[música] Economia no contexto certo. Sestor. [música] H.
Boa noite, Brasil. Vem da Javan. Bem-vindos a mais um sexouro.
Resumo da semana econômica no contexto certo, [suspirando] diretamente de Nova York. Foi mais uma semana de idas e vindas na guerra entre Estados Unidos e Irã. As negociações do sábado passado fracassaram.
O presidente Trump elevou o tom, fechou o estreito de Ormous, mas depois vieram as esperanças de paz. O petróleo voltou para baixo dos $. [música] As bolsas dispararam e bateram novas máximas históricas.
A nossa bolsa foi por patamar de 200. 000 pontos. O dólar rompeu a marca psicológica dos R$ 5 pela primeira vez em 2 anos.
O presidente Lula demitiu o presidente do INSS, Gilberto Waller, que tava no cargo só há 11 meses. Vamos pros pontos que eu separei com o cestouro de hoje. Primeiro ponto, carga tributária bate record.
Não foi só a nossa bolsa que bateu records nessa semana. Infelizmente, o Brasil bateu outro recorde horroroso, nada animador. E o número assusta: A carga tributária do Brasil chegou a 32,4% do PIB, o maior nível da história.
Nunca se arrecadou tanto imposto no país. E um detalhe que chama atenção, o avanço veio principalmente do aumento da arrecadação sobre a renda, crédito e folha de pagamento. Traduzindo, a economia até cresce, o emprego aparece, mas o peso do estado cresce [música] junto e rápido.
E vem aí uma pergunta que rende um debate. O brasileiro tá ficando mais rico ou apenas pagando mais imposto? Porque quando a carga tributária bate recorde, sobra menos dinheiro pra gente consumir, investir e crescer.
Por que que as coisas não são como aqui nos Estados Unidos? Aqui se paga imposto, mas se vê o resultado. Aí no Brasil as empresas sentem, as famílias sentem, o ritmo da economia pode até desacelerar no curto prazo.
E o alerta tá dado. O governo arrecada cada vez mais, mas o bolso do contribuinte não aguenta mais. Segundo ponto, reeleição de Lula tá difícil.
O mercado financeiro tá muito atento a todas as pesquisas que estão saindo e elas não são nada animadoras pro presidente da República. No sábado, o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro batendo Lula numericamente pela primeira vez. E mais, Lula tá empatado tecnicamente com todos os candidatos de direita no segundo turno da eleição, mesmo os mais desconhecidos.
Ou seja, hoje ele não ganha de ninguém. É que a rejeição do presidente tá na lua. 48% das pessoas dizem que não votariam nele de jeito nenhum.
É metade do Brasil. Outro número chama atenção. A aprovação do presidente tá hoje só em 44%, e é uma zona de risco.
Cientistas políticos colocam um número na mesa, 45%. Disseram que abaixo disso a reeleição fica muito difícil. Segundo o cientista político Antônio Lavareda, a história mostra que presidentes que entram no ano eleitoral com aprovação abaixo de 45 tem muita dificuldade em se reeleger.
Não é teoria, é estatística eleitoral. O problema é que mesmo com o emprego e a renda melhorando, o humor da população continua azedo. A economia pode até mostrar números positivos, mas a sensação no bolso ainda pesa por conta dos impostos descontrolados que esse governo cobra.
E isso pesa na política. Terceiro ponto, inflação fora de controle e fora da meta. A inflação voltou a preocupar.
Os economistas elevaram a previsão do PCA para 2026 pela quinta semana seguida e agora tá em 4,71%. Já tá fora da meta. A meta da inflação do Brasil é 3% com banda de tolerância de 1,5 para cima ou para baixo.
Ou seja, o teto da banda de tolerância é 4,5%. Agora foi quebrado da 4,71. Traduzindo, o fantasma da inflação tá rondando a gente de novo.
E quando a inflação sobe, o primeiro impacto direto é no bolso, comida, combustível, transporte, tudo fica mais caro. E o problema é que a guerra entre Estados Unidos e Irãetou sim os preços do petróleo no mercado internacional, mas no Brasil esse impacto vem sendo represado com subsídios aos combustíveis que ainda nem impactaram muito nos preços. O risco agora é claro, inflação mais alta por mais tempo, corte de juros menores e crescimento mais lento.
Quarto ponto, dificuldade em arrumar emprego. Um estudo da FGV que saiu nesta semana mostra que mais da metade dos brasileiros sente na pele o que as estatísticas começam a mostrar. Conseguir emprego tá ficando mais difícil no Brasil.
53,6% da população tem dificuldade para encontrar trabalho. E o dado mais preocupante é outro. Mais de 1/3 das pessoas acredita que a situação vai piorar nos próximos meses.
Ou seja, o mercado gera vagas, mas a sensação nas ruas é de insegurança e medo do futuro. E aqui tá um ponto que gera debate. Aonia pode até mostrar números positivos, mas o brasileiro não tá sentindo isso no dia a dia.
Quando cresce a percepção de dificuldade para trabalhar, cresce também o pessimismo, o consumo desacelera e a recuperação perde força. Quinto ponto, indústria brasileira despenca no ranking global. Uma notícia triste pra nossa indústria.
O Brasil despencou no ranking global de produção industrial. Saiu de 24º para 64º lugar em apenas 1 ano. Em 2025 voltou para baixo da tabela.
Voltando pra lanterninha. Parabéns aos envolvidos. O levantamento é do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial ligado à ONU.
Enquanto a indústria global cresce, se expande, se desenvolve, o Brasil praticamente ficou parado, estagnado, condenado a não evoluir. A produção industrial de transformação global cresceu 3,9% o ano passado e o e e 2,1 em 2024. Em contraponto, a produção brasileira variou só 01% ano passado frente a 3,2 em 2024.
Que vecham! E a previsão para 2026 é de um avanço mínimo pífio de só 0,3%. É um número muito fraco para um país que precisa gerar emprego, renda, competitividade.
É o Brasil da carga tributária e da corrupção pandêmica. O diagnóstico é mais amplo e muito duro. Temos juros elevados, incerteza externa [música] e problemas estruturais que continuam travando a indústria nacional.
O resultado tá estampado nas manchetes, menos investimento, menor geração de empregos industriais e crescimento econômico mais lento. O sinal de alerta está aceso. A indústria, que já foi motor do desenvolvimento, hoje roda em marcha lenta.
E pra semana que vem, tem feriado na terça-feira no Brasil, a bolsa não abre. Eu volto para casa, volto pro Brasil, mas vou rodar o país fazendo palestras. [roncando] Tocantins, Camburiu, Goiânia, Sinope, né?
Mato Grosso. Tudo para debater presencialmente o que eu vi aqui em Nova York e contar para vocês. Onde eu tô aqui nos Estados Unidos vão sair os balanços.
Eu sou [limpando a garganta] Pablo, diretamente de Nova York. Boa noite e uma e um lindo fim de semana em família. Vai Tourinho, vai Tourinho.
[música] Economia no contexto certo. [música] Certou.