Bom, então, bem-vindas, bem-vindos à nossa disciplina de sociedade, cultura, sustentabilidade e direitos humanos. Essa é a nossa penúltima atividade síncrona, mas essa é a nossa última atividade de conteúdo novo. Essa é a nossa web conferência quatro. Então, eu queria começar agradecendo, agradecendo a vocês pelo percurso, agradecendo a vocês pela companhia, Pelos debates, pelas dúvidas, não só as coisas que a gente conversa aqui ao longo da atividade síncrona, mas também as mensagens recebidas, as dúvidas. Teve gente que pediu mais conteúdo, mais leitura, isso muito me agrada. Eh, foi uma turma muito dinâmica, tá sendo, né? Eh,
eu gostei muito, estou gostando muito desse processo aqui com vocês. Vocês estão chegando, né, na etapa final. A gente falta ainda a correção das Sistematizações. Lembrando que a gente tem um prazo institucional, tá, de até 15 dias, eh, paraa correção das sistematizações. Eh, vocês ainda tão no tempo, né, de fazer sistematizações? Sim, ainda tá no prazo. >> Isso é até domingo agora, né? Dia 21. Eh, então aí depois disso, ah, então é isso aí. Depois disso a gente tem, eu tento corrigir no máximo em 10 dias, tá, gente? para que vocês eh cheguem lá na
Avaliação presencial da disciplina já com todas as notas daqui, né, em mãos, sabendo quanto que vocês precisam para que vocês possam fazer as continhas de vocês, esperando que dê tudo certo, tá bom? Para todo mundo, mas de maneira geral, eh, eu gostei muito dessa turma, muito mesmo. Então, agradeço. Obrigada, Samanta. Eu tô com algumas disciplinas nesse semestre, então de cabeça assim, sem olhar lá no cronograma, de fato, eu Não sei. Então, gente, ó, vou reforçar a minha minha já te passo, Luiz. Vou reforçar aqui, então, corrigindo, né, a minha informação. Vocês têm até o dia
28/06. Eu olhei para cima porque aqui tem um calendário, tá gente? até o dia 28/06 para enviar as sistematizações de vocês, tá certo? E aí depois disso eu tento corrigir o mais rápido possível para que vocês possam realizar a avaliação presencial com tudo pronto. Eu não Costumo atrasar, tá? Entrega de nota, faço sempre dentro do prazo institucional, mas eu tento fazer o mais rápido possível dentro desse prazo institucional. Luí, você quer falar alguma coisa? Luiz Guilherme, >> boa noite, professora. Não era quanto a à sistematização, porque se eu não me engano eu tinha visto lá
que era dia 28 realmente o prazo limite era só isso. >> Tá certo. É isso. Então te agradeço. É porque de fato eu tô com uma quantidade Boa disciplinas e elas têm formatos diferentes, então não acabam todas ao mesmo tempo. Eh, e aí são muitas datas assim de cabeça sem consultar. Eu acabei errando. Mas é dia 28, viu, gente? para quem tá vendo a gravação aqui. Minha gente, eu queria fazer uma pergunta para vocês, porque eu também percebi que a sala havia sido montada errada. Eh, eu coloquei um texto no início da semana passada, eu
coloquei o texto da aula de hoje, eu troquei o texto, né, o material Sete lá da nossa disciplina, mantive o texto do professor Ricardo, porque na verdade essa disciplina ela, essa web conferência ela tem, né, na unidade o material sete, ele é composto de dois artigos, um capítulo de livro do professor Ricardo, que vai trazer uma narrativa autobiográfica vai falar de si mesmo, da construção da sua sexualidade ao longo da vida. E o texto principal, que é o nosso, de fato, o nosso material sete, o do professor Ricardo era para Ter saído como 7.1. Eh,
o material sete é o material da professora Meg Rayara, né, um artigo pequenininho, ele não é um artigo grande, se eu não me engano, ele tem 11 páginas, mas que se chama exaustas, acho que 16 páginas exaustas, porém em pé. Eh, e eu gostaria de saber se por acaso alguém fez a leitura desse texto. 1 2 3. Vou entender que não. Eh, e aí eu gostaria então de sugerir a vocês, não só em razão da nossa avaliação Presencial, paraa avaliação presencial, semana que vem a gente tem a nossa web revisão, que é o a gente
tem uma revisãozinha que vai ser realizada no na atividade síncrona. chamada encontro, tá? O próximo, nossa, nossa próxima atividade síncrona, que é a última, eu faço uma revisão de conteúdo com vocês, tá bom? Para que vocês possam eh ter mais objetividade para estudar para avaliação presencial. Então, venham que é importante, tá certo? A gente faz um Filtro daquilo que tem mais probabilidade de cair na avaliação presencial de vocês. E aí é importante ter todo mundo aqui, porque a disciplina é extensa, os temas são variados, né? Então, a essa revisão que a gente faz de estudo
coletivo, de preparação, ela é importante para vocês fazerem, realizarem, né, uma avaliação final, uma prova com excelência, tá certo? Bom, minha gente, o tema de hoje, né, a gente tem dois temas bem distintos para fechar A nossa disciplina, mas que são permeados por questões importantes. uma que a gente já viu que é a questão da do da interseccionalidade, né, como uma ferramenta analítica, para que a gente possa olhar eh problemáticas, né, a serem resolvidas que precisam ser sanadas, mitigadas na nossa sociedade por meio de políticas públicas especialmente. E a outra, né, é a chave, né,
analítica, que é a categoria que é um dos eixos Estruturantes da nossa disciplina, que é a questão racial. A gente vai ver isso dentro de dois pontos, um pensando questões de gênero, sexualidade e o lugar da educação institucional no processo, né, da do exercício da vida ou da interrupção da vida das pessoas, eh, especialmente mulheres trans e travestis, né, por meio do trabalho da professora Meg Raiara. E depois a gente vai entrar na dimensão da tecnologia, de pensar a cibercultura, de Pensar também o racismo algorítmico. A gente vai ver isso de maneira eh passar pelos
textos, né? Também o material oito são dois textos, são dois textos importantes. Um eh são dois textos interessantes, inclusive que se complementam, tá? Então, não se esqueçam de realizar as leituras de vocês. Por que que a gente tem essa aula de hoje? Bom, geralmente, né, de maneira majoritária, porque a gente desconhece isso que tá aqui na tela pra gente. Agora eu vou começar antes de entrar no nosso texto, eu vou começar passando por isso aqui de baixo para cima, tá bem? que parece uma uma questão básica e é eh mas que passa pelo desconhecimento da
maior parte da população brasileira, né? A diferença entre eh gênero, sexualidade, sexo. Então, eh eu vou passar rapidinho por isso, tá? É uma tabela informativa mesmo, não é uma discussão que a gente vai fazer, mas eh a gente começa falando Aqui na parte verde, né, na o que que é o sexo para nós aqui acadêmicos científicos, tá certo? a gente não está tocando em questões de religiosidade, a gente está falando do conhecimento científico acadêmico. Eh, e no conhecimento científico acadêmico, sexo é exclusivamente a informação biológica, a nossa genitáli, os nossos cromossomos e outras características biológicas
que vão nos definir biologicamente enquanto machos ou fêmeas da espécie humana, da Raça humana, de nós mamíferos, tá? Eh, pode ocorrer na nossa formação biológica, né, intersexos, que é um um termo mais antigo que se refere aos intersexos, à pessoas, eh, que é o termo hermafrodita, mas que não se utiliza mais, tá certo? E o que vem a ser isso? Nada. uma informação biológica que não define gênero ou sexualidade. O que que a gente entende então por orientação sexual? que aquilo que começa A compor a nossa personalidade, a nossa característica humana, não biológica, mas humana,
a partir da nossa do nosso desenvolvimento, nosso processo de humanização. A orientação sexual, ela tem a ver com quem eu desejo, com por quem eu sinto desejo. se eu sinto desejo, se eu sinto interesse por pessoas do mesmo sexo e do mesmo gênero que eu, ou se eu sinto interesse por pessoas de outro sexo ou de outro gênero, eh, ou por todas as Pessoas ou por nenhuma pessoa. Que que significa dizer isso? Significa dizer que quanto à orientação sexual, eu vou colocar tudo em mim, tá gente? Eu posso ser bissexual, homossexual, heterossexual ou asexual. Boa
noite, Mauro, bem-vindo. Para além disso, uma vez que a nossa orientação sexual ela está definida no sentido isso não é progressivo, tá gente? São dimensões da nossa composição humana na cultura. Além da minha orientação sexual, eu tenho também a minha identidade de gênero. Vejam bem que a pessoa que eu desejo, por quem eu sinto desejo, não define a minha identidade de gênero. Já vou explicar melhor. Ou seja, o que que significa dizer identidade de gênero? Identidade. Boa noite, Antônio. É como eu me percebo, é a minha relação comigo. E aí eu posso ser, eu posso
