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Homilia proferida pelo Padre Elias | Evangelho de Mateus 16, 21-27 | 30/08/26

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Padre Elias - Homilias - Crato
Então, caros irmãos e irmãs, me permitam uma breve e sempre oportuna reflexão como resposta à proclamação do Evangelho que nós acolhemos agora. Jesus conversa com os discípulos. É uma conversa séria como tantas que ele teve com os 12.
[limpando a garganta] E o assunto, o tema dessa conversa é sofrimento, o seu próprio sofrimento e naturalmente um sofrimento que desemboca na sua morte e morte de cruz. E ele fala, como tem falado várias vezes, filho do homem vai sofrer muito, vai ser perseguido, depois vai ser morto e só ao terceiro dia vai ressuscitar. Os discípulos não gostavam nada dessa conversa.
Assim como a gente não gosta, tá no meio de um grupinho e começa alguém a falar de doença, de sofrimento, de morte. Tem sempre gente que bate uma madeira e isola. Vamos parar com esse assunto aqui.
Já tô me deprimindo, já tô ficando triste. Não gosto de pensar sobre isso, desde para quando for mais tarde, agora não é tempo. E a gente tem sempre uma desculpa e vai tangenciando e vai se esquivando desses temas que são dolorosos, que são espinhos para nós.
[limpando a garganta] paradoxalmente, queiramos nós ou não, são esses temas do sofrimento, por exemplo, e da morte, a nossa e a morte como um todo, que são os nossos melhores mestres, que mais nos educam, que mais nos instruem, que mais se tornam nossos pedagogos e nos vão colocando em ordem na jornada pela vida. Por mais que nós nos desviemos deles, chega um momento, chega um tempo que não dá mais paraa gente se esquivar. E precisamos falar, iniciar essa fala, nos introduzir nela, quebrar o gelo, criar coragem e enfrentar a realidade, por mais dura que ela seja.
E é bom que a gente comece cedo, se exercite cedo a falar sobre isso, porque se a gente ignora, faz de conta que não existe. Quando isso acontecer, um sofrimento qualquer, ou a possibilidade real da morte, seja nossa, ou de alguém muito querido com quem nós convivemos, é um Deus nos acuda. Porque a gente não exercitou, a gente não pensou, a gente não imaginou, não conjecturou.
E naturalmente tudo isso nos ajuda se nós o fizermos antes, antecipadamente. Depois, no mais a mais, nós não devemos temer os nossos sofrimentos. Os antigos, na sua sabedoria ímpar, diziam que nós só sofremos aquilo que temos de sofrer, nem mais nem menos.
Quando nós entendemos o recado do sofrimento, o sofrimento vai embora. Nós o introjetamos, já faz parte de nós. Não é algo externo que está à nossa frente, nós devemos combater.
Não é um inimigo, mas é algo que já se incorporou, se naturalizou. Porque são coisas naturais e passíveis de acontecer conosco e efetivamente acontecem. [roncando] Martin Luther King, quando alguém [limpando a garganta] encontrava-se com ele e ele sofreu bastante no regime de segregação racial norte-americano em tempos idos.
E ele era um ícone desse sofrimento, encarnava esse sofrimento porque era era negro. e era formado, culto, inteligente, pastor protestante e recebia muito os influxos negativos de toda uma população que se atirava contra ele. Ele se encontrava com alguns adeptos da sua igreja que diziam assim invariavelmente: "Pastor, nós estamos orando todo dia pelo Senhor para que Deus não deixe o Senhor sofrer.
" Livre o Senhor desse sofrimento. Ele diz: "Eu agradeço muito pela oração de vocês. Preciso dela, mas a oração tá errada.
Não peça a Deus para ele me livrar daquilo que eu tenho que passar. Peça a Deus para que eu seja capaz de superar o sofrimento pela minha capacidade de sofrer. Uma coisa maravilhosa.
O problema não é o vírus, que o vírus tá lá fora de qualquer doença que nos ameaça. O problema é a fragilidade de quem tem contato com o vírus. Na pandemia, a gente viu muito bem isso.
Muitas pessoas morreram dezenas, centenas, milhares, milhões pelo mundo afora. E aquelas que sobreviveram é porque tinham uma um fortalecimento maior do ponto de vista da sua interioridade. As vitaminas estavam em ordem, a imunidade estava em alta e por isso mesmo o vírus se abateu contra elas e não foi capaz de levá-las daqui.
Houve algum sofrimento da parte delas, mas nada que preocupasse. Então esse é um dado muito importante. A, o fortalecimento é daqui para fora, não é de coisas de fora que nós possamos utilizar enquanto estratégias, recursos, ferramentas, instrumentos hábeis.
