Esse cara não me achou, esse cara no PS com tiro nas costas, um no braço e um na bunda. Hoje ainda tá melhor para nós, porque todo mundo filma tudo. >> É, >> no passado, na minha época de trabalho, como é que eu provava que um cara veio para cima de mim?
Eu eu eu matei um moleque na área na zona sul, >> certo? >> 1:30 da manhã, com disparo na nuca. >> Na nuca, >> na nuca.
Adivinha como ficaram minhas pernas depois que eu vi. Os caras ia pensar que foi foi rotona, rotona, viu? Rota noturna, eu já antigo já tinha um monte de ocorrência.
>> É, o pessoal ia pensar que se foi execução, porque na nuca, né? >> Certeza. Certeza.
Eu reuni a equipe, falei: "Meu Deus do céu, onde esse disparo pegou? " Caraca, velho. E agora para explicar, eu tinha medo até do meu comandante para explicar para ele, porque meu meu meu comandante não era da pegada.
Eu falava assim: "Nossa, agora eu tô ferrado, eu já vou transferido". É o mínimo. E por que que esse disparo pegou na nuca?
Sabe por quê? Porque ele estava em cinco numa esquina, uma da manhã na Carlos Lacerda na entrada de uma favela. A gente voltando para recolher na noturna, um cara com carro, pô, eu vou falar essas coisas, os caras vão achar que eu sou um dinossauro.
Eu tenho 50 anos, não tenho 100 não. O cara com cadete branco parou com a mãozinha, falou para nós assim: "Ô, ô, Steve e quem chama Steve de Steve é polícia". Falou: "Ô, Steve, os caras tão trocando tiro na avenida.
Por sorte o polícia que tava comigo, sargento Assis, abraço, irmão. Assis, tá sempre junto. O Assis anotou a placa do cadete e nós aceleramos.
Rotona, mano. 1 da manhã na quebrada não tem uma alma na rua, >> certo? Toda hora tiroteio, toda hora homicídio.
Naquela época o povo não ficava vacilando no na na quebr é não tinha essa. >> Quando nós embicamos na Carlos Lacerda assim, ó, tinha cinco cara numa rodinha na esquina, mas os caras estavam conversando. O meu o piloto da barca virou para mim e falou: "Chefe, vai para onde?
Esquerda ou direita? Afunda comunidade ou centraliza? " Eu falei: "Caraca, mano, mas cadê o tiroteio?
" Aí os caras falam: "Não tem nada, meu. Tá, zerado". Falei, mas e esses cinco louco aí na esquina, essa hora só eles aí.
Essa ocorrência foi até on tomei o disparo embaixo do braço do estagiário da viatura. É. Aí eu peguei e falei assim: "Mano, e esses cinco cara aí trocando ideia essa hora?
" >> Aí eu fic: "E aí, chefe? " Falei, "Man, vamos ver. Estamos parado aqui.
A gente tava na posição com a viatura inclinada para entrar na avenida. A avenida passava aqui e onde ele estava era uma subidona íngreme. Eu tenho até foto disso.
Eu tenho as fotos de ocorrência. Boa aí, cara. Hora que eu que nós abrimos a porta para desembarcar, os cinco caras sacaram os canos e começaram a tirar na gente sem parar.
Eu não sei até hoje como o Cabo Aurélio e o sargento Assis não foram baleado, porque como a viatura tava na diagonal, eles ficaram expostos pro lado dos cinco. Eu fiquei para cada viatura e o estagiário desembarcou. Eu comecei a despejar, o estagiário tava atrás de mim, sentou o pau.
Foi aí que a munição passou embaixo do meu braço, queimou meu braço e a o fiel, que era aquela corda que segurava no revólver, ficou pendurado só por um pedacinho todo queimado. O o disparo passou embaixo do meu braço assim. >> E aí que que aconteceu?
Dois caras subiram a rua. Três caras subiram à rua e dois caras correram na avenida. >> Ah, na hora que ele virou de costas, >> não.
Eles atiraram, atiraram, atiraram, nós devolveram e os caras correram. Nessa corrida, os dois foram pra avenida. O o Caba Aurélio e o Sargento Assis correram atrás dos cara.
Eu e o estagiário fui correr na subida. Quando eu fui quando eu cheguei na esquina na subida, o moleque virou e deu pau. Quando ele deu, eu comecei dar um monte.
Um desses tiros que eu dei, pegou na cabeça dele aqui, ó, lá em cima. Ele caiu de testa no chão. Só que eu continuei atirando no outro.