me perceber como homem, como mulher ou como outras possibilidades que possam ser criadas Nas sociedades. Posso me perceber como uma pessoa transgênero ou como uma pessoa sis gênero. O que que é uma pessoa sisgênero? É a pessoa que tem identificação, né, que se reconhece na relação entre o gênero e o sexo biológico. Então, é biologicamente eu sou fêmea e eu me reconheço como mulher. Então, eu sou sisgênero. A pessoa transgênero é a pessoa que não Tem essa identificação. Ela não tem identidade com o seu boa noite, o ela não tem identidade com o seu sexo
biológico. Então, eu sou fêmea, biologicamente falando, mas eu não me identifico, eu não me reconheço confortavelmente como mulher. Então, eu posso ser eh uma mulher transexual, uma mulher travesti, uma cross dresser, uma drag queen, uma drag king, um homem transexual. O que que Significa tudo isso? Significa dizer que a minha identidade de gênero, ela vai eh ela ela pode ser eh definida pela forma como eu me reconheço. E o papel de gênero, o papel de gênero é a forma como eu vou me comportar na sociedade, a forma como eu vou performar. Tem algumas algumas teorias,
né? Por exemplo, a Judit Butler, ela ela vai usar o termo performance de gênero, né? que pode ser entendido como papel de gênero também. Eh, on é a forma como eu Vou me comportar na sociedade, a forma como eu vou me expressar na sociedade, a forma como eu vou colocar em mim informações, códigos culturais para que a sociedade reconheça em mim aquilo que eu desejo que a sociedade reconheça em mim. E nisso eu posso ser masculina, feminina ou ambas. Então, eu posso ser uma mulher masculina, se gênero, eu posso me reconhecer como mulher, eu posso
ter desejos por pessoas Do sexo oposto, ser gênero heterossexual, né? Então, eu posso me interessar por homens, me reconhecer socialmente como uma mulher na minha identidade de gênero, sendo biologicamente fêmea, mas eu posso, por exemplo, não me sentir confortável nessa ideia cultural de mulher que a nossa sociedade coloca. Então, eu posso me mostrar pra sociedade como uma mulher masculina. Isso tudo são possibilidades. Por que Que eu trago isso pra gente? para antes da gente começar a nossa aula de fato, né, o nosso texto em primeiro lugar, porque existe, como eu falei, uma desinformação enorme acerca
disso no que diz respeito ao conhecimento científico acadêmico, tá gente? De novo, não estamos entrando nos valores morais, a gente não está entrando nas nos pertencimentos religiosos, a gente está falando de conhecimento científico acadêmico e de direitos reconhecidos Legalmente, tanto no âmbito dos direitos humanos quanto aqui nas nossas legislações nacionais, na nossa constituição, né, naquilo que diz respeito eh eh ao direito de existir, né, da diversidade humana e que resulta muitas vezes quando esse direito não é reconhecido na morte, na interrupção das pessoas. Esse, como eu falei, é um tema sensível. Hoje eu vou devagarzinho
com ele. Se faltar tempo pro último texto, eu pego um pedacinho Da aula que vem pra gente terminar, tá? Mas eu prefiro que a gente faça aqui o nosso trajeto no texto da professora Meg Rayara de maneira muito, muito, muito cuidadosa e cautelosa. Eu gostaria até de passar um vídeo e que a gente só falasse desse assunto hoje, se vocês toparem, para que a gente possa caminhar respeitosamente, eh, dá tempo para vocês pensarem, dá tempo pra gente conversar, caso existam dúvidas, né? E para que a gente possa, Vocês adoram um videozinho, né? para que a
gente possa eh humanizar também aquilo que às vezes nos incomoda por desconhecimento, né, e que interfere e fere a vida das pessoas. Então, eh, gente, eu preciso de um pouquinho mais de sim ou não pro vídeo, se vocês querem ou não assistir o videozinho, paraa gente ter um consenso, tá? Tô beleza. Eh, bom, então a gente vai começar eh falando aqui da professora Meg Rar. Eu Vou apresentar para vocês a nossa autora do texto de hoje. É uma pessoa por quem eu tenho profundo respeito, admiração acadêmica, uma intelectual, assim como poucas e por muitas razões
a gente vai ver isso hoje, né? E aqui no nosso texto, eh, hoje o nosso artigo é exaustas, porém em pé, reflexões a respeito do dispositivo imunológico contra travestis e mulheres transexuais no sistema educacional. O que que o texto já pelo título tá dizendo pra Gente? Obrigada, Rayane. O texto tá trazendo pra gente uma indicação que da perspectiva, né, de mulheres transexuais e travestis. E aí a gente vai ver no texto, especialmente mulheres negras, transexuais e travestis, que a relação com a educação institucional, a escola, o ensino superior é uma relação de de conflito, é
uma relação violenta, é uma relação que majoritariamente ela vai resultar na evasão escolar, aquela que a sociedade acaba culpabilizando a pessoa Que evadiu, mas a gente não pensa que na verdade a forma como a institucionalidade da educação. Da mesma forma que a nossa sociedade se organiza para não deixar, né, existir existência, participação social das pessoas tidas como diferentes daquilo que a norma da moralidade social, né, definiu como padrão, eh, a escola reflete essa relação. Então, muitas vezes as pessoas são forçadas, inclusive para proteger suas próprias vidas da violência escolar A abandonar o processo educativo eh
em razão de preconceitos. E aí a Meg Rayar estudando, né, a institucionalidade da educação, ela vai dizer que a educação, enquanto um processo institucional é eh tem um dispositivo imunológico contra a permanência de pessoas. travestis e mulheres transexuais dentro do sistema educacional. E o que que é um dispositivo imunológico contra? Todo mundo aqui sabe o que é a nossa imunidade, né? É a parte, gente, me Perdoem as pessoas da saúde, vou falar aqui muito eh eh resumidamente, mas é a parte do nosso corpo, do nosso sangue, que produz defesa pro nosso corpo, né? a forma
como o nosso corpo organiza defesas para nos proteger, geralmente para expulsar ou eliminar eh eh elementos, agentes ativos, vmes, bactérias, vírus que são externos ao nosso corpo. Então, o sistema imunológico ele eh anula e depois expulsa ou aniquila, né, Dentro do nosso corpo. É assim que a nossa imunidade nos protege, mais ou menos, tá gente? Sou pedagoga. Eh, e a Meg Riara usa essa expressão para dizer que o sistema educacional é como se fosse um corpo cujo sistema imunológico elimina, aniquila ou expulsa, combate a presença de mulheres trans e travestis dentro do seu sistema educacional.
A Dra. Meg Raiar. E eu fico falando assim, professora, doutora Meg Raiara, tá abreviado ali, Gomes de Oliveira. E Aí vocês vão entender o motivo depois. Ela é professora adjunta da Universidade Federal do Paraná e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná. Ela é coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, agora Neabi e Indígenas, eh também lá da UFPR. Ela coordena a política, as políticas afirmativas na superintendência de inclusão, políticas afirmativas e diversidades. Significa dizer que além De professora da graduação e da pós-graduação, ela também atua na reitoria da Universidade Federal do
Paraná. Ela é chefe do departamento de de planejamento e administração escolar da Faculdade de Educação e ela é a primeira travesti negra a conquistar um diploma de doutorado em educação no Brasil, a primeira no Brasil, em todo o nosso país. E aí, por que que ela se intitula como travesti? Hoje travesti e mulheres trans tem sinônimo, tá gente? São são eh compreendidos como sinônimo. Mas eh travesti, assim como Hermafrodita a tempos atrás, travesti também era um termo absolutamente pejorativo e preconceituoso para que a gente se referisse à sociedade, né, nós, a sociedade, eh, a mulheres
trans, né, transexuais, eh, aqui no Brasil. Então, ela se afirma a travestir, a gente vai ouvir isso dela mesma, a gente ela se afirma a travestir justamente num sentido de eh De ressignificar esse termo que durante tantos anos, né, tantos tantas décadas, foi tão violento, né, e sinônimo de tanta violência para as mulheres transh na nossa sociedade. Tô abrindo aqui o YouTube paraa gente começar. Então, eh, eu acho melhor que a gente comece com a fala da Meg Riara se apresentando. Eh, e é um mini doc, tá? Ele é bem curtinho, ele é um minic
e ele, deixa eu ver, é esse aqui. E ele eh é um minic premiado. Deixa eu conferir se é Ele mesmo. É esse mesmo. Ele tem 14 minutinhos. dá tempo tranquilo da gente assistir e depois da gente conversar sobre o texto. Aí eu vou do minioc, eu já vou direto pro nosso texto para que eu possa falar o texto com tranquilidade e aí a gente conversa no final, tá bem? Então vou gente, eu dou pausa e eu treino pausa. Hoje eu tô meio analfabeta digital, Gente. Eu já cometi vários erros na aula anterior. Pausa, menino.