Eles ajudam, mas chega um certo ponto que eles eles param, eles não funcionam mais, porque somos nós que resolvemos a parada. Há uma prece tibetana muito antiga que diz assim: "Senhor, faz com que eu receba os sofrimentos apropriados a este dia para que o meu coração permaneça desperto. " Quem de nós é capaz de rezar desse jeito, de sã consciência, pedir a Deus não que nos livre do sofrimento, mas que os sofrimentos desse dia possam vir até mim.
para que eu continue atento, continue aprendendo, crescendo, evoluindo, melhorando, não a não por causa do sofri, não apesar do sofrimento, mas por causa dele, inclusive tem outra poesia persa, antiquíssima, que diz: "Agradeço a quem qualquer razão me maltrata, porque assim me faz retornar ao espírito Em contrapartida, preocupam-me com aqueles que me dão bem-estar o tempo inteiro, porque eles me afastam da prece, me afastam da oração. Agradecer a Deus pelos infortúnios e pelos infortuniadores e ao mesmo tempo ter o pé atrás acerca daquelas pessoas que sempre nos deixam muito bem. E obrigado.
São preces meu enviezadas, realidades paradoxais, mas que nos fazem nos fazem pensar, nos fazem pensar fora da caixinha e viver uma realidade que ainda não vivenciamos bem. Jesus Cristo repreende, portanto, a Pedro. Pedro diz: "Senhor, quando ele tá falando desse sofrimento que vai sofrer, que vai morrer, Pedro, Senhor, pelo amor de Deus, isso não vai acontecer com o senhor, não.
Deixa essa conversa para lá. O senhor é saudável, o senhor tá tão bem, o senhor é jovem. É aquilo que a gente diz às pessoas quando falam de sofrimento.
Esqueça isso, ter isso da cabeça de uma vez por todas. E o que é que Jesus Cristo diz repreendendo Pedro? Afasta-te de mim, Satanás, porque tu não pensas como Deus, mas pensas como um homem, como o mundo.
Satanás aqui, na verdade, não encarna o maligno. Satanás aqui é equivalente a inimigo. Todo aquele que se quer se livrar por fim da força do sofrimento e quer proteger excessivamente os seus do sofrimento, é um inimigo de si próprio e é inimigo dos seus.
é exatamente o contrário do que pensa. Pensa que tá ajudando, protegendo, está animando e na verdade está atrapalhando o seu e o crescimento dos outros igualmente. Então essa repreensão de Jesus a Pedro significa [limpando a garganta] que muitas vezes nós nos tornamos Satanás, inimigos das pessoas a quem amamos, inimigos de nós próprios.
Porque via de regra, as [limpando a garganta] pessoas que foram muito mimadas na vida, foram excessivamente protegidas, elas tendem a sofrer mais, por incrível que pareça. E esse é um paradoxo. A pessoa que não sofre é aquela que mais sofre.
E repita, a pessoa que não sofre, que foi poupada do sofrimento desde sempre, é aquela que acaba sofrendo mais. Não foram vacinadas contra o sofrimento, não tiveram um um contato mínimo com os vírus da vida, os infortúnios, as adversidades da vida. Aí quando isso vem, saia da frente.
Elas não suportam. É um Deus nos acuda. Não tem sustentação, não tem embasamento, não tem lastro, não tem alicece.
E aí sucumbem na primeira bordoada. E às vezes a queda é tão grande que ninguém consegue reerguer uma pessoa que não sofreu nunca e sofre um grande sofrimento pela primeira vez já adulta porque foi mimada e preservada de todo o sofrimento. Qualquer coisa que aconteça parece que é o fim do mundo para essas pessoas.
Coisas pequenas. tirar uma nota baixa para um adolescente, um jovem na escola, se não tiver cuidado, ele se suicida. E tem muitos casos desses.
Sempre foram culpados e os pais dizendo que eles são maravilhosos, alunos excelentes, exemplares, só tiram notas boas. E aí vem uma nota baixa, ele se decepciona, não quer decepcionar o pai e a mãe, nem os amigos, nem ninguém mais. Às vezes uma pessoa é reclamada pelo pai, reclamada [limpando a garganta] por uma autoridade, é o fim da picada, recebe o não da namorada, primeiro namorinho da vida, 14, 15 anos de idade, às vezes 19 ou 20, e já não já não sente mais que a vida vale a pena, [limpando a garganta] porque recebeu o não daquela primeira namorada.
