filho dela, maravilhoso.
Eu achei a fala dela fantástica, porque o filho dela devia estar reclamando de alguma coisa dela, ela lá no hospital, ela falou assim: "Meu filho, deixa eu te falar uma coisa. Eu nunca quis ser mãe. Aliás, eu acho que eu nem sou mãe.
Eu seria talvez um bom pai, trabalhador, provedor, daqueles que ficam distantes, viajando, trabalhando, bom pai no no sentido Ela falou: "Eu acho que se eu tivesse nascido pai e outra, vocês iam me adorar se eu fosse pai, porque eu seria um excelente provedor, eu ia viver ausente como a maioria dos pais e eu ia ser um excelente pai". Fez uma crítica social, né? Nada.
Ela falou: "Mas mãe, eu nunca fui, eu nunca quis eu acho que eu não me pareço nada com mãe. Não tem nada a ver com mãe. Uma autitura e uma esse personagem maravilhoso que a Débora Block arrasou.
A gente esqueceu a a a outra que era, como era o nome, gente, da Bia Sider. Bassid Bidal. Beatrizal.
Isso. Beide é uma outra atriz maravilhosa também. Beatriz.
Eu achei que ela nunca bateria. A mulher fez uma coisa e ela não fala não. Ela fala, não fala: "Meu filho, fala meu bem".
Meu bem é mesmo. É mesmo. Ela falou meu bem para ele.
Meu bem. Eu não. Você tá reclamando eu da mãe que você tem?
Eu não sou mãe. Eu nunca quis ser mãe. Aliás, eu sou no máximo um pai.
Exatamente. Mas é isso que eu tô dizendo. A natureza não podia permitir que ela fosse mãe, né?
Algum dia isso vai acontecer. Mas eu também acho. Eu acho, é dificílimo essa infância.
Mas eu vou te dizer, se a gente não empodera essas crianças, mas empodera mesmo do tipo, vamos acreditar num poder mágico, como se foi a jornada do herói, sabe aquela coisa? Mas é interessante essa sua essa sua. Eu sempre fiz isso.
Eu sempre fiz isso. E a pessoa fala: "Mas eu não vou ser capaz. " Eu falei: "Eu tenho certeza que você vai ser capaz".
E você percebia que o adoecimento vinha da família? Esses que eu fazia esse esse pacto, eu fazia um pacto, eu fazia assim: "Eu quero te aplaudir, eu quero na sua formatura, eu quero não sei quê, quero ver você feliz, quero ver você com quem você quiser. " Mas você tem que ser competente.
E até porque aí eu brincava assim, botava assim: "Eu não vou suportar ter um ex-paciente incompetente". Eu falo isso, eu falava isso para meus pacientes muito. Eu não sou vaidosa, não sou nada disso, mas não vou aguentar ver você sofrer.
Então pelo amor de Deus, para mim meus pacientes falava: "Você não vai me envergonhar. " Mas eu não falava isso porque era vergonha, porque eu tinha que tirar o melhor dele. A dor já tava na posta na mesa.
Ou a gente fazia um cozido daquela dor, ou a gente fazia o refogado. Então a gente deita com a dor e é tão engraçado quando você fala assim, né? É, tem gente que não deveria ser mãe, né?
E tem gente que não deveria ser pai também. O inic vai falar sobre mãe suficientemente boa, né? Eu adoro esse termo mãe suficientemente boa.
E eu fico às vezes me perguntando o tempo todo se eu estou sendo uma mãe suficiente, uma mãe suficiente boa. Porque que que o hino quando vai falar sobre mãe suficientemente boa, ele vai falar assim: "Você não precisa ser brilhante, mas o básico você precisa fazer, senão você vai adoecer sua geração, que é conforto, proteção. E outra coisa, deixa os filhos se frustrarem.
É isso. Mas esteja amparando a frustração, mas deixa. É o mínimo assim, mas assim, é o mínimo, mas o mínimo você precisa fazer.
Já é difícil o mínimo, né? E ser uma mãe suficientemente boa é uma coisa que eu tenho visto com muita dificuldade. E talvez as minhas falas aderem muito, o povo adora quando eu falo sobre isso.
Por conta disso, segurança, carinho e frustração. Hoje as pessoas não permitem. O bolo que você tem que botar os ingredientes ali direitinho.
É difícil. Fazer o basicão de bem feito é a coisa mais difícil. É mesmo.
Eu sempre digo, a pessoa, você não quer, eu quero basicão bem feito, né? Eu falo que é um risoto. Eu amo fazer risoto e amo comer risoto.
Risoto é um dos pratos mais simples e mais difíceis de fazer. Porque tem a hora certa, tem que Porque ele é o bas, ele como diz a minha mãe, ele é um arroz papado, mas ele é um arroz papado enjoado. Exatamente.
Precisa ser naquela dose, a hora certa, a dose certa, o ingrediente criar filha do mesmo jeito. Igualzinho. Do mesmo jeito.
Minha mãe é uma uma boa mineira. Minha mãe é semianalfabeta, senhor sabe assinar o nome. E minha mãe tem umas falas maravilhosas.
Eu falo, eu fiz doutorado para entender o que a minha mãe fala. Minha mãe fala assim: "A coisa mais difícil que existe no mundo é criar filho. Deus te deu um pedaço de carne que não fala, que não anda, que não não entende, que não sabe o que o que que pode comer e o que não pode.
E você tem que ensinar tudo. Quando eu dei a luz meu primeiro filho, minha mãe foi maravilhosa, ela foi super motivadora. Ela entrou no quarto, tinha acabado de parir, ela olhou para mim e falou: "Parabéns, a partir de agora você nunca mais vai ter sossego na vida".
Se você for uma mãe suficientemente boa, se você resolver ser uma mãe suficientemente boa, você nunca mais vai ter sossego na sua vida. E é fato, porque a maternidade ela gera essa implicação. Eu adoro essa palavra implicação, porque quando você tá implicado, você tá enrolado naquilo ali.
Exatamente. E você não sai disso não. Exatamente.
Aquilo é parte de você, é satélite, não tem. Eu tinha uma professora em psicanálise que ela era maravilhosa. Ela falava assim: "Não sei se não ter filho é uma bção ou uma maldição".
Ela falava, ela falava: "Eu não sei se é uma". Ela falava: "Filho, tanto que é bom é ruim". E eu concordo com ela.
Filho, tanto que é bom é ruim. E aí um dia ela apareceu grávida, aí nós caímos. Ai professora, mas a senhora falava, aí ela falou assim: "Você sabe por que eu quero ter filho?
Porque eu quero ter o direito de estragar meu próprio ser humano. Eu tô vendo diante de estragar os seus seres humanos por aí. Eu quero ter o direito ter direito de errar com o meu dos outros.
O o fazendo o básico, você ainda vai errar muito. Imagine não fazendo o básico. E tem que fazer o básico com a intenção boa.
Imagine dirigir um carro de Fórmula 1 no meio de uma cidade com trânsito caótico igual São Paulo. É exatamente assim que funciona o cérebro de nós que temos TDAH. Você tem um potencial incrível, ideias brilhantes, um coração cheio de boas intenções, mas parece que sempre está preso.
Os planos ficam no papel e a vida não anda. Até as coisas mais comuns parecem tarefas impossíveis de serem cumpridas. Mas não precisa mais ser assim.
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