Então vou colocar aqui paraa gente. Agora sim. Não previsto não, tá gente? Correu aqui agora mesmo. >> Não ouvindo bem. Meu nome é Meg Riara Gomes de Oliveira. Eu sou travesti. Eu sou doutora em educação pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente sou professora substituta da disciplina de didática também na Universidade Federal do Paraná e também sou professora de desenho pela Fundação Cultural de Curitiba. E >> gente, só para atualizar, porque esse vídeo ele já ele é de antes da pandemia, ela já tá concursada, é professora adjunta e tem todos aqueles cargos que eu falei para
vocês, tá? Ela não é mais professora substituto, ela é professora efetiva. Não vou mais interromper. Também sou militante, tanto no movimento social de negras e negros quanto no movimento LGBT. Eu já ouvi de algumas as pessoas assim, inclusive de algumas alunas dizendo: "Nossa, quando você veio pra sala, a gente ficou pensando: "Nossa, que tipo de aula que vai ser? Que tipo de, sabe, de atividade que vai acontecer e parará, como se eu fosse fazer alguma coisa Totalmente fora, né, do contexto acadêmico, né, como se eu não fosse uma professora eh é preparada e capacitada para
ocupar aquele lugar, né? Então esse esse tipo de de fiscalização revela já uma visão estereotipada da do travesti, da professora travesti também. Por exemplo, na na sala mesmo era fingir que eu tava assimilando todos esses discursos assim normalizadores, mas na verdade era só para não me incomodarem, para não me Encherem o saco. E como eu não gostava da escola, a minha estratégia era tirar nota alta e passar no terceiro bimestre. E eu entrava de férias antes, então eu ficava tempo na escola até eu perceber, até eu entender, né, a importância de uma formação na vida
de uma pessoa, ter uma formação escolar adequada assim, tá b? Porque depois que eu comecei a perceber que a formação ela seria uma arma também, né, um contradispositivo. O livro Bom eu li quando eu tava No segundo ano do ensino médio. E foi um livro assim que me colocou em contato com o universo que que para mim era muito proibido, né, que era a questão realmente da do prazer sexual entre pessoas do mesmo sexo, do mesmo gênero. Só que eu não tinha coragem de ler o livro, né, porque eu não tinha coragem de ler o
livro em público por conta de toda essa imagem depreciativa que rondava essa publicação. Eu peguei a capa do livro Iracema, coloquei no livro Pão que era da mesma edição, e carregava o livro para cima e para baixo, né? Aí eu lia sem que as pessoas me incomodassem. E o bom né, a figura do Amaro, ao mesmo tempo que me fez eh me reconhecer nele de uma forma positiva, também me fez me reconhecer nele da forma depreciativa. Os estereótipos atribuídos a eles eram muito fortes, assim, estereótipos muito negativos. Aí me fazia pensar em outras questões, né,
Da minha infância, principalmente, quando foi esse processo de demonização que eu passei, sabe? Então era era do capeta, era do capeta, moleque do capeta, é o capeta encarnado, sabe? Então essa questão do da demonização, ela tava muito presente também no bom E quando eu comecei a pintar, quando eu comecei a produzir, eu falei: "Não, quando eu for pintar pessoas negras, serão pessoas negras de uma forma muito Potente, de uma forma muito positiva." sempre trabalhei com desenho. Trabalhei num jornal na minha cidade. Eu fazia ilustração. Eu fazia ilustração e fazia escrevia também. Gente, era uma coisa
muito tr assim, sabe? Porque foi a senhora tinha 18, 19 anos e eu consegui um emprego no jornal. Antes do jornal trabalhei numa destilaria de álcool. E quando eu saí da destilaria, fui trabalhar no jornal, assim, foi um momento de emancipação, Assim, e ali no jornal eu conheci algumas pessoas que já estavam fazendo graduação e tudo mais. E isso foi uma assim um estímulo também para eu para eu me convencer que eu podia fazer uma graduação. Ai, deixa eu ver se vai abrir, Meg. Não, porque eu sempre fico pensando assim, se não passar no concurso,
eu tenho que me virar de alguma maneira, né? Então, fazer tatuagem é uma coisa que eu gosto de fazer e dar um retorno rápido assim, Né? conseguir fazer o doutorado tatuando também. O que eu percebi foi que aqui tem um que o racismo daqui ele era muito mais escancarado, >> né? Porque no interior o que me incomodava mais era a questão da >> homofobia e o primeiro emprego que eu consegui em Curitiba foi numa bidraçaria. Eu trabalhava com desenho técnico nessa vidraçaria. tá aí. Eu tava num num barzinho assim próximo, né, da Vidraçaria com o
rapaz que tinha me contratado, né, com E aí a gente começou a conversar, ele pegou e falou: "Olha, eh, a respeito da contratação, quem teve a a decisão fui eu, né? Esse o meu chefe me falando." E ele falou, ele e ele levou em conta a questão racial e a questão da sexualidade, que ele falou assim, eh, o outro menino era branco, hétero, ele tem mais condições de ser contratado do que você. Então, o que pesou foi justamente a dificuldade que Você tem, né, de ser absorvida do que as outras pessoas, né? Então, foi a
primeira política afirmativa que eu tive contato, assim, que eu me senti contemplada assim de uma forma muito bacana assim. >> Muitos refugiados estão passando de propaganda. É por isso que a gente veio te fazer um convite, né? E tem aqui essas pedrinhas aqui. Muitas dessas pedrinhas foram minhas Alunas no curso de desenho que me deu. Assim, elas viam me viam, elas me viam bordando. Aí eu tá dizendo: "Profe, eu tenho um negócio para te dar, não sei o que, essas maiores aqui. Tudo veio de doação, né, da fundação cultural. Ficou bem legal. Com relação a
essa questão da repercussão da da minha defesa, do meu doutorado, assim, o que eu percebi e principalmente pelas redes sociais, é uma é um estímulo realmente a continuar Ocupando o espaço acadêmico, sabe? Eu recebi muitas mensagens de apoio, muitas eh assim eh muitos comentários no sentido de que olha, eu tava tentando, eu não ia estudar, mas a partir da tua vivência, da tua experiência, eu decidi continuar estudando. Vou insistir, né, algumas meninas que estão nesse processo de eh de hormonização, sabe, se sentiram encorajadas a a expressar publicamente o seu gênero feminino. E essas esses exemplos
assim e apontam, né, para uma Realidade muito diferente daquela que o senso comum e supõe, né, que toda pessoa trans, né, principalmente as meninas trans, as travestidas querem trabalhar na área da beleza, querem trabalhar na área da estética e na verdade é o que nos sobra, né? Então são espaços menos opressores, né? Porque é muito cômodo para algumas pessoas é achar que, ah, eu consegui esse título, todas as demais conseguiriam se quisesse. E não é bem assim. Os obstáculos que são Construídos, eles são muito difíceis pra gente conseguir transpor. E o salto é político também,
que quando eu vou pra universidade, eu não vou de rasteirinha de jeito nenhum. Tem que ir de salto, né? Porque eu quero que as pessoas saibam que eu tô chegando. Então eu não entro pedindo licença mais, eu entro fazendo toque toque, fazendo barulho. Esse é o vestido, né, que eu usei na na minha defesa de doutorado, né? Aqui é Tipo como se fosse um coração, né? E tem uma marca de tiro ali. E esses fuxicos aí não tão aí por acaso, né? O que é o fuxico mesmo, como se fosse o discurso preconceituoso, comentário maldoso
que vai levar, né, a situação de violência também. E aqui eu bordei o nome de 10 meninas e o primeiro nome que eu bordei foi o da Dandara, né? E e assim, e se eu tivesse continuando continuando bordando o vestido, ele estaria praticamente tomado assim, né? Eu só bordei o nome de meninas que morreram esse ano, né? E quando eu digo assim: "Ah, eu sou a primeira travesti doutora pela Universidade Federal do Paraná, a primeira travesti negra doutora do país, isso tem que ter um ar de denúncia e não um ar de de comemoração, né?