O outro tava com uma pistola tirando e fui correndo na direção dele. Ela subia e ficava reto. Quando eu cheguei perto do moleque, eu ainda vi ele caído com oitão.
Peguei o oitão dele, enfiei na cinta. Só que o que que eu vi? A massa massa dele já tava tudo espalhada.
Falei: "Esse aqui já era". Continuei correndo atrás do outro. Quando eu entrei na viela da comunidade, eu vi ele virando a a primeira viradinha da viela.
Ainda dei mais, porque se eu não atiro, ele para, faz visada e dá em mim. Eu que tô exposto no meio do corredor. Ele virou a curva, mano.
Quando eu comecei a ir fatiando para tentar ver se ele não tava me esperando, o recruta virou para mim, o Miguel falou: "Volta, chefe que eu tava sozinho no meio, meu lá é Jardim São Luís, velho. É, é tipo o Rio de Janeiro assim, a comunidade não é coisinha assim". >> É.
Aí ele volta, chefe, eu falei: "Pum, tô sozinho aqui, mano. Voltei, perdi esse cara. Perdi esse cara.
Quando eu voltei, chegamos lá no moleque caído. Quando eu olhei, falei: "Puta, esse moleque é novo, hein, mano". E o revólver dele já tava na minha cinta.
Caraca, mano. Nisso voltou os outros dois, o Aurélio e o Assis. Falou: "Chefe, que merda foi essa?
" Eu falei assim: "Mano, eu que sei. Sentar um monte de vocês estão bem? Os cara não, não pegou nenhum, pegou na viatura, mas na gente nada".
Falei: "Caraca, mano, que loucura, velho". Aí, e aí eu falei, ó, tá esse aqui, ó, com esse tiro na atrás aqui, que foi na hora que ele atirou e correu, pegou atrás, cara. [ __ ] como é que nós vamos explicar?
Nós não temos vítima, não temos nenhum produto de roubo. Nós temos um garoto com tiro na nuca, com revólver, uma da manhã na quebrada e nós quatro rotona aqui. Não, a perna já começou a tremer.
Falei, vamos ser preso. >> Me ajudou nessa nessa questão aí. >> Mas os caras acha que a gente enfia a arma.
Ah, >> ninguém acredita na gente, mano. For já >> todo mundo acha que ninguém atira na rota. Eu vou te contar uma outra depois se você quiser, que esses caras são caras que não botam bunda em viatura, não roda na na madrugada, na no dia, na quebrada, não sabe o risco que é.
Aí eles ficam com essas teorias, teoria do do Caco Barcelos, entendeu? viu um negócio que foi inventado ou ouviu dizer e conta, achando que agora tudo é assim. E não é, mano.
Os caras estão sentando pau nos polícia, nas viaturas. Lá na Baixada teve um ano que teve 460 ocorrência de viatura alvejada. >> Meu Deus.
>> Entendeu? É, é, cara, é um negócio, é guerrilha. A população, tem uns cara aí, ó, >> a gente tá em guerra civil, né?
>> É, tem um pessoal aí que é o a terra de Langolango, né? na felicidade, na terra do lango lango, todo mundo vivendo na terra do lango lango e nós nós vivendo no >> paraoeste, >> no combate, no crime, cara. E tem os lango lango no governo, os lango langango nas empresas, os lango lango andando aí no nos barzinhos, tudo car de bobo aí, os crimes pegando fogo e os polícios tomando na cara e dando também.
E graças a Deus morre muito mais vagabundo que polícia. Ainda bem. Mas aí o que aconteceu, ó, o final do seu cor, só para você entender, a hora que a gente tava conversando, cara, o estagiário foi descer pra viatura, porque a viatura tava abandonada na avenida com as portas abertas.
Eu falei para ele, ó, traz a viatura. A hora que ele desceu, ele falou, ele começou a falar assim: "Vai, mano, levanta, levanta, levanta. Não entendi nada".
Aí quando eu olhando assim, ó, tinha um um dos caras tava vestido todo de preto, ele tava na sarjeta deitado e a gente passando, conversando por ele, nós não vimos, tava tudo escuro e o estagiário viu. Quando o cara levantou a gente, oh nisso os dois, o cabo e o sargento, falou: "Chefe, esse esse cara atirou na gente". Eu eu falei: "Levanta, bota a mão para trás".
E o cara tremendo, você imagina, né? Depois tá vendo um ali com o cérebro escorrendo aí >> e nós tudo com com sangue no olho. Ele falou: "Meu, pelo amor de Deus, eu sou vítima".