Se ele imaginasse que a vida dele mal começou, mas não tem essa capacidade de visão do todo, de uma visão à distância, de uma visão a longo prazo, de maneira alguma. Recebe um carro, ganha um carro, aí no outro dia alguém deu uma arranhada no seu carro. é o fim do mundo.
Ele é capaz de matar ou morrer por conta daquilo. Mal sabe ele que em meia hora um especialista tira aquele arranhão. Então pensei com vocês que o o nosso laço de sustentação quando nós não nos preparamos pro sofrimento é é terrível.
Ele ele não existindo, nós sofremos por tudo e por nada ao mesmo tempo. Uma das [limpando a garganta] maiores lições da vida é aprender que nós precisamos do sofrimento. Nós precisamos do sofrimento.
Não é o sofrimento pelo sofrimento. Não é um sofrimento desnecessário. Não é buscar o sofrimento de maneira alguma.
Até porque não adianta buscá-lo, porque ele já vem, na hora certa ele aparece. Esperemos que ele chega. Se nos acostumamos a viver só com coisas boas, com coisas prazerosas, com coisas fáceis, recompensas rápidas, satisfações imediatas, a nossa mente vai se acostumando a viver sem problema algum e vai criando a ilusão de que esse mundo é uma maravilha.
Na hora que ele percebe que não é tão maravilhoso assim, aí não tem mais como consertar a sua própria vida. Ou seja, acabamos por perder a capacidade de conviver com as adversidades e na ausência do prazer e das facilidades, não sabemos o que fazer. Não sabemos o que fazer.
Eu diria para vocês, irmãos e irmãs, que o sofrimento põe a vida em movimento. É o sofrimento que move a vida, nos mobiliza, nos interpela, nos desafia, obriga-nos a não parar de buscar o tempo inteiro alternativas, caminhos, impossibilidades que até então a gente não havia buscado porque não houve necessidade de maneira alguma. O sofrimento é como se fosse um corte, um corte na nossa alma para torná-la mais larga, romper os seus limites, quebrar essas fronteiras que sempre existem e carregamos conosco.
Quando a alma se torna maior, cabe mais muito dentro dela. Quando a arma, a alma se torna mais larga, cabe mais contradição dentro dela. Ela permite um número maior de contradições, de paradoxos.
Quando a gente é capaz de acolher mais contradições, a gente evolui. Isso é sinônimo de maturidade. Nós estamos aqui para sermos maduros, gente madura, gente que alcança o máximo de si próprio.
Não ficar na infância, na meninice, na adolescência, na juventude, mas alcançar a excelência. E precisamos para isso contar com sofrimento em nossas vidas. Maria quando encontrou-se com Isabel, ela canta o canto do Magnífica, que diz assim: "A minha alma engrandece no Senhor.
" É como se ela quisesse dizer: "A minha alma se expande, se alarga, quebra os limites e as fronteiras da vida no Senhor. " É isso que Deus quer para nós, porque eh precisamos quebrar esses limites. Vocês se lembram que quando falavam de Maria outra vez diziam: "Ela guarda tudo no seu coração".
O coração é essa alma larga, esse depósito maior do que a mente, do que a cabeça. Porque a cabeça, por mais inteligente, e sábia que seja, tem o seu limite. Mas o coração, a alma, o centro da vida não tem limite.
Cabe tudo e mais alguma coisa dentro dela. E o poeta, nessa mesma direção, já dizia: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena. É preciso engrandecer a nossa alma.
O sofrimento ele ele corta, ele corta e alarga a alma querendo nós ou não. Se você pegar um punhado de barro e jogar num copo de 300 ml cheio d'água, aquela água fica barrenta em dois tempos. Se você pegar esse mesmo punhado de barro e jogar no mar, não acontece absolutamente nada.
O mar não se recente por aquele bar, não muda, não altera coisima alguma. O desafio para nós é deixar de ser copo e passar a ser mar, ser oceano, alargar-se, ampliar-se, totalizasse, planificarse. E em tudo e por tudo nós somos chamados a fazer isso, utilizando os expedientes próprios da vida como uma ferramenta, um instrumento, um canal.
para que isso de fato se desenvolva em nós. [limpando a garganta] Portanto, por um lado, não devemos buscar o sofrimento. Por outro não somos nós que acabamos com o sofrimento.
É ele quem acaba quando cumpre a sua tarefa, quando realiza a sua missão, quando nos dá o seu ensinamento e a sua lição. Ele vem, passa por nós, faz em nós o seu trabalho. Bendito aquele que acolhe esse trabalho e depois ele vai embora.
Ele já não nos atormenta mais. Outros sofrimentos virão, mas aquele já foi. Então é preciso que nós tenhamos essa condição.