Porque a não é pra gente festejar, é para denunciar mesmo, né? Porque isso revela a situação de violência, a situação de exclusão que a gente vivencia. Eh, quando eu falei que eu não ia sozinha paraa defesa, né? falei, eu tô trazendo comigo essas pessoas que morreram, mas que também de alguma maneira elas participaram, né, no processo de abrir um caminho por onde eu transito hoje. Eu tenho essa consciência e é por isso que eu faço minha presença na universidade um discurso político também. Você apenas você criando seu app na base 44. Tinha, acho que eu
tinha uns 17 anos, 17 ou 18 anos, que eu soube, né, que um assim uma da existência da Meg, né? A Meg é uma menina negra da minha cidade. Durante algum tempo ela expressava um gênero masculino, ela participava de festivais de música na cidade, ela cantava super bem, assim. E quando ela começou a reivindicar um tratamento no gênero feminino, ela começou a ser, ela foi colocada de lado Totalmente e ela começou a se prostituir em Maringá, né, que em Maringá, por ser uma cidade maior, né, fica 67 km da minha cidade. Então havia já uma
um uma prostituição de travesti mais consolidada e ela tinha um apelido muito depreciativo assim no gênero masculino, que eu não vou falar que aquilo também me incomodava muito por ser negra. né? E as pessoas atribuíram a ela um uma denominação muito ruim. E um dia ela tava aí um dia eu trabalhava numa acho Que era na prefeitura na que eu comecei a trabalhar muito novinha assim e tinha um grupo de homens conversando, né, na per, eu acho que tava na na minha sala que eu trabalhava como desenhista de assim e de arquitetura e e os
caras comentando, lembra do fulano não sei o que, não sei o quê. E era da Meg que eles estavam falando. Ah, agora eu fui para Maringá esses dias, aí eu passei lá perto da rodoviária, né, que é a rodoviária velha, onde tinha um Ponto de prostituição. E eu vi o cara lá na calçada, não sei o quê, de mini saia assim, de vestidinho e tal, todo e sempre tratando ela no gênero masculino. Aí esse mesmo cara disse que parou o carro na calçada, buzinou e começou a chamar ela, né? Só que chamou pelo apelido e
de uma forma a fazer chacota assim. Aí disse que ela veio, né, toda no salto, toda poderosa, toda maravilhosa. E quando ela chegou na janela do carro, ela pegou e falou para Ele: "Eu não sou o fulano, o meu nome é Meg". E virou e foi embora. Então, e essa história, assim, é uma homenagem para ela e um pedido de desculpa, porque eu não pude, eu não tive coragem de defendê-la. E assim, e quando eu decidi que eu ia ter o nome feminino, era Meg. E por isso que eu sou merg e sou muito Feliz
sendo merg. Bom, minha gente, é um videozinho pequeno, tem muitas informações, né? Eu vou começar primeiro eh acionando as categorias que a gente já viu, já estudou eh aqui na nossa disciplina até aqui, que é o racismo, né, que são formas de preconceito, que é a questão moral, né, eh, e em que é o machismo, eh, que é intolerância de fundo religioso, né, no Processo de demon ização da existência de outras pessoas, né, e acrescentar, né, a meritocracia. A gente já viu o epistemicídio, a gente já viu o pacto da branquitude, né? Então, vou acrescentar
aqui as violências que ela menciona, né? Eh, a meritocracia, o machismo, o patriarcado, eh, a transfobia e a LGBT fobia. E por que que eu tô trazendo tudo isso? Por causa disso aqui, cerca de 70% Das pessoas trans e travestis no Brasil não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% de todas as pessoas trans e travestis no Brasil tiveram acesso ao ensino superior. E por acesso, eu não estou dizendo conclusão do ensino superior, eu estou dizendo que entraram no ensino superior, tá? E por isso a gente vai falar de dispositivo imunológico contra, né? Então, eh,
o texto aqui, né, exaustas, porém em pé, reflexões a Respeito do dispositivo imunológico contra travestis e mulheres transexuais no sistema educacional da professora Meg Rayara. Ele é um texto que é cheio de números para construir a nossa realidade. Ele não tem argumentos de defesa ou de explicação do que é ser mulher transravestir negra no Brasil, mas ela vem a partir de dados questionar o sistema educacional que produz, né, eh, de maneira violenta a expulsão, a evasão, a o impedimento de permanência De pessoas. trans, mulheres trans e travestis dentro do próprio sistema educacional. Então eu vou
trazer o tem bastante trecho do texto aqui pra gente, porque é importante que a gente leia e fale palavras da Meg Riara, que vai falar em primeira pessoa e não da minha própria palavra, tá gente? Então, eh, o dossiê, né, de 2024, que foi o último, ele é lançado de dois do anos, esse ano ainda não saiu, né, o dossiê de assassinatos e violências contra Travestis e transexuais brasileiras, eh, que diz respeito a 2023, mas foi publicado em 2024, da Associação Nacional de Travestes e Transexuais e do Observatório de Mortes eh e Violências, LGBTI, e
mais no Brasil vai dizer o seguinte pra gente, que a expectativa de vida de pessoas transgênero no Brasil, homens e mulheres transgênero no Brasil, é de até 35 anos de idade. Quando a gente pensa numa intersecção gênero e raça, e aí considera-se mulheres trans e Negras, a expectativa de vida das mulheres trans e negras no Brasil cai para 32 anos de idade. Façam uma pesquisa aí de 10 segundos no Google e perguntem qual é a expectativa de vida da população brasileira, por favor, e coloquem aqui no chat para mim. Além disso, né, das violências sociais,
79% das mulheres transassinadas no Brasil Também são mulheres negras. Então, o que que a gente tá dizendo aqui? A gente tá dizendo de uma realidade que é a nossa sociedade, que interrompe, que impede a vida, a existência de pessoas que não estão dentro da norma instituída por razões de racismo, por razões de moralidades, por razões eh eh de intolerâncias, de negação do direito à vida, que é o direito mais básico que todo ser humano tem no planeta. Eh, Média de 79 anos para mulheres, né? Vamos pegar essa de 76, que fica no meio aí entre
o 9 e o tr. Então vocês percebam. Muito obrigado, gente. Então vocês percebam que a expectativa de vida das mulheres negras e trans no Brasil é menor que a metade da expectativa de vida da popula das mulheres de maneira geral no Brasil, da população de maneira geral no Brasil. E isso se dá em razão de inúmeras violências. E por que que a gente traz Números? Por que que a Meg Riara traz números pra gente na publicação de um artigo científico? Porque os números são incontestáveis. Aqui não vão não vão caber achismos, não cabe a meritocracia,
faltou esforço, faltou se dedicar, faltou comprometimento, a pessoa não quer nada com a vida, não é isso? Os dados vão dizer pra gente que quem não permite a continuidade da vida é a nossa própria sociedade da forma como Ela se organiza. E aqui a gente vai pensar na instituição, né, na institucionalidade da educação. Enquanto isso, se perguntem aí quantas mulheres trans, quantas travestis vocês conheceram ou conhecem ao longo da vida? Quantas delas estavam com vocês num ambiente educacional? Quantas delas fazem parte da trajetória acadêmica de vocês, do ensino superior de vocês? Provavelmente paraa maior parte
de todas e todos nós aqui vai ser zero. Ninguém Vai ter um singular nome para poder dizer eh dessa parte eh eh da composição das relações que a gente estabelece ou das pessoas com quem a gente cruza dentro da da das instituições educativas de maneira geral. E a gente passa a maior parte da nossa vida dentro da escola, né? Então o Foucault, né, ele vai dizer pra gente que de maneira geral o corpo historicamente sempre foi o maior lorcos da expressão da desigualdade. É sempre No corpo. Lembram quando eu falei para vocês da oeronque o
que vai diferenciar a ideia de cosmovisão e cosmopercepção e que para nós aqui do ocidente, do sistema mundo capitalista, a gente tem uma cosmovisão de mundo, uma visão de mundo que se dá por meio da visão. Justamente por conta disso é que o corpo vai ser o lugar de maior eh incidência das violências, das das expressões das desigualdades. E por que que ela tá falando isso eh a partir do Foucault? Porque no caso de mulheres trans e travestis e negras, né? As evidências daquilo que se não se tolera, da da desigualdade, da da diferença no
sentido que eh ataca aquilo que deveria ser inegociável, que é a humanidade, né? O processo de desumanização eh vai se dar a partir da aparência, a partir dos corpos. Para quem eh todo mundo aqui conhece a Pablo Vitar, certo? A cantora Pablo Vitar, todo mundo já ouviu falar de uma, né? Pelo menos uma Vez. A Pablo Vitá é uma travesti. É uma pessoa travesti. Ela mesma se diz uma pessoa travesti. Sim, Roberta. A expectativa, a Roberta tá perguntando se a expectativa de vida, né, da mulher trans é menor do que a expectativa >> de vida