>> "Como assim você é vítima? " Ele falou: "Sou vítima, meu. Os quatro cara tava me roubando.
" Aí o sargento falou: "Meu, você tava com arma na mão, atirou em mim, [ __ ] Eu vi". Ele falou: "Não, senhor, eu sou vítima". Aí ele sacou daqui o crachá, ele era funcionário da Câmara de Tabuão.
Ele falou: "Sou digitador da Câmara de Tabuão". Meu, o sargento falava: "Chefe, ele ele deu tiro em mim. Eu: "Cadê sua arma?
" Ele: "Eu não tô armado, eu sou vítima, os cara tá me assaltando ainda os polícia chefe". Não é vagabundo, é vagabundo. Eu falei: "Calma, calma".
Acalmei os polícias, falei: "Ó, esse cara tá salvando a nossa ocorrência, eu tenho uma vítima. Agora vão acreditar que teve uma troca de tiro. " [risadas] Aí os cara, chefe, não é possível, mano.
Esse cara é vagabundo, é ladrão. Esse cara atirou em mim. Para e pensa, mano.
Quem vai acreditar em nós quatro? Ele pode ter atirado, só que é o seguinte, deu sorte, não morreu e ele é a nossa vítima. Que que eles estavam te roubando?
Ele falou: "Senhor, não deu tempo. A hora que eles estavam me enquadrando, vocês chegaram. Você é funcionário, ele tá aqui meu crax.
Então tá bom, vamos levar ele pro pro DP. Vamos pedir viatura para preservar o morto. Vamos socorrer.
Beleza. Beleza. Botamos ele na viatura.
O sargento volta. Não falei, [ __ ] Não falei. Ó aqui o revólver dele foi dar uma geral na coisa.
Ele tinha jogado o 38 e o 38 dele tava tudo picotado. Aí ele falou: "Eu não falei que ele atirou? " Eu falei: "Meu, pelo amor de Deus, cara, que parte que você não tá entendendo?
Eu já não quero mais discutir quem atirou. Eu preciso ter uma corrência para eu contar pra nossa chefia, porque senão nós estamos tudo preso, cara. Ninguém vai acreditar que aquele moleque, aquele inseto novinho veio para cima de quatro rotariano, mano.
Ele tá com tiro nas na nuca. Ele tem um revarvinho fuleiro. Não dá, cara.
Não dá. Deixa a nossa vítima. Eu eu tô seguindo porque você vai ver onde essa ocorrência chegou.
Aí, cara, você vê o que a gente passa na rua. Aí leva esse cara pro DP no 37. Chego lá, a autoridade, né, >> começou a esculachar a gente, o delegado.
E esse eu posso zoar mesmo, não vou desrespeitar a classe não, que eu tenho muito amigo delegado, porque esse vagabundo foi preso depois, era dono de um hotel gigantesco que tava fazendo uma [ __ ] lavagem de dinheiro e era um pilantra. Mas >> lavagem de dinheiro pro PCC? >> Não, eu não sei se era PCC, ele foi preso com negócio, esquema de dinheiro, era dono de um hotel.
Esse cara, velho, começou a me esculachar no DP, mandou tirar o gema desse cara que tava no chão, porque ele era irmão do vereador, o digitador de Tabuão, >> certo? >> E começou, como assim? Você botou algema no cara?
Falei assim: "Ô, doutor, o que eu fiz ou não fiz na rua é problema meu e eu respondo. " Beleza? Se o cara, se o meu policial tá falando que ele atirou é grampo, ele vem no grampo porque ele é risco pra equipe.
Se você não concorda dele tá algemado, tira, fica com ele à vontade aí na sua sala. Ele pode tirar. Fui lá, tirei algema.
O cara já começou feitão de pombo. Chega o irmão dele, vereador. O irmão dele chegou num Passat Pointer.
Lembra do Passat Pointer? >> Lembro. >> Só que é o seguinte, ele deu muito azar.
Um pouquinho antes desse vereador chegar, tinha um outro comando chamado Vinícius, Coronel Vinícius hoje, Vin Brother, esses caras vieram no apoio. Quando eles vieram no apoio, o que que eu falei? Que eu tinha um cara que eu dei um monte de tiro nele na corrida que entrou na comunidade.
Ele falou: "Mano, esse cara deve est baleado". Falei: "Deve tá". Eles começaram nos PS.
Esse cara não me achou. Esse cara no PS com tiro nas costas, um no braço e um na bunda.