Então devemos agradecer por cada um dos nossos sofrimentos. agradecer todos os dias a Deus, não só por coisas boas e maravilhosas que nos acontecem, mas também e sobretudo pelo nosso sofrimento e perguntar ao sofrimento a cada um deles quando ele vem: "O que é que você quer de mim, meu amigo? O que é que você quer de mim?
" ou então de uma forma mais apropriada, que aspecto da minha alma ainda precisa crescer com a sua presença, com a sua existência dentro da minha própria vida. Na hora que a gente faz a pergunta certa, as alternativas, as respostas, os encaminhamentos certos também vão acontecer. Quando a gente faz a pergunta errada ou escapa ou se esquiva dessa pergunta porque ela é muito dolorosa, ela muito embaraçosa, muito incômoda, nós não temos resposta alguma.
as respostas são falsas apenas para aliviar e confortar a nossa mente acomodada, acovardada muitas e muitas vezes. Então, conversemos com o nosso sofrimento e procuremos tirar o melhor proveito dele. Não adianta bater frente com ele, porque ele veio para deixar alguma coisa ali.
E se você não acolhe a Deus, perder o seu tempo e mais tarde ou mais cedo vai ter que abrir os olhos e se deparar de novo com ele. E ele vem dobrado lá na frente se a gente não for capaz de melhorar as condições aqui e agora. Depois, quanto à morte, pra [limpando a garganta] gente encerrar com esses dois aspectos, é a mesma coisa, literalmente.
Se é certo que a morte vem para todos nós, não devemos jamais fazer de contas que ela não existe, viver como se ela não houvesse, ignorá-la, virar as costas para ela. Isso só contribui para aumentar a nossa dor e o nosso desespero quando ela estiver perto de chegar, estiver chegando. Quanto mais nos afastamos dela, maior será o nosso choque, o nosso impacto quando ela bater a nossa porta para entrar.
O desafio para todos nós é encarar a morte de frente. É acolhê-la como coisa nossa, não como uma coisa estranha. Um bicho de sete cabeças, um inimigo.
Não. Lembro-me de uma regra benitina de São Pedro para os seus frades, seus monges, que dizia assim: "Mantenha a morte diante dos seus olhos todos os dias. " O monge era chamado a manter a morte diante dos seus olhos, a acordar pensando nela.
Não é para ficar triste, não era para ficar debilitado emocionalmente, não era para se deprimir, mas é para não perder o senso de urgência da vida, não jogar a vida fora, literalmente com besteira, com bobagem, com quimeras. Então, quando eu sei que eu vou morrer e hoje eu estou mais perto da morte do que estive ontem, eu não vou jogar a minha vida fora no lixo, literalmente. Ela é tão preciosa.
Eu vou apostar naquilo que eu tenho de fazer. Eu vou fazer escolhas melhores. Eu vou eu vou fazer de tudo para que eu não me decepcione a mim próprio.
E quando chegar no final, eu posso olhar para trás e dizer: "Eu tive muitos erros, mas valeu a pena. Eu deixei algum rastro que prestasse. Eu tô feliz com o que eu construí de mim próprio.
Construí as nossas memórias agora com 17 anos, com 15 anos, quando mais cedo, melhor. Se com 30 a gente não construiu ainda, com 50 a gente está ainda brincando. [limpando a garganta] Se com 80 ainda não abrimos os olhos, é sempre tempo.
É sempre tempo, porque a vida não é medida por aquilo que a gente não fez. A vida é medida por aquilo que a gente pode efetivamente fazer. Enquanto a gente tá vivo, a gente tá no jogo da vida e pode fazer melhor.
A gente faz melhor hoje nas condições que a gente tem. Amanhã, depois de amanhã, se a gente acordar melhor do que hoje, a gente faz melhor, porque a gente tem condições ainda melhores. Deus não vai pedir o impossível, o que você não pode, mas sempre vai contar com as suas possibilidades.
Faça só o que você pode, mas pelo amor de Deus, faça tudo o que você pode. Quem fez tudo o que pode não morre devendo nada, nem a si, nem aos outros, nem ao mundo, nem mesmo a Deus. Está kidino, com o propósito com o qual veio ao mundo, com a finalidade que precisa cumprir a todo instante até até o fim.
Depois um outro aspecto. E aqui eu termino. Jesus disse: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
É um convite a que nós superemos tudo aquilo que já pensamos, que já sentimos, que já fizemos, que já construímos na vida. Renunciar a nós mesmos é um chamado a que ultrapassemos o nosso passado, recente ou remoto. Sigamos em frente com espírito aberto a tudo e a todos, porque há muito mais a se viver do que já se foi se viveu.