do homem trans. Sim, porque na intersecção de gênero, os homens, né, eh, os homens trans, tá, gente? Os homens trans têm maior expectativa de vida, porque os homens trans eles têm eh micro, numa dimensão micro, um pouco Mais de possibilidades de inserção no mercado de trabalho, um pouco mais de possibilidades de de de permanência no ensino, na na nas instituições educativas. Então, os homens trans, eles têm mais eh escolaridade que as mulheres trans, né? Eh, e quando a gente pensa na questão racial, né, aí aí eu teria que procurar para te responder a partir do
atlas da violência, provavelmente tem, porque aí Quando a gente entra na questão dos homens negros, que são, né, o nosso grupo demográfico que mais morre de morte violenta no Brasil, 78%, né, das mortes violentas no Brasil são de homens eh e adolescentes e meninos negros. Então, aí eu teria que fazer essa essa perspectiva para você. Eh, então, a mas eu posso trazer na próxima aula, não vou não vou esquecer não. Eh, então, eh, a Meg Rayar, ela vai dizer que a Pablo Vitar, aliás, ela diz uma frase, né? Ela diz que a diferença, uma vez
uma repórter perguntou para ela por ela se intitulava travesti e não mulher trans, né? Eh, porque que ela não tinha feito a transição de gênero, uma vez que ela tinha dinheiro e tudo mais. E aí ela fala, ela fala que justamente porque ela tem dinheiro, é que ela prefere mostrar a possibilidade de ser mulher numa sociedade, né, de ter a sua a sua eh performance de gênero, né, eh como uma Mulher na sociedade a partir da condição financeira. Então, que ela eh eh que a diferença entre travesti e mulher trans uma transição, um processo de
transição eh eh de gênero de maneira eh de maneira de qualidade, de ter acesso à saúde, de ter acesso a bons processos, de ter acesso a cirurgias de confiança, processos de recuperação, a boa alimentação, a procedimento entos estéticos de qualidade, há apoio à saúde Mental, né? A diferença entre aquilo que a sociedade recusa e aquilo que a sociedade consegue tolerar. E aí tô colocando nessas palavras de propósito, ela está eh relacionada diretamente com a questão financeira. E por isso também a professora Meg Rayara, né, na sua estética feminina, vocês vão ver que ela tem uma
longa distância com a Pablo Vitar, né, que não fez o processo de hormonização eh no sentido da transição de gênero efetivamente. Então o Foucault ele vai dizer pra gente na relação com a escola e tudo isso influencia, tá gente? Na relação que a sociedade vai permitir estabelecer ou não com possí eh mulheres trans e travestis. Gente, meu cachorro latiu aqui, perdão. Então, o Foucault vai dizer o seguinte, né? é que a escola estabelece um processo de docilização dos corpos a partir de uma hierarquização dos corpos pela via do estereótipo, pela aparência e da Orientação sexual.
E como que isso acontece? O que que é um processo de docilização? As pessoas que se submetem, as pessoas que eh que desaparecem na homogeneização dos padrões sociais, elas conseguem sobreviver. aos processos de violência da escolarização, mas as pessoas que não permitem a docilização, essas vão sofrer as violências de todas as ordens de Preconceito. Uma outra autora que trabalha com isso, que também tá lá na teoria da da interseccionalidade, a gente passou por ela na nossa web conferência dois, que é a Patrícia Rio Collins, ela vai falar que a nossa sociedade produz imagens de controle
dos corpos. Então, a gente tem a partir do campo do visual, vejam como o visual é presente, né, nessa na construção da da possibilidade ou da impossibilidade da vida das pessoas, né? A Sueli Carneiro Traz pra gente aquilo que a gente já viu, um dispositivo de racialidade, né, que é o epistemicídio, né, que é aquilo que no fim lá do conceito que ela faz e fere de morte, né, pessoas, ela tá falando de pessoas negras, mas a gente pode compreender aqui também o processo eh de de das violências eh a partir, né, da LGBTfobia e
da transfobia. E a própria Meg Rayara, que é uma intelectual da educação, né, constrói essa ideia do Dispositivo imunológico da educação, da educação institucional, contra a presença de travestis e pessoas trans no sistema educacional. Então, esses são autores e autoras aqui que a gente tem disponível, né, para demonstrar essa relação que a nossa sociedade constrói a eh com os corpos existentes das pessoas da da nossa sociedade e que vai resultar eh em processos de violência ou aceitação que vão definir tempo de vida das pessoas. Então, vou repetir o dado Aqui pra gente, pra gente ter
a informação mais completa. No que diz respeito à educação, cerca de 70% das mulheres transravestis negras eh no Brasil não concluíram o ensino médio e só 0,02% tiveram acesso ao ensino superior. Isso se deve à recorrente evasão e invisibilidade de pessoas trans na sociedade e também no ambiente escolar. Esse ambiente compactua com a repercussão da transfobia e com o Higienismo social, fazendo com que as pessoas trans abandonem os seus estudos. Cerca de 82% das pessoas trans e travestis abandonaram os estudos ainda na educação básica. Assim se ergue uma nova fronteira para o acesso ao mercado
de trabalho, onde apenas 10% da população das pessoas trans ocupam o mercado de trabalho formal. Eu queria lembrar a vocês dos outros vídeos que a gente viu aqui nessa disciplina, né, especialmente o do Antônio Bispo dos Santos, que também não teve condições, né, de de se manter, perdão, gente, um bichinho bateu no meu olho aqui, de se manter dentro do sistema educacional. Lembram que o Antônio Bispo dos Santos eh só concluiu até a oitava série e morreu também, né, numa numa numa idosidade muito jovem, com 63 anos de idade, de uma crise de diabetes totalmente
evitável. Então, eh, percebam que de maneira geral, né, as pessoas que não tão encaixadas dentro Desse padrão e a instituição educacional ela é responsável pelo por grande parte pela consistência dessa força que a padronização, que a normatização, que a ideia de normal, anormal, eficiente, deficiente, né, humano e não humano, tem na nossa sociedade. Então, de maneira geral, a gente não consegue eh fazer com que a nossa educação, que com que a institucionalidade da nossa educação, de fato, exerça processos expansivos de Inclusão. A gente decide quem vão ser as pessoas inclusiv eh que vão poder passar
a ter acesso à inclusão dentro do processo educativo, né? Então, e o que que acontece, né? Se a expectativa de vida de mulheres trans e travestis negras no Brasil é de 32 anos de idade, o que acontece com os 90 eh% dessa população que não ocupa o mercado formal, né, eh, de trabalho. 90% de nós, ela diz, estamos inseridas na prostituição. Então, vejam que a Evasão escolar, a não aceitação, o lugar na sociedade empurra as pessoas para processos extremos, né, de desumanização, de vulnerabilidade e de eh estratégias de sobrevivência. não são escolhas. Muito pelo contrário,
é a falta de escolhas, é a falta de possibilidade de cidadania, né, de humanidade que eh empurra mulheres transitravestis na nossa sociedade para a prostituição. Não é uma tradição, não é um costume, não é algo característico Próprio de mulheres trans e travestis. Tudo isso é preconceito, é racismo. Eh, então, mais do que dados estatísticos, eu tô lendo aqui, são trechos do texto mesmo, tá? Esses números revelam que nem sempre as estratégias que desenvolvemos, e ela fala em primeira pessoa, para nos mantermos no espaço escolar funcionam. E a expulsão involuntária se materializa, empurrando travestis e mulheres
transexuais, especialmente negras, não apenas para fora do espaço escolar, mas Para a informalidade, uma vez que apenas 4% da população trans feminina se encontra em empregos formais com possibilidade de promoção e progressão de carreira. Então vejam que daqueles 10% de pessoas trans e travestis que estão dentro do mercado formal, eh apenas quatro desses 10% de fato tem possibilidade de promoção, progressão de carreira ou de melhoria de vida. E aí o que que ela vai chamar, né, de dispositivo imunológico contra? Ela vai Dizer que o dispositivo imunológico do sistema educacional contra travestis e pessoas trans estrutura
a institucionalidade da educação, ou seja, ela é sistêmica. Todo e qualquer toda e qualquer dimensão da educação institucional no Brasil, da pré-escola até o nível superior, até a pós-graduação, participa de maneira ativa, né, desse processo eh imunológico contra a presença de mulheres trans e travestis Eh dentro do sistema educacional. E isso eh isso também se dá nas dimensões sociais, na relação com toda a sociedade, dentro de um processo histórico cultural de construção da subjetividade humana, incluindo os nossos valores morais. O sistema educacional brasileiro, então organizado imunologicamente contra, né, possui uma topologia específica. é marcado por
barreiras, passagens e soleiras, por cercas, Trincheiras e muros, por obstáculos, né? E esses obstáculos impedem o processo de troca, de intercâmbio, de relação, né? Por considerar que determinadas pessoas, como nós, ela tá falando, travestis e mulheres transexuais, negras principalmente, não sejam dignas de trocas, uma vez que não teriam nada de valor para oferecer. E aí tá implícito a ideia do epistemicídio, né, da destituição da racionalidade, da intelectualidade de pessoas cuja Sociedade não deseja a existência. Assim como os muros que se levantam no interior da escola com a intenção deliberada de segregar os corpos, se sustentam