Há muito mais a se experimentar do que já foi experimentado. Há muito mais a se conhecer do que nós já conhecemos. E quando a gente para literalmente no conhecimento que a gente teve, aquele conhecimento se torna um obstáculo ao conhecimento.
Quando a gente para na experiência, aquela experiência obstaculariza, impede-nos de crescer e ter outras experiências. Não paremos. Abramo-nos de uma vez por todas e nunca mais nos fechemos em nós próprios.
Renunciemos a nós mesmos. Renunciar a si próprio significa: "Eu não acolho de forma absoluta nada daquilo que eu que eu construí por mim e para mim até agora. Eu não acolho nada que disseram que eu sou, porque eu não sou aquilo que eu sou, eu sou aquilo que eu posso ser.
Há um mundo de possibilidades dentro de mim e eu vou realizar essa esse potencial um pouquinho, um bocadinho a cada dia, acrescentando algumas gotas de novidade aos meus dias e não dormi nenhuma noite sem ter feito alguma coisa nova, aprendido alguma coisa nova, melhorado um tiquinho sequer daquilo que sou eu ao longo dos meus dias. Então, é um convite a que nós renunciemos todas as falsas identidades às quais nós nos apegamos. Renunciemos a nossa inteligência, a nossa sabedoria, nossa cultura, a nossa família, o nome e sobrenome da gente, a nossa saúde, nossa beleza, nossa profissão, nossos títulos.
Nada disso somos nós. Isso não pega em nós. Tem lá uma cola.
A vida coloca essas coisas todas em nós, esses rótulos. Mas no primeiro banho quente e forte, no primeiro grande calor e suó, isso tudo vai ficando pela estrada. Nós não somos nada absolutamente disso.
Eu costumo lembrar uma analogia que fazia, [roncando] fazia um professor que eu tinha de filosofia na Espanha. Ele dizia que a vida, a nossa vida, é como o interior de uma edificação. Imagine essa igreja desse tamanho com essas colunas que nós temos aqui.
Nem sempre esse espaço aqui foi igreja. Quando outrora não era igreja, era o mesmo espaço, a mesma prioridade. Se amanhã isso aqui não se não se fizer mais igreja, ou então se mudarem todo esse aspecto interno, o nosso espaço interno continua inalterável.
Podem colocar as paredes e as colunas que quiserem. A nossa interioridade não muda. E é por isso que Jair Lilu dizia assim o monge de luz nos nossos tempos: "Nós somos aquilo que sobrar de nós quando não sobrar mais nada.
Quando a gente tirar tudo aquilo que foram colocando em cima da gente, dizendo: "Você é isso, você é aquilo". Aí sobrou a nossa essência. Aí somos nós despídos de todos esses apetreços externos, mas ao mesmo tempo movidos por aquilo que há de mais essencial, que é a nossa alma e a nossa interioridade.
E que ninguém nos tira, ninguém baldeia, ninguém atrapalha, ninguém chafurda se nós não quisermos. Então é muito importante essa nossa convicção. Depois assumir a nossa cruz.
A palavra cruz significa em grego é extravoz, que significa manter-se de pé. O que assume em nossa cruz, leve as bordoadas que levar, mas pelo amor de Deus, mantenha-se de pé. Levante-se de novo.
Levante-se uma vez, duas, 10, 100, 1000. Tantas vezes quanto a vida exigir de você. Fique de pé, ainda que cambale, porque somente quem estiver de pé pode dar passos à frente, pode caminhar, sair do lugar.
Quem está deitado, caído, apenas rasteja. E rastejar não é digno de um ser humano. Então, fiquemos de pé.
Procuremos ficar de pé. Jesus Cristo dizia nos Evangelhos: "Erguei-vos e levantai a cabeça. " Tá aí todo um conselho que vale para uma vida.
Erga-se todos os dias e levante a sua cabeça. Quando a gente está de pé, erguido e com a cabeça olhando pra frente, discurtinando os horizontes à frente, nenhuma depressão bate e entra em nós. Nada fica em nós.
Porque nós estamos vendo muito mais longe do que a doençazinha do momento, o desemprego do momento, a cara feia do momento de alguém que não gosta de nós, o não que alguém nos deu ou coisa que o valha. Estamos olhando, vislumbrando o futuro. Tenhamos os pés bem firmes no chão, a cabeça, o coração e a alma sempre progredindo, avançando, desculpinando por águas mais profundas.
nas águas onde muita gente se afoga, que nós, pelo amor de Deus, nademos, nademos e nademos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
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