em estruturas epistêmicas hierarquizadas que defendem a ideia de que existe um conhecimento superior e um conhecimento inferior, que de igual forma define seres superiores e inferiores no mundo. Isso a gente vem vendo durante a disciplina. Eu acho que o texto da Meg Rayara, ele sintetiza, Assim, ele encontra tudo aquilo que parecia disperso na nossa disciplina, a gente consegue encontrar nessa reflexão que essa aula eh tenta pelo menos proporcionar pra gente aqui, né? Então, é determinadas experiências, ainda que individualizadas, podem ser tratadas no plural, ou seja, isso atinge não uma pessoa transvesti de maneira individual, mas
de maneira sistêmica para toda a população de mulheres trans, negras e travestis eh no Brasil, né, como um Dispositivo de poder que vai exigir que as mulheres transnegras e as travestis no Brasil elaborem formas de ser estar no mundo. A pergunta é, uma vez que a sociedade, uma vez que o sistema, uma vez que o mundo, né, eh, nos violenta, o que nós fazemos com o que fizeram de nós, né? E aí a Meg Rara vai continuar dizendo, né, o ser e o estar na escola, né, no caso de travestis e mulheres transexuais negras e
brancas, exigem estratégias diárias de Enfrentar a norma instituída pela siseneridade heterossexual masculina branca, que organiza os espaços e atribui sentidos positivos ou negativos às identidades, interferindo na maneira como são vistas e tratadas. o que que ela tá dizendo aqui pra gente de maneira geral, em palavras eh menos acadêmicas, de que é uma violência extrema e uma situação de estress contínuo, o fato de todos os dias você acordar, né, e no instante em que você abrir os olhos, Você se lembrar que você precisa se munir de defesas, porque toda a sociedade, em todas as instâncias, em
todas as dimensões do seu dia, cotidianamente, ao longo de toda a sua vida vai te violentar, te desprezar, te menosprezar, te destituir da sua humanidade e vai desejar que você não existisse. Então essa esse fardo, né, e por isso eh e por isso é que ela utiliza a expressão exaustas, porém em pé, né? E a Gente vai ver isso lá no finalzinho, mas é para demonstrar de maneira denunciante o quão difícil é viver eh enfrentando diariamente preconceitos e violências que a nossa sociedade produz por eh eh estar fincada, né, no nessas normativas, na na numa
defesa tão radical de padrões que, na verdade, né, não são alcançáveis. O Rafael colocou aqui, eh, só quem passa, eh, sabe o que sente. Exatamente, Rafael, é exatamente isso. Mas a gente Consegue, né, num exercício de empatia, num exercício também de alteridade, entender o nosso lugar enquanto sociedade. Um dos dos desafios dessa disciplina é justamente esse, é tirar esses minutinhos aqui das nossos encontros de 1 hora e meia para poder pensar naquilo que nós participamos, de violências que nós participamos e fortalecemos. Por isso que a gente começa lá a nossa disciplina, né, pensando capacitismo, pensando
Epistemicídio. Eh, a gente começa a nossa, eh, a gente para que a gente possa pensar que mesmo que a gente não reflita, mesmo que a gente não posicione isso de maneira explícita, ao não fazer nada, a gente tá fortalecendo a permanência das violências, não a transformação disso em possibilidades de existência, né? Então, a escola mesmo, né, que ela que a Meg vai trazer aqui pra gente, teoricamente seria um espaço onde as pessoas seriam Apresentadas aos processos de socialização, representa não só para mulheres eh eh transexuais e para travestis, mas também na educação infantil para crianças
negras, para crianças indígenas, para crianças ciganas, para crianças que vem de culturas que não a cultura hegemônica, uma arena, né, onde muitas lutas são travadas. de forma solitária e desigual. Alguém abriu o microfone, eu me pergunto se tem alguém querendo Falar. Pode ficar à vontade, gente. Willam, você quer falar alguma coisa? Seu microfone tá aberto. >> Desculpa, professora, eu tava mexendo aqui. Desativei, não quero falar nada por agora não. >> Tá joia. Obrigada. Então ela vai dizer pra gente que as experiências de chacota, se a gente for pensar na educação infantil, aquilo que muitas vezes
se atribui a brincadeira de criança, porque criança não tem Preconceito, na juventude, aquilo que se atribui ao bullying, que acaba sendo um limbo gigantesco, que não a gente não consegue identificar o tipo específico de violência. E essa é uma estratégia, tá gente? Eu detesto a categoria bullying, porque quando a gente fala bullying, você vai combater o quê, exatamente? Ele tira da gente poder de ação, poder de elaboração de estratégias, né, para eliminar aquela discriminação, porque Tudo é bullying. Mas o que é bullying? Você vai eh bullying é racismo, é racismo, não é bullying. Gordofobia é
gordofobia, não é bullying. Machismo é machismo, não é bullying. LGBT fobia é LGBT fobia e não é bullying. Se a gente tira a nomeação e coloca essa diversidade de violências que estão fundamentadas em preconceitos e discriminações dentro de um bolo só, a gente tá homogeneizando de novo. E essa homogeneização, a casca do bullying, ela Acaba servindo como uma tática para que, eh, medidas também generalistas, né, sejam ineficientes, porque aí a gente vai falar de quê? De de generalidades, né, na relação humana. E isso não surte efeito lá cutucando a ferida. Exatamente. Então, nomear a violência
é muito importante para que a gente possa nomear também os caminhos de eliminação das violências, tá? Eh, e aí vou ler aqui esse pedacinho porque é o último slide do nosso texto, Né? As experiências de chacota e humilhação, as diversas formas de opressão e os processos de exclusão, segregação e getetização, eh, periferização, né? a que nos arrasta como uma rede de exclusão e vai se fortalecendo na ausência de ações de enfrentamento ao estigma e ao preconceito. Seguimos lutando, reivindicando. Vejam bem, olha a exaustão. Seguimos lutando, reivindicando, Educando, reeducando, informando, formando, questionando, corrigindo, resistindo, construindo, mudando,
sem direito ao descanso. A exaustão que nos atinge é uma exaustão, ela continua no texto, né? Ela é uma exaustão permanente. Desistir nunca foi e não será uma opção para travestis e mulheres transexuais. Porque no momento em que se desiste de Lutar, reivindicar, educar, reeducar, informar, formar, questionar, corrigir, resistir, construir, mudar, elas desistem, né, da da luta pela própria vida, da permanência na sua própria vida. Aqui eu vou deixar para nossa próxima próxima aula, tá, gente? não se preocupem em dar tempo de tudo isso. Eh, então, o que que eu queria trazer aqui pra gente
para fechar essa discussão mais geral, né, acerca dessas intersecções de violências e de Preconceitos, que se a gente for pensar bem a partir dos textos, tá gente? Isso não é a minha opinião, não. A partir dos textos e do nosso conhecimento acadêmico, toda e qualquer forma de discriminação que a nossa sociedade, que nós exercitamos, seja internamente no nosso no nosso pensamento, só a gente com a gente mesmo, sem internalizar, externalizar nunca para ninguém, não importa. Toda e qualquer forma de discriminação, ela vai ter na sua Essência o exercício de uma prepotência. Porque percebam, quando eu
falo para vocês lá daquele quadrinho, vejam que em nenhum momento, né, de todas aquelas eh, eu vou até voltar aqui pra gente, de todas aquelas eh dimensões de possibilidades existenciais, em nenhuma delas está escrito na definição conceitual que quem define é o outro. Aqui, se você se vocês forem olhar, a única, a única dimensão que é dada é a biológica, né? a biológica vai informar pra gente se somos macho, fêmea ou intersexo, porque se nasce, né, quando a gente nasce, a gente nasce numa composição biológica, né, de raça humana, eh definida na sua materialidade, mas
que não informa a nossa orientação sexual, a nossa identidade de gênero, o nosso papel de gênero. Se vocês forem olhar Bem para essas classificações, elas são autoidentitárias, elas são autonhecedoras. É como eu me comporto. É como eu me percebo, é quem eu desejo. É a forma como eu desejo. Eu me interesso. Isso não é reflexivo. Eu não posso dizer, né? É, eu não tenho direito, né, nem legal, nem científico, né, de determinar, de dizer quem é a Roberta, quem é a Luís Guilherme. As únicas pessoas que podem definir na Questão de gênero e sexualidade são
as próprias pessoas. E por isso, independente da justificativa do argumento moral, do argumento eh eh de qual de de que ordem for cultural, né, que isso que o seu argumento seja fundamentado. É preciso lembrar que em primeiro lugar você não tem esse direito. Você não tem o direito de definir uma pessoa a não ser você mesma. E isso é uma determinação legal que se constrói a partir de um entendimento Científico. Isso é muito importante que a gente saiba, né? Eh, deixa eu ler aqui um pouquinho o Rafael. Eu sofri muito bullying na escola até virar
adulto e saber que era homofobia. Quando você não conhece o significado da dor, é bullying. Quando você conhece, ela se torna em luta por sobrevivência, por respeito e afins. Aceitar é uma coisa, respeitar é outra. São linhas completamente diferentes. Exatamente, Rafael. E inclusive é preciso que a Gente entenda justamente por isso eu falo em prepotência, muito obrigada pela eh pela confiança, né, em se colocar aqui no nosso chat. Eh, eu te agradeço por isso. Eh, por isso eu falo em prepotência, porque ainda que a gente não conheça, né, o desconhecimento não legitima preconceito. O desconhecimento
não lhe dá direito de ser preconceituoso, de discriminar. Então, a gente precisa pensar sobre isso, né? Eh, Eu queria saber se alguém tem alguma coisa para dizer, se vocês acharam eh que essa aula fez sentido, como é que isso reverberou para vocês. Eu imagino que para quem não viu o previamente o texto, essa também é uma aula que é inesperada, ela pega as pessoas de surpresa. Eu de verdade peço a vocês que leiam o texto. Esse conceito dispositivo imunológico contra, já te passo a palavra, Ana Paula. vai cair na nossa avaliação, tá? Eh, os Dados,
os números, não, mas essa ideia, né, do dispositivo imunológico que a educação institucional desenvolve, eh, vai cair na nossa prova. Então, recomendo que vocês leiam o texto. Mas a aula de hoje, né, a intenção da aula de hoje é que a gente saísse daqui pensando sobre isso e eu, né, como eu me comporto nessa sociedade. Obrigada, Juliana. Pode falar, Ana Paula, fica à vontade. >> Primeiramente, eu quero dizer isso, Assim, que eu eu comecei a a aula, eu aí quando começou o tema eu falei, gente, a gente vai estudar isso, né, assim, que que que
por que que a gente tá estudando isso, >> né? E aí eh, a aula foi me tocando muito profundamente, mexendo comigo, realmente assim. Então, primeiramente, eu quero agradecer porque a gente vive à margem também. Existe uma questão assim, porque o nós temos, eu acredito muito, né, numa Programação mental a partir de todas as influências que a gente sofre, desde da nossa família, da do da nossa na escola, em todos os lugares. Então, nós somos programados já a ter esse preconceito, a programar a gente já existe toda uma sociedade que programa a gente. Só deixa eu,
deixa eu só te interromper nesse pontinho, só para reforçar que é exatamente isso mesmo, não é exatamente uma programação. A gente viu lá, né, no nosso primeiro encontro, a gente se Constitui ser humano na relação social, na relação com a cultura. E a nossa cultura, por isso que a gente começa lá com o Anibalkiro, né? Então a gente vem com a ideia da sociologia do trabalho, mas aí o Aníbalkirano vai dizer: "Olha, nessa construção de ideia de trabalho tem racismo, tem sexismo, né? tem processos de violência e e na verdade aquilo que a gente entende
como nossa sociedade, na verdade não é nossa. Ela é um processo de colonização que se Origina na Europa. Porque se a gente for olhar paraa construção da América Latina, a gente é construído de processo de violência, né? E que vão trazer relações normativas e moralistas, né? que vão definir e decretar quem é humano e quem não é humano na nossa sociedade. É exatamente isso. Perdão. >> Não. Então assim, e aí a aula como um todo, ela me tocou em vários momentos, por exemplo, e assim por desconhecimento, tá? por por estar à Margem dessa realidade, por
não saber dessa não não parei para olhar para isso. E aí quando você coloca, por exemplo, que bullying é uma coisa e que machismo tem outro nome, que também faz muito sentido isso, né, pra gente se posicionar no mundo. E aí a minha pergunta veio assim, gente, mas por que que eu tô olhando para isso só numa graduação? Por que que eu tô ouvindo isso só agora, né? Assim, uma é uma questão assim de Muita reflexão. Então, eh, >> por causa do dispositivo imunológico contra, >> não aparece nas epistemologias, nas teorias, não aparece na nossa
convivência, não, não aparece. >> E quando a gente olha para isso é quase inacreditável, né? Eu sou uma pessoa das causas sociais, atuo nisso, por isso vim fazer esse curso. Atuo como terceiro setor, atuo em projetos sociais de diversas áreas. Hoje estou em Manaus Aqui tratando de projetos dessa área. Sou de Brasília, mas estô aqui. E então assim, primeira, então quero agradecer por ter tido acesso a essa informação, né, a esse conhecimento e que me estimulou muito a querer conhecer um pouco mais. Teve muitas palavras aí que elas são ainda não são tão claras para
mim, mas muito obrigada, professora. Achei muito boa aula, assim, eh, realmente bastante importante, principalmente para nós que Temos p, vou dar um exemplo, eu tenho um filho de 14 anos, meu filho mais jovem >> e eu fui numa loja com ele num shopping de maquiagem e fui aprendido por um travest >> e eu saí da loja. Gente, tem alguém com tem alguém com o microfone aberto. >> Vou desativar aqui, perdão. Pode. >> Então, o meu filho tinha 9 anos e na hora que eu fui ser atendida, eu fui atendida por um travesti. Eu Literalmente não
sa >> por uma travesti. >> Por uma travesti. >> E eu literalmente não sabia o que fazer. >> Eu não sabia o que fazer. Eu saí da loja, falei: "Vamos". E saí. Eu não sabia como conduzir com ele, como eu ia introduzir aquele não com o meu filho. >> Ah, sim. >> Eu não sabia, eu não estava preparada para para apresentar o meu filho essa realidade. Eu só saí da loja. Então, eh, Isso sempre me marcou pela minha capacidade ali de lidar com isso, entende? >> Eu vou te fazer uma pergunta provocativa pra gente pensar
em coletivo. Por que que você deveria estar preparada para lidar com essa situação? Por que que você deveria se sentir? Porque isso a sociedade faz com a gente. Por que você deve, isso é o dispositivo imunológico contra atuando na sua subjetividade. Por que que a gente Deveria estar preparada para conversar sobre formas de existência na nossa sociedade com as nossas crianças? Eu vou eu vou começar respondendo para não te colocar, né, para você não se sentir pressionada, porque não é não é diretamente sobre você que eu tô falando, mas tô pensando aqui com a gente.
>> Eh, porque a gente aprende primeiro a padronização. Primeiro a gente aprende a classificação do que é humano e do que Não é humano. Eu vou tirar o tema eh dessa pauta específica da questão de gênero e e sexualidade para dar um exemplo sobre isso que você falou. E aí eu te devolvo a palavra. Tem um autor, um psicólogo. Enquanto eu vou falar, eu vou sumir um pouquinho, mas eu quero pegar os livros da Meg Rayara para vocês verem. Aqui comigo eu tenho três livros da Meg Rayara, que inclusive, gente, a editora Devir é uma
editora que o dono faleceu E, infelizmente a editora tá fechando. Procurem porque os livros estão em queima de estoque, né? É uma editora que só trabalha temas LGBTQ+. É uma editora fantástica. Ela tem esse livro, né? que fala sobre a eh tem o nome daquele documentário, nem ao centro, nem à margem, corpos que escapam as normas de raça e gênero. Ela tem esse livro que foi o último livro, foi lançado no ano passado, que é entre silêncios, sussurros e gritos, Transgressões de gênero, raça e sexualidade. E ela tem um dos textos mais bonitos que eu
já li na minha vida, que é a tese dela de doutorado e que se chama O diabo em forma de gente. Reexistências de gays afeminados, e pretas na educação. E ela coloca esses nomes porque justamente era assim que a escola, né, que as pessoas na escola a identificavam no seu processo de escolarização e de resistência. Eh, mas Voltando ao que eu ia dizer, existe um psicólogo, né, que ele já faleceu, mas é um psicólogo negro norte-americano que funda uma vertente da psicologia, eh, que vai olhar para pessoas negras nos Estados Unidos, que se chama Amos
Wilson. E ele vai dizer uma frase que eu já devo ter falado ela aqui nessa nessa disciplina, porque ela me acompanha há muitos anos na minha constituição enquanto profissional, mas enquanto ser humano também. Mas sobre a educação, eh, Num certo momento do livro dele, né, O desenvolvimento, psicologia do desenvolvimento da criança preta, ele fala o seguinte: uma criança preta não é uma criança branca pintada de preto. Que que essa frase quer dizer? Eu fiquei um ano pensando sobre essa frase, né? E se não fosse ela, acho que eu não teria terminado o doutorado, assim, se
não fosse essas reflexões. Ela tá querendo dizer a mesma coisa que a Meg Rara tá falando pra gente, da mesma forma que a Educação nos forma para que a gente tenha uma uma subjetividade branca, heterossexual, patriarcal, vou falar lá nos termos do do Antônio Bispo, euromonoteísta cristã, eh, no sentido do certo e errado, da moralidade da humanidade, que vai reverberar nas na incidência da vida ou da morte na trajetória das pessoas. Dessa, da mesma forma, a gente oferece um caminho único para todas as crianças quando elas entram na escola e todos os seus anos Seguintes.
Então, uma criança negra, ela não tem direito, ela não tem possibilidade dentro da escola, por meio da educação institucional, de desenvolver sua negritude. tão pouco uma criança cigana, tampouco uma criança eh eh que não é uma criança hétero, uma criança gay, né? Uma criança que tenha outra possibilidade fora desse binarismo, que seja LGBT, QAP+, né? Eh, então, eh, eh, a gente não tem possibilidade de desenvolver a nossa Diversidade que, me desculpe, né, assim, eh, o padrão ele é um exercício de negacionismo da realidade, porque basta que a gente se olhe aqui, todos e todas nós
passamos pela mesma escola, independente da época, mas todas e todos nós aqui não nos aproximamos na na nossa eh existência, nos nossos pensamentos, nas nossas as experiências, né? A escola ela é a mesma e ela vai ser a as pessoas que vão lembrar da educação infantil como os melhores anos da sua vida vão Ser as pessoas que mais se aproximam do padrão de humanidade instituído. E quanto mais a gente se distancia desse padrão, mais violento, mais pior lugar do mundo para uma criança estar, vai se tornando a educação infantil, a escola. E é o mesmo
lugar. Então é por isso que a gente a gente trava a gente sociedade naquilo que deveria ser só cotidiano. É a diversidade é uma condição da existência humana, é a Realidade humana. A gente não deveria sair por aí explicando paraas crianças por que as pessoas são assim ao assado, uma vez que a criança deveria ser ensinada que existem pessoas e pessoas são diversas e todas elas nas suas diversidades têm os mesmos direitos de existir. Eh, agora assim, vou te passar a palavra se você lembrar ainda da onde você tava, né? que eu >> não, mas
eu tava falando, eu quero Agradecer mesmo, assim, eu tô com muitas reflexões, eu assisti muitas aulas nessa formação, mas essa é aula que mais me trouxe reflexão de fato sobre a minha postura no mundo. Então, assim, sobre como eu posso ser melhor e como eu posso como mãe, como eu posso como amiga, como ser humano, ser melhor. Então, é muito legal quando você um conhecimento além de você usar ele na sua vida, você transformar a sua a sua percepção de mundo, né? Então, muito legal. Obrigada. Obrigado realmente por ter eh eu vivi, eu eu acho
esse tema ele bastante eh importante, mas muito ignorado por mim mesma, sim, né? por todas nós. Não, não, não se coloque no lugar da culpa ou da autorresponsabilidade, porque é justamente o que a Meg Raera tá trazendo pra gente, é sistêmico. o que a gente viu com a Sueli Carneiro, né? o que a gente viu com com acidamento, eh, o que a gente viu inclusive nas falas, né, da no texto do do Gersen Banila, né, a Educação, assim como ela também tem um dispositivo imunológico contra as juventudes indígenas, contra as pessoas negras, contra as pessoas
trans. Então, a gente tá vendo essa construção que nos constitui a todas e todos nós. Ninguém tá fora disso. não não se sinta e nessa dimensão da culpa e da responsabilidade. Mas e assim, para quem tá aqui, né, tem a Geovana, a Tânia, tô colocando aqui a Evaneid, Kelly, eh, muito obrigada pelos comentários. estudar é justamente isso, Gente, a gente se permitir um pouquinho, né, sair da nossa zona de conforto, se colocar em outros, em outras perspectivas, em outros paradigmas, para quando a gente retornar pro nosso lugar, a gente poder enxergar as coisas com mais
possibilidades do que a gente estava antes. Isso é estudar, né? Ninguém precisa sair destruindo seus valores morais, mas entender que a a existência dos seus valores morais eh não não exime você do respeito ao Direito à vida, ao direito à existência, aos direitos os mesmos que você acha que tem, né, para todas as outras pessoas. Eh, Rafael, pode ficar à vontade, senão não para também, gente. >> Não, professora, é só para agradecer essa aula tão especial de hoje, de uma forma ampliando o conhecimento principalmente para e o entendimento de uma de uma forma geral, né,
desse universo, vamos assim dizer. Desconhecedor por muita gente e o entendimento eh ignorante, não vou não é a a forma ignorante, sim, mas é o conhecimento ignorante de uma sociedade, então de todos os gêneros, preto, branco, preto, eh gay, trans, indígena tão tão, tão fechada, tão fechada e estrutural. Ela é estrutural, ela vem de várias gerações, ela vem fechada e e mudar isso eh vem vem vem trazendo um é um caminho, é um caminho que muda, mas precisa também ter uma Abertura da das pessoas perante nós, né, que fazemos parte desse desse desse ciclo, né?
Então assim, eu te agradeço. A aula foi maravilhosa. Eh, passou, passou-se várias coisas na minha cabeça por eu ser, né, eh, fazer parte, né, da da da LGBT. Eh, é é difícil e é dolorido às vezes, né, eh, bater de frente, porque a gente sente, né? Então, assim, te agradeço. Eh, espero que os colegas eh captem eh essa informação, né? Claro, Também captei porque também faço parte. Então, só te agradecer, professora. Então, é só isso, só te agradecer mesmo. >> Eu agradeço também imensamente, Rafael. Eh, eu acho que quando a disciplina começa, né, quando eu
começo a falar assim aqui, a gente vai pensar coisas que vão decidir vida e morte das pessoas. Parece um pouco exagerado, parece um pouco militante, ideologizante. Não é nada disso. Tô trazendo conhecimento científico, tô Trazendo fontes das ciências humanas. A gente passa pela antropologia, pela educação, pela filosofia, pela sociologia, né? eu vou apresentando autores e teorias, autoras e teorias também para vocês. E aí quando a gente chega no texto da Meg Rayara, eh isso tudo se consolida na materialidade do nosso cotidiano. Eu acho que que tem isso. Inclusive, minha gente, quase que eu me esqueço.
É por isso que existe o texto 7.1 Disponível para vocês lá, tá? O texto 7.1 Eu vou até pegar o nome dele aqui para vocês, porque é o texto inclusive de um professor da rede pública aqui, doutor em educação, né, o Ricardo. Eh, é um texto de de uma das pessoas mais bonitas que eu já conheci na minha vida, é um grande amigo, mas é um professor doutor, tá, gente? E que e que se chama eh Retratos de Mim, né? eh reflexões, ensaios acerca de um corpo brincante. E aí eh o Ricardo traz pra gente,
ele é um Homem branco, gay, e que traz pra gente a construção da sua sexualidade eh ao longo da sua vida, na relação com a família, a partir das suas memórias de infância. é um texto lindo, super poético, que é justamente pra gente poder ter eh ter um um alívio no estômago depois de pensar sobre o texto e as dores que a Meg Riara traz. O Ricardo não se exime dessas dores, mas é um texto com uma outra linguagem de maneira mais poética, Uma uma narrativa autobiográfica também, mas que vale muito a pena ser lida.
não é um texto grande, mas é um texto muito bonito que que traz inclusive, né, eh devolve pra gente a humanização que a nossa sociedade, que o processo de escolarização não nos permitiu conhecer, como Ana Paula e e Rafael trouxeram aqui pra gente. Minha gente, eh muito obrigada por essa aula de hoje. Eu vou encerrando aqui a nossa gravação de o nosso horário. Eh, agradeço a vocês, agradeço a todo mundo que participou, comentou, leiam os textos